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Duas horas. As notícias com Beatriz Félix. Boa noite. Vamos às notícias na Rádio Observador e a começar pela atualidade internacional. No Kremlin, a reunião entre Putin e os enviados dos Estados Unidos terminou sem acordo, mas mesmo assim a Rússia fala no encontro produtivo, que juntou à volta da mesma mesa Vladimir Putin, o enviado especial norte-americano Steve Witkoff e ainda o genro de Donald Trump, Jared Kushner. Um encontro longo, que durou cerca de cinco horas. Depois dessa reunião, Steve Witkoff foi visto ao chegar à embaixada americana, mas não prestou declarações aos jornalistas. Já a comitiva russa, através da rede social X, disse que foi uma reunião produtiva, mesmo assim não foi alcançado qualquer acordo sobre os territórios ocupados na Ucrânia. Antes desse encontro, Vladimir Putin ameaçou mesmo entrar em guerra com a Europa, embora diga que não é um objetivo da Rússia, mas se tiver de ser, será.

Não vamos entrar em guerra com a Europa, já o disse centenas de vezes. Mas se a Europa quiser de repente entrar em guerra conosco e começar, então estamos prontos agora. Não pode haver dúvidas. Se a Europa iniciar uma guerra contra nós, parece-me que isso acontecerá muito rapidamente. Isto aqui não é Ucrânia.

Sobre esta ameaça, ouvimos no gabinete de guerra da Rádio Observador, o major-general João Vieira Borges, que diz que estas declarações são preocupantes para a Europa e que o tom das ameaças de Putin é para levar a sério.

É uma linguagem muito perigosa. Sinceramente, fiquei preocupadíssimo com este tipo de discurso. Ultrapassa as questões de dissuasão, ultrapassa respostas políticas, entra naquela esfera que já vimos na Segunda Guerra Mundial e na Primeira Guerra Mundial. É muito complicado ter um dirigente político de um Estado como a Rússia dizer que vai destruir até o último ucraniano.

A Europa, neste momento, não pode confiar nos Estados Unidos como aliado militar. Os Estados Unidos de Trump não são um aliado fidedigno, é então a análise feita pelo major-general João Vieira Borges no gabinete de guerra da Rádio Observador. E a guerra na Ucrânia. As negociações de paz em Moscovo foram também tema em destaque no debate presidencial desta noite entre Henrique Gouveia e Melo e António Filipe. E houve mesmo troca de acusações entre os dois candidatos. De um lado, Gouveia e Melo, que afirma que o candidato apoiado pelo PCP se enganou sobre quem foi o invasor neste conflito.

É preciso ter uma posição. Por quê? Porque essa posição são posições de princípio e nos separam completamente. O doutor António Filipe chegou a dizer que o presidente Zelensky era apoiado por fascistas e por neonazis. Eu acho que se enganou em quem é que invadiu quem. Portanto, quem invadiu e quem quebrou a paz internacional foi a Rússia que invadiu a Ucrânia.

Já António Filipe, do outro lado, acusa Gouveia e Melo de estar mais próximo de ser como o presidente russo e de querer mandar jovens portugueses para guerras desnecessárias.

Olhe, não está mais longe do senhor Putin do que eu. Se alguém está nos antípodas do senhor Putin politicamente, sou eu, não é o senhor. Não fui eu que disse que os jovens portugueses iam morrer onde nos mandassem morrer. Se a NATO nos mandasse morrer, iriam morrer a qualquer lado. Eu não acho isso. Eu acho que os jovens portugueses não têm que morrer em lado nenhum, apenas se fosse para defender o interesse nacional e a defesa do território nacional.

António Filipe e Gouveia e Melo estiveram em desacordo na maioria dos temas, mas mesmo assim houve espaço para consensos num tópico. Ambos estão contra a substituição temporária de Marcelo Rebelo de Sousa. O presidente da República foi operado esta segunda-feira a uma hérnia no Hospital de São João, no Porto. Tem recebido visitas das altas figuras da nação e pode ter alta já esta quarta-feira. Ora, o almirante Gouveia e Melo considera que desde que se mantenham as capacidades cognitivas do atual chefe de Estado, não há motivos para a eleição de um presidente interino.

Felizmente, tudo indica que não foi um problema de saúde muito grave e que foi resolvido em tempo e, portanto, Deus queira que recupere rapidamente para poder exercer em pleno as suas funções. É preciso perceber se ele está verdadeiramente impedido de exercer as suas funções.

Ele hoje promulgou diplomas.

Não, em termos cognitivos, em termos da sua capacidade para decidir e para pensar. Não parece que assim seja e, portanto, não vejo que o quadro seja esse.

A mesma visão tem o candidato apoiado pelo PCP, que também concorda. António Filipe diz que deve ser cumprida a lei constitucional.

Sobre isto, a Constituição resolve isto. Ou seja, eu creio que houve alguma confusão acerca desta questão da substituição temporária. A substituição temporária, que está prevista na Constituição, prevê o caso em que o próprio presidente da República, sabendo que vai estar incapacitado durante um determinado período, em que requer ao Tribunal Constitucional que seja reconhecida essa incapacidade transitória, e que então aí o presidente da Assembleia da República assume como presidente interino. E, portanto, a questão não se coloca.

Está em curso o regular funcionamento das instituições.

Está. Já promulgou diplomas e, portanto, está tudo normal. Só o estado de saúde é que ainda não estará completamente, mas creio que amanhã já terá alta.

A substituição temporária de Marcelo Rebelo de Sousa foi ponto de acordo entre os dois candidatos em debate. O Presidente da República está a recuperar de forma favorável. Na manhã desta quarta-feira vai receber a visita de José Luís Carneiro, secretário-geral do Partido Socialista, mesmo antes de ter alta médica. António Filipe e Henrique Gouveia e Melo foram os protagonistas do debate presidencial desta noite, o 11º de 28. O próximo vai ser esta quarta-feira, às nove da noite, na RTP, que coloca frente a frente o candidato socialista António José Seguro e o social-democrata Luís Marques Mendes. Mudamos agora de tema. A ministra Maria Lúcia Amaral pediu à Inspeção-Geral da Administração Interna a abertura de processos disciplinares aos 11 elementos das forças de segurança detidos por suspeitas de exploração de imigrantes no Alentejo. Os militares da GNR e o agente da PSP saíram em liberdade, mas foram constituídos arguidos no âmbito do processo Safra Justa. Segundo o Ministério da Administração Interna, a IGAI solicitou ao Ministério Público o envio de elementos constantes no processo de inquérito-crime, que vão ser depois analisados para avaliar a necessidade de aplicar eventuais medidas cautelares. Dos 17 detidos pela Polícia Judiciária, três, todos civis, ficaram em prisão preventiva. Os 10 militares da GNR e o agente da PSP ficaram sob termo de identidade e residência, e os outros três civis ficaram obrigados a apresentações periódicas e também com a proibição de contactar com vítimas e coarguidos, bem como estarem proibidos de se ausentarem do país. E falamos agora de mudanças no alinhamento para a greve geral de 11 de dezembro. Os guardas prisionais chegaram a um acordo com o governo e por isso desistiram de aderir ao protesto. Passaram a receber as horas extraordinárias na totalidade, vão também ter acesso mais rápido a concursos e promoções por antiguidade iguais à PSP e GNR. No entanto, o presidente deste sindicato, Frederico Morais, admite não estar totalmente satisfeito com os detalhes deste acordo. Em declarações à Rádio Observadores, adianta que no próximo mês, o Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional vai começar a preparar soluções para a segurança dos estabelecimentos prisionais em conjunto com o Executivo.

Queria promover mais gente, mas não conseguimos para já, mas ainda não descartamos isso, porque o governo disse-nos que íamos continuar a trabalhar, o que significa que está a porta aberta para promovermos mais. E fico satisfeito porque vamos começar a negociar coisas sérias, que é a segurança das cadeias, isso é que nos preocupa.

Seja como for, está prevista a assinatura de um acordo esta quarta-feira entre a ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, e o Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional. E falamos ainda de desporto para fechar. A seleção feminina perdeu contra o Brasil num jogo de preparação para a qualificação do Mundial de 2027 de futebol. Foi derrotada por 5x0, num jogo que decorreu em Aveiro, no Estádio Municipal Dr. Magalhães Pessoa. A seleção Canarinha começou logo a ganhar com um golvo no primeiro minuto de Gabi Zanotti. Portugal veio para este jogo com duas derrotas nos últimos dois jogos que jogou. É o ponto final neste noticiário. A informação fica por aqui. Está de regresso às cinco da manhã. Antes disso, fique agora com a primeira parte do programa Contra-Corrente.