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Jornal das sete, com a jornalista Vanessa Cruz. O governo rejeita as críticas dos autarcas quanto à demora na reposição da energia elétrica. Anuncia, entretanto, que a isenção de portagens a algumas autoestradas é para manter, pelo menos até o próximo domingo.

Dia 15 de fevereiro. Quem passar por quatro nós da A8, A17, A14 e A19 não tem de pagar portagens. São troços nas zonas mais afetadas. O objetivo da isenção é facilitar a mobilidade, até porque ajuda a chegar às localidades para acelerar a reconstrução e também apoiar as populações. A esta hora, pontualmente, a Proteção Civil está a fazer um ponto de situação sobre o mau tempo. Vamos escutar o comandante nacional, Mário Silvestre.

Os nossos rios, neste momento, estão no limite da capacidade e, portanto, é natural que com esta precipitação haja novamente um aumento das inundações um pouco por todo o país, nomeadamente na zona Norte e Centro. Portanto, este quadro meteorológico volta a apelar a todos para extremo cuidado e redobrados cuidados em várias matérias daquilo que é a nossa vida quotidiana. E reforçar que, mais uma vez, há um episódio de chuva. A chuva em si não terá grande impacto, mas o que a chuva vai provocar nos diversos leitos de água será um problema significativo e poderá constituir-se como um risco, novamente, para toda a população portuguesa. Em risco significativo de inundações, temos o rio Mondego, o rio Tejo, o rio Sorraia e o rio Sado, e com risco de inundação, o rio Vouga, o Águeda, o Lima, o Cava, o Douro, o Tâmega, o Lis e o Guadiana. Chamar particularmente a atenção para todos os cursos de água que se situam na zona Norte, na zona Minho, porque esses cursos serão provavelmente aqueles que sofrerão mais impacto pela precipitação que se vai fazer sentir, nomeadamente durante o dia de amanhã. Até o momento, temos 11 planos distritais ativados, 125 planos municipais e 19 declarações de situação de alerta decretados pelos próprios municípios.

Mário Silvestre, o comandante nacional da Proteção Civil, mais uma vez com o alerta para o risco de inundações e aqui a destacar, em particular, a zona do Minho, até por causa da chuva intensa que se vai fazer sentir.

Amanhã, sobretudo a norte do Mondego, durar chover muito, sobretudo de manhã, acompanhado por trovoada. Daí também os alertas da Proteção Civil feitos há instantes.

Entretanto, já passaram quase duas semanas da passagem da depressão Cristine pela zona centro. O presidente da Câmara de Leiria foi o primeiro a dizer que se fosse a casa dos governantes a ficar sem luz, o problema já estaria resolvido. Uma crítica que já teve, entretanto, resposta por parte do ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz refuta.

Os governantes deste país colocam o país à frente dos seus próprios interesses. Isso não tenham dúvidas absolutamente nenhumas. E, portanto, a E-Redes está a fazer um trabalho, também ela hercúleo, tem mais de mil homens também no terreno e está a repor todas as situações. E eu percebo as afirmações neste momento mais quente, mas refuto completamente o conteúdo das mesmas.

É na resposta assertiva do ministro Miguel Pinto Luz ao autarca de Leiria, que não é, de resto, o único presidente de Câmara da zona centro a queixar-se da demora na reposição da energia elétrica. Também os presidentes da Câmara da Marinha Grande e de Ourém se queixaram esta tarde no Explicador da Rádio Observador. Dizem que os meios da E-Redes no terreno são insuficientes e que as populações estão a ficar revoltadas.

E o ministro das Infraestruturas admite que a linha ferroviária do Oeste vai demorar vários meses a ficar totalmente operacional.

É a linha de comboio que começa no Cacém, passa pelas Caldas da Rainha e vai até à Figueira da Foz. A estimativa é que os constrangimentos se mantenham pelo menos nove meses até a normalidade ser reposta. Até lá, admite Miguel Pinto Luz, vai ser preciso encontrar alternativas, por exemplo, para garantir a mobilidade das pessoas.

As Infraestruturas de Portugal têm hoje, como é sabido, estradas nacionais que vão obrigar a meses de reconstrução. A Linha do Oeste, a meses, eu já tive a oportunidade de dizer que no mínimo nove meses para repor a Linha do Oeste. E o que é que as Infraestruturas de Portugal hoje estão a fazer em conjunto com os municípios? Encontrar alternativas, porque há infraestruturas que não podemos esperar meses. Se temos uma estrada nacional fechada, temos que encontrar alternativas no território que garantam a mobilidade dos nossos concidadãos.

Entretanto, o governo mandatou o Laboratório Nacional de Energia Civil, o LNEC, para liderar uma auditoria às principais infraestruturas e obras de arte do país. É uma vistoria que pode demorar cerca de um ano.

Nós mandatamos o LNEC para liderar uma auditoria nacional a todas as grandes infraestruturas e obras de arte. Entenda-se, grandes taludes, pontes, obras de arte, infraestruturas críticas para o país que não podem estar em causa em situações limite como aquela que nós vivemos. E, portanto, nos próximos meses, possivelmente no próximo ano, esta grande auditoria nacional será feita.

O ministro Miguel Pinto Luz com esta garantia depois de uma reunião com várias empresas do setor das infraestruturas na sede do governo, em Lisboa.

Entretanto, o presidente da República eleito, António José Seguro, está reunido há cerca de três horas com Marcelo Rebelo de Sousa em Belém. É a primeira reunião entre os dois.

Sim, para marcar a passagem de testemunho entre o atual e o próximo inquilino de Belém. Vamos em direto até o Palácio de Belém. Vasco Almondo Correia, tens estado aí nestas últimas três horas. Ainda não há sinal de que a reunião esteja para terminar.

Tudo na mesma, Vanessa. São já mais de três horas de reunião, sem fim à vista, o que dá a entender que neste primeiro passo de transição em Belém, Marcelo e Seguro já estarão a olhar atentamente para as várias pastas de que o presidente eleito se vai ter de inteirar. Terão precisamente um mês para o fazer, até à tomada de posse. Seguro tinha prometido começar a trabalhar já a partir de hoje. Passou esta manhã ao telefone, em casa, nas Caldas da Rainha, em contacto com autarcas dos conselhos afetados pelo mau tempo. De lá saiu depois do almoço para agora, como vemos, dedicar toda a tarde e já aproximar-se da noite a este encontro com Marcelo Rebelo de Sousa. Quando terminar a reunião, Vanessa, teremos então a oportunidade de saber ao certo o que foi discutido entre o presidente em funções e o presidente eleito.

Um longo primeiro encontro entre os dois, depois da eleição de António José Seguro, vai ser o próximo presidente da República.

E daqui por uma hora, há uma vigília que começou por ser uma vigília de protesto e agora se transformou numa vigília de solidariedade para com as vítimas da tempestade Cristine, em Leiria.

Sim, era para ser um momento de solidariedade e também, ao mesmo tempo, de protesto, tendo em conta que há ainda milhares de pessoas sem luz em Leiria, mas na última hora, Luís Soares, o mote dessa concentração mudou.

Os jornalistas foram informados de que esta concentração vai servir para homenagear exclusivamente todas as vítimas da tempestade Cristine, tendo em conta também que hoje mesmo morreu um trabalhador que trabalhava para uma empresa da ER Redes, num trabalho para repor a energia elétrica e por isso mesmo o dia acabou por ficar marcado por essa trágica notícia. E este momento, que era para ser também de protesto, acaba por ser também de homenagem. Vai mesmo haver um minuto de silêncio aqui na fonte luminosa aqui em Leiria, mesmo ao lado do Jardim Luís de Camões. Há um palco montado com algumas colunas. Também já se fizeram aqui testes de som e certamente vai ser uma vigília debaixo de uma chuva miudinha, que vai caindo e continuando a cair, apesar de alguns toldos que aqui foram montados, mas será necessário guarda-chuva para quem quiser vir a esta vigília.

Fica essa recomendação do Luís Soares, que está em Leiria. Precisamente neste concelho, 27 mil clientes ainda estão sem energia, de um total de 37 mil, a abranger também Santarém, Castelo Branco e Coimbra, entre outros municípios.

E há outras notícias a marcar a tarde desta segunda-feira, 9 de fevereiro.

Ainda a propósito do mau tempo, a Entidade Regional do Turismo do Alentejo e Ribatejo exige apoios do governo para os empresários que foram afetados pelas tempestades. A chuva e o vento fortes provocaram estragos em estruturas e unidades turísticas de vários conselhos e por isso pede-se respostas rápidas, apoios a fundo perdido, que, diz a Entidade Regional do Turismo do Alentejo e Ribatejo, não são compatíveis com linhas de crédito. A pena de oito anos de prisão de Ricardo Salgado já transitou em julgado, mas pode vir a ser alterada. Estão em causa dois recursos apresentados em 2023, um para o Supremo Tribunal de Justiça, outro para o Tribunal Constitucional. Ao Observador, a Relação de Lisboa explica que estes recursos acabam por ter efeito suspensivo sobre o processo. Como tal, vão os dois recursos agora ser decididos pela Justiça. Podem mesmo vir a alterar a pena de prisão, que tinha sido decretada em janeiro deste ano a Ricardo Salgado. A Associação dos Jornalistas de Desporto denuncia uma violação da lei por parte do Sporting Clube de Portugal. Em causa está o episódio de sábado, em que o Sporting impediu a entrada de uma jornalista do jornal "O Jogo" para a cobertura da partida de basquetebol entre o Sporting e o Futebol Clube do Porto. A associação apela à direção do Sporting para que reveja as atitudes e as coadune com as declarações públicas de ética que tem feito. O jornal "O Jogo" apresentou, de resto, uma queixa à Entidade Reguladora da Comunicação e ao Sindicato dos Jornalistas e à Federação Portuguesa de Basquetebol. E hoje, no futebol, Ricardo, como sabes, é dia de clássico, joga o Porto contra o Sporting, precisamente mais logo no Dragão, às 20h45. Mas ontem foi um dia muito importante.

Sim, além do Benfica, que acabou por vencer por 2x1 o Alverca, foi eleito o novo presidente da República.

Pois, e sabias que há um dado curioso que relaciona o novo presidente eleito com o futebol?

Então, sei que o António José Seguro é adepto do Caldas, não é? Já ouvimos que é escol.

Exato. O apoio de Seguro ao clube da terra onde vive é grande, mas não é bem isso ou bem só isso. Não sei se sabias, mas o novo presidente da República já foi atleta e jogador de futebol.

Não fazia ideia.

Teve uma carreira curta, durante três anos, entre as épocas de 1978 e 1982. É natural de Penamacor, jogou no Penamacorense.

Penamacorense, era isso? É isso?

Sim, o clube da terra natal.

Deve ser difícil no relato dizer Pena-- olha, também não consigo. E em que posição é que jogava nessa altura, imagino que o Tósé jogava em que posição?

Olha, a Rádio Observador, que esteve em Penamacor com o nosso jornalista João Gama, um ex-colega da equipa de António José Seguro, diz que o agora presidente eleito jogava avançado centro.

Era matador, então.

É. Antes da passagem pelo futebol, ainda praticou atletismo e chegou a ganhar uma corrida de 10 km em São Silvestre.

Olha, já fez mais do que eu. Bom, ontem ganhou uma maratona. Foi uma maratona, porque no início, quando se começou a falar do nome dele, ninguém sabia que isto ia ser possível, que ia ganhar, ainda por cima com o maior número de votos de sempre num presidente da República. Fica também já o convite para o Porto-Sporting, às 20h45, aqui também para acompanhar na Rádio Observador.