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As notícias com Nadine Soares. Bom dia, começamos na saúde. A ministra recebe hoje os municípios da Arrábida, são eles Setúbal, Sesimbra e Palmela. Municípios que reclamam soluções para o encerramento frequente das urgências de pediatria e obstetrícia do Hospital São Bernardo. Fonte da autarquia de Setúbal revela à Agência Lusa que Ana Paula Martins aceitou receber os presidentes dessas autarquias. Uma decisão na sequência do pedido dos três governantes no Fórum Intermunicipal da Saúde. Um evento que destacou a falta de capacidade de resposta do Centro Hospitalar de Setúbal, do qual faz parte o Hospital São Bernardo e outras unidades de cuidados de saúde. Um centro de referência para cerca de 250 mil habitantes. E a Ministra da Saúde pode estar em risco. Quem o diz é Luís Marques Mendes. O social-democrata acredita que o lugar de Ana Paula Martins pode estar a prazo. Isto caso os inquéritos em curso concluam que há uma ligação entre a greve do INEM e as mortes por alegada falta de socorro.
Evidentemente, corre um seriíssimo risco de ser uma ministra a prazo. Ela própria o reconheceu. Por quê? Basta que os inquéritos que estão a ser feitos na Inspeção da Saúde e na Procuradoria-Geral da República venham a concluir que houve alguma culpa ou que houve alguma responsabilidade, ou que há um nexo de causalidade entre a greve e uma fatalidade, e a ministra tem que se demitir.
Uma posição defendida no habitual espaço de comentário da SIC. Marques Mendes deixa ainda críticas ao presidente do INEM. Diz que Francisco Janeiro Dias foi incapaz de esconder a falta de experiência.
Ele não conseguiu dar explicações cabais relativamente à questão do serviço mínimo. Vê-se que é uma pessoa sem experiência, sem tarimba e que está completamente na corda bamba. Segundo, a Secretária de Estado da Gestão dos Recursos na Saúde ficou completamente desautorizada em termos públicos pela ministra. Não sei se foi com intenção, provavelmente não, ou sem ela, mas o resultado final é que ficou desautorizada.
Marques Mendes a analisar a polêmica na saúde após a greve do INEM. Viramos a página para a atualidade internacional. Arranca hoje a Cimeira do G20 no Brasil. Em cima da mesa de discussão vão estar a reforma das instituições internacionais, transição energética e a adesão a uma aliança contra a fome. As reuniões no Rio de Janeiro vão ser presididas pelo chefe de Estado brasileiro, Lula da Silva. Vão marcar presença mais de 50 países. Portugal está representado pelo primeiro-ministro, que vai realizar a primeira visita oficial ao Brasil desde que chegou à chefia do governo. Vai ficar até quarta-feira. Também já estão em terreno brasileiro o presidente cessante dos Estados Unidos, Joe Biden, e o líder chinês Xi Jinping. O principal ausente, o presidente russo Vladimir Putin, que vai estar representado pelo chefe da diplomacia russa, Sergey Lavrov. Isto porque o Tribunal Penal Internacional tem um mandado de prisão em curso contra Putin pelos crimes de guerra no conflito da Ucrânia. Por falar em Ucrânia, uma notícia que tem marcado esta madrugada: há coisas que não são anunciadas, é o que diz o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. Não confirma a luz verde de Joe Biden para utilizar armas de longo alcance norte-americanas. No habitual discurso noturno, o presidente ucraniano não confirma este apoio dado, mas levanta o pano para dizer que os mísseis vão falar por si.
Hoje está a falar-se muito nos meios de comunicação social sobre o fato de termos recebido autorização para as ações com mísseis, mas os ataques não se levam a cabo com palavras. Essas coisas não são anunciadas. Os mísseis falarão por si próprios. Certamente falarão. Glória à Ucrânia.
Declarações de Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, num vídeo deixado na rede social X, sobre esta notícia de que Joe Biden terá autorizado a Ucrânia a utilizar armas norte-americanas de longo alcance, uma informação avançada pelo jornal norte-americano The New York Times. Notícia que já contou, pelo menos, com a reação de António Guterres, que espera que não haja uma escalada do conflito. É um desejo do secretário-geral das Nações Unidas, em conferência de imprensa, já no Brasil, a propósito da reunião do G20. António Guterres foi confrontado com esta decisão de Biden, não se quis alongar no tema, mas deixa esse desejo de que não exista uma escalada de conflito.
Em primeiro lugar, a nossa posição tem sido muito clara em relação à necessidade de evitar uma escalada permanente na guerra da Ucrânia. Nós queremos paz, mas queremos uma paz justa, uma paz justa em linha com as resoluções da Assembleia Geral, com a Carta das Nações Unidas e com a lei internacional.
E ainda sobre este tema, o major-general Isidro Morais Pereira diz que a decisão de Joe Biden em permitir o uso de armas de longo alcance era inevitável. Na Rádio Observador, o major-general acredita que a presença de tropas da Coreia do Norte no terreno tiveram uma grande influência na decisão do presidente norte-americano. Afirma ainda que esta medida pode ajudar a Ucrânia a combater em profundidade.
O que é que vai mudar? Vai mudar, naturalmente, a capacidade das forças ucranianas efetuarem aquilo que nós designamos, em termos militares, pelo combate em profundidade, não apenas destruindo os locais de reunião de tropas, batendo as rotas de abastecimento logístico, principalmente os armazéns mais próximos da frente vão ser, naturalmente, alvos dessa destruição, o que dá à Ucrânia uma capacidade de combater acrescentada. Dá um valor acrescentado muito grande.
Para o major-general Isidro Morais Pereira, o que também pode aumentar a vantagem da Ucrânia é o fato da decisão de Biden poder abrir portas para que mais países permitam a utilização de armas de longo alcance. No conflito do Médio Oriente, pelo menos 111 pessoas morreram devido a contínuos ataques levados a cabo pelo exército de Israel este domingo em várias zonas da Faixa de Gaza, especialmente no norte do enclave, de acordo com o novo balanço. Fontes locais disseram à agência de notícias WAFA que o exército israelita utilizou toneladas de explosivos contra edifícios residenciais, escolas e refúgios para pessoas deslocadas. Um balanço inicial apontava para pelo menos 56 mortes, sobe agora para 111 pessoas. Tempo ainda para olhar para o desporto. Portugal joga hoje frente à Croácia. A seleção nacional já está apurada para os quartos de final da Liga das Nações. Como tal, haver rotação é um cenário em cima da mesa. Roberto Martínez, o selecionador nacional, diz mesmo que pretende dar palco aos jogadores menos utilizados.
Precisamos é mostrar a competitividade pelas posições dentro da seleção. Acho que acrescentamos nos últimos cinco jogos o grupo de jogadores que podem jogar pela seleção. E a ideia é, em 18 meses, há uma fase final do mundial. Para nós é muito importante amanhã ter um bom desempenho, mostrar uma boa energia, executar os conceitos táticos que preparamos bem e ganhar. Não são três pontos que contam para a tabela, mas contam muito pela formação e o trabalho que estamos a fazer para os próximos 18 meses.
Palavras de Roberto Martínez no lançamento do jogo com a Croácia. O Croácia-Portugal arranca quando forem 19h45. Conta como sempre com relato e comentário aqui na Rádio Observador. Fechamos na cultura com um concerto incomum. Aconteceu nas Caldas da Rainha, num estabelecimento prisional. Há sempre uma primeira vez e neste caso está ligado aos Dias do Jazz, um festival que acontece todos os anos no município das Caldas da Rainha e que levou às escolas da região concertos por parte de professores do conservatório da cidade. Este ano teve um local diferente, uma prisão. A reportagem é da jornalista Ana Cláudia Silva.
Este momento foi muito gratificante, porque senti-me em liberdade total. Pena tive foi de não ser mais tempo.
Fernando está preso por violência doméstica, mas ao ouvir Frank Sinatra sente-se livre. E não é o único.
Nós fechamos um bocadinho os olhos e sentimo-nos numa esplanada e a ouvir um bocadinho de música, completamente diferente ao vivo do que estarmos a ouvir num CD, por exemplo, aqui na cela.
Delfim Ribeiro, de 58 anos, está preso há quase dois e tem uma pena de seis. Foi condenado pelo crime de fraude fiscal. São reclusos do estabelecimento prisional das Caldas da Rainha, que recebeu pela primeira vez um concerto de jazz, que contou com seis músicos: um trompete, uma flauta transversal, um saxofone, uma trompa, um baixo e uma bateria do conservatório da cidade. Os instrumentos e os músicos ajudam os reclusos a sentirem-se incluídos na sociedade. É o que diz a diretora da prisão, Maria Helena Cardoso.
O sentimento de pertença que isto cria, ou seja, a ligação à comunidade, fazendo-os sentir que, de alguma forma, não estão completamente desligados daquilo que os rodeia e que assim não lhes passa despercebido, nem estão à margem.
Já a vereadora da Cultura do município, Conceição Henriques, aponta para uma sensação de liberdade.
É absolutamente fundamental, porque a arte é uma forma de libertação, é uma forma de muitas vezes nos encontrarmos e a população reclusa está cerceada de muitas das suas liberdades, desde logo a sua liberdade de movimento.
A sala de aulas da prisão das Caldas da Rainha encheu-se com cerca de 30 reclusos e seis músicos, mas foi a liberdade, a gratidão e a alegria a preencher os espaços em branco. Uma iniciativa inclusiva entre o Centro Cultural das Caldas da Rainha e o Conservatório da Música da cidade, dirigida às escolas do primeiro ciclo e ao pré-escolar. Este ano, pela primeira vez, chegou ao estabelecimento prisional. É a notícia de fecho aqui na Rádio Observador. Voltamos a atualizar as notícias às 06h30. Até já.