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Jornal das 10 na Rádio Observador, com edição do jornalista Martim Madeira. Começamos, Martim, com os médicos que confirmam: o Papa tem cancro do pulmão.
A informação que consta do boletim médico partilhado pelo Vaticano e foi divulgada após a cirurgia desta tarde. Até o momento, não há mais informações divulgadas pela Santa Sé. O que é fato é que o exame realizado durante a operação confirmou a presença de um adenocarcinoma pulmonar, um dos tipos mais comuns de cancro. Foi também depois do Papa ter sido submetido à remoção do lobo inferior do pulmão direito, uma cirurgia que durou cerca de 90 minutos e foi bem-sucedida, não houve complicações nessa cirurgia. Após a intervenção, o Papa acordou normalmente. Depois de ter sido observado, regressou ao quarto no décimo andar do Hospital Gemelli, em Roma. Agora, está a estes detalhes de que o Papa tem, de fato, um cancro no pulmão e o Papa vai ficar agora uma semana internado em recuperação.
Mudamos de tema e passamos à política nacional. José Luís Carneiro afirma que Pedro Passos Coelho não trouxe nenhuma ideia nova para o país.
São as declarações do líder socialista relativamente à entrevista da Síntese Notícias de Pedro Passos Coelho, onde disse que o melhor para o país seria um entendimento à direita entre Iniciativa Liberal, Chega e PSD, e que tanto o primeiro-ministro e André Ventura recusaram no dia de ontem. José Luís Carneiro afirma que o antigo primeiro-ministro não trouxe nenhuma ideia nova para o país e critica a sugestão de um entendimento com o Chega por parte do ex-governante e ex-primeiro-ministro.
O doutor Passos Coelho deu uma entrevista, não trouxe uma única ideia nova para o futuro do nosso país. E é muito importante que alguém que tem um contributo para dar para o futuro, não esteja concentrado no passado. Não ouvi o doutor Passos Coelho a falar sobre esta insensibilidade que está no acordo da AD com o Chega e com a Iniciativa Liberal em relação à nova lei das rendas, que vai dificultar a vida aos mais jovens que querem arrendar uma casa, que vai desproteger os mais idosos e os mais vulneráveis. Mas aquilo que eu tenho visto é que o doutor Passos Coelho quer aliar-se ao Chega, mas aliar-se ao Chega, como disse o doutor Paiás Maduro, como disse o doutor Matos Correia, se fizer uma aliança com o Chega, é para andar para trás.
Aqui o líder socialista, na entrevista à RTP Notícias, ainda sobre o Ministério da Administração Interna, reafirma que a instabilidade no ministério é insustentável. Admite-se que Luís Neves pode não ter condições para continuar no cargo. O secretário-geral diz mesmo que o que tem vindo a público sobre o caso do SIRESP é grave e sublinha que Luís Montenegro deve ter consciência do que se está a passar e tomar uma decisão.
É insustentável a situação de intranquilidade e a situação de instabilidade permanente no Ministério da Administração Interna. Se esta situação de instabilidade se mantiver, não vejo como é que o primeiro-ministro possa tomar uma decisão que não seja a de uma remodelação do Ministério da Administração Interna. Os factos relatados e reportados publicamente são de tal ordem graves que merecem um esclarecimento cabal e eventual apuramento de responsabilidades. O que é mais importante é que o primeiro-ministro, ele próprio, tome consciência do que se está a passar.
Declarações do líder socialista à RTP Notícias, onde diz também que a viabilização anunciada pelo PS do Orçamento de Estado para 2027 é uma posição de princípio e que o partido não se vai abster de levar propostas no debate, na especialidade.
E ainda pela oposição, agora seguimos com André Ventura, que afirma, Martim, que continuam a existir tentativas para atrasar a Comissão Parlamentar de Inquérito a Luís Neves.
Amanhã começam os trabalhos na Comissão Parlamentar de Inquérito a Luís Neves, enquanto diretor nacional da Polícia Judiciária. Hoje o Livre pediu à Comissão Transparência para avaliar um potencial conflito de interesses. Para André Ventura, é apenas mais uma tentativa para atrasar o processo.
Conforme o presidente da Assembleia deixou claro, o objeto nada tem a ver uma coisa com a outra. Portanto, eu não levo como uma tentativa séria de questionar. Noto duas coisas: há o receio e o medo de que o Chega presida a esta comissão de inquérito. Há esse medo e esse receio, mas isso foram os portugueses que escolheram votar assim, não foi nem o Livre, nem o Bloco, nem o PCP, nem o PS. Dois, objetivamente, é só uma tentativa de atrasar este procedimento, que penso que não será atrasado, tanto quanto sei. Amanhã haverá essa tomada de posse.
André Ventura admite ainda que a gestão do SIRESP não consta no objeto de investigação, mas que a forma como Luís Neves tem levado esta direção do Ministério da Administração Interna deve ser escrutinada.
Evidentemente que a gestão do SIRESP não é um objeto da Comissão Parlamentar de Inquérito, que amanhã se inicia. Mas estes procedimentos são objeto desta comissão de inquérito. Estes procedimentos permanentes de desrespeito pela lei, de facilitação de pagamentos, de incumprimento reiterado de regras para favorecer terceiros, de informalidades permanentes, estão no objeto e no escrutínio de uma comissão parlamentar de inquérito.
Uma comissão parlamentar que André Ventura diz que vai presidir. O líder do Chega garante também que o fato de ser assistente no processo do assalto ao gabinete na Assembleia da República não interfere de modo algum na investigação aos mandatos de Luís Neves à frente da PJ. Para além disso, comentou sobre o despedimento polêmico do secretário-geral do MAI. Diz que Luís Neves quer gerir o ministério como geria a Polícia Judiciária.
E é Luís Neves que escutamos nesta edição das 10. O ministro da Administração Interna quer mais polícias nas ruas e rejeita, Martim, a narrativa de que Portugal é um país cada vez mais inseguro.
Luís Neves esteve esta noite na tomada de posse do novo diretor nacional da Polícia de Segurança Pública, Pedro Moura, e na cerimônia o ministro prometeu reforçar o policiamento de visibilidade.
Queremos prosseguir o reforço do policiamento de visibilidade, de proximidade e comunitário
Pretendemos mais polícias na rua, próximo das pessoas e, com isso, mais disponíveis para responder. Porque a prevenção, por mais importante que seja, não dispensa a capacidade de intervenção. O Estado tem de estar próximo dos cidadãos e vai estar cada vez mais próximo, mas também tem de ser capaz de exercer a sua autoridade. E tem de o fazer com firmeza, confiança e, quando necessário, com robustez.
Luís Neves reconhece a preocupação dos portugueses com a segurança, mas critica quem insiste na ideia de que o país está cada vez mais inseguro. O ministro considera que essa narrativa desvaloriza o trabalho das forças de segurança.
A preocupação dos nossos concidadãos com a segurança é absolutamente legítima. Os problemas existem, têm de ser conhecidos e exigem respostas. Mas reconhecer os problemas não significa alimentar permanentemente uma narrativa falsa, assente no medo e no caos. Quem insiste em apresentar Portugal como um país onde a insegurança domina, desvaloriza, repito, desvaloriza também o trabalho de milhares de polícias que todos os dias cumprem, e bem, a sua missão.
Luís Neves, na tomada de posse do novo diretor nacional da PSP. O ministro da Administração Interna garante ainda que o governo está comprometido em reforçar os instrumentos legais de proteção dos polícias. O primeiro-ministro também esteve na cerimônia, saiu apressadamente, não prestou quaisquer declarações aos jornalistas.
E Martim, Pedro Moura promete uma estratégia de longo prazo para a Polícia de Segurança Pública.
É a garantia deixada durante a cerimônia de tomada de posse. O novo diretor nacional quer uma transformação da polícia e rejeita medidas avulsas de gestão do cotidiano.
A estratégia que pretendo implementar, juntamente com a equipe de direção que irei constituir, uma equipe de trabalho coesa, firme e humana para os próximos três anos, com o apoio do governo, não constitui um plano de gestão corrente, nem um conjunto de medidas avulsas de reorganização administrativa ou organizacional. Constitui um quadro integrado de transformação institucional para o período 2027-2030, estabelecendo prioridades, objetivos, programas, projetos destinados a produzir mudanças duradouras na organização e na qualidade do serviço público de segurança.
Promessa do superintendente-chefe Pedro Moura, o novo diretor nacional da Polícia de Segurança Pública.
E passamos ao desporto. Isto porque o Sporting venceu esta tarde em casa dos franceses do Lens por duas bolas a zero e segue invicto na Liga dos Campeões.
Duas jornadas, duas vitórias para o conjunto leonino. Rui Borges deu a primeira titularidade a Kaique, o guarda-redes, e relançou João Simões após uma longa paragem do médio. O colombiano Luís Suárez marcou aos 22 minutos e fez assim o sétimo gol em 14 encontros na Liga dos Campeões, tornou-se o melhor marcador da história dos Leões na principal competição europeia de clubes. Já Issa Doumbia marcou o primeiro gol como jogador na Liga dos Campeões, marcou o segundo desta formação do Sporting. No final da partida, em conferência de imprensa, Rui Borges destaca a coragem dos jogadores ao longo de toda a partida, admitindo assim que em alguns momentos o Sporting podia ter sido mais eficaz e alargar a vantagem.
Hoje era preciso ter coragem, ambição e humildade e a equipe teve durante 93 minutos, nunca lhes faltou isso e foi importantíssimo. Depois sabíamos, claro, que os espaços que eles davam e que em momentos até de transição poderíamos ferir muitas vezes o Lens. Acho que em alguns momentos poderíamos ter feito mais gols e em alguns momentos poderíamos ter mais qualidade do que o que tivemos nas saídas. Mesmo o Luís, o Geni hoje numa primeira parte também difícil naquilo que foi tomada essa decisão. São dois jogadores que fazem claramente a diferença e que se estivessem no seu normal ali em alguns momentos de ligações, poderíamos ter ferido ainda mais vezes o Lens.
As palavras de Rui Borges, que admitiu estar muito feliz com este triunfo europeu. O treinador chega às oito vitórias na Liga dos Campeões e iguala assim o recorde de triunfos de Ruben Amorim.
E também a contar para a Liga dos Campeões, o Porto de Porto enfrenta amanhã o Real Betis na segunda jornada da competição. Francesco Farioli diz, Martim, que espera um jogo de igual para igual.
Os Dragões já foram para Sevilha para o encontro contra a equipe treinada por Manuel Pellegrini. Na antevisão ao jogo, o treinador azul e branco fala numa equipe e num treinador em perfeita sintonia e sublinha que o Betis vem de uma sequência de resultados positiva.
Esperamos uma equipe que, assim como nós, jogue de igual para igual com o objetivo de conquistar a vitória. É uma equipe que vive um excelente momento, apresentando um desempenho de altíssimo nível na liga e vindo de uma sequência impressionante de resultados positivos. Uma equipe que tem um treinador lendário, com mais de 1200 jogos como profissional. A equipe e o treinador conhecem-se há muito tempo, trabalham juntos há muitos anos e além disso, é claro, uma equipe com muita qualidade em todas as posições.
A antevisão de Francesco Farioli ao jogo, o Real Betis, equipe que procura a segunda vitória consecutiva na competição. Já na conferência de imprensa, Manuel Pellegrini, o treinador do Betis, destaca a experiência do Porto nesta prova da UEFA. O treinador chileno de 73 anos garante, no entanto, que a equipe da casa vai entrar com muita personalidade em campo.
Espero um futebol clube do Porto muito complicado. É uma equipe acostumada a jogar na Liga dos Campeões, normalmente todos os anos. Eu já tive a sorte de enfrentá-lo com o Málaga há alguns anos atrás. Por sorte, tivemos um bom resultado. É uma equipe que quer ganhar o jogo, como fazem todos os grandes clubes. O importante é que à frente deles há uma equipe como o Betis, que mostra muita personalidade em todos os jogos, independente do rival que enfrentamos. Queremos sair a ganhar e para isso temos que ter bons momentos individuais e um bom funcionamento.
A antevisão do técnico do Real Betis, Manuel Pellegrini. A partida tem início marcado para as oito horas da noite. Amanhã vai ter acompanhamento em direto na Rádio Observador.
Doze minutos para lá das 10. Tempo ainda para atualizar outras notícias que importa destacar nesta noite de terça-feira, Martim.
Falamos dos protestos em França que causaram dezenas de feridos e detidos em Paris e em Lyon. Um dos feridos é um enfermeiro de uma equipe médica que estava de serviço no protesto nas ruas da capital francesa. A manifestação ficou marcada por momentos de violência e de vandalismo. O Ministério do Interior francês contabilizou mais de 160 mil manifestantes, enquanto a coligação de sindicatos estudantis aponta para cerca de 480 mil pessoas. Estão agendados novos protestos para quinta-feira e sábado, aos quais devem se juntar os coletes amarelos. Ainda dar uma importante informação de que o Metrô de Lisboa vai estar encerrado, isto devido a uma paralisação por parte dos sindicatos. Portanto, o Metrô já deu a indicação de que vai ficar completamente encerrado. Não vai haver serviços extraordinários. Vamos fechar este jornal. Vicente, alguma vez sentiste FOMO?
Quase sempre, fome a toda hora, nunca falha.
Não, não é fome, é FOMO. Isto é fear of missing out ou medo de ficar de fora, em português.
Já senti, sou humano. Já senti. E às vezes ainda sinto. Devia estar a sentir agora. Os meus amigos foram jantar e ver futebol. Estou a sentir agora. Neste preciso momento, em direto no jornal das 10.
Olha, ao que parece, esse medo pode tomar proporções bem maiores do que pode parecer. Na Geórgia, nos Estados Unidos da América, uma idosa de 80 anos decidiu assistir ao próprio funeral antes de morrer.
Isso não tenho medo nenhum de passar. Pode passar à vontade, não faço questão.
Não gostavas de ver como é que é?
Não, tenho curiosidade nenhuma. Tenho mais curiosidade de como é que vai ser o depois de eu ficar ficado, o corpo, pelo menos.
Shelby Neill reuniu cerca de 100 familiares e amigos no seu aniversário para uma cerimônia invulgar, marcada pela vontade de não perder nada na vida, nem mesmo a própria despedida. Esta ideia surgiu depois do marido ter morrido no início deste ano e a filha desta senhora lembra que durante os preparativos para o funeral do pai, a mãe disse que gostava mesmo de assistir ao próprio funeral e foi precisamente isso que incentivou a mãe a seguir com esta ideia. A cerimônia realizou-se na casa onde Shelby viveu com o marido durante 25 anos, onde venderam o imóvel a uma funerária em 2020. No interior de uma sala, havia um caixão aberto com uma figura de cartão da própria Shelby, que usava uma faixa preta com a frase: "Back by popular demand", de volta a pedido do público.
Agora tem um problema, que as pessoas à segunda não vão sentir tanto.
Exato. Já não vão sentir tanto. A cerimônia incluiu também um bolo que desejava a Shelby um feliz aniversário com a frase: "Ela recusa-se a perder seja o que for, especialmente o próprio funeral."
Não perdeu o primeiro, mas garanto que vai perder o segundo.
Sim, é um aniversário um pouco mórbido, não é?
Um bocado macabro, digamos assim. Fica por aqui a edição das 10. De forma macabra, colocamos um ponto final nesta edição com Martim Madeira, que está de regresso às 10h30 com a informação desta terça-feira desenvolvida e atualizada. Um abraço, Martim. Até já.
Até já