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Duas horas. As notícias com João Lourenço.

Muito boa noite. Já arrancou a greve geral convocada pela CGTP e pela UGT. Há serviços que estão a parar, é o caso do Metro de Lisboa, que encerrou todas as estações a partir das 11 da noite. Prolonga o período sem circulação até às 18h30 de sexta-feira, dia 12 de dezembro, é o que adianta a empresa em comunicado. O Metro de Lisboa também confirma que não há serviços mínimos. Ao início da madrugada, Tiago Oliveira, secretário-geral da CGTP, faz um ponto de situação e prevê uma grande adesão a esta greve.

Nós estamos no arranque da greve e estamos a abranger neste momento as empresas que trabalham por turnos e, portanto, começam já hoje a ter influência naqueles que aderem à greve. Mas tudo aquilo que está a vir, tudo aquilo que está a ser demonstrado neste momento, é que vamos ter, de facto, uma grande greve geral. Estamos já a ter, de facto, uma grande greve geral. E é uma grande greve geral porque tem o simbolismo que tem e tem a necessidade que tem, que é obrigar o governo a recuar naquilo que é o pacote laboral, exigir do governo a retirada do pacote laboral. Aqueles que estão aqui, são estes trabalhadores que aqui estão, que fazem a diferença todos os dias nas nossas vidas.

Tiago Oliveira, que esteve em alguns pontos da zona de Lisboa, neste caso, na área metropolitana de Lisboa, entre os quais a AutoEuropa de Palmela e também em último, no edifício sede do Metro de Lisboa. Esta é a primeira greve geral dos últimos 12 anos, com as estruturas sindicais já na rua a acompanhar as empresas e os serviços encerrados. Junta-se também alguns representantes partidários. É o caso do secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, que tem a certeza de que esta greve vai ser eficaz.

Eu acho que o governo está é completamente fora da realidade, porque vive numa bolha e tem um conjunto de compromissos que quer cumprir. Os compromissos que quer cumprir não é com os trabalhadores, ou os compromissos que quer cumprir não é com a juventude, em particular, com aqueles que estão mais afetados pelos baixos salários, com aqueles que estão mais afetados pela precariedade. Vamos lá ver se a gente se entende. Nós temos 30% dos trabalhadores hoje com contratos precários, contratos ao dia, contratos ao mês, contratos a prazo, falsos recibos verdes. Todos nós conhecemos estas realidades. Esses trabalhadores ganham, em média, menos 20% do que um trabalhador efetivo. O que o governo quer é generalizar a precariedade para todos os trabalhadores.

Já o coordenador do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, pede um recuo na estratégia do governo.

Mais do que ficar mudo, o que importa é o que é que vai dizer. E o que vai dizer tem que ser um recuo total nesta estratégia. É uma estratégia que não tem nenhum sentido, porque uma economia que tem um nível de emprego quase no pleno emprego, uma economia que é dita como estando em grande crescimento. Qual é o sentido então desta reforma laboral? Não tem nenhum sentido a não ser um preconceito ideológico absoluto. E isso evidentemente que não pode ser política de governo.

Os dirigentes partidários a apelarem a um recuo total do governo e a acusarem Luís Montenegro de preconceito ideológico. E outro dos setores que vai enfrentar dificuldades nesta quinta-feira é o setor da saúde, e são a garantia da presidente da FNAM, da Federação Nacional dos Médicos, Joana Bordalo e Sá.

O que se prevê é que a adesão dos médicos não seja diferente das outras greves e que vão aderir à greve, embora os serviços mínimos estão totalmente assegurados, e nós estamos a falar de serviço de urgência, de quimioterapia, de diálise, da radioterapia, e as pessoas podem estar descansadas por aí. Agora, aqui a grande questão é que tudo o que for consulta programada, seja no centro de saúde, seja a nível hospitalar, assim como a cirurgia programada, vão ser adiadas. E aqui há um grande responsável, que se chama Luís Montenegro, e a intransigência deste governo em negociar a melhoria das condições de trabalho.

Aqui ouvimos Joana Bordalo e Sá, entrevista à SIC, ao início desta madrugada, no Hospital São João, na cidade do Porto, a atirar as culpas desta paralisação a Luís Montenegro. Ora, Joana Bordalo e Sá, dirigente da FNAM, acusa ainda o executivo de querer piorar as condições laborais dos trabalhadores com a nova legislação.

Vai tudo agravar a condição de trabalho dos médicos. E se nós hoje em dia já temos quatro médicos por dia a sair do Serviço Nacional de Saúde e vemos que temos 1,5 milhões de utentes sem médico de família, temos neste momento tempos de espera nas urgências que chegam às 17 horas e já vamos desde o início do ano com 74 bebés que nasceram nas ambulâncias ou na berma da estrada ou na rua, toda esta situação poderá agravar ainda mais e por isso é que nós estamos em greve.

Aqui ficam as declarações de Joana Bordalo e Sá, presidente da Federação Nacional dos Médicos, a prever essa grande adesão a esta greve geral. Falamos agora da UGT. Alguns sindicatos afetos à Central Sindical juntaram-se já ao início desta madrugada à porta do Centro de Recolha de Resíduos dos Olivais, em Lisboa. José Abrão, secretário-geral da FESAP, fala numa adesão a rondar os 80 a 85% e deixa também um apelo a quem ainda tem dúvidas sobre se deve ou não aderir à greve geral.

De facto face, porque até por alguma informação ou desinformação que vai sendo passada, pode ficar na dúvida, não tenha dúvidas. A proposta que está em cima da mesa é altamente penalizadora de quem trabalha e por isso mesmo é importante que toda a gente adira e que force o governo a mudar de posição, que é a nossa exigência que temos em cima da mesa hoje.

Aqui fica o apelo do secretário-geral da FESAP, José Abraão, à porta do Centro de Recolha de Resíduos dos Olivais, em Lisboa. E a recolha de resíduos é precisamente um dos setores mais afetados. Os trabalhadores estão a aderir em massa, é o que adianta a presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local e Regional, e em concelhos como Évora, Setúbal, Amadora ou também Funchal, na Ilha da Madeira. Cristina Torres afirma que pouco depois das 22h já havia registros de adesão de 100% no início do turno do setor da recolha de resíduos. A responsável sindical acrescenta que se o governo ouvir os trabalhadores, tem de recuar com as intenções das mudanças à legislação laboral. Salienta ainda o resultado muito positivo que a greve geral já alcançou. Mudamos agora de tema, neste caso, para as eleições presidenciais no debate desta noite na RTP, entre Catarina Martins e António Filipe. Os dois candidatos a Belém acusam o primeiro-ministro de enganar os portugueses ao anunciar um salário mínimo de €1.600 até ao final da legislatura. A candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda considera que Luís Montenegro só pode estar a brincar com os portugueses. Explica por quê.

Eu acho que o primeiro-ministro está a gozar com as pessoas e é feio, porque repare, o governo acabou de chumbar hoje propostas da esquerda para aumentar mais o salário mínimo.

Mas é bom que aumente o salário mínimo.

É bom, mas é bom que se fale verdade. Ou seja, o mesmo primeiro-ministro que só aumenta o salário mínimo €50 este ano, está a dizer que nos próximos anos a legislatura vai aumentar todos os anos o salário mínimo em €200 e alguém acha que ele está a falar verdade?

Desacreditado também está António Filipe.

Há um sinal muito claro de que ninguém leva isso a sério. É as confederações empresariais não protestarem, porque as confederações empresariais que qualquer cêntimo, normalmente do salário mínimo, protestam e dizem que isso não é possível, ouvem este anúncio do primeiro-ministro e não dizem nada, que significa que nem eles acreditam nele.

O anúncio de Luís Montenegro foi feito em semana de greve geral, a primeira dos últimos 12 anos, e a pretexto desse tema, os dois candidatos esta noite em debate concordaram. Esta greve é sinal de que o governo tem de ter outra proposta em cima da mesa para ser negociada. Neste debate, foi também discutido qual dos dois candidatos reúne mais convergência à esquerda na corrida a Belém. Catarina Martins e António Filipe discordam. O candidato apoiado pelo PCP lembra que quando avançou não havia nenhuma candidatura à esquerda, além de António José Seguro. Acusa Catarina Martins de não ser consensual.

Com toda a legitimidade, outras candidaturas. Catarina Martins, com toda a legitimidade, não só jurídica, constitucional, mas política para se candidatar e não critico que as pessoas se candidatem. O que quero dizer é que eu não critico. Agora, que a candidatura não favorece a convergência, isso é um dado objetivo.

Em defesa, Catarina Martins tenta contradizer António Filipe.

E apresento-me, falo por mim, sabendo que tenho apoios e agradeço-os muito, para lá da minha área política de origem, mas sobretudo com o apoio de tanta gente que acredita que se pode viver melhor em Portugal e que tem uma visão de esquerda e que tem também uma visão de uma série de avanços civilizacionais, que para mim são importantes, que se fez a minha vida e cá estou eu.

Catarina Martins e António Filipe, um debate à esquerda esta noite na RTP. O secretário-geral do PS lembra que há 12 anos que não havia uma paralisação total no país. José Luís Carneiro acusa o governo de arrogância. Num vídeo publicado nas redes sociais, o líder socialista sublinha que não há uma única medida que favoreça os trabalhadores no pacote laboral apresentado pelo governo, fala num retrocesso que só é possível explicar com tendências ideológicas.

Não há, pois, motivo para esta reforma, que só é entendível à luz de critérios ideológicos ou de um acerto de contas com a agenda para o trabalho digno. Até porque convém que se saiba, foi há dois anos que esta agenda laboral foi aprovada pelo governo do PS, aliás, legislação que teve o contributo e que contou depois com a abstenção do próprio PSD na Assembleia da República.

Aqui ficam as palavras de José Luís Carneiro, na véspera desta greve geral, que já começou, como já demos conta neste noticiário das 02:00, e que vamos continuar a acompanhar aqui na Rádio Observador. O secretário-geral do PS sublinha ainda que o partido não interfere em questões exclusivamente de natureza sindical. Para terminar este noticiário, te digo que o Benfica venceu o Nápoles por 2 x 0 na Liga dos Campeões. É o segundo triunfo da equipa portuguesa nesta fase de competição. No Estádio da Luz, Richard Rios e Leandro Barreiro marcaram os dois gols do Benfica, um na primeira parte e outro já no arranque do segundo tempo. Com esta vitória, os encarnados passam a somar seis pontos e ainda sonham com uma presença no playoff. Após o final do encontro, José Mourinho destacou a qualidade do Benfica. Fala num triunfo mais do que justo.

Acho que fizemos um grande jogo, é uma grande vitória que nos mantém na luta. E acho que os jogadores interpretaram o jogo muito bem, jogaram muito bem, tiveram o espírito, a inteligência, a coesão que defender bem exige, mas depois tiveram a classe, a confiança, souberam explorar os espaços que nós iríamos encontrar ao saber que eles vão muito à procura do homem a homem. Nós criamos grandes dificuldades com muita gente no meio-campo a atrair defesas e depois a explorar espaço nas costas pro Ivanovic atacar.

José Mourinho satisfeito com o resultado frente ao Nápoles. O Benfica ainda tem dois jogos na Liga dos Campeões para tentar o apuramento. Vai medir forças com a Juventus e com o Real Madrid, encontros que estão marcados para janeiro do próximo ano. Ponto final neste noticiário das 02:00. Informação na Rádio Observador regressa às 02:30, com uma síntese informativa.