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Da Laura Figueiredo. Laura, boa noite, bem-vinda. Começamos com centenas de pessoas que estão reunidas no Porto numa nova ronda de protestos contra os preços da habitação.
Os manifestantes estão na Praça Dom João I, no Porto, já desde sábado. Na manhã de segunda-feira, a Polícia Municipal retirou cerca de 50 tendas que estavam montadas naquela praça. Mas vamos em direto até ao Porto para acompanhar esta manifestação. Estamos ao encontro do repórter do Observador, Miguel Pinheiro Correia. Miguel, boa noite. Os manifestantes estiveram a discutir a possibilidade de voltarem a acampar na Praça Dom João I esta noite. Já há alguma decisão?
Vão acampar, Laura. Está tomada a decisão dos manifestantes, que assim desafiam Pedro Duarte, mas também a polícia, que, como dizias, ainda há poucos dias obrigou à retirada de cerca de 50 tendas, isto na manhã de segunda-feira, depois de um fim de semana com acampamento de protesto contra os preços da habitação aqui na Praça Dom João I. E se primeiro a Câmara Municipal emitiu apenas um comunicado a condenar este protesto ilegal, hoje as palavras do presidente da Câmara, Pedro Duarte, foram bem mais duras. Disse que alguns desses manifestantes vinham para aqui apenas para criar distúrbios e que alguns também tinham motivações paralelas à habitação. Ora, as pessoas que estão aqui, com quem conseguimos falar até agora, recusam essa definição e dizem que essa relação não existe e que estão aqui porque estão a combater uma luta justa e que vai continuar e, por isso mesmo, vieram centenas de pessoas que estiveram primeiro na manifestação que ficou marcada para às 19h e depois numa espécie de assembleia popular, de onde saiu essa decisão. Vão continuar aqui acampados e é isso mesmo que já conseguimos ver. De onde eu estou, vejo já pelo menos uma dezena de tendas, mas a expectativa dos organizadores é que sejam montadas ainda mais e que a mobilização seja maior do que verificamos aqui no fim de semana. E também no palco que foi montado aqui improvisado para os organizadores falarem com os manifestantes, foi dado esse aviso de que é preciso cada vez mais gente no protesto para formar uma espécie de cordão, de forma a impedir a ação da polícia, que já retirou no passado fim de semana ou na segunda-feira algumas tendas e a confirmação dos organizadores é que não há nenhuma alteração ao que aconteceu no último fim de semana, ou seja, não têm nenhum documento que permita esse acampamento. Por isso, está aberta aqui a guerra entre manifestantes, polícia e também Câmara Municipal. O protesto vai continuar e os manifestantes vão continuar aqui acampados. Vamos ver até quando é que atuará a polícia.
Miguel Pinheiro Correia, que está no Porto a acompanhar estes protestos contra o preço da habitação.
E seguimos, Laura, com o presidente da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha, que recebe com satisfação as promessas de investimento da Lufthansa em Tancos.
O governo deu hoje a conhecer o vencedor da privatização parcial da TAP, a Lufthansa. Ora, a proposta da companhia aérea para a privatização parcial da TAP prevê um investimento de € 500 milhões numa nova escola de pilotos em Tancos e com o governo a admitir que a pista deste aeródromo militar poderá vir a ter uso civil. À Rádio Observador, o autarca de Vila Nova de Barquinha, Manuel Mourato, fala num investimento muito positivo para o concelho.
O município reconhece esse investimento e é um investimento que nos agrada, sobretudo porque vai trazer dinamismo, vai trazer emprego qualificado, vai trazer desenvolvimento económico à região. Obviamente, isto terá que ser tudo compatibilizado com segurança, com ambiente, com a qualidade de vida da própria população. O município aguarda a apresentação detalhada do projeto, para em articulação com o governo e com o Ministério da Defesa Nacional, poder saber as condições em que este investimento irá ser feito, mas seguramente que é uma boa notícia para o concelho.
Declarações de Manuel Mourato, o presidente da Câmara de Vila Nova da Barquinha, numa entrevista à Rádio Observador. O autarca espera agora pela convocação do governo para uma reunião em que deverão ser apresentados todos os detalhes do projeto. Para já, o que se sabe, de acordo com o que avançou o executivo esta manhã, é que este projeto vai permitir a criação de cerca de 200 novos postos de trabalho.
Entretanto, Laura, o Partido Socialista demarca-se de uma eventual privatização total da TAP. Os socialistas não acompanham a intenção revelada hoje pelo governo.
Uma garantia deixada pelo dirigente socialista Filipe Costa, que diz que o partido está satisfeito com a privatização de 49,9% e pede ao executivo de Luís Montenegro que pare para pensar.
Conta com o apoio do Partido Socialista numa situação dessas?
Não, não conta, porque o Partido Socialista, neste momento, está satisfeito com esta privatização parcial. A tal que era impossível, a tal que não ia atrair empresa, a tal pela qual ninguém ia dar dinheiro. E o governo, se calhar, também pode ter a oportunidade de repensar um pouco, porque é o mesmo governo que, em arrependimento de outras privatizações feitas por esse governo da AD nos idos de há 10 anos, 2015 e um bocadinho antes. Portanto, o governo que foi de 2011 a 2015, o governo está agora a recomprar participações para ter participações estratégicas em empresas estratégicas, como a REN.
Filipe Costa, do PS, que esteve no explicador da Rádio Observador. O dirigente socialista levanta ainda dúvidas sobre as contas do governo, que prevê devolver 3,2 mil milhões de euros aos contribuintes portugueses investidos ao longo dos últimos anos na TAP. Já à direita, a Iniciativa Liberal defende uma privatização total da companhia aérea. Ainda assim, o deputado Jorge Miguel Teixeira diz que é preciso clareza por parte do governo em relação aos próximos passos.
Nós, na realidade, estamos a viver a mesma história pela segunda vez e agora aqui o que falta é fazer o que ainda não foi feito, que é finalmente privatizar esta empresa na sua totalidade e tirar este encargo das mãos dos portugueses, que é aquilo que têm suportado. Tem de haver um caminho claro para a privatização total, ele tem de ser assumido e tem de ser explicado aos portugueses. A Iniciativa Liberal tem feito esse esforço. Se é intenção do governo chegar a esse fim, então o governo que comece a fazer esse papel de explicar aos portugueses por que é que é importante privatizar totalmente a empresa. Se não quiser fazer isto, então se calhar está a fazer uma gestão tática do assunto, que não é aquilo que a empresa precisa.
Apelo de Jorge Miguel Teixeira, da Iniciativa Liberal. Do lado do PS, Gonçalo Lage rejeita a ideia de falta de clareza. O deputado social-democrata afirma que os dados estão todos lançados e sublinha o potencial da TAP.
Claro, os dados já estão lançados. Eu confio e acho que neste momento até os outros partidos políticos, com os dados que têm em cima da mesa, irão ter muito mais capacidade de tomar a decisão, irão ter muito mais informação