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Duas horas. As notícias com Guilherme Pires.
Boa noite, são quatro da manhã, vamos atualizar as notícias na Rádio Observador. O Conselho de Segurança da ONU realiza esta quarta-feira uma reunião de emergência depois do ataque de Israel a representantes do Hamas, em Doha, no Qatar, que provocou a morte a seis pessoas, cinco pertenciam à organização palestiniana. O encontro de emergência do Conselho de Segurança da ONU foi solicitado pela Argélia e pelo Paquistão. E nesse sentido, o presidente dos Estados Unidos reconhece que o aviso ao Qatar sobre o ataque israelita chegou tarde demais. Através de uma publicação na rede social Truth, Donald Trump diz que a Casa Branca foi notificada pelos militares norte-americanos de que Israel estava a atacar o Hamas. Sublinha ainda que esta decisão foi tomada apenas pelo primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, e assume que vê o Qatar como um forte aliado e amigo dos Estados Unidos e diz sentir-se muito mal com o que aconteceu. E depois do ataque da última madrugada, a flotilha humanitária que vai em direção a Gaza foi novamente alvo de uma ofensiva com um drone. A coordenadora do Bloco de Esquerda denunciou este novo ataque através de um vídeo publicado nas redes sociais. Mariana Mortágua refere que um drone lançou um dispositivo incendiário contra uma das embarcações da flotilha, mas assegura que a situação está sob controle.
Estamos no nosso barco e um drone acabou de largar um novo dispositivo incendiário num barco mesmo à nossa frente. Nós vimos o clarão e vimos o projétil a ser lançado. Está tudo sob controle. Nós mandámos um pequeno barco ali para ver o que se passava, na verdade, para ajudar o barco, está a fumegar, estamos a ver daqui.
A descrição do ataque à flotilha humanitária por parte de Mariana Mortágua. Este é um cenário que se repete menos de 24 horas depois. A embarcação principal da flotilha humanitária já tinha sido atacada e na altura dessa ofensiva, o ativista português Miguel Duarte encontrava-se dentro do barco. E sobre esse mesmo ataque da última noite, a coordenadora do Bloco de Esquerda considera que foi uma manobra de Israel para desviar as atenções sobre aquilo que está a acontecer em Gaza, tal como a ofensiva desta terça-feira contra membros do Hamas no Qatar. Em entrevista à RTP2, Mariana Mortágua diz que os ativistas que seguem na flotilha com destino a Gaza estão a fazer aquilo que os governos deviam fazer. Reiterra ainda que interpreta estes ataques como uma tentativa de intimidação do primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu.
Enquanto este barco era atacado por um drone e com uma testemunha ocular presencial, que é um cidadão português, e um ataque a um barco português filmado, testemunhado, provado, Israel fazia um ultimato para expulsar 1 milhão de pessoas de Gaza, ameaçando bombardear a cidade e obrigando 1 milhão de pessoas a uma transferência, uma deslocação ilegal. Portanto, nós acreditamos que esta é uma estratégia não só de intimidação, mas também para desviar as atenções do que se está a passar em Gaza.
A coordenadora do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, entrevistada na RTP2, criticou ainda a Comissão Europeia pelo fato de ter desencorajado iniciativas como a da flotilha humanitária. Mudamos de tema. O presidente da Câmara Municipal de Lisboa recusa ter faltado à verdade quando disse que o antigo ministro das Infraestruturas, Jorge Coelho, se demitiu depois da queda da Ponte de Entre os Rios por ter conhecimento prévio de problemas na infraestrutura. À saída da Assembleia Municipal de Lisboa, Carlos Moedas tentou retratar-se e diz que não queria ofender a memória de Jorge Coelho.
A minha intenção era elogiar Jorge Coelho, um homem de coragem e que teve a coragem de assumir a sua responsabilidade política naquela altura, perante factos, numa situação muito diferente daquela que estamos a viver hoje. Portanto, não era minha intenção ofender, era minha intenção honrar a coragem daquele homem e da sua responsabilidade política, e ele fez exatamente isso.
O presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, à saída da reunião na Assembleia Municipal de Lisboa, em que viu ser chumbada a moção de censura apresentada pelo Chega, por causa do acidente com o Elevador da Glória, que provocou 16 mortes. E durante essa mesma sessão, Carlos Moedas defendeu-se com o investimento que garante ter feito ao longo dos últimos quatro anos.
Tive a responsabilidade política de decidir fazer o plano de drenagem de Lisboa pra evitar as cheias na cidade. Sim, tive a responsabilidade política de lançar um plano de saúde pra dar acesso a médico aos mais idosos. Sim, tive a responsabilidade política de investir quase três vezes mais no Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa, que hoje, pela primeira vez, tem mais de mil elementos. Tudo isto foi responsabilidade política, tal como foi o investimento que fizemos nos transportes públicos em Lisboa nos últimos quatro anos. Sou o responsável político. Sou o responsável político por ter investido mais na Carris. O orçamento da Carris é o mais alto de sempre. São 188 milhões de euros, mais 30% do que há quatro anos.
As declarações do autarca de Lisboa, Carlos Moedas, que mesmo assim não se livrou de mais críticas do Chega, o deputado municipal deste partido, Bruno Mascarenhas, insiste na ideia de que Moedas falhou em toda a linha no caso do Elevador da Glória. E o histórico socialista Manuel Alegre não pede a demissão do autarca de Lisboa, diz que esse é um problema pra consciência de Carlos Moedas. E depois de António Costa e também José Sócrates, Manuel Alegre criticou ainda as declarações do presidente da Câmara de Lisboa sobre o caso da queda da Ponte de Entre os Rios.
É algo que me abstenho de classificar, na maneira como se referiu a Jorge Coelho Que deve estar cá para se defender e teve uma atitude muito nobre, muito digna, quando se demitiu depois daquele acidente. Ele fez aquilo num ato digno, num ato puro. Não peça demissão, isso é um problema da consciência dele.
As declarações do socialista Manuel Alegre. Agora mudamos de tema. A nova linha para a prevenção do suicídio entra hoje em funcionamento, esta quarta-feira, no Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, com o número próprio 1411. Pretende ser uma resposta para um comportamento que, em média, causa três mortes por dia em Portugal. Esta linha foi criada no início do ano passado, através de uma lei aprovada no Parlamento, com o objetivo de prevenir o suicídio e os comportamentos autolesivos. Embora esteja integrada na linha SNS 24 e em articulação com o respectivo serviço de aconselhamento psicológico, a linha de prevenção do suicídio vai operar de forma totalmente autónoma, com identidade e número próprios. Toda a informação pessoal e clínica fornecida pelos utentes será tratada com respeito pelo dever de confidencialidade, em conformidade com a legislação de proteção dos dados pessoais, de acordo com a regulamentação. Olhemos agora para o desporto. A seleção nacional de futebol ganhou à Hungria por três bolas a duas, no segundo jogo de apuramento para o Mundial de 2026. Os húngaros até começaram a vencer com o gol marcado aos 21 minutos, mas ainda antes do final da primeira parte, Bernardo Silva empatou para a equipe das Quinas. Na segunda parte, Portugal operou a revolta no marcador, com Cristiano Ronaldo a balançar novamente as redes da baliza. Mas o húngaro Barnabás Varga ainda ameaçou os três pontos portugueses, empatou a cinco minutos dos 90 e concretizou o bis na partida. No entanto, a equipe lusa respondeu de imediato e João Cancelo deu a vitória à seleção nacional. Depois do jogo, o selecionador Roberto Martínez realça que a seleção portuguesa controlou toda a partida.
Todos os jogos são diferentes, mas encontramos as soluções que eu acho que é importante. A Hungria é uma equipa que não toma risco, que tem um contra-ataque muito bom. Defendemos muito bem em geral, controlamos o jogo, a posse de bola foi muito boa, criamos oportunidades, mas dois remates na baliza, dois gols. E é difícil quando damos dois gols para ganhar, mas continuamos. Adorei a atitude, o foco.
Os elogios do treinador Roberto Martínez à prestação da equipa depois da vitória portuguesa na Hungria. A seleção nacional volta a entrar em campo no próximo mês com uma dupla jornada nesta qualificação para o Mundial, onde vai encontrar a Irlanda e novamente a Hungria. Esta foi a notícia de fecho deste noticiário. A informação está de regresso com a síntese das 05h. Até já.