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Rádio Observador. São agora 9 horas, começa o Jornal da Rádio Observador, com o jornalista Martim Madeira. E Martim, começamos na política. Já começou a rentrée do Chega.

Está a acontecer em Santarém este regresso à atividade política do partido, que está a contar, neste preciso momento, com palavras de André Ventura. Vamos então em direto para Santarém, onde está a jornalista Beatriz Félix, onde vamos também ouvir agora, neste preciso momento, o líder do partido Chega, André Ventura.

Diziam-nos que tínhamos 500, 400 mil imigrantes. Depois já eram 600 mil, depois já era perto de 1 milhão. Quando nós dissemos nas eleições que era 1 milhão de imigrantes, disseram: "Exagerados, notícias falsas, estão a espalhar desinformação." E de repente vêm nos dizer que são 1,4 ou 1,5 milhões e que não sabemos quem são, a maior parte, onde é que andam e por onde é que andam. Nós não aceitamos isto. Isto não é nada contra ninguém. E quando oiço na televisão comentadores dizerem que o Chega e o André Ventura esquecem-se de que Portugal também foi um país de imigrantes, um país que muitos partiram para fora para encontrar vida, e foi. Infelizmente, continua a ser mais até do que desejávamos. Mas há uma substancial diferença nisto. É que, aliás, por isso o Chega tem vencido nas comunidades imigrantes também, em todos os momentos de voto, é que eu nunca encontrei uma portuguesa ou um português que tenha ido para Suíça, para França, para os Estados Unidos, para a Bélgica, para o Canadá. Nunca encontrei um que me dissesse isto: "Eu fui para lá para transformar o país deles e para viver de subsídios." Nunca, disseram: "Fui para lá trabalhar, fui para lá honrar compromisso, fui para lá construir família." É isso que nós exigimos em Portugal. É isso que nós exigimos. Não podemos ter imigrantes que vêm para cá sem saber para onde é que vão viver, porque já temos gente demais sem casa. Isto não tem nada que ver com racismo nem com xenofobia. É que se não há para quem cá está, estar a chamar outros para virem é um erro tremendo. Porque se queremos as pessoas a viver dignamente, com casas, com condições, não podemos dizer-lhes: "Venham e vão dormir no metrô em Lisboa, à porta de uma estação de comboios em Santarém ou em Coimbra ou no Porto ou em Faro." Não podemos ter uma imigração que chega a Portugal e que vai bater à porta da Segurança Social e diz: "Deem-me subsídios." Não pode ser. Não pode ser. Isto não tem nada a ver com a condição humana. Tem que ver com a estrutura de um país que é pobre para os seus idosos, que é pobre para os seus reformados, que é pobre para os seus polícias, que é pobre para os funcionários públicos, que é pobre para os empresários. Não pode depois dizer que é rico para os imigrantes e para os que vêm de fora viver à conta da Segurança Social.

Aqui as palavras de André Ventura relativamente aos imigrantes, dar conta de que nunca um português emigrou para viver de subsídios, aqui a fazer uma crítica direta aos imigrantes. Vamos trazer depois mais declarações do presidente do Chega neste rentrée político que está a acontecer em Santarém. Nos próximos noticiários teremos mais declarações.

E o PS diz que sem uma garantia da segurança das pensões dos portugueses, não há condições para viabilizar o próximo orçamento de Estado.

José Luís Carneiro acusou o governo de querer espalhar o medo com o novo estudo sobre as pensões em entrevista à SIC. O líder do PS diz que o déficit na Caixa Geral de Apresentações tem que ser corrigido através do Orçamento de Estado e não através do dinheiro dos contribuintes. Deixa ainda esse alerta José Luís Carneiro.

Fique claro, o estudo mistura alhos com bugalhos e não se pode misturar alhos com bugalhos numa matéria tão sensível e é inaceitável que se permita que se instale o medo sobre a segurança das pensões. O saldo da Segurança Social é um saldo positivo e em momento algum o Estado pode pegar nas contribuições dos trabalhadores ou das empresas para pagar o déficit da Caixa Geral de Apresentações, porque esse é um dever do Orçamento do Estado. Se não tivermos a garantia, por exemplo, do primeiro-ministro, porque tem que ser uma garantia do primeiro-ministro, com palavra pública, de que garante a segurança das pensões presentes e futuras, nós não temos condições para contribuir para a estabilidade orçamental e para a viabilidade do Orçamento do Estado.

O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, também sobre a participação do Estado na REN, Carneiro pediu ainda um esclarecimento ao governo, numa altura em que o executivo anunciou que vai investir na empresa.

Fazemos agora um ponto de situação nos incêndios em Boticas. Está agora com quatro frentes ativas.

Que ardem com intensidade, é o que indica o comandante dos bombeiros à Lusa. O incêndio deflagrou ontem no Conselho e teve, durante a tarde de hoje, uma reativação. Ora, empenhados no combate às chamas em Boticas, estão agora mais de 200 operacionais, 66 veículos e dois meios aéreos, segundo o site da Proteção Civil.

E além deste fogo, em Arouca, as chamas não dão tréguas.

Este fogo segue com três frentes ativas. A situação mais preocupante é em Rio de Frades. A autarca de Arouca, Margarida Belém, dá ainda conta de um reforço dos meios no terreno face às dificuldades no combate humano.

Temos as três frentes ativas e temos algumas situações muito delicadas e de difícil combate. E, portanto, a situação mais preocupante neste momento é Rio de Frades, mas temos um conjunto de aldeias que são ainda preocupação e, portanto, aumentamos a área ardida. Mas o importante aqui também é referir que, fruto do reforço dos meios aéreos, que contamos ainda que possam ser reforçados durante a tarde, porque é impossível com estas condições do terreno, com estes declives, com estas escarpas, é muito difícil a atuação humana.

Ponto de situação da presidente da Câmara Municipal de Arouca, Margarida Belém, sobre o incêndio que lavra no conselho. É um registro da RTP. No teatro de operações estão quase 600 operacionais, apoiados por perto de duas centenas de veículos e seis meios aéreos.

E a antiga presidente do Instituto de Apoio à Criança diz que se tem registrado uma desvalorização da violência em Portugal.

Lamenta também que sejam feitas queixas sucessivas às autoridades antes de um homicídio acontecer, que acabam por dar em nada. É o que indica Dulce Rocha, ex-procuradora, na análise ao caso do adolescente de 15 anos suspeito de ter matado a mãe em Algés. Este jovem terá asfixiado a mãe com recurso a um golpe de mata-leão e encontra-se agora à guarda das autoridades. Mas 17 dias antes do crime, o menor foi sozinho a uma esquadra da PSP em Oeiras para denunciar que a mãe o agredia. Dulce Rocha diz que as autoridades não avaliaram corretamente o que estava em causa e lamenta que isso aconteça em muitos casos, várias vezes.

Não se conseguiu avaliar corretamente, portanto, não se percebeu que era tão grave assim. Pensou-se que ainda seria possível manter a situação das crianças dentro da família, que não havia uma evolução tão irreversível, que não havia violência extrema. Isso acontece em muitas situações.

A antiga presidente do Instituto de Apoio à Criança explica ainda que existe uma equipa de análise para estes casos de homicídio em contexto de violência doméstica. Avisa que este grupo de trabalho tem alertado para várias situações onde as queixas estão a ser desvalorizadas.

Muitas vezes há queixas sucessivas, chega a haver oito queixas antes do homicídio e, portanto, há aqui um padrão de desvalorização da violência. É sempre muito difícil aceitar que a violência é tão grave que culmina num homicídio.

E isso por parte das vítimas?

Mesmo, até por parte das vítimas.

As explicações de Dulce Rocha, a antiga presidente do Instituto de Apoio à Criança, ouvida no Explicador, a dar conta que se tem registrado uma desvalorização da violência em Portugal, com algumas queixas e muitas queixas ignoradas pelas autoridades.

E há outro caso que envolve uma criança a marcar a atualidade em Braga. A mãe de um menino de três anos foi constituída argúida depois da criança ter sido encontrada sozinha nas escadas de um prédio.

Em cima da mesa pode estar um crime de exposição ao abandono. A informação avançada pela PSP de Braga, que emitiu um comunicado que diz que este menino de três anos e a irmã de 15 foram entregues à guarda da Segurança Social. Em comunicado, a PSP acrescenta que os factos foram participados ao Ministério Público e confirma o estatuto de arguido para a mãe do rapaz de três anos, que estaria ao cuidado da irmã de 15 desde o fim de semana. Foi encontrado sozinho esta madrugada nas escadas de um prédio. Ambos os menores estão bem. Em cima da mesa pode estar um crime de exposição ao abandono.

Seguimos com as notícias, agora com nove minutos para lá das 21h. Martim, vamos ao noticiário local.

Vamos lá. Em Lisboa, a Câmara Municipal pretende resolver os conflitos entre as paragens de autocarro e as ciclovias na Avenida Fonte Pereira de Melo. Para isso, encarregou a EML de eliminar 25 metros de ciclovia junto a duas paragens de autocarro, obrigando os ciclistas a circular atrás dos abrigos das paragens, na mesma faixa de passeio destinada aos peões. A Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta reconhece que a atual infraestrutura não é ideal, mas afirma que esta proposta só piora as condições, porque o passeio é bastante estreito e com muito movimento. Na Nazaré, os comerciantes afetados pelas obras na rede de esgotos na Avenida Manuel Remígio não têm que pagar taxas de ocupação da via pública durante 10 dias. A medida abrange o troço entre o Centro Cultural da Nazaré e a Rua dos Galeões. Nos casos em que as taxas já tinham sido pagas, o valor proporcional pode ser devolvido ou descontado em futuras liquidações. Em Espinho, a vereadora Maria Manuel Cruz, do Movimento Cidadãos MMC, pediu uma investigação aos erros nas obras do conjunto habitacional da Quinta de Paramos. Isto depois da Câmara Municipal ter aprovado novos trabalhos complementares. Maria Manuel Cruz aponta uma repetição de falhas em três blocos e critica a ultrapassagem dos limites dos trabalhos complementares. Exige assim o apuramento das responsabilidades e um maior controle nas futuras empreitadas. O PAN Matosinhos questionou a autarquia sobre a poluição do rio Leça. O partido exige a partilha de dados de monitorização da qualidade da água e do investimento público realizado na despoluição e requalificação do rio. O PAN Matosinhos menciona ainda a necessidade de transparência em relação ao metrobus, que está a ser construído para atravessar e ligar as duas margens do rio Leça em Matosinhos. No Entroncamento, foi inaugurada a exposição de fotografia "Olhares sobre as árvores do Entroncamento", hoje, que é o Dia Mundial da Fotografia. A mostra reúne os trabalhos de um concurso fotográfico do município que integra 25 participantes. O desafio era captar as árvores que fazem parte da paisagem urbana da cidade. A exposição pode ser visitada até dia 4 de setembro na Biblioteca Municipal. Em Corroios, as festas populares arrancam esta sexta-feira no Parque Urbano da Quinta da Marialva e estendem-se até dia 30 de agosto. O evento conta com dois palcos e vários artistas, entre eles os Santa Maria, Vallet, Victor Clay e Diogo Piçarra. A entrada é livre para quase todos os espetáculos, à exceção do dia 23 de agosto, data dedicada à solidariedade, onde vão atuar os Quarto e Meia e Miguel Araújo como convidados.

E é o ponto final no Jornal das Nove, edição do jornalista Martim Madeira.