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Notícias. Começa agora o Jornal das 11, edição da jornalista Diana Rosa. Diana, começamos com uma notícia de há poucos minutos: os Estados Unidos estão a atacar a Síria.

Uma informação confirmada por Pete Hegseth, responsável pelo Pentágono no X. Cumpre-se assim a promessa que Donald Trump tinha feito. O presidente norte-americano garantiu que queria vingar-se da morte dos dois soldados norte-americanos e do intérprete civil, que acabaram por morrer na sequência de um ataque na região central da Síria, no passado sábado. Agora, o New York Times avança que as forças americanas atacaram dezenas de locais, que incluem áreas de armazenamento de armas e outros edifícios de apoio às operações do Estado Islâmico. Um responsável dos Estados Unidos falou também ao jornal norte-americano, em anonimato, revelou que estes ataques estão previstos durar várias horas até ao início da manhã deste sábado. Entretanto, já surgiram também imagens nas redes sociais de explosões a acontecer em várias zonas do país. Contamos nesta edição em direto com Francisco Pereira Coutinho, a quem agradeço desde já a sua disponibilidade repentina, para se juntar a nós nesta edição das 11h. Francisco Pereira Coutinho, este ataque que os Estados Unidos dizem ser uma vingança é justificado, na sua opinião?

Boa tarde. Houve um ataque do Estado Islâmico que motivou a morte de soldados americanos e, como referiu, Donald Trump tinha prometido que iria haver uma retaliação. E aqui está ela, sensivelmente uma semana depois. E a verdade é que isto ocorre numa zona da Síria, uma zona desértica, muito pouco populada, que não é controlada pelo Estado sírio. Portanto, isto não é um ataque contra a Síria. Aliás, muito possivelmente, tudo isto é feito com o acordo, pelo menos tácito, do governo sírio, de al-Sharaa, que acaba neste momento por ser quase um aliado dos Estados Unidos. Ele já foi recebido até muito recentemente na Sala Oval por Donald Trump e os Estados Unidos revogaram as sanções que existiam até sobre o próprio al-Sharaa. Agora, ele não consegue ainda controlar todo o território, inclusivamente esta parte do leste da Síria, onde ainda vamos encontrar muitas células do Estado Islâmico. O Estado Islâmico chegou a controlar praticamente toda a Síria no contexto da guerra civil síria. Hoje em dia está reduzido a algumas bolsas territoriais e é a partir daí que tem aproveitado esta transição de poder que ocorreu na Síria no último ano para continuar a atacar forças militares norte-americanas. Os Estados Unidos ainda mantêm um contingente de cerca de mil soldados na Síria e, portanto, isto é uma medida retaliatória para procurar garantir aqui alguma dissuasão, porque especialmente a partir do momento em que al-Sharaa disse que iria combater ainda mais o Estado Islâmico, percebeu-se que iria existir também maior resistência por parte destes terroristas do Estado Islâmico. Portanto, este é o contexto em que acontece essa intervenção. Agora, em princípio, será uma intervenção cirúrgica, durará apenas algumas horas.

Falava há pouco das sanções. A Síria tinha considerado hoje o levantamento definitivo dessas sanções impostas pelos Estados Unidos um avanço importante, até mesmo em termos diplomáticos. Como é que avalia o timing deste ataque? Considera, pelas suas palavras, que não coloca em causa esses esforços diplomáticos por parte das duas administrações?

Não, pelo contrário, isto são os Estados Unidos a fazerem aquilo que o governo sírio neste momento também quer, que é no fundo procurar garantir a soberania e controle sobre todo o território. Eu lembro que muito recentemente a revista Economist considerou que a Síria foi o país do ano, o país onde conhecemos mais desenvolvimentos, porque há um ano havia muitas dúvidas sobre o que iria acontecer na Síria, se se iria transformar num novo califado, porque o próprio al-Sharaa esteve muito ligado ao próprio Estado Islâmico no passado, mas ele cortou com eles e agora combate-os. E é um combate em que tem o apoio dos Estados Unidos. Portanto, este ataque americano é feito neste contexto regional e local ainda bastante complicado. Mas isto mostra que os Estados Unidos estão interessados em intervenções cirúrgicas ainda no Oriente Médio. Fizeram no caso dos hutis e estão a fazê-lo novamente aqui no caso da Síria, apesar de nós sabermos que Donald Trump é bastante avesso a guerras intermináveis, e esta é uma guerra que já dura há mais de 15 anos.

Muito obrigada, Francisco Pereira Coutinho, pelas suas explicações acerca deste ataque dos Estados Unidos, que, como ouvimos aqui, estão a fazer ataques a algumas localidades da Síria. Ouvimos aqui Francisco Pereira Coutinho explicar que serão, a partir de ataques cirúrgicos, que vão durar algumas horas. Nos Estados Unidos dizem que esses ataques vão terminar na manhã deste sábado. Mudamos agora de tema. Seguimos com o debate para as eleições presidenciais, André Ventura e João Cotrim Figueiredo. As alterações à Lei da Nacionalidade provocou discórdia entre os dois candidatos. Cotrim defende um abrandamento das medidas, Ventura recusa ceder. A Lei da Nacionalidade voltou para o Parlamento com o veto do Presidente da República e o chumbo do Tribunal Constitucional. Esta noite em debate, o candidato apoiado pela Iniciativa Liberal admite que o Parlamento deve abandonar a medida que prevê a perda da nacionalidade para quem comete certos crimes. Acredita que pode ser a solução para que a lei passe. Vamos ouvir aqui João Cotrim Figueiredo.

Eu não insistiria na alteração do Código Penal. Nesta altura, um braço de ferro com o Tribunal Constitucional é adiar a entrada em funcionamento desta lei e isso é um desfavor que se faz ao controle da política migratória que precisamos efetivamente de ter. Nós aqui das duas, uma: ou decidimos continuar uma birra e um braço de ferro com o Tribunal Constitucional, ou usamos aquilo que são os conteúdos do acórdão do Tribunal Constitucional para corrigir a lei no sentido de ela poder ser aprovada rapidamente.

Mas André Ventura recusa ceder. Acredita que o Parlamento deve insistir nessa premissa.

Eu vou insistir no básico. Quem vem pra Portugal e quer a nacionalidade, tem que cumprir as nossas regras e os nossos valores, não pode ser contra os nossos valores e a nossa cultura. Se cometer crimes, perde a nacionalidade. E três, igualmente importante: não é toda a gente que aqui nasce num comboio que tem de nacionalidade portuguesa.

O debate ainda ficou marcado pela lista de clientes revelada por Luís Marques Mendes. Os candidatos afirmam que ainda existem dúvidas acerca da transparência do candidato apoiado pelo PSD e CDS. André Ventura volta a considerar que Marques Mendes é o candidato mais condicionado.

Eu acho que quem se candidata a um cargo público tem que saber as relações que teve, com quem teve, o patrimônio que tem e também, deixe-me só dizer isto, de onde é que vem esse patrimônio e como é que alguns chegam a Lisboa sem nada e ficam ricos.

Muito bem, mas isto para si encerra ou não o capítulo do candidato condicionado?

Vamos lá ver, Marques Mendes hoje disse aquilo que queria dizer. Não sabemos ainda se isso é tudo ou se vai dizer mais alguma coisa. Eu continuo a achar o que lhe disse aqui. Acho que Marques Mendes é o candidato, de todos, talvez, mais condicionado.

João Cotrim Figueiredo refere que os serviços de consultoria do candidato apoiado pelo PSD continuam por esclarecer.

Eu nunca pedi que divulgassem clientes da advocacia que fossem confidenciais. Não é isso que me preocupa. A atividade é de advocacia, quando a atividade é de consultoria, eu gostava de saber quais são.

Os candidatos também discordaram do tema racionalidade com a política europeia. Cotrim Figueiredo realça que é necessário reformar a Europa. André Ventura insiste que o continente europeu não aguenta com mais imigração.

Diana, foram admitidas 11 das 14 candidaturas à Presidência da República entregues no Tribunal Constitucional, mas há três que contêm irregularidades.

A de José Cardoso, Joana Amaral Dias e Ricardo Sousa. De acordo com o acórdão hoje publicado pelo tribunal, os três foram notificados para corrigirem as irregularidades e têm dois dias para fazê-lo. Estão já em condições de serem admitidas as candidaturas de Govêa e Melo, Marques Mendes, António Filipe, Catarina Martins, António José Seguro, Humberto Correia, André Pestana, Jorge Pinto, também João Cotrim Figueiredo e André Ventura e a do músico Manuel João Oliveira.

E agora, com oito minutos para lá das 11 da noite, vamos ao habitual espaço de informação local.

A Câmara Municipal do Seixal vai reunir na segunda-feira com Infraestruturas de Portugal. Em causa a degradação acentuada da Estrada Nacional 378, que liga o Seixal a Sesimbra. A autarquia pede reunião com caráter de urgência e exige a adoção de medidas que garantam a segurança rodoviária. Loures vai realizar o habitual passeio de Natal de motards. Realiza-se no domingo, a partir das 10h. Conta com cerca de 11 motoclubes e 400 participantes. Em Benavente, no distrito de Santarém, a Câmara Municipal vai reavaliar os projetos de habitação previstos na estratégia local. O objetivo é garantir o aumento da oferta de casas no Conselho. É uma decisão que surge na sequência de uma reunião entre a autarca Sónia Ferreira e a Secretária de Estado das Infraestruturas e da Habitação, Patrícia Gonçalves Costa. Espinho liquidou a dívida que tinha com a Polícia de Segurança Pública relativamente às verbas provenientes das multas de trânsito que são cobradas no Conselho, multas essas passadas entre 2021 e este ano, 2025. O valor era de cerca de €328 mil, correspondia a 30% da receita que foi cobrada nos últimos anos. A Assembleia Municipal do Porto aprovou as moções do Bloco de Esquerda e da CDU sobre o fim do Porto Canal como estação generalista, passando a transmitir apenas conteúdos do Futebol Clube do Porto. Em novembro, a ERC autorizou que o Porto Canal passasse de generalista para temático, especializado em desporto. Os partidos à esquerda alertam para a forte ligação ao território, para a programação diversificada, com informação regular e também no âmbito da cultura, história e política. Terminamos em Leiria. Foi lançada a segunda edição do projeto Inclusitsu. É um projeto desenvolvido pela Associação Asteriscos, dedica-se à inclusão de pessoas com deficiências na modalidade de jiu-jitsu. O projeto vai acolher e treinar 58 atletas de associações de todo o Conselho Leiriense.

E é o ponto final no Jornal das 11, edição da jornalista Diana Rosa.