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Duas horas. As notícias com Hugo Fortunato de Oliveira. Entrou na última hora, em resolução, o incêndio de Mourão, no Alentejo. As chamas consumiam uma zona de pinhal junto à barragem do Alqueva. No combate ao fogo, continuam ainda empenhados cerca de uma centena de operacionais, apoiados por 30 viaturas. Ainda nos incêndios, sete operacionais ficaram feridos nos fogos da Guarda e de Vila Verde. Na Guarda, cinco elementos sofreram ferimentos ligeiros no combate às chamas. O incêndio continua ativo, com duas frentes, e mobiliza quase 280 operacionais e mais de 80 viaturas. Em Vila Verde, Braga, há dois feridos ligeiros e um assistido entre os operacionais. No terreno estão cerca de 170 bombeiros e 50 meios terrestres. Em Penafiel, um fogo na localidade de Duas Igrejas mobiliza também, por esta altura, mais de 210 operacionais, apoiados por 70 viaturas. António Costa e Luís Montenegro podem vir a ser chamados pelo Chega a depor na Comissão Parlamentar de Inquérito potestativa, promovida pelo partido aos mandatos de Luís Neves, à frente da Polícia Judiciária. A hipótese foi admitida pelo presidente do Chega, em entrevista à CMTV. André Ventura diz que a lista das pessoas que o partido quer ouvir ainda não está fechada, mas garante que todos os que considerar envolvidos serão chamados a prestar esclarecimentos. Primeiro-ministro e a Malução?
O atual provavelmente poderá ser, o anterior com toda a certeza será, porque está em causa a operação Influencer.
Diretores de serviço da Polícia Judiciária.
Nós ainda queremos avaliar isso com detalhe, mas todos os que estão envolvidos naquilo que é preciso esclarecimento, eu acho que podem ser chamados.
Então, mas não tem uma lista fechada ainda?
Não, a comissão de inquérito agora é enviada para o presidente do Parlamento. O presidente do Parlamento tem que dar autorização, porque ela é potestativa.
Sim, mas podia já ter uma ideia de quem é que quer chamar.
E temos, mas não quero antecipar isso, porque acho que isso é uma das questões também estratégicas numa comissão de inquérito.
A possibilidade avançada por André Ventura, ainda sobre as polémicas em torno do atual ministro da Administração Interna. O presidente do Chega acusa o PS de recorrer a manobras de distração para desviar as atenções do caso.
O PS está a usar todas as manobras de distração que puder, que encontrar, e nos próximos dias vai continuar a fazer. Tudo vai servir, dos passarinhos que migram em Portugal até a qualquer situação mais grave, como é o caso da educação, para não falar de Luís Neves.
O PS também diz que o Chega não fala o suficiente da educação.
Mas não é verdade, nós falamos e muito de educação. A diferença é que não temos dois critérios. Não andamos aos gritos com o ministro da Educação e andamos a ver se o ministro da Administração Interna passa por baixo da mesa sem ninguém lhe dizer nada.
Mas têm insistido mais nas questões relacionadas com Luís Neves.
Como digo, uma coisa é uma coisa criminal, outra é uma coisa de incompetência. Uma coisa mete em causa as instituições, a outra não.
As críticas de André Ventura à posição adotada pelo Partido Socialista quanto a Luís Neves, em entrevista à CMTV, sobre outro caso que tem afetado o governo de Luís Montenegro, as falhas no processo de classificação dos exames nacionais. O presidente do Chega garante que o partido não será um obstáculo à eventual comissão parlamentar de inquérito, já admitida pelo PS. A ex-diretora nacional adjunta da Polícia Judiciária diz que nunca foi informada sobre o desaparecimento do outro lado, que acabou na empresa do empreiteiro e amigo de Luís Neves. Luísa Proença acompanhou o atual ministro da Administração Interna na PJ entre 2018 e o início deste ano. Era responsável pela gestão dos bens apreendidos pela polícia. Questionada pela investigação da TVI, CNN Portugal e do Nascer do Sol. Diz que só tomou conhecimento do caso pela comunicação social. Garante que nunca foi informada da remoção do outro lado do parque de apreendidos do Seixal, nem de qualquer pedido urgente de remoção. O PSD e o CDS travaram a audição de Luís Neves na Comissão Permanente, pedida pela Iniciativa Liberal. O partido de Mariana Leitão queria que Luís Neves prestasse esclarecimentos sobre as polémicas relacionadas com os mandatos do ministro à frente da Polícia Judiciária. O presidente da Assembleia da República emitiu um despacho a que o Observador teve acesso, em que recusa o pedido dos liberais. As restantes bancadas até deram luz verde, mas os partidos que suportam o governo não permitiram que houvesse consenso e, por esse mesmo motivo, a ausência de um consenso na conferência de líderes, Aguiar Branco considerou que não estavam reunidas as condições necessárias para a convocação extraordinária da Comissão Permanente. Nos exames nacionais, arrancou esta segunda-feira o processo de classificação das provas da segunda fase. A Missão Escola Pública denuncia que há escolas onde ainda não foi possível convocar nenhum professor classificador. Em causa estão cerca de 90 mil provas, a que se juntam 15 mil pedidos de reapreciação. Ao todo, são mais de 100 mil processos que terão de ser analisados. Ao Observador, a Missão Escola Pública explica que o problema se deve a dificuldades no acesso à nova plataforma criada para gerir a disponibilidade dos professores. O movimento alerta que alguns docentes podem começar a corrigir mais tarde as provas e que, por isso, terão menos tempo para avaliar os exames. Ao início da noite desta segunda-feira, o Ministério da Educação anunciou também que vai pagar aos professores classificadores €1 por resposta classificada e €12 por cada prova reapreciada. Em comunicado, a tutela diz ser importante reconhecer o papel dos docentes no processo de avaliação externa. Já os professores que tiveram que classificar provas em papel, como é os casos de geometria descritiva e de desenho A, vão receber €10. As provas-alvo de recurso nestes casos vão originar um pagamento de €18 aos classificadores. A medida aplica-se às provas classificadas tanto na primeira como na segunda fase, mas também na época especial. Falamos ainda neste jornal sobre os incêndios na Europa. O governo português confirma que não existem vítimas portuguesas nos incêndios de França e de Espanha. É o que explica o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas. Emídio Sousa adianta que a rede diplomática e consular ainda não recebeu qualquer pedido de ajuda e que o número de portugueses desalojados devido aos incêndios em França ainda está por apurar.
Não temos vítimas, não temos dados nenhum, nem nenhuma referência. O número de desalojados é muito difícil, só por estimativa, porque as autoridades francesas são muito competentes, têm espaços de excelência para receber as pessoas, mas naturalmente que à entrada não lhes perguntam se eles são portugueses ou se são espanhóis ou se são de outra nacionalidade qualquer. Sabemos que há portugueses que estão realojados temporariamente até que as coisas melhorem.
Emídio Sousa garante também que o Consulado-Geral de Portugal em Bordéus está a funcionar normalmente. Cerca de 3 mil portugueses e lusodescendentes foram transferidos para centros de acolhimento devido ao fogo que ameaça várias regiões perto da cidade francesa. Mais de 220 mil pessoas continuam impedidas de regressar a casa. O incêndio de Gironde já devastou 42 mil hectares, está estabilizado, mas não contido, anunciou na tarde desta segunda-feira o ministro do Interior francês. Já em Espanha, o combate ao incêndio em Ávila é bastante mais favorável, diz o responsável pelo Plano de Proteção Civil e Incêndios de Castela e Leão. As autoridades dizem que o dia foi muito complicado. O fogo já consumiu mais de 50 mil hectares. A previsão para esta noite é de mais humidade e de menos vento, condições que podem ajudar no combate às chamas. Ainda assim, a zona norte da reserva de San Juan de Madri continua a preocupar os bombeiros. O objetivo é dominar o incêndio até quarta-feira. Depois chega uma nova onda de calor que pode dificultar o combate aos incêndios. Ponto final neste jornal das 02h. As notícias estão de regresso às 14h30.