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Do Ricardo Lopes. Boa noite, Ricardo. Bem-vindo mais uma vez. Começamos esta edição pela atualidade nacional. O secretário-geral do PCP desafia o primeiro-ministro a retirar o pacote laboral já no próximo debate quinzenal.
Paulo Raimundo diz que Luís Montenegro faria um grande serviço ao país se retirasse o pacote laboral da equação. O líder do Partido Comunista diz que só há consenso entre os partidos de direita.
Eu acho que um grande serviço que o senhor primeiro-ministro podia fazer ao país na próxima quarta-feira, é retirar o pacote laboral e poupar o país a isto. Não tem jeito nenhum. As únicas pessoas que defendem hoje o pacote laboral é o senhor primeiro-ministro, os membros do governo, os senhores da Iniciativa Liberal e do CDS, o Chega, envergonhado, mas defende, e depois são as confederações patronais. Não vai sobrar para as confederações patronais, o pacote laboral. Não vai sobrar a precariedade para os membros das confederações patronais. Não vai sobrar os justimentos sem justa causa para os membros das confederações patronais.
Questionado sobre a última reunião entre Luís Montenegro e André Ventura, o secretário-geral do PCP acusa o Chega de não ter credibilidade no posicionamento relativamente ao pacote laboral. O comunista afirma que se o Chega for coerente, vota contra o pacote laboral.
E seguimos pela política nacional, agora com as declarações do Ministro da Administração Interna, que volta a deixar a garantia: não vai faltar dinheiro para ajudar os bombeiros no combate aos incêndios.
Já ontem ouvimos aqui Vicente Luís Neves a assegurar que o governo está totalmente preparado para avançar com soluções de financiamento para ajudar os bombeiros. Disse também que os atrasos nos pagamentos já tinham sido todos regularizados. Hoje, o ministro da Administração Interna reitera que não será por falta de dinheiro que o combate aos fogos fica comprometido.
É evidente, quando estamos a falar de combate, e o verão tudo indica que possa ser muito difícil, sobretudo na região onde a calamidade ocorreu, não será por falta de verbas que os nossos soldados da paz, que são os bombeiros, deixarão de agir. Há um grande compromisso e uma grande certeza e responsabilidade por parte deste governo e, por isso, o que eu ontem disse foi muito simples: não será por falta de meios financeiros que o combate não será eficaz.
Explicações do Ministro da Administração Interna à margem de uma cerimónia que assinala os 40 anos de um incêndio em Águeda, que matou 16 pessoas.
E mudamos de tema nesta edição das 20h, para falar da atualidade internacional. A marcar este domingo nos Estados Unidos, pelo menos 12 pessoas morreram na queda de um avião.
Aconteceu em Butler, uma cidade no estado do Missouri. Todas as pessoas que se encontravam dentro do avião morreram. De acordo com o sargento da Polícia Rodoviária do Missouri, o avião transportava pessoas que iam saltar de paraquedas. O avião acabou por aterrar num campo adjacente ao aeroporto e começou de imediato a arder. Segundo a mesma fonte, o acidente vai ser investigado pelo Conselho Nacional de Segurança dos Transportes.
E também nos Estados Unidos, mas desta feita na política, Barack Obama levanta dúvidas quanto à eficácia do acordo de paz entre os norte-americanos e o Irão.
Numa altura em que, segundo Donald Trump, o documento pode vir mesmo a ser assinado ainda hoje, para o presidente norte-americano, Barack Obama, nada garante que este acordo venha trazer mais benefícios em relação àquele que já tinha sido estabelecido anteriormente.
"É duvidoso que qualquer acordo que venha a surgir seja significativamente diferente ou represente uma melhoria substancial em relação ao acordo que já tínhamos e que funcionou durante muito tempo antes de nós, Estados Unidos, sairmos dele. Por isso, o que espero é que os bombardeamentos parem e que as pessoas comuns deixem de sofrer as consequências da guerra."
Declarações de Barack Obama em entrevista à ABC News.
Entretanto, Donald Trump voltou a puxar as orelhas a Benjamin Netanyahu, o primeiro-ministro israelita. Diz Donald Trump que Netanyahu não tem bom senso e admite ter ficado muito irritado com o ataque de Israel a Beirute.
Isto porque o ataque fez com que o Irão ameaçasse parar as negociações de paz. Israel atacou hoje um centro de comando do Hezbollah, num bairro a sul da capital do Líbano. Pelo menos três pessoas morreram. Em reação, o presidente do Parlamento do Irão diz que se não há vontade nem capacidade para cumprir os compromissos, falar em continuar o caminho é impossível. Numa publicação na Truth Social, Donald Trump é imperativo. Diz que o ataque israelita não devia ter acontecido, particularmente num dia tão especial como este, em que os Estados Unidos estão perto de um acordo de paz com o Irão, e diz que todos os lados devem recuar imediatamente. Donald Trump tinha apontado a assinatura do memorando de paz para o dia de hoje, dia também em que completa 80 anos, mas o Irão afasta esse cenário e diz que ainda não tomou qualquer decisão final.
E viramos agora atenções para o desporto, mais concretamente para a canoagem. O Presidente da República felicita os canoístas portugueses pelos resultados obtidos nos Campeonatos da Europa.
Numa nota publicada no site da presidência, António José Seguro realça os importantes resultados obtidos nestes Campeonatos da Europa de Canoagem e não só, também de paracanoagem. O chefe de Estado sublinha que Portugal cimenta assim o seu estatuto entre as principais nações da modalidade e endereça aos medalhados votos de continuação dos maiores sucessos desportivos.
E um dos grandes vencedores do dia de hoje é um nome incontornável da canoagem portuguesa, Fernando Pimenta. O canoísta português sagrou-se campeão da Europa na especialidade Ricardo de K1 5000 metros.
E é mesmo um nome incontornável que completou o tri num total de cinco títulos nesta categoria. Fernando Pimenta arrancou para um longo sprint e acabou a prova em menos de 21 minutos. O canoísta, que em K1 5000 metros já tinha conquistado o ouro europeu em 2016, 2022, 2024 e também no ano passado, deixa Montemor-o-Velho, onde decorreu este Campeonato da Europa, com duas medalhas ao peito, visto que ontem conseguiu o bronze em K1 1000 metros. Mesmo habituado a estas andanças de pódio, em declarações à RTP, Fernando Pimenta mostra-se satisfeito com mais uma vitória.
É o terceiro ano consecutivo que sou campeão da Europa em 5000 metros e é, sem dúvida, gratificante poder manter-me no pódio, ser novamente campeão da Europa, o 15º título de campeão da Europa e deixa-me imensamente feliz e com esperança de poder fazer ainda mais e melhor esta época.
O canoísta Fernando Pimenta, depois de se sagrar tricampeão europeu de K1 5000 metros, Portugal conclui os Europeus com quatro medalhas. Messias Batista voltou a sagrar-se bicampeão europeu de K1 200 metros. Já Norberto Mourão conquistou o ouro de canoagem adaptada nos 200 metros, torna-se assim tricampeão da Europa.
E das águas para o relvado, já se sabe quem é o árbitro que vai apitar o primeiro jogo da seleção portuguesa no Mundial 2026.
Al Jassim tem 38 anos, é natural do Qatar e foi nomeado pela FIFA para apitar esta estreia de Portugal no grupo K, que acontece já na quarta-feira. Em direto está conosco Pedro Henriques, ex-árbitro internacional e também presença assídua aqui na antena da Rádio Observador, para nos dar a conhecer melhor o perfil deste árbitro qatari. Bem-vindo, Pedro Henriques, muito obrigado. Qual é o percurso deste árbitro de 38 anos e o que é que podemos esperar desta arbitragem?
Como é sabido, nesses jogos internacionais a nível do mundo, nomeadamente essas finais, temos árbitros que normalmente não nos entram no nosso quotidiano, porque vêm também de outros continentes. Este árbitro é do Qatar e está habituado a competições que pouco ou nada têm a ver com as competições europeias. Conforme já disseste, tem 38 anos, ele tornou-se árbitro em 2007 e passou a ser árbitro FIFA em 2013, e é já um árbitro com experiência, porque já é o segundo campeonato do mundo que faz, porque ele em 2022 também esteve nesse mundial. Nunca se cruzou com a nossa seleção, com a seleção A. O único jogo que temos de memória em que cruzasse com a seleção portuguesa foi com os nossos sub-20, em 2017, num empate.
Expulsou um jogador, certo?
Certo, exatamente. E aí foi um cartão vermelho, mas esteve com a Costa Rica. É um árbitro que tem, só para termos uma noção desta época que terminou, ele já fez 23 jogos e mostrou 119 amarelos. Isto diz pouco às pessoas. Tem uma média de 5,17 amarelos por jogo. Ou seja, vai bater na média, curiosamente, que é a média em Portugal. Nós em Portugal temos uma média de 28 faltas, os árbitros portugueses, só para fazermos aqui um termo de comparação, e cinco cartões amarelos por jogo. E este árbitro bate exatamente no mesmo, tem uma média de falta de 27 e 5,17. Mostrou nestes 23 jogos nove vermelhos, o que tem pouco significado, alguns deles até por acumulação, mas é um árbitro experiente. Além dos jogos da primeira e da Liga 2 do Qatar, apitou a Liga dos Campeões de elite, quatro jogos, asiática, obviamente, estamos a falar da asiática. Apitou também jogos amigáveis e International Cup, por exemplo, jogos de International Cup, o Flamengo e o Pirâmide. Os jogos amigáveis de seleções, como foi o caso da Coreia do Sul, que perdeu na altura 5 x 0 com o Brasil, e também jogos da Amir Cup. É um árbitro que obviamente tem pouco contato com o plano europeu, o que é normal, mas pelas estatísticas e o pouco que nós sabemos dele, é um árbitro que se encaixa muito dentro daquilo, entre aspas, a normalidade, no sentido que quer a nível de amarelos, quer a nível de faltas, está muito dentro daquilo que é a média portuguesa. Curiosamente, e para terminar esta parte do árbitro, sabemos a composição da equipa de arbitragem, os assistentes são também do país dele, depois é que há ali diferenças a nível daquilo que são os quartos árbitros, mas ainda não foi divulgado, pelo menos eu não tenho esse conhecimento, acho que ainda não saiu. Penso que não estou errado naquilo que estou a dizer, digamos, a equipa de vídeo arbitragem, que tem importância, porque nós sabemos que hoje em dia com as alterações de leis, e foram muitas que houve, e com muitas novidades, o vídeo-árbitro tem aqui um papel muito importante e preponderante e esperemos que também haja esse cuidado. Os coletões são todos bons, mas que haja esse cuidado também de colocar aqui vídeo-árbitros experientes para poder ajudar nesta questão e este primeiro jogo, que é sempre relevante e importante para a seleção portuguesa.
Certamente. Pedro, ontem também ouvimos Vitinha explicar que o primeiro-ministro ofereceu uma pulseira a todos os jogadores da seleção. Vitinha disse também que Luís Montenegro se tinha certificado que a pulseira podia ser utilizada em campo. Quais são, nestes casos, os critérios da FIFA com as regras relacionadas com os acessórios utilizados pelos jogadores?
Em primeiro lugar, porque as pessoas podem estar um bocadinho espantadas com toda essa situação da autorização, como é que o Luís Montenegro sabe que a FIFA autoriza ou não autoriza. Mas primeiro lugar, houve alterações às regras do jogo. Aquelas mais midiáticas, todos nós já estamos por dentro, os cinco segundos, não sei o quê, não sei quanto, mas esquecem-se que há outras que são, por vezes, pormenores que são por maiores. E uma das alterações às leis de jogo, que também já está em vigor no campeonato do mundo, os jogadores é que ainda acho que ainda não sabem, e ainda bem, porque é daquelas alterações que acho que nem deviam ter sido feitas, diz assim: acessórios, por exemplo, pulseiras, alianças de casamento, pequenos brincos, etc, são permitidos desde que não sejam perigosos e estejam devidamente cobertos de forma segura. O que significa, vamos voltar a ver aquilo que há 15 anos atrás, no meu tempo ainda existia, que era os jogadores com brincos e depois com fitas adesivas nas orelhas e nos dedos, etc. Vai regressar isso. Há aqui uma autorização. Depois, há também uma certa confusão em termos de comunicação social genérica, estou a falar em termos de comunicação social genérica, que começaram a dizer que Portugal vai jogar com uma pulseira branca e o Vitinho tem uma pulseira branca que é de homenagem. Não é nada verdade. A pulseira, vamos chamar a pulseira Montenegro, para as pessoas identificarem, é uma pulseira verde e vermelha.
Está nomeada.
Exatamente, está nomeada. É uma pulseira verde e vermelha, feita de um material muito fininho, parecido com aquelas que a gente às vezes quando vai para o verão e na praia costuma adquirir naquelas quiosques de rua. E é uma pulseira que, neste caso, tem os nomes de todos os jogadores portugueses, inclusivamente do Diogo Jota, e tem esse lado emocional. E segundo consta, eu também não tenho aqui nenhuma fonte oficial, tentei saber mais sobre isso, mas não tenho confirmação oficial. Sim, a Federação Portuguesa de Futebol, sabendo desta oferta e da possibilidade de se poder utilizar isso nos jogos, providenciou no sentido de saber se podia ser autorizado. E diante desta alteração da lei, sim, a princípio, pode ser autorizado. E a confusão que está instalada é que o Vitinho apareceu, não sei se repararam, com uma pulseira verde e vermelha, que é essa, com os nomes, e uma branca. E toda a gente diz que Portugal vai usar uma braçadeira branca. Não vai nada usar a braçadeira branca. Aquela braçadeira branca é uma que nós até utilizamos hoje em dia, no caso da universidade onde eu estou a colaborar, que tem uma função parecida com aqueles que são os coletes que os jogadores hoje em dia usam, parecem uns Gian Tops por baixo da camisola, que é para monitorizar. Só que ao contrário dos nossos relógios, que nós olhamos e vemos a frequência cardíaca e vemos ali já uma série de dados, esta pulseira recolhe os dados e não tem um mostrador. E isto serve para quê? É uma pulseira mais sofisticada em termos médicos, só para terminar, que mede o esforço físico, toda a parte da carga cardiovascular e o nível de estresse acumulado durante os treinos, jogos e atividades, por isso é que eles usam aquilo 24 horas. Mede, sobretudo, um aspecto muito importante, que é a questão da recuperação, analisa aquilo que é a variedade da frequência cardíaca, o HRV e a frequência cardíaca em repouso, e percebe-se a partir daqui também a preparação para o esforço. E uma coisa ainda mais relevante todas na parte da recuperação, que é a qualidade do sono, nomeadamente monitoriza detalhadamente todos os ciclos de sono, porque não é só o dormir, é o sono profundo, o REM e o leve. E isto para nós que fazemos, eu digo nós porque também trabalho nessa área da fisiologia, para nós, isto são dados muito importantes para predizer, por isso é que as equipes, neste caso, performance, dizem: "Atenção que este jogador está preparado para fazer 90 minutos, 45, 30, independentemente da vontade". Sob o ponto de vista da parte fisiológica, depois o treinador é que sabe o que quer fazer. E portanto, a pulseira que em princípio vai ser usada, vamos ver se confirma ou não, é a tal verde e vermelha e que estará devidamente autorizada.
Explicações de Pedro Henriques, ex-árbitro internacional, aqui a dizer que à partida, a pulseira oferecida por Montenegro aos jogadores da seleção nacional vai mesmo poder ser utilizada em campo. Pedro Henriques, que fará também edições especiais do programa Sem Falta para avaliar todo o trabalho dos árbitros neste campeonato do mundo.
Ponto final nesta edição das 8:00 com o Ricardo Lopes, que está de regresso às 8:30 com a informação atualizada. Já a seguir temos a crônica do jogo que opôs Alemanha a Curaçao, em mais uma edição do Minuto 90, com o Diogo Varela.