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Quatro horas. Está a começar o Jornal das Quatro, com edição do Miguel Gato. Miguel, apesar de indicar que o risco para Portugal é baixo, a DGS atualizou hoje os procedimentos hospitalares para casos suspeitos de Ebola.
A Direção-Geral da Saúde indicou os hospitais de referência para possíveis casos do vírus, Curry Cabral e Dona Estefânia, em Lisboa, e o São João, no Porto. A nota conhecida hoje dá conta também de sintomas aos quais a população deve estar atenta, caso tenha estado em áreas com circulação do vírus: febre acima dos 38º, vômitos, diarreia, dor abdominal e também hemorragias. Recebemos neste Jornal das Quatro o infectologista Fernando Maltês. Boa tarde, obrigado pela disponibilidade. Já no dia 19/05, a DGS tinha emitido uma nota a dar conta de que se ia reforçar a vigilância do vírus Ebola em Portugal, após a Organização Mundial da Saúde ter declarado o surto na República Democrática do Congo como uma emergência internacional de saúde pública. Hoje é conhecida esta diretriz da DGS, já com hospitais de referência. Pergunto-lhe por que isso acontece nesta altura. Trata-se de um procedimento normal?
Muito obrigado, em primeiro lugar, pelo convite para eu participar neste vosso programa. É um procedimento normal. Portanto, a Organização Mundial de Saúde declarou a emergência deste surto como uma emergência de saúde pública internacional. Não tanto pelo medo que ela possa descambar, passe a expressão, e que o vírus possa vir a transmitir de uma forma alargada e chegar mesmo ao Ocidente, causando uma pandemia grave, porque se eventualmente ele chegar ao Ocidente, rapidamente se tomarão as medidas para isolar as pessoas infectadas e prevenir qualquer transmissão mais alargada, mas sim, sobretudo, para chamar a atenção para o epicentro da epidemia. Isto é, para mobilizar recursos para o epicentro da epidemia na África Centro-Ocidental.
Portanto, é apenas prevenção.
Exato. O risco de uma pandemia à escala global, a pandemia é sempre uma coisa à escala global, é mínimo. O risco de chegarem cá casos, eu diria que é muito pequeno, mas, de facto, isto obriga que nós estejamos também preparados nos nossos locais de trabalho e nos nossos países, a termos a preparação necessária para a eventualidade de virmos a receber algum caso. E, portanto, este alerta da Direção-Geral de Saúde tem exatamente o objetivo que os centros de referência, como aliás já tem sido habitual com o Centro Hospitalar de São João e com o Hospital Curry Cabral, serem os centros de referenciação.
Aliás, é uma nota bastante parecida àquela que foi também divulgada pela DGS por causa do antivírus.
Exato. Normalmente, são os procedimentos habituais para outras emergências que têm ocorrido de há umas dezenas de anos a esta parte. Eu lembro desde 2004, desde a SARS, que este plano de centros de referenciação já está estabelecido e tem-se repetido com as pandemias que têm surgido ao longo deste tempo. E, portanto, o alerta tem fundamentalmente o objetivo de estes centros estarem preparados no que diz respeito a recursos humanos, no que diz respeito a recursos técnicos, a fazerem treinos na utilização de equipamentos de proteção individual. Estamos a lidar com uma doença para a qual não existe terapêutica eficaz, para a qual não existe uma vacina eficaz e, portanto, temos que tomar medidas de suporte e medidas de isolamento adequadas e, portanto, requer treinos na utilização de equipamentos para os profissionais não se infectarem. E, portanto, as normas da Direção-Geral de Saúde são também uma chamada de atenção para essa necessidade.
Fernando Maltês, não posso deixar de lhe perguntar sobre o Mundial de Futebol, porque a seleção da República Democrática do Congo vai enfrentar Portugal na fase de grupos. Muito rapidamente, pergunto-lhe se há aqui algum risco de contágio entre jogadores ou adeptos, ou a Organização Mundial de Saúde não vai deixar que isso aconteça, vai tomar as medidas preventivas necessárias.
Eu penso que não haverá qualquer tipo de risco, na medida em que as pessoas que vierem da República Democrática do Congo, sejam eles desportistas ou não, jogadores ou não, de acordo com aquilo que foi determinado pela Organização Mundial de Saúde e por se tratar de uma emergência de saúde pública internacional, de acordo com aquilo que foi decretado pela Organização Mundial de Saúde, todas as pessoas que saírem neste momento por qualquer tipo de fronteira da República Democrática do Congo, do Uganda ou de qualquer outro país que neste momento ainda não, mas que possa vir a ser também afetado pela epidemia, terão que ser objeto de rastreio à saída dos respectivos países e, portanto, deverá ser respeitado, com certeza, também o período de incubação adequado para que os que cheguem aos Estados Unidos da América não estejam a correr qualquer risco de poderem estar infectados e, portanto, não haverá risco para as pessoas.
Obrigado Fernando Maltese, infectologista, pelos esclarecimentos sobre esta atualização da DGS para os procedimentos para casos suspeitos de Ebola. O surto na República Democrática do Congo já fez 18 mortos, números confirmados pelas Nações Unidas, mas há centenas de mortes em que se suspeita uma relação com este vírus, embora não esteja confirmado.
Benjamin Netanyahu fala num ponto de viragem decisivo na guerra com o Hezbollah, após Israel ter hoje tomado uma fortaleza no sul do Líbano.
O castelo medieval de Beaufort, um importante porto estratégico, fica a cerca de 15 km da fronteira com Israel. Foi hoje tomado pelas Forças de Defesa Israelitas. Numa mensagem publicada na rede social X, Benjamin Netanyahu fala numa mudança dramática e diz que a expansão é para manter. No seguimento desta ofensiva de Israel no Líbano, o ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Jean-Noël Barrot, pediu uma reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Solicitei uma reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Nada pode justificar o prolongamento das operações militares israelitas no Líbano e a ocupação cada vez mais profunda do território libanês. Este prolongamento das operações militares, este avanço no território libanês, não é só contrário aos compromissos de Israel, uma vez que desde 17 de abril que temos um cessar-fogo no Líbano, como é contrário ao direito internacional e a todas as resoluções que preveem que o Líbano deve dispor da plena integridade territorial, mas é também contrário aos interesses e à segurança de Israel, pois cada aldeia bombardeada, cada civil morto, reforça o Hezbollah a longo prazo.
Nada justifica a ocupação cada vez mais alargada do território libanês, é o que diz o ministro francês dos Negócios Estrangeiros. Um ataque israelita num hospital no sul do Líbano fez hoje 13 feridos, informa o Ministério da Saúde do país. E também este ataque causou danos graves neste mesmo hospital. O primeiro-ministro libanês, que acusa Israel de estar a procurar uma política de terra queimada no sul do Líbano.
E Miguel, a última noite foi de desacato em França. Os festejos do título de campeão europeu do Paris Saint-Germain resultaram num morto, vários feridos graves e quase mil detenções.
Um homem morreu na madrugada de hoje ao chocar com uma mota em blocos de betão colocados pela polícia a propósito dos festejos. A vítima era um jovem na casa dos 20 anos. A Procuradoria de Paris acrescenta que um outro jovem, também no âmbito das celebrações, foi esfaqueado com gravidade. É um dos oito feridos graves, dos mais de 200 que resultaram das celebrações de ontem à noite da Liga dos Campeões, conquistada pelo PSG. No que toca a detenções, a polícia francesa realizou 300 só em Paris, 800 em todo o território galês, um aumento de mais de 30% face às detenções que foram feitas no ano passado. O ministro francês do Interior, Laurent Núñez, considera que a situação em geral esteve controlada. O PSG é bicampeão europeu, conquistou ontem a Champions nas grandes penalidades frente ao Arsenal.
É o ponto final no Jornal das Quatro.