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Rádio Observador, muito boa tarde. Cinco minutos das 19h, vamos atualizar as notícias. Uma edição do jornalista António José Soares. Boa tarde, António. A Proteção Civil alerta para as cheias nos próximos dias por causa do mau tempo e deixa um recado à população: de nada vale a ajuda das autoridades se houver comportamentos de risco.

E as zonas junto aos rios Vouga, Douro, Mondego e Tejo são as mais sensíveis. O comandante Mário Silvestre, da Proteção Civil, pede que as pessoas tomem medidas defensivas nas próximas horas.

Medidas de autoproteção, como por exemplo, coisas tão simples como nas zonas potencialmente afetadas por essas cheias, a colocação de sacos de areia junto às portas das casas, a colocação e tamponamento de zonas por onde a água também possa vir, porque sabemos que há muito sistema pluvial que está ligado diretamente aos rios e, portanto, os rios enchendo, poderemos ter cheias em virtude do retorno da água por essas caixas pluviais. São pequenas ações, são coisas simples de se fazer, mas que exortamos a população a que tome antecipadamente essas medidas.

Com a previsão do mau tempo, o comandante Mário Silvestre não tem dúvidas: o cenário vai ser difícil.

A partir de hoje e na madrugada do dia 2, e até às cerca de 8h, a precipitação será sempre muito intensa, mantendo-se este quadro meteorológico até o final da semana. Não é uma situação passageira, é uma situação complexa.

Os alertas da Proteção Civil deixados esta tarde em conferência de imprensa.

E António, o pacote apresentado pelo governo para apoiar as pessoas afetadas pelo mau tempo prevê medidas em várias frentes: reconstrução de casas, empresas e apoio ao cultivo.

O anúncio foi feito por Luís Montenegro no final do Conselho de Ministros Extraordinário. As medidas têm um custo total de cerca de 2500 milhões de euros e já com prazos para serem aplicadas. João Lourenço.

Os apoios devem estar no terreno entre uma a três semanas e querem dar respostas aos anseios de autarcas, empresários e população que ficou devastada pela Depressão Christine. No imediato, 10 mil € para a reconstrução de habitação própria e sem necessidade de documentação, caso não haja cobertura de uma seguradora. Montenegro avisa que as obras de reconstrução vão dispensar de licenciamento. O primeiro-ministro anunciou apoios da Segurança Social para precaver a perda de salário, 537 € por pessoa ou 1057 por agregado familiar. Na matéria fiscal, foi anunciada isenção de contribuições para a Segurança Social para as empresas atingidas durante seis meses. Também há espaço para moratórias de 90 dias nos empréstimos para empresas e crédito à habitação. Para os mais afetados por esta Depressão Christine, todas as obrigações fiscais de 28 de janeiro a 31 de março passam para o mês de abril. O Conselho de Ministros aprovou ainda várias linhas de crédito: mil milhões de euros para trabalhos de recuperação de estruturas empresariais, na parte que não tem cobertura de seguros, 400 milhões para estruturas rodoviárias e ferroviárias, 200 milhões para as Comissões de Coordenação de Desenvolvimento Regional para fazer chegar o financiamento às autarquias e 20 milhões para o património cultural.

O Executivo decidiu também estender por mais uma semana o estado de calamidade, que foi alargado a mais nove concelhos: Águeda, Albergaria-a-Velha, Alcácer do Sal, Aveiro, Estarreja, Ílhavo, Mortuosa, Ovar e Sever do Vouga.

E entretanto, António, José Seguro defende que o governo deve proceder à ativação do Fundo de Solidariedade Europeu.

É a reação às medidas apresentadas pelo Executivo esta tarde. O candidato presidencial diz que há propostas positivas, mas que são difíceis de colocar em prática.

Eu continuo a defender que deve haver uma libertação da capacidade de construção civil do nosso país para acudir a essas pessoas, às pessoas que ficaram sem casas, que estão sem telhados. Por quê? Porque pode haver apoios, mas se não houver depois quem execute essa obra, fica tudo na mesma. E o que as pessoas precisam é desse apoio para já. Também me parece importante, com certeza está isso no quadro daquilo que é a ação do governo, que se possa acionar o Fundo de Solidariedade Europeu, porque isso podia ajudar, designadamente, a fazer face a estragos de infraestruturas e estruturas públicas. Eu sei que há regras exigentes, com certeza o governo está atento a isso, mas é uma das possibilidades que também existe.

António José Seguro diz que este é o momento da ação e pede rapidez na aplicação das medidas apresentadas.

E face essas medidas, André Ventura critica o valor dos apoios destinados, António, diretamente às famílias.

É sim, Vicente. O candidato presidencial diz que quando se começa a olhar para os detalhes do pacote de apoio aprovado pelo governo, as famílias com danos causados pelo mau tempo recebem muito pouco face às estruturas políticas.

200 milhões são para as CCDR, 400 ou 500 milhões são para as Estruturas de Portugal e as Infraestruturas de Portugal e mais não sei quantos milhões são para empréstimos com crédito. Eu quero perguntar ao governo se isso é mesmo sério. É que estas pessoas não podem ter crédito porque elas não conseguem pagar. As pessoas perderam tudo. Vocês estiveram ontem comigo em Leiria, nós ouvimos pessoas na rua que disseram: "Eu perdi tudo, eu perdi meio milhão de euros, 1 milhão de euros". E querem endividar ainda mais as pessoas. Sinceramente, eu não compreendo como é que de um bolo de 2,5 mil milhões, a maior parte é endividar as pessoas e a outra parte é para estruturas políticas, em vez de ser para as pessoas. E depois para as pessoas estabelece-se o limite de 537 €.

André Ventura, à chegada aos Bombeiros Voluntários de Vila Verde, no Distrito de Braga. O candidato apoiado pelo CHEGA critica ainda a burocracia exigida pelo Executivo para que as pessoas possam receber o dinheiro para a reconstrução das casas.

E entretanto, António, a Câmara de Leiria volta a apelar à entrega de bens essenciais.

A autarquia informou hoje que foram sinalizadas novas situações, o que provocou um aumento das necessidades de bens essenciais, sobretudo ao nível da alimentação. Recorde-se que ontem a Câmara de Leiria tinha informado que os bens alimentares e artigos de higiene entregues tinham já ultrapassado as necessidades, pedindo à população para cessar a entrega.

E agora no desporto: o Sporting está empatado a zero com o Nacional.

Uma partida a contar para a jornada 20 do campeonato. O jogo em Alvalade está agora no intervalo. A emissão especial do desporto é retomada logo a seguir a este jornal. Mais logo, quando forem 20h30, é a vez do Benfica entrar em campo em casa do Tondela. Uma partida que também vai ter relato e análise aqui na Rádio Observador.

Tempo ainda para atualizar, António, informação de âmbito local.

E começamos por Leiria, onde milhares de alunos e professores vão ser guardiões das dunas da praia do Pedrógão. Uma iniciativa que pretende preservar e recuperar os ecossistemas numa parceria com o Instituto da Conservação da Natureza e Florestas. Segundo o jornal de Leiria, a primeira ação está marcada para a próxima quarta-feira, dia 4. A Câmara Municipal das Caldas da Rainha vai reforçar as medidas de apoio às famílias afetadas pela depressão Cristina e que estão em situação de vulnerabilidade. O município adianta que vai disponibilizar apoio em carências de primeira necessidade, nomeadamente bens alimentícios, vestuário, higiene pessoal ou outros bens avaliados caso a caso. Em Lisboa, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera emitiu aviso laranja entre a meia-noite e as 3h. Prevêem-se rajadas que podem chegar aos 100 km/h em toda a região, com maior impacto nas zonas do litoral e nas serras. Mantém-se igualmente o aviso amarelo de chuva entre as 21h e as 6h. As autoridades aconselham as pessoas a afastarem-se da costa. Em Aveiro, 14 vias foram interditadas por causa dos estragos causados pelo mau tempo. É o que adianta a GNR. Águeda, Oliveira de Azeméis, Avanca, Aveiro, Estarreja e Albergaria-a-Velha têm dificuldades em alguns acessos, sobretudo por inundação, desmoronamento ou riscos estruturais. A Casa da Cerca, em Almada, inaugurou três novas exposições: "Uma Coleção onde o Desenho Acontece", "Uma Casa para Todos" e "Arcoedições". São os nomes das mostras artísticas. Podem ser visitadas até dia 28 de junho naquele centro de arte contemporânea. A entrada é gratuita. Terminamos com a Câmara Municipal do Porto, que está a promover um fórum de ideias sobre a cultura na cidade. O encontro decorre dia 20, na Casa da Música, arranca às 10h, conta com a intervenção de vários convidados, vai falar-se sobre a herança, as transformações da cidade e o futuro. Uma informação que é adiantada por uma nota da autarquia.

Notícias de regresso à antena da Rádio Observador. No intervalo do jogo entre Tondela e Benfica, que arranca às 20h30. Já daqui a pouco vamos retomar a emissão especial desporto para acompanhar o Sporting zero, Nacional zero, jogo no intervalo. António José Soares, um abraço. Até já.

Até já, Vicente.