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A começar com essa declaração do antigo líder do PS Madeira, Carlos Pereira vai ponderar uma nova candidatura à estrutura regional do partido e acusa Paulo Cafôfo de não saber assumir derrotas.
Ouvido no programa Explicador, da Tarte Política, Carlos Pereira mostra-se desolado e até chocado com a derrota dos socialistas, remetidos agora ao terceiro lugar do Parlamento Regional da Madeira. Alerta para mudanças que têm de ser feitas na estrutura regional do PS e mostra-se disponível para ser a solução, mas afasta para já o tema da liderança do PS Madeira.
"Eu seria hipócrita se dissesse que essa ponderação não é feita. É óbvio que é feita. Eu acho é que eu não quero intoxicar nem campanhas legislativas nacionais, nem campanhas autárquicas. Eu acho que o Partido Socialista da Madeira precisa de refletir, precisa de dialogar e precisa de chamar pessoas e libertar toda esta tensão que se gerou ao longo destes anos com derrotas e com erros e poder, de alguma forma, trilhar um caminho positivo daqui para frente." Sobre a atuação de Paulo Cafôfo, Carlos Pereira admite que o socialista fez tudo o que conseguiu na liderança do PS Madeira. Ainda assim, aponta o dedo ao atual líder regional do partido.
"Mas eu ontem, quando ouvi Paulo Cafôfo fazer aquele comentário: "Eu ficarei para organizar estas eleições", e, portanto, não se demitiu, naturalmente, eu fiquei a pensar quantas derrotas são precisas para Cafôfo ter para assumir uma responsabilidade de forma mais perentória. E, portanto, perante uma derrota tão categórica, eu acho que era legítimo que isso tivesse acontecido." Carlos Pereira, vice-presidente do grupo parlamentar do PS na Assembleia da República, antigo líder regional do partido na Madeira, esteve no Explicador e aproveitou também para salientar as diferenças entre o contexto regional e o contexto nacional, diz que são diferentes. O representante da República na Madeira vai receber os partidos com representação no Parlamento na próxima sexta-feira. Vai ser naturalmente discutida a formação do novo Executivo.
E sabe-se que está marcada para esta tarde uma reunião entre PS e CDS, por forma a negociar um acordo de governo, depois dos sociais-democratas terem conseguido uma quase maioria absoluta. Falta apenas um deputado para garantir essa maioria.
Entretanto, o líder parlamentar do Chega relativiza a derrota do partido nas regionais da Madeira. Pedro Pinto foi ouvido há pouco na Rádio Observador. Critica o primeiro-ministro por querer fazer leituras nacionais destas eleições.
"Portanto, ao não ter maioria absoluta, também não é aquela grande vitória que o PSD queria. São contextos completamente diferentes de eleições nacionais, como serão no próximo dia 18 de maio. Eu percebo que Luís Montenegro venha ávido de uma vitória e dizer aquilo que disse ontem à noite. Aliás, eu julgo que Luís Montenegro tem sido muito infeliz nos últimos dias, inclusive ontem, quando veio logo dizer que uma grande vitória do PSD, quando nem na Madeira o Miguel Albuquerque quis Luís Montenegro." Pedro Pinto, líder parlamentar do Chega, entrevistado esta tarde aqui na Rádio Observador, depois dos resultados na Madeira, em que o Chega desceu de 9% para 5% dos votos e perdeu também um mandato. E Luís Montenegro acusa André Ventura de querer condicionar a Justiça depois do líder do Chega ter revelado a providência cautelar apresentada por Montenegro. Diz o primeiro-ministro numa publicação nas redes sociais, diz Luís Montenegro que o Chega e o líder do Chega não têm limites.
Em causa está a ação no Tribunal Civil de Lisboa, que foi apresentada por Luís Montenegro, na sequência de cartazes que foram afixados pelo Chega a comparar o primeiro-ministro a José Sócrates. Na imagem pode ler-se a sugestão de que os dois são caras de 50 anos de corrupção em Portugal.
Ora, o primeiro-ministro quer que o tribunal ordene a retirada dos cartazes. No entanto, o pedido foi negado. O juiz recusou que a ação fosse decidida sem contraditório e, por isso, André Ventura foi notificado para prestar esclarecimentos.
Essa providência cautelar exige a retirada imediata dos cartazes e também uma compensação de €10 mil a Luís Montenegro. É o que confirma a Comarca de Lisboa.
O líder do Chega, André Ventura, diz que o primeiro-ministro não sabe conviver com a democracia, acusa o chefe do Governo de querer condicionar a liberdade e garante ainda que não vai retirar os cartazes.
"Isto é grave, quer dizer, qual é o próximo passo? É pedir-nos para retirar posts do Facebook e do Instagram? É querer controlar as nossas páginas das redes sociais? É querer decidir o que é que nós temos nos folhetos de propaganda do partido? Quer dizer, isto é um primeiro-ministro que convive mal com a democracia, convive mal com a liberdade."
André Ventura insiste que há suspeitas graves que recaem sobre Luís Montenegro e que ainda estão por explicar.
Voltamos a Pedro Pinto, líder parlamentar do Chega, que acabou por responder também à providência cautelar de Luís Montenegro. Defende Pedro Pinto a liberdade do partido em colocar os cartazes que quiser com a imagem de Luís Montenegro ao lado de José Sócrates e reforça mesmo as parecenças que o Chega considera que existem entre os dois.
Há pouco, no Explicador, o presidente do grupo parlamentar do Chega recusa que tenha sido o partido a divulgar a providência cautelar e acusa Montenegro de lidar mal com a democracia.
"E que a única coisa que eu ouvi foi pela comunicação social e foi em relação àquilo."
Não houve ainda qualquer notificação do Chega em relação a esta providência cautelar.
"Que eu tenha conhecimento, até esta hora, não houve nenhuma notificação do Chega. Agora, aquilo que eu percebo também é que Luís Montenegro convive muito mal com a democracia. Mas isto também já percebemos que alguém que sempre viveu a sua vida toda no "quero, posso e mando", onde os políticos se habituaram sempre a fazer tudo aquilo que queriam na sua vida e que estavam sempre à margem."
A acusação de Pedro Pinto esta tarde entrevistado na Rádio Observador.
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