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Jornal das 7, com a Vanessa Cruz. O governo acusa a UGT de ser intransigente nas negociações sobre a reforma laboral.

"Absolutamente intransigente", é esta a expressão utilizada pelo executivo de Luís Montenegro, de acordo com a Agência Lusa, ao Observador. Também os patrões responsabilizam diretamente a UGT pelo fracasso das negociações sobre a reforma do Código do Trabalho. É o caso do presidente da Confederação do Turismo de Portugal, Francisco Calheiros, diz que não houve vontade política da Central Sindical em chegar a um acordo.

Há três semanas que nós temos reuniões diárias e, portanto, chega a uma altura em que temos que saber se há condições para assinar ou não. Da parte da UGT, não houve. Eu acho que não é por razões técnicas, e sim, acho que é por razões políticas. A questão é esta: houve, por parte do governo e da Ministra do Trabalho, muita cedência. Por parte das entidades empregadoras, igual. Da parte da UGT, não houve praticamente nenhuma cedência.

A Confederação do Turismo de Portugal não revela, no entanto, que cedências foram essas. O presidente da Confederação do Comércio de Portugal, a CCP, também tem críticas a fazer aos representantes dos trabalhadores. João Vieira Lopes diz que a UGT fechou a porta a um acordo.

Hoje ficou claro para nós que a posição da UGT, apesar de falar sempre em negociação, se tinha fechado para qualquer evolução nesse processo e, portanto, a única conclusão possível é que não há acordo.

Não há acordo, é o que lamenta a Confederação do Comércio de Portugal.

A CIP junta-se a este lamento.

O presidente da Confederação Empresarial de Portugal, Armindo Monteiro, fala numa situação de lamentar. Sublinha que se perdeu uma oportunidade.

É lamentável que não tenhamos, do lado que restou sindical, um mínimo de esforço para dar uma oportunidade ao país, porque é disso que se trata. Não houve uma oportunidade ao país. Entramos aqui numas coreografias para arranjar pretexto para desistir das negociações.

Reações dos patrões ao Observador depois de terem chegado ao fim, sem acordo, as negociações para a reforma laboral. A Rádio Observador já tentou várias vezes contactar a UGT, ainda sem sucesso. O Ministério do Trabalho remete declarações para mais tarde, mas fonte do executivo diz à Agência Lusa que promete realizar todos os esforços para que seja possível um acordo. A ministra Rosário Ramalho tinha dado a indicação há algumas semanas que, se não houvesse acordo, ia enviar a proposta do governo para os deputados avaliarem no Parlamento. A Rádio Observador, entretanto, já tentou uma entrevista com Rosário da Palma Ramalho, que remeteu essas declarações para depois.

E o PS considera mau sinal que não exista um acordo sobre uma matéria tão estruturante como a do Código do Trabalho.

O deputado João Torres diz que não há qualquer justificação para alterar de forma tão apressada a legislação laboral.

É um mau sinal sempre que não existe um acordo de concertação social sobre uma matéria tão estruturante como é uma alteração do Código de Trabalho, sobretudo porque a estratégia de crescimento econômico do nosso país tem sido assente no crescimento do emprego e nós não vislumbramos nenhuma necessidade urgente, nem o governo a conseguiu justificar, para de forma tão apressada e tão radical alterar o Código do Trabalho no nosso país.

Na sede do PS, no Largo do Rato, João Torres lembra que a posição do Partido Socialista é a mesma desde o início sobre a reforma laboral.

Este foi também o tema do Explicador, com os deputados do PS, PSD e do Chega aqui na Rádio Observador.

Desde logo, o deputado socialista Paulo Lopes da Silva admite que o partido mantém a porta aberta a negociações, mas avisa que são necessárias mudanças para que este diploma do governo receba luz verde.

Há um conjunto de matérias que era importante resolver e que não vemos até agora que seja esse o objetivo fundamental. Portanto, eu acho que é importante que o governo prossiga esse diálogo e, naturalmente, o Partido Socialista tem que estar disponível para esse diálogo desse ponto de vista, mas se for para atingir estes objetivos e não outros.

Já o Chega, na voz da deputada Marta Silva, mostra uma posição também semelhante, contudo, não nos moldes pretendidos pelo governo.

Não rejeitamos uma reforma laboral em si, mas exigimos que ela seja negociada a sério, sem atacar direitos dos trabalhadores, sem penalizar a parentalidade, sem facilitar os tais despedimentos de forma encapotada. O Chega está mais próximo da ideia de que a lei do trabalho pode e deve ser modernizada.

Também no Explicador da tarde política esteve o deputado do PSD, Paulo Marcelo. Diz que apesar da falta de entendimento, o governo não vai deixar cair a reforma laboral.

O governo não deixará de apresentar ao Parlamento um projeto que permita ir ao encontro dessa necessidade de aumentar a produtividade e dar mais condições às empresas para serem produtivas. Já agora, deixe-me chamar aqui a atenção. O presidente António José Seguro hoje falou de crescimento econômico. Isso é um sinal muito importante.

Paulo Marcelo, deputado do PSD, que não antecipa se António José Seguro vai vetar este diploma. Certo é que, durante a campanha eleitoral, o na altura candidato a Belém, dizia que era contra o anteprojeto do governo tal como está e disse que o votaria. A ver vamos agora que a batata quente vai cair nas mãos do Presidente da República.

E a fechar a agenda oficial deste primeiro dia, cumpriu-se uma tradição entre presidentes. O presidente da República cessante foi condecorado pelo novo Presidente da República.

Marcelo Rebelo de Sousa recebeu o grande colar da Ordem da Liberdade, tradição iniciada por Jorge Sampaio. A cerimônia durou uns breves dois, três minutos, com um aperto de mão e um abraço entre o agora ex-presidente Marcelo Rebelo de Sousa e o presidente da República, António José Seguro. No final, Marcelo Rebelo de Sousa tirou uma fotografia também com o presidente da Assembleia da República, Aguiar Branco, e o primeiro-ministro Luís Montenegro.

E à saída, cumpriu a promessa de não falar aos jornalistas.

Disse que não falava, Ricardo, mas uma selfie tirava e tirou. Mais uma fotografia com os jornalistas que estavam à porta do Palácio Nacional da Ajuda.

António José Seguro passou a tarde numa conversa com jovens, numa universidade em Lisboa. Pretende continuar a envolver os mais novos na procura de soluções para os problemas do país.

Foram 52 jovens, um por cada ano de democracia em Portugal. Partilharam com o Presidente da República a visão que têm sobre vários temas, como a igualdade de gênero, a inteligência artificial ou a reforma da saúde. No final, António José Seguro garantiu que esta iniciativa não vai ficar por aqui.

Vamos continuar este diálogo, mas ele tem que ter consequência

Hoje teve uma expressão simbólica também. Pude mostrar esta coligação que eu quero fazer com os jovens portugueses, mas ela tem que ter consequência.

No entender do novo presidente da República, a maioria dos problemas relacionados com os jovens portugueses já tem solução. Só falta pôr essas soluções em prática e conta com os jovens para inverter esse processo.

Quero ouvir-vos sobre os vossos problemas, porque ao contrário da minha geração, quando eu tinha a vossa idade, nós tínhamos uma avenida enorme e eu olho para a vossa geração e vejo uma rua muito estreita quando se olha o futuro. Portanto, eu quero ouvir-vos sobre os vossos problemas, as vossas propostas. Algumas delas foram aqui avançadas, mas também quero a vossa visão sobre o país. É muito importante para mim, porque os diagnósticos, os problemas e de certo modo, algumas das soluções estão identificadas, em relação à habitação, em relação à criação de condições para que a nossa economia seja mais competitiva, seja mais produtiva. O que falta aí é coragem política e vontade política para as concretizar.

António José Seguro a dar um sinal de que quer ouvir os jovens durante este mandato à frente da Presidência da República. Mensagem passada neste primeiro dia de funções. Passou pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, onde foi professor nos últimos anos.

E há outras notícias a marcar esta segunda-feira, 9 de março.

Donald Trump anunciou que vai realizar uma conferência de imprensa para abordar a situação no Médio Oriente a partir de Miami, quando for 17h30, 21h30 em Lisboa. Numa publicação nas redes sociais, o líder norte-americano revela essa conferência de imprensa e que está, nesta altura, a ter uma série de reuniões e chamadas telefônicas importantes sobre este conflito. Há, entretanto, mais reações à nomeação do novo líder supremo iraniano, desta vez vindas de Israel, numa publicação na rede social X, o Ministério dos Negócios Estrangeiros israelita critica a eleição de Mostaba Khamenei e diz que as mãos do líder supremo já estão manchadas de sangue. Também se lê nesta publicação que é outro tirano a liderar o regime iraniano de forma brutal. O novo líder supremo é o filho de Ali Khamenei, que foi morto nos ataques de Israel e dos Estados Unidos a 28 de fevereiro, o primeiro dia dos ataques. As Forças de Defesa israelitas fizeram, entretanto, um levantamento a mais de 1900 soldados e comandantes iranianos mortos desde o início desta ofensiva e deixam o aviso: há muitos mais alvos a atacar em vários níveis do regime. O Estádio da Luz pode ser uma alternativa para receber a finalíssima que coloca frente a frente a campeã europeia Espanha e a sul-americana Argentina. Isto porque o jogo de 27 de março no estádio no Qatar está em risco devido à situação de incerteza que se vive na região. De acordo com a Rádio Estatal Espanhola, o Estádio da Luz, em Lisboa, surge como a principal candidata a receber este jogo atrás de outros dois palcos. A primeira alternativa é o Estádio de Wembley, em Londres. A segunda é levar a finalíssima para Miami, nos Estados Unidos. O local vai ser decidido numa reunião de alto nível entre a UEFA, a CONMEBOL e o governo qatari. Ricardo, já sabes o que é que vais fazer no dia 25 de abril?

Ainda não, mas tenho uma ideia.

Também tenho uma ideia, porque é um dia importante e tenho aqui uma sugestão para ti.

Ok. Sérgio Godinho.

Sérgio Godinho. Em mês da liberdade, abril, Sérgio Godinho volta aos palcos. No caso, o musical "Rita Põe-te em Guarda", que é inspirado nas canções do Sérgio Godinho. Com encenação de Rita Lage, o espetáculo estreou em fevereiro do ano passado. Volta agora a estar em cena no Auditório Camões, de 10 a 12 de abril e no Auditório Carlos Paredes, entre 24 e 26 de abril. Portanto, apanha mesmo o dia da revolução. É um musical intemporal. Tanto podia ter lugar em 74 como em 2025 ou 2026. Conta a história de quatro mulheres que têm de lidar com questões tão atuais como a luta por direitos, a violência doméstica e a identidade de género.

E ficamos com Sérgio Godinho até o fim deste jornal das 19h00.