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Quatro horas.

Muito boa noite, meu nome é João Lourenço. Já arrancou a greve geral convocada pela CGTP e pela UGT e há serviços que já estão a parar. É o caso do metro de Lisboa, que encerrou todas as estações a partir das onze da noite. Prolonga o período sem circulação até às 18h30 do dia 12 de dezembro, esta próxima sexta-feira, é o que adianta a empresa em comunicado. O metro de Lisboa também refere que não há serviços mínimos. Ao início da madrugada, Tiago Oliveira, secretário-geral da CGTP, prevê uma grande adesão.

Nós estamos no arranque da greve e estamos a abranger neste momento as empresas que trabalham por turnos e, portanto, começam já hoje a ter influência naquilo que aduzem à greve. Mas tudo aquilo que está a vir, tudo aquilo que está a ser demonstrado neste momento, é que vamos ter, de facto, uma grande greve geral. Estamos já a ter, de facto, uma grande greve geral. E é uma grande greve geral porque tem o simbolismo que tem e tem a necessidade que tem, que é obrigar o governo a recuar naquilo que é o pacote laboral. Exige do governo a retirada do pacote laboral. Aqueles que estão aqui, são estes trabalhadores que aqui estão, que fazem a diferença todos os dias nas nossas vidas.

O secretário-geral da CGTP também deixou acusações ao governo. Diz que o executivo liderado por Luís Montenegro é mudo relativamente aos sindicatos. Tiago Oliveira diz que o ponto de partida do governo para estas negociações é errado.

O governo com a CGTP tem se mantido mudo. A CGTP disse desde o início que sempre que for convocada para uma reunião, estaremos dispostos a sentar-nos e a discutir. Aquilo que não aceitamos e nunca vamos aceitar é que se parta para uma discussão já com a premissa de que vamos perder direitos. Isso nós não aceitamos. Quem nos está a ver neste momento em casa, aquilo que espera do seu sindicato, é que o seu sindicato, perante a avaliação daquilo que já hoje é negativo no mundo do trabalho, procure a melhoria e elevação das condições de vida de quem trabalha. E não nos sentarmos à mesa e procurarmos medir o quanto é que vamos recuar nos direitos. Para isso, não contem com a CGTP. Se for para avançar, melhorar, conquistar mais direitos e retirar dos trabalhadores aquilo que já é negativo hoje e que tanto impacto tem nas suas vidas, para isso, contem com a CGTP, que vamos procurar sempre melhorar as condições de vida de quem trabalha.

Outro dos pontos de situação está na cidade do Porto. Em declarações ao "Now", o coordenador da União de Sindicatos, Filipe Pereira, aponta para um distrito totalmente paralisado devido à greve geral.

Podemos dizer que temos o distrito do Porto praticamente paralisado. Está a afetar os serviços de transportes, conforme disse e bem. Neste momento não há comboios a circular. Prevê-se que vá acontecer o mesmo com os autocarros. É verdade que começam a sair agora, mas tudo indica e as informações que temos é que não vão sair também autocarros. Está a ter impactos significativos na saúde. Estamos a falar em porcentagens que superam os 90% de adesão nos hospitais e está a ter impactos, inclusive, a partir das empresas, das indústrias, cada local de trabalho, onde temos informações de que há empresas que simplesmente não estão a produzir, que pararam.

Outro dos setores que vai enfrentar dificuldades nesta quinta-feira é o setor da saúde. A FNAM acusa o governo de querer piorar as condições laborais dos trabalhadores com a nova legislação, que eu diz, é a presidente da Federação Nacional dos Médicos, Joana Bordalo e Sá.

O que se prevê é que a adesão dos médicos não seja diferente das outras greves e que vão aderir à greve. E embora os serviços mínimos estão totalmente assegurados, e nós estamos a falar de serviço de urgência, de quimioterapia, de diálise, da radioterapia, e as pessoas podem estar descansadas por aí. Agora, aqui a grande questão é que tudo o que for consulta programada, seja no centro de saúde, seja a nível hospitalar, assim como a cirurgia programada, vão ser adiadas. E aqui há um grande responsável que se chama Luís Montenegro e a intransigência deste governo em negociar a melhoria das condições de trabalho.

A liderança sindical prevê então esta adesão forte à greve e indica também que os serviços mínimos que estão disponíveis, Joana Bordalo e Sá, indica também que a saída de muitos médicos do SNS é um forte argumento para a adesão a esta greve.

Vai tudo agravar a condição de trabalho dos médicos. E se nós hoje em dia já temos quatro médicos por dia a sair do Serviço Nacional de Saúde e vemos que temos 1,5 milhões de utentes sem médico de família, temos neste momento tempos de espera nas urgências que chegam às 17 horas e já vamos desde o início do ano com 74 bebés que nasceram nas ambulâncias ou na berma da estrada ou na rua, toda esta situação poderá agravar ainda mais e por isso é que nós estamos em greve.

Palavras de Joana Bordalo e Sá, à SIC, no Hospital de São João, no Porto. E ainda sobre a greve UGT, alguns sindicatos afetos à central sindical juntaram-se esta noite à porta do Centro de Recolha de Resíduos dos Olivais, em Lisboa. José Abrão, secretário-geral da Sintap e da FESAP, fala de uma adesão a rondar os 80 a 85%. Deixa também um apelo a quem ainda tem dúvidas se deve ou não aderir à greve geral.

De facto faça, porque pode, até por alguma informação ou desinformação que vai sendo passada, pode ficar na dúvida, não tenha dúvidas. A proposta que está em cima da mesa é altamente penalizadora de quem trabalha e por isso mesmo é importante que toda a gente adira, e que

Force o governo a mudar de posição, que é a nossa exigência que temos em cima da mesa hoje.

Um apelo do secretário-geral da FESAP, José Abraão, à porta do Centro de Recolha de Resíduos dos Olivais, em Lisboa. E a recolha de resíduos, como já ouvimos neste noticiário, é um dos setores mais afetados. Os trabalhadores estão a aderir em massa, é o que adianta a presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local e Regional, em conselhos como Évora, Setúbal, Amadora ou o Funchal. Cristina Torres afirma que pouco depois das 22h, já havia registro da adesão de 100% no início do turno do setor da recolha de resíduos em localidades como Évora, Setúbal, Amadora e também no Funchal, na Ilha da Madeira. A responsável sindical acrescenta que se o governo ouvir os trabalhadores, tem de recuar com as intenções das alterações à legislação laboral. Sublinha ainda o resultado muito positivo que a greve geral já alcançou. E esta greve geral é a primeira dos últimos 12 anos e já ouvimos as estruturas sindicais na rua a acompanhar as empresas e os serviços encerrados. Juntam-se também alguns representantes partidários. É o caso do secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, que tem a certeza de que esta greve vai ser eficaz.

Eu acho que o governo está é completamente fora da realidade, porque vive numa bolha e tem um conjunto de compromissos que quer cumprir. Os compromissos que quer cumprir não é com os trabalhadores, ou os compromissos que quer cumprir não é com a juventude, em particular, com aqueles que estão mais afetados pelos baixos salários, com aqueles que são mais afetados pela precariedade. Vamos lá ver se a gente se entende. Nós temos 30% dos trabalhadores hoje que estão em contratos precários, contratos ao dia, contratos ao mês, contratos a prazo, falsos recibos verdes. Todos nós conhecemos estas realidades. Esses trabalhadores ganham, em média, menos 20% do que o trabalhador efetivo. O que o governo quer é generalizar a precariedade para todos os trabalhadores.

O coordenador do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, pede um recuo na estratégia do governo.

Mais do que ficar mudo, o que importa é o que é que vai dizer. E o que vai dizer tem que ser um recuo total nesta estratégia. É uma estratégia que não tem nenhum sentido, porque uma economia que tem um nível de emprego quase no pleno emprego, uma economia que é dita como estando em grande crescimento. Qual é o sentido, então, de haver esta reforma laboral? Não tem nenhum sentido a não ser um preconceito ideológico absoluto e isso evidentemente que não pode ser política de governo.

Os dirigentes partidários a apelarem um recuo total do governo e a acusarem Luís Montenegro de preconceito ideológico. Ainda o secretário-geral do PS lembra que há 12 anos que não havia uma paralisação total do país. José Luís Carneiro acusa o governo de arrogância. Num vídeo publicado nas redes sociais, o líder socialista sublinha que não há uma única medida que favoreça os trabalhadores no pacote laboral apresentado pelo governo. Fala num retrocesso que só é possível explicar com tendências ideológicas.

Não há, pois, motivo para esta reforma, que só é entendível à luz de critérios ideológicos ou de um acerto de contas com a agenda para o trabalho digno. Até porque, convém que se saiba, foi há dois anos que esta agenda laboral foi aprovada pelo governo do PS, aliás, legislação que teve o contributo e que contou depois com a abstenção do próprio PSD na Assembleia da República.

José Luís Carneiro, secretário-geral do PS, sublinha ainda que o partido não interfere em questões exclusivamente de natureza sindical. Mudamos agora de tema neste noticiário das 04h. Vamos agora aos debates para as eleições presidenciais. Catarina Martins e António Filipe acusam o primeiro-ministro de enganar os portugueses ao anunciar um salário mínimo de 1.600 € até o final da legislatura. A candidata, apoiada pelo Bloco de Esquerda, considera que Luís Montenegro só pode estar a brincar com os portugueses. E explica o porquê.

Eu acho que o primeiro-ministro está a gozar com as pessoas e é feio, porque repare, o governo acabou de chumbar hoje propostas da esquerda para aumentar mais o salário mínimo.

Mas é bom que aumente o salário mínimo.

É bom, mas é bom que se fale verdade. Ou seja, o mesmo primeiro-ministro que só aumenta o salário mínimo 50 € este ano, está a dizer que nos próximos anos a legislatura vai aumentar todos os anos o salário mínimo em 200 € e alguém acha que ele está a falar verdade?

Quem também não acredita nesta promessa de Luís Montenegro é o candidato apoiado pelo PCP, António Filipe.

Há um sinal muito claro de que ninguém leva isso a sério, é as confederações empresariais não protestarem, porque as confederações empresariais que qualquer cêntimo, normalmente, do salário mínimo protestam e dizem que isso não é possível, ouvem este anúncio do primeiro-ministro e não dizem nada, significa que nem eles acreditam nele.

O anúncio de Luís Montenegro foi feito em semana de greve geral, a primeira dos últimos 12 anos. E a pretexto desse tema, os dois candidatos esta noite em debate concordam: esta greve é sinal de que o governo tem de ter outra proposta em cima da mesa para ser negociada. Já quanto aos debates, regressam já esta quinta-feira. Desta vez, é transmitido na SIC o frente a frente entre André Ventura, o candidato apoiado pelo Chega, e também Jorge Pinto, candidato apoiado pelo Livre. A Ucrânia envia aos Estados Unidos uma nova versão do plano para pôr fim à guerra com a Rússia. Fontes citadas pela Agência France-Presse explicam que o texto incorpora a visão de Kiev e propõe uma solução mais abrangente para encerrar o conflito. Recordamos que a proposta inicial dos Estados Unidos incluía a cedência à Rússia de territórios ucranianos que ainda não tinham sido conquistados. O secretário-geral da ONU condena qualquer ameaça contra Maria Corina Machado, depois de ter sido atribuído o Nobel da Paz à líder da oposição venezuelana. Em conferência de imprensa, o porta-voz adjunto de António Guterres disse que é inaceitável qualquer forma de intimidação contra quem defende os direitos humanos naquele país. Maria Corina Machado não chegou a tempo da cerimônia em Oslo, na Noruega. O prêmio foi recebido pela filha, Ana Corina Sosa. Ponto final neste noticiário das 04h. Informação na Rádio Observador regressa às 05h.