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Cinco horas. As notícias com Teresa Freire.

Bom dia. Começamos com as acampadas pela habitação. Tanto no Porto como em Lisboa, os manifestantes decidiram voltar a pernoitar, apesar dos apelos da polícia. A partir da meia-noite e meia, as manifestações são ilegais. Ainda assim, em Lisboa, e apesar de uma reunião com a polícia, a acampada no Rossio continuou.

A certo ponto, os manifestantes pensaram mesmo que esta seria a última noite de acampada na Praça do Rossio. Depois de uma reunião com a polícia, em que foi pedida a retirada das tendas, os manifestantes reuniram-se e decidiram: "As tendas ficam e nós também". Depois desta reunião, formou-se um cordão humano e ouviram-se cânticos contra Carlos Moedas, o presidente da Câmara de Lisboa, e também contra o primeiro-ministro Luís Montenegro. Aliás, é ele quem tem sido o grande foco dos manifestantes. Os cânticos focam quase todos o primeiro-ministro e as casas, os vários imóveis que o governante tem. O forte contingente policial, que ao longo da tarde e da noite vinha a ser reforçado, acabou por se dispersar e na Praça do Rossio ficaram apenas duas carrinhas da PSP. Os manifestantes, esses, aproveitaram para descansar. Antes da reunião com a polícia, foi transmitida a mensagem de que a partir da 01:00 não se podia fazer barulho e assim permanece a Praça do Rossio. Ouvem-se apenas uns burburinhos, o silêncio é quase absoluto. Apesar dos breves momentos de tensão, a acampada continua. O objetivo é que o governo, a autarquia, responda às reivindicações dos manifestantes. A principal é a reversão da nova lei do arrendamento e medidas que ajudem a combater o aumento do custo de vida e também que ajudem a combater a grande crise de habitação que os manifestantes protestam. A única certeza neste momento é que esta noite as centenas de manifestantes e as dezenas de tendas vão continuar no Rossio, sem saberem durante quanto tempo é que esta acampada vai continuar.

O jornalista Miguel Pina Andrade, que esteve a acompanhar a segunda noite da acampada de Lisboa. Situação muito parecida no Porto, na Praça Dom João I. Apesar dos apelos da polícia, os manifestantes mantêm-se firmes e decidiram não abandonar o local esta noite. Laura Figueiredo.

Tudo indica que este domingo vai repetir-se o que aconteceu no sábado. A polícia abandonou a Praça Dom João I, no Porto, por volta das 02:00 e não voltou. Isto depois de um impasse que durou cerca de uma hora e meia, depois de os manifestantes terem recusado falar com a polícia sem estarem na presença de um representante legal. O advogado que tem dado a cara por este movimento, pela habitação, veio até aqui e já na presença de Tiago Machado, a PSP transmitiu aos manifestantes que as tendas deviam ser retiradas, uma vez que desde a meia-noite e meia que estavam a incumprir no crime de desobediência.

A instalação de tendas e a permanência na praça têm que respeitar a lei, independentemente de ser em motivo de protestos. A PSP tem o dever de fazer cumprir a lei e espera que todos colaborem para resolver esta situação de forma pacífica. Temos que garantir a segurança, respeitando os direitos de todos, os vossos, mas também os de todos os outros cidadãos que usam o espaço público, e evitar incidentes. Portanto, pedimos que colaborem conosco e a posição da Polícia de Segurança Pública é que, a partir da meia-noite e meia, fazendo cessar o direito que tinham à manifestação de forma legal, devem sair da praça e devem retirar as tendas que estão neste momento a ocupar o espaço público.

O comunicado da PSP, transmitido a uma das representantes do movimento pelo subintendente Eduardo Silva. Depois disto, os manifestantes reuniram-se no centro da praça para votar sobre a permanência ou não aqui esta noite e acabaram por decidir, por maioria, ficar. A decisão veio depois ser comunicada à PSP, que respondeu apenas dizendo que ficava registado. Já depois disto, todos os elementos da polícia presentes na Praça Dom João I saíram e até então não regressaram. O clima que se vive é de alguma incerteza. Os manifestantes temem que a polícia regresse e por isso mesmo equiparam-se até com capacetes e também algumas proteções para os braços. Mais cedo, e resumindo também os principais pontos deste domingo, o movimento decidiu em assembleia que se Pedro Duarte quiser reunir, terá de vir até aqui falar com os manifestantes. No entanto, o autarca do Porto já tinha dito que não viria, deixando, no entanto, a porta da câmara aberta para receber os representantes do movimento. Por aqui, o número de tendas tem vindo a diminuir um pouco, são agora cerca de 50, chegaram já a ser perto de 70. Alguns dos manifestantes foram abandonando a Praça Dom João I. Os que ficaram continuam então alerta e na expectativa sobre o que acontecerá nas próximas horas.

Laura Figueiredo, na manifestação na Praça Dom João I. Já no início da noite, uma porta-voz dos manifestantes, Maria João Calisto, admitiu a possibilidade de manter a acampada no Porto até ao final do ano.

Nós entregámos o pré-aviso para ficarmos aqui desde o dia 21 de outubro até dia 31 de dezembro de 2026.

E não temem que em mais de dois meses este movimento desmobilize um pouco? Acha que consegue manter tanta gente na praça durante este tempo todo?

O nosso objetivo não é ficar aqui até 31 de dezembro. Era conseguir encontrar soluções e haver aqui um entendimento em que não fosse necessário estar aqui até 31 de dezembro. É muito duro estar aqui, é muito duro dormir aqui.

Maria João Calisto, em declarações à jornalista Laura Figueiredo. O Chega propõe um pacote legislativo de emergência para responder aos problemas da habitação. Em reação às manifestações em Lisboa e no Porto, André Ventura reconhece que os portugueses têm razões para estarem frustrados. Diz que o problema não é de agora, mas considera que se agudizou nos últimos cinco anos. André Ventura anunciou este domingo que o partido vai apresentar um pacote de emergência e já deu a conhecer algumas medidas.

A reavaliação dos benefícios fiscais de quem está em Portugal com muito dinheiro para comprar casas e que tem benefícios fiscais que outros não têm. A sua reavaliação é importante para dar justiça à questão social. Não faz sentido que quem seja rico e estrangeiro tenha mais condições para adquirir habitação em Portugal do que quem é português e da classe média. As deduções fiscais em sede de IRS. Não faz sentido nenhum que quem vê o seu crédito à habitação aumentar 20, 30, 40 ou 50%, não consiga ter o correspondente fiscal desse aumento.

Declarações de André Ventura, que desafia os restantes partidos com assento parlamentar a chegarem a acordo. Na sede do Chega, André Ventura diz que além das deduções fiscais, este pacote legislativo prevê também uma reavaliação do IMI aos proprietários. José Luís Carneiro diz que André Ventura é candidato ao Prêmio Nobel da Hipocrisia. Em reação ao anúncio do Chega, o secretário-geral do PS considera paradoxal a posição de Ventura, por se mostrar preocupado com a habitação ao mesmo tempo que apoia a nova lei do arrendamento. José Luís Carneiro recomenda ainda ao governo que avance para a suspensão dos vistos Gold e do estatuto de residentes não habituais.

Nós tínhamos tomado a decisão, em 2023, de suspender estes dois instrumentos, suspender os vistos Gold e suspender o estatuto de residentes não habituais. É preciso perguntar ao governo por que é que não tomou a decisão de manter essa determinação do governo do Partido Socialista. Segundo, nós tínhamos avançado com a recuperação e construção de 31 mil novas casas que foram entregues e têm estado a ser entregues por este governo. Agora é preciso lançar uma nova fase de construção de habitação pública, de recuperação de imóveis que são do Estado e que devem ser colocados no mercado.

Declarações do secretário-geral do PS aos jornalistas este domingo no Porto. José Luís Carneiro diz estar solidário com a causa das manifestações pelo direito à habitação, mas pede aos manifestantes que respeitem a ordem pública. O governo reúne-se hoje com as três federações sindicais da administração pública. É já a segunda ronda de negociações no âmbito do processo negocial sobre a atualização geral dos salários dos funcionários públicos para 2027. O acordo plurianual em vigor, assinado entre o governo, a FESAP e o ST, prevê aumentos salariais de 2,30%, com mínimo de €60,52 em 2027. A confirmar-se o cumprimento desta meta, a base remuneratória da administração pública sobe dos atuais €935 para €995 em 2027. No Brasil, Lula da Silva e Flávio Bolsonaro tiveram esta noite o primeiro debate. Na primeira volta não houve debates, pelo que foi o primeiro frente a frente entre os dois candidatos à presidência brasileira. O debate ficou marcado por poucas propostas e por muitas trocas de ataques pessoais e acusações de corrupção. O senador Bolsonaro apostou no tema da segurança, enquanto o atual presidente Lula da Silva defendeu o seu legado. O debate durou cerca de duas horas e foi dividido em três partes, pelo que teve também três intervalos. A segunda volta das eleições brasileiras está marcada para dia 25 deste mês, sendo que neste momento os sondagens apontam para um empate técnico entre os dois candidatos. Volodymyr Zelensky considera que Donald Trump tenta forçar uma capitulação da Ucrânia perante a Rússia. O presidente ucraniano dá exemplo de medidas como o acordo para comprar gasóleo russo ou restrições à ajuda militar a Kiev. Em entrevista à agência de notícias Bloomberg, Zelensky diz que parece que os norte-americanos querem acabar com o conflito o mais rápido possível à custa da Ucrânia. Mais cedo neste domingo, o presidente dos Estados Unidos acusou Zelensky de não querer pôr fim à guerra. Declarações de Donald Trump na Truth Social, numa altura de um aumento de tensões entre Washington e Kiev. Ponto final neste jornal das 5:00 da manhã. A informação está de regresso com a síntese das 5:30.