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As notícias com João Lourenço.

Muito bom dia. Venâncio Mondlane vai regressar a Maputo no final desta semana. O opositor político não tem medo de ser preso. Em entrevista ao Observador, Mondlane diz que a revolução moçambicana não morreu e defende uma luta mais legal agora, apesar dos problemas em legalizar o partido. O ex-candidato presidencial de Moçambique nas eleições de 9 de outubro tem a informação de que tem um mandato de captura no nome dele. Mondlane garante ainda que a possibilidade de ser preso pode fazer bem à revolução.

Portanto, eu volto a Moçambique e estarei disponível. Se for para ser preso, não há problema nenhum. Eu acho que eu estou a ser um grande favor. Dulce, a coisa mais difícil, mais trabalhosa, mais extenuante, é acordar todos os dias e pensar: qual é a estratégia, o que fazer, como responder. Isto é terrivelmente pesado, é extenuante. Agora, a partir do momento que eles me deterem, então esse trabalho terá facilitado, porque vai ser uma espécie de bypass. Há muitas etapas que nós vamos ultrapassar com pouco esforço, estando detido. Portanto, vai ser um grande favor para mim e para a revolução.

Ao longo das últimas duas semanas, o opositor político de Daniel Chapo esteve em viagem entre Portugal e a Alemanha. Nos últimos dias, Mondlane esteve reunido com PSD, Iniciativa Liberal, Chega e CDS e deixou apalavrado um encontro virtual com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Ranjão. O ex-candidato presidencial de Moçambique gostava de se ter reunido com Marcelo Rebelo de Sousa, lamenta que o chefe de Estado português não tenha uma posição equilibrada.

Eu já estive com ele na pré-campanha e dessa vez fiquei muito satisfeito. Ele recebeu-me e disse-me que preferia receber-me no restaurante em que ele mais gostava de estar para almoçar e não com honras formais. E eu senti isso, foi realmente alguma coisa que me honrou, mas desta vez eu fiquei muito admirado, porque ele recebeu o presidente Daniel Chapo e não só recebeu, mas também fez pronunciamentos muito encomiásticos em relação a ele, que me parece que, conhecendo a situação em que Moçambique se encontra hoje, ele devia ter tido uma posição mais de equilíbrio, uma posição mais de moderação.

Venâncio Mondlane revela ainda que enviou um ofício a Marcelo, mas não obteve qualquer resposta. Já pode ouvir esta entrevista na íntegra no site do Observador, conduzida pela jornalista Dulce Neto. Prosseguimos com o debate do Estado da Nação. O governo anunciou a atribuição de um novo bónus para os reformados. Foi um dos vários anúncios feitos pelo primeiro-ministro no debate da tarde de quinta-feira, na Assembleia da República, depois de no ano passado ter anunciado o bónus extraordinário para os pensionistas na Festa do Pontal. Desta vez, Luís Montenegro anunciou no Parlamento.

Amanhã mesmo, o Conselho de Ministros vai aprovar a atribuição de um suplemento extraordinário a todas as pensões até 1.567,50 €. Terá o valor de 150 € para as pensões entre 522,50 € e os 1.045 € e terá o valor de 100 € para todas as pensões entre 1.045 e 1.567,50 €.

Luís Montenegro a remeter este bónus para setembro, a poucas semanas das eleições autárquicas. A par deste bónus, o primeiro-ministro deu também conta de que já esta sexta-feira o governo vai aprovar uma nova lei para descer o IRC.

O Conselho de Ministros aprovará a proposta de lei de redução do IRC a submeter a esta Assembleia da República. Assim, o IRC descerá para 19% em 2026, 18% em 2027 e 17% em 2028.

A proposta terá depois de ser discutida na Assembleia da República, mas ainda sobre impostos, o chefe do governo adiantou que as tabelas de retenção na fonte do IRS vão ser publicadas também esta sexta-feira.

Na parte do IRS, a nossa expectativa é, na próxima segunda-feira, publicar já as novas tabelas de retenção na fonte e, portanto, a partir do próximo mês de agosto, as portuguesas e os portugueses poderem sentir já esta nova diminuição das taxas do imposto.

Com esta publicação, a descida do IRS vai sentir-se já em agosto, dando esse sinal de incentivo ao consumo no verão. Também os professores tiveram novidades, com o anúncio de alargamento do subsídio de mobilidade para todos os docentes da escola pública. Na fase de debate, Luís Montenegro negou a existência do princípio de acordo, que tinha sido anunciado por André Ventura, acordo para mudar a lei da nacionalidade, anunciado na última semana. Montenegro diz que não sabe do que se trata. Ventura vai mais longe e diz que há princípio de entendimento em outras matérias. Mas, Vasco Maldonado Correia, o debate ficou marcado por um caso a envolver o presidente da Assembleia da República e o secretário-geral do Partido Socialista.

O debate do Estado da Nação ainda ia nas primeiras intervenções quando José Luís Carneiro atirou a André Ventura.

Do meu ponto de vista, até hoje nunca encontrei um deputado tão fanfarrão como aquele deputado que está a liderar aquela bancada.

O presidente da Assembleia da República não gostou, deixou a reprimenda.

A verdade é que nós podemos e devemos atacar as ideias, agora, fazer referência a que um colega aqui é fanfarrão não me parece que seja o tratamento urbano.

Reação que mereceu o protesto da bancada socialista, que acusou Aguiar Branco de diferença de critérios por não ter tido a mesma atitude quando o líder do Chega chamou frouxo ao secretário-geral do PS. Antes, já tinha falado o Primeiro-Ministro para avisar a oposição que é altura de mudar de estratégia.

O tempo da tática estéril, do ruído constante e da obstrução sistemática já não serve a Portugal.

Do lado do Chega, André Ventura não gostou do tempo que Luís Montenegro dedicou a um setor em específico.

Dezesseis segundos a falar de saúde, senhor Primeiro-Ministro, quando há portugueses que passam anos à espera de ter uma consulta.

Esta semana o presidente do Chega anunciou ter um princípio de acordo com a AD para mudar a lei da nacionalidade. Luís Montenegro nega.

O senhor deputado referiu um princípio de acordo que eu não sei o que é. Eu não sei mesmo o que é.

Apesar do esclarecimento, Ventura garante que o princípio de acordo existe e até para vários temas. Já pela Iniciativa Liberal, Mariana Leitão acusa o executivo de falta de coragem na privatização da TAP.

A privatização de menos de metade da TAP é uma oportunidade completamente perdida. O governo mateia o controle estatal.

E Rui Tavares, do Livre, garante que o governo está mais próximo do Chega do que diz.

O governo sombra já está aqui. É este governo, na sombra do Chega.

Uma proximidade que também é reconhecida por Paulo Raimundo, do PCP.

A extrema-direita abre o caminho e o seu governo concretiza.

Já a deputada única do Bloco de Esquerda lembra o mote da campanha da AD nas últimas legislativas.

Não há dúvida que o Luís trabalhou. Nenhuma dúvida. E por isso, senhor Primeiro-Ministro, eu queria fazer-lhe um pedido. É que parasse de trabalhar.

O PAN critica a maneira imoral como o governo tem gerido os hospitais. Os Juntos pelo Povo acredita na vontade de Luís Montenegro para resolver problemas, mas lamenta a pouca atenção dada às ilhas. São os destaques do debate do Estado da Nação, a uma semana do Parlamento ir para férias de verão.

Vasco Maldonado Correia a acompanhar o debate do Estado da Nação esta quinta-feira no Parlamento, com o aviso de Aguiar Branco a José Luís Carneiro. O deputado do PS, Pedro Delgado Alves, indignou-se com o presidente da Assembleia da República, pediu a palavra para criticar Aguiar Branco e disse fazê-lo a título pessoal. Pedro Delgado Alves, que é um dos deputados mais experientes, era um dos mais indignados com o puxão de orelhas de Aguiar Branco a José Luís Carneiro e acusou o presidente do Parlamento de cobardia.

Aquilo que entendo uma interpelação à mesa, é uma interpelação à mesa, diretamente ao presidente, está a fazer o uso da figura corretamente. Faz favor.

Sr. Deputado, nesta Câmara há muitos anos, o que estou a dizer vincula-me a mim e a mim exclusivamente. Tenho vergonha da intervenção que o Sr. Presidente acabou de proferir e a forma como tratou este plenário, porque mostra uma dualidade de critério na forma como repudia comentários perfeitamente aceitáveis proferidos por um deputado desta Câmara e não tem coragem. Coragem, Sr. Presidente, perante a extrema-direita que estraga o debate parlamentar cotidianamente, de defender a Câmara e defender os deputados.

Pedro Delgado Alves, que pediu coragem a Aguiar Branco para apontar também o dedo ao Chega na utilização de certas expressões ou, por exemplo, da leitura de nomes de crianças na Assembleia da República. Já no final do debate, André Ventura voltou a afirmar que não existe nenhum acordo de governo entre PSD e Chega. O líder do partido diz que existem apenas entendimentos em algumas matérias.

Eu sempre disse, e o Primeiro-Ministro também, que nós não teríamos um acordo de governo entre Chega e PSD, porque o Chega lidera a oposição. E acho que isso foi clarificado, o próprio disse, sem contraditório, e que o PSD assumiu isso também. Acho que ficou tudo bem. Estranho seria que o governo negasse agora uma coisa que ficou pública e, aliás, que decorreu à vista de todos por trabalho também e exigência do próprio Chega, que disse que queria que a reunião fosse aberta, aberta no sentido de ser conhecido o seu momento, a sua hora, e de saber os seus resultados. Portanto, acho que terminou tudo como devia ter terminado, as duas partes a assumirem que se pode trabalhar em algumas matérias, como foi o caso da imigração, como foi o caso da nacionalidade, sem que isso ponha em causa o trabalho da oposição e liderança da oposição. Acho que foi isso que aconteceu.

Também no final, José Luís Carneiro apontou lacunas em vários setores como a educação, a habitação e a economia, mas aponta como principal problema a saúde. Ainda assim, o líder do PS diz estar satisfeito por Luís Montenegro aceitar a proposta de criação de unidade de coordenação para as emergências hospitalares.

É bom que o Primeiro-Ministro tenha dito que aceitava a proposta que tínhamos feito, nomeadamente para criarmos uma estrutura permanente de coordenação da emergência hospitalar, porque essa estrutura de coordenação permanente permitirá evitar este espetáculo lamentável de várias entidades a desresponsabilizarem-se e ninguém assumir as responsabilidades, nomeadamente da parte do Ministério da Saúde e do próprio Primeiro-Ministro.

Sobre o pedido de clarificação em relação a um parceiro estratégico, José Luís Carneiro diz estar satisfeito com a resposta do Primeiro-Ministro, que diz que não havia acordo com o Chega e que confirma que sem o PS não há bloco central. A Coligação de Esquerda, candidata à Câmara de Lisboa, constituída por PS, Livre, Bloco de Esquerda e PAN, e encabeçada pela socialista Alexandra Leitão, é formalizada hoje, segundo o acordo de coligação a que a Agência Lusa teve acesso. Os quatro primeiros lugares da lista à Câmara serão ocupados pelo Partido Socialista, o Livre terá o quinto e o sétimo lugar, o Bloco de Esquerda o sexto lugar e o PAN o oitavo. Já o PCP não vai integrar esta candidatura. Os comunistas já tinham apresentado a sua lista, liderada pelo vereador João Ferreira. As eleições autárquicas estão marcadas para 12 de outubro. Há uma nova polêmica no setor da saúde. O Hospital de Braga fez contratos milionários com uma empresa privada do diretor do serviço de oftalmologia do mesmo hospital. É uma notícia avançada esta noite pela CNN Portugal. Desde 2019, ano em que o hospital passou das parcerias público-privadas para as mãos do Estado, foram feitos contratos no valor de mais de €27 milhões. Já em 2025 e em 2024, em três ajustes diretos, foram entregues mais de €9 milhões para consultas, cirurgias, injeções, entre outros. Estamos a falar da empresa Iberoftal, uma empresa que pertence a Fernando Vaz, diretor do serviço de oftalmologia do Hospital de Braga. O médico e diretor deste serviço é também coordenador de oftalmologia do Instituto CUF Porto e também do Hospital CUF Porto, contrariando o que está previsto na lei para os médicos que exercem direções de serviços no Serviço Nacional de Saúde. À CNN, o advogado Paulo Veiga e Moura diz que se trata de um caso claro de conflito de interesses e de total incompatibilidade e que pode vir a revelar existir matéria de foro criminal. Este é um caso que se arrasta há 15 anos e que levou ao afastamento de Fernando Vaz da direção do serviço de oftalmologia do Hospital de Braga. A CNN contactou Fernando Vaz, que não quis prestar declarações. No entanto, fonte próxima do médico garante que há vários meses que andava a pedir para ser afastado. Na Justiça, Joe Berardo está acusado de burla qualificada pelo Ministério Público. Em causa está um esquema para evitar o pagamento de financiamentos do Grupo Berardo à Caixa Geral de Depósitos, Banco Espírito Santo e BCP, no montante global de cerca de mil milhões de euros. É o que consta num comunicado da Procuradoria-Geral da República. Ao que indica o Ministério Público, o empresário madeirense e os advogados André Luís Gomes e Gonçalo Moreira Rato, também acusados pelo mesmo crime, travaram o acesso dos bancos credores ao património da Coleção Berardo, avaliado em centenas de milhões de euros. Joe Berardo foi detido em junho de 2021 por suspeitas de burla, fraude fiscal e branqueamento de capitais, acabou por pagar uma caução de €5 milhões. Terminamos este noticiário no norte do país. Em Vila Nova de Gaia, começa hoje o Festival Marés Vivas. O evento tem lugar no antigo parque de campismo da Madalena. Nos próximos três dias vão passar pelo palco principal nomes como Ozuna, Xutos & Pontapés, Pedro Sampaio, 30 Seconds to Mars, Miguel Araújo com Quarto e Meia e Scorpions. A banda germânica é a principal atração deste dia de abertura do Festival Marés Vivas. As portas abrem às 16h e os bilhetes estão à venda no site do festival. E é com "Wind of Change" do Scorpions que terminamos este noticiário das seis da manhã. O meu nome é João Lourenço. Desejo-lhe uma ótima sexta-feira. Aconteça o que acontecer, continue com a Rádio Observador.