Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Duas horas. As notícias com Miguel Gato.

Boa noite. A advogada da família da vítima baleada pela PSP na Cova da Moura relata uma invasão violenta e agressões na casa de Odair Moniz esta noite. Ao Observador, Catarina Morais descreve que a polícia entrou na casa, os agentes da PSP terão arrombado a porta fora da hora legal e sem mandato e agrediram ainda duas pessoas. Terão tentado entrar uma segunda vez, mas como a advogada estava já presente na casa, acabaram por não entrar esta segunda vez. São explicações da advogada de Odair Moniz, confirmadas também por uma familiar da vítima, em declarações esta noite à Rádio Observador.

Entrou de uma forma agressiva e a dar com cassetes na mesa, na porta, pontapés na porta, arrebentaram a porta toda. Entretanto, eu disse: "Eles querem matar mais um." Mostrei a foto do Odair, eles acalmaram. Depois eles disseram: "Não, é porque também deram-nos com pedra." "Mas o que é que vocês vêm fazer, arrebentarem a porta? Têm o direito de arrebentarem a porta, fazerem o que fizeram?" "Não, deram com pedras, depois foram embora." Entraram mais 15 aqui dentro e agrediram duas pessoas aqui dentro.

A família de Odair Moniz vai apresentar queixa-crime por esta invasão da PSP na casa da viúva da pessoa que foi baleada na Cova de Moura. A polícia que terá precisamente invadido a casa da viúva de Odair Moniz esta noite sem autorização. A investigação do caso da Cova da Moura sugere o uso desproporcional e excessivo da força e com recurso a meios letais, é o que indica a investigação da Polícia Judiciária. Trata-se de um agente da PSP que terá apenas um ano de serviço, estaria acompanhado por um colega de patrulha com mais dois anos de experiência. De acordo com o comunicado da Direção Nacional da PSP, este homem de 43 anos pôs-se em fuga de carro após ter visto uma viatura policial e entrou em despiste na Cova da Moura. Ao ser abordado pelos agentes, terá alegadamente resistido à detenção e também tentado agredir com recurso a arma branca. Esta noite que está a ser marcada por desacatos em várias zonas da Grande Lisboa, em reação à morte deste homem baleado pela PSP. Ao final da tarde, um autocarro foi totalmente destruído por fogo posto no bairro do Zambujal, na Amadora. O mesmo aconteceu na Portela de Carnaxide, em Oeiras, onde além de um autocarro, também vários caixotes do lixo e ainda uma viatura ligeira foram incendiados. Em Casal de Cambra, Sintra, foi atirado um objeto contra um carro de polícia sem causar danos maiores na viatura. E a PSP reporta também situações semelhantes de caixotes do lixo incendiados em Campo de Ourique, Loures, Odivelas e também em Agualva-Cacém. São informações confirmadas pela PSP à Rádio Observador. E sobre os incidentes na Portela de Carnaxide, o presidente da Câmara de Oeiras apela à calma dos moradores. Isaltino Morais garante que a polícia está a fazer o seu trabalho.

Esses túrbios aconteceram. É grave, naturalmente, e não podemos deixar de registrar. E é por isso que a Polícia de Segurança Pública está a atuar, mas está a atuar com calma, está a atuar sem reagir a provocações. E naturalmente, neste momento, o que se pretende é que essas minorias provocadoras, que provocaram todos esses túrbios, que se acalmem também.

O apelo do autarca de Oeiras, Isaltino Morais, em declarações esta madrugada aos jornalistas na Portela de Carnaxide, zona onde foram incendiadas duas viaturas e também um caixote do lixo. Diz ainda Isaltino Morais que não falou com o governo, mas que em breve irá entrar em contacto com a ministra da Administração Interna. Na Amadora, a PSP deteve uma pessoa no bairro do Zambujal por posse de material combustível, confirmação dada pelas forças de autoridade em declarações aos jornalistas, onde ao final desta tarde um autocarro ficou completamente destruído após ter sido incendiado. O superintendente Manuel Gonçalves confirma essa detenção.

Neste momento temos um detido que supostamente tinha consigo objetos que iniciavam que ia cometer um crime relacionado com esta situação toda que infelizmente tinha ocorrido. Material pirotécnico? Sim, exatamente. Aquilo que nos solicitou, digamos assim, ou despertou a nossa atenção e foi abordado e em função do ambiente onde ele estava, nós procedemos à sua detenção, porque aqueles objetos não eram permitidos naquela altura. Mas era material pirotécnico ou era material combustível? Isto é material combustível neste momento e está a ser feito todo o competente relacionado com isso.

Declarações aos jornalistas de Manuel Gonçalves, superintendente da PSP no bairro do Zambujal, na Amadora, onde esta noite ardeu um autocarro, fogo provocado por um grupo de homens encapuzados. A propósito dos desacatos que se têm verificado ontem e hoje, devido precisamente ao baleamento deste cidadão na Cova da Moura, Hugo Costeira, especialista em segurança interna, define a situação de descontrole como uma selvageria. O especialista espera que a polícia consiga atuar de forma adequada e inclusivamente fazer detenções e compara o que está a acontecer em Portugal com situações que se repetem pela Europa fora.

A definição que eu tenho para isto é selvageria. Isto é um atentado contra aquelas que são as pessoas que pagam impostos neste país. Este gênero de ações faz-nos lembrar Paris, vão aumentar claramente a sensação de insegurança e aumenta também a sensação de impunidade destes bandidos. E, portanto, aquilo que tem que acontecer esta noite é que a Polícia de Segurança Pública tem que varrer estes imergúmenos e tem que começar a fazer detenções e tem que começar realmente a impor a ordem do Estado português nestas ruas.

O especialista em segurança interna, Hugo Costeira, à Rádio Observador, sublinha ainda que não se pode compactuar com este tipo de comportamentos violentos. Mudamos de tema. Terminou o quinto dia do julgamento do caso BES. Fica marcado pelos ataques do empresário Pedro Queirós Pereira a Ricardo Salgado, num depoimento gravado em 2018, que foi reproduzido em tribunal, mas também pela resistência do chairman do BPI em responder às perguntas que lhe foram feitas. Vasco Maldonado Correia.

O testemunho de Fernando Rick mal tinha começado e logo arrancaram os protestos. O banqueiro não gostou de ser questionado sobre as relações comerciais entre o BPI e as holdings do GES e questionou várias vezes a pertinência das perguntas, primeiro do Ministério Público, depois dos advogados dos assistentes. De qualquer maneira, não deixou de sublinhar que este processo devia ter mais arguidos, neste caso, por gestão danosa. Explicou que chegou a contactar o Banco de Portugal por temer um problema sistémico como consequência da relação entre GES e BES. Rick teve ainda tempo para um estado de alma, para defender que todos os que trabalham no setor retirem deste caso uma lição pedagógica como exemplo do que não se deve fazer. De manhã, o alvo esteve apontado a Ricardo Salgado. Com ou sem premonição, o tribunal ouviu Pedro Queirós Pereira, em 2018, descrever o que considera ser alguém doente, mentiroso, compulsivo, que iria fazer de tudo para arrastar o processo ao máximo. Relatou também como Salgado terá tentado comprar Marcelo Rebelo de Sousa, na altura em que liderava o PSD, entregando trabalhos de cobrança ao escritório de advocacia de Rita Amaral Cabral, namorada na altura do agora presidente da República. Revelou ainda que o ex-banqueiro terá ameaçado fazer pressão para retirar do cargo o antigo governador do Banco de Portugal, Carlos Costa. Ainda assim, o empresário que expôs os problemas das contas do GES garante que nunca quis fazer de polícia neste caso, estava apenas revoltado com a tentativa de Salgado, em conjunto com as irmãs de Queirós Pereira, de tentar comprar a Semapa, empresa que liderava.

O jornalista da Rádio Observador, Vasco Maldonado Correia, que acompanhou a quinta sessão do julgamento do caso BES, a única da semana. E no desporto, o Sporting derrotou esta noite o Sturm Graz, na Áustria, por 2 x 0 e alcançou a segunda vitória em três jogos na Liga dos Campeões, gols apontados por Nuno Santos e Viktor Gyökeres. Os Leões voltaram a dominar a partida, tal como tinha acontecido no duelo do ano passado entre as duas formações, mas na Liga Europa. No final do jogo, na zona de entrevistas rápidas da Sport TV, o técnico Rúben Amorim diz que o Sporting deveria ter sido mais eficaz, mas fala numa exibição convincente.

Fomos maduros e demos um passo, comparando o jogo do ano passado contra uma equipa, quanto a mim, melhor, nós tivemos um comportamento mais parecido daquele que temos muitas vezes no nosso campeonato. Falhámos muitos gols, não demos grandes oportunidades ao adversário. Cumprimos nas bolas paradas. Eles batiam muito bem as bolas paradas e eram muito agressivos, mas nós também fizemos o nosso trabalho. Mesmo com a gestão na defesa, os gajos estiveram muito bem, toda a gente muito concentrada no plano de jogo e acho que os jogadores estão de parabéns, porque foi uma vitória convincente.

Com esta vitória, o Sporting fica agora com sete pontos em três jogos e sobe à condição ao terceiro lugar da nova fase de liga desta edição da Champions. O próximo duelo europeu dos Leões está marcado para o dia 5 de novembro, é contra o Manchester City, no Estádio José Alvalade. Esta quarta-feira entra em campo para a Liga dos Campeões o Benfica, joga às 20h frente ao Feyenoord, num jogo que vai contar com relato em direto aqui na Rádio Observador.