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As notícias com Nadine Soares. Bom dia. Está em curso uma operação de repatriamento de portugueses no Médio Oriente. Está a ser feito em dois aviões, um da TAP, outro da Força Aérea. O primeiro voo já terá chegado ao Aeroporto Figo Maduro. Vamos para lá em direto a esta hora, ao encontro do repórter Carlos Pedro. Carlos, os passageiros já chegaram, qual é o ambiente a esta hora que nos podes descrever?
Sim, Nadine, chegaram na última hora e começaram a sair há poucos minutos, aqui no Aeroporto Figo Maduro. Os 39 passageiros que fizeram este voo militar estão, neste momento, a aguardar por indicações das autoridades. Está aqui também o Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas. Foi o primeiro voo de repatriamento desde o início deste conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irão. Neste voo militar, vamos neste momento ouvir o Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas.
Os passageiros vieram e se correu tudo dentro do que estava previsto?
Vieram 39 passageiros, 24 portugueses, os outros são de outras nacionalidades, três franceses, vou falar de memória, dois brasileiros, são de diferentes nacionalidades. Está tudo bem, correu tudo bem. Eu queria agradecer muito à equipa da Força Aérea, que tiveram um trabalho notável. Também queria agradecer aos nossos serviços consulares, que têm estado incansavelmente, e aos nossos diplomatas a tratar deste assunto. Foram quase 25 horas desde o início desta operação e da preparação da viagem terrestre em Israel, o atravessar da fronteira, zonas extremamente perigosas. Houve um acompanhamento dos nossos diplomatas e dos nossos serviços consulares. Correu tudo bem, estamos cá e os nossos serviços da Força Aérea foram impecáveis. Portanto, esta primeira operação está bem.
Qual foi o trajeto em concreto que fizeram? Os passageiros estavam todos em Tel Aviv e depois...?
Não estavam todos em Tel Aviv. Juntámo-los em Tel Aviv, vieram de autocarro com escolta até à fronteira com o Egito. No Egito, foram recebidos pelo nosso embaixador e viajaram mais três horas noutro autocarro até ao porto de Sharm El Sheikh, onde o nosso avião os foi apanhar. O nosso avião estava estacionado em Creta, à espera do momento em que pudesse partir. Foi tudo conforme o planeado e estamos agora aqui.
Esta manhã há mais um voo a chegar, desta vez um voo fretado à TAP. Que pormenores nos pode dar sobre esse voo?
Estamos a planear este repatriamento já há quase uma semana, desde sábado da semana passada, por dois lados. Um pelo lado mais ocidental, pelo lado de Israel, que ficou a cargo da nossa Força Aérea, e um outro pelo lado da zona do Golfo, onde saiu ontem à noite, de Muscat, o avião da TAP que o governo português fretou. Está em trânsito neste momento, está a reabastecer na Grécia. Deve chegar aqui por volta das 11h. Está tudo bem e espero que continue nas próximas três, quatro horas que eles devem demorar.
Senhor Secretário de Estado, que palavra tem para os portugueses que continuam, por exemplo, no Qatar e que dizem que estão entregues à sua sorte? Ainda ontem ouvimos essas declarações, nomeadamente de turistas que ficaram presos ali naquela zona e que dizem que a única solução que lhes ofereceram foi aquela que já ouvimos há dois dias, de cruzarem a fronteira terrestre até à Arábia Saudita, através de Riade, sob a sua própria responsabilidade.
Eu compreendo, é uma situação muito crítica. O espaço no Qatar está encerrado. Os residentes no Qatar estão muito confortáveis, tenho falado com alguns pessoalmente e nas suas residências sentem-se completamente seguros. Explicam que o sistema de defesa do Qatar é muito bom e tem conseguido interceptar todos os mísseis autônomos que têm chegado. Em termos de pessoas que estavam em trânsito, a viajar, o governo do Qatar tem disponibilizado gratuitamente e assumido os custos de alojamento em hotéis. Portanto, neste momento, as pessoas que lá estão, estão bem. Como o espaço aéreo do Qatar está encerrado, não há solução aérea. Portanto, a única solução é viajarem por terra, de autocarro ou de carro, até um ponto seguro. Nós estamos a ponderar a hipótese de organizar uma nova saída por Riade. Mas ainda são umas horas de viagem. A viagem terrestre também é relativamente arriscada neste momento. Portanto, estamos a ponderar todas as formas de podermos ajudar. Poderá ser através de um outro voo, que vamos pôr a hipótese de organizar, ou através de um outro voo de um país europeu, porque como ontem foi anunciado, nós entrámos no mecanismo europeu de repatriamento. Até achei curioso, porque alguns jornalistas perguntavam-nos se não íamos aproveitar o voo europeu que estava a ser programado. O voo europeu que estava programado era o nosso. Portanto, achei curioso porque estávamos a ser criticados por não aproveitarmos o voo, que era o nosso voo. Se não fomos o primeiro, seremos o segundo país europeu a organizar um voo de repatriamento próprio e que tem o seu tempo. Nós tínhamos inicialmente 288 intenções de pessoas de virem no voo que vai chegar às 11h00 Por isso, não íamos acionar o mecanismo europeu, porque esse mecanismo faz com que nós tenhamos de disponibilizar vagas a outros países. Portanto, como nós já tínhamos 288 portugueses inscritos para um avião que tem capacidade de 270, obviamente, não iríamos acioná-lo. Entretanto, algumas pessoas não confirmaram a vinda, o número de portugueses que se inscreveu diminuiu e a partir daí que nós percebemos que tínhamos vagas vagas, disponibilizamos e entramos no mecanismo europeu, que nos permite ter também no futuro, se outro país europeu vier a organizar um voo, temos aqui uma espécie de crédito a favor dos portugueses que entretanto queiram viajar e a nossa prioridade neste momento é o Catar, mas atendendo à situação no terreno, terá que ter obrigatoriamente uma deslocação terrestre que estamos a organizar.
Mas nesse cenário, os serviços consulares portugueses dariam proteção e segurança a quem fizesse esse percurso terrestre, nesse cenário que fala?
Sempre. A viagem que estávamos a disponibilizar, nós apanhávamos o autocarro e disponibilizávamos esse autocarro. Como disse, é uma viagem relativamente arriscada e não tínhamos a certeza de ter um voo em Riade, que será através de Riade, que as pessoas poderão vir. Vamos agora rever novamente a situação, mas provavelmente passava por um plano desses, uma viagem terrestre de autocarro desde o Catar até Riade, e em Riade um avião nosso ou de um parceiro europeu para trazer as pessoas.
Sr. Secretário de Estado, eu queria fazer uma pergunta que se prende com outros portugueses noutros países naquela região. A Renascença falou com portugueses que estão nas Maldivas e que não conseguem regressar a Abu Dhabi para voltarem para Portugal. Há também portugueses na Índia que não sabem como voltar. Que respostas é que podem ser dadas ao regresso a estes portugueses?
Se a memória não me falha, nas Maldivas temos oito pessoas que estavam em férias e que ainda não conseguiram voo de regresso. Sei que há duas, já me informaram duas, falei com elas, que já saíram. O que eu tenho dito a essas pessoas é que temos que ter alguma prudência e alguma calma, porque entretanto os voos comerciais vão se adaptar e as próprias companhias nas quais eles estão a viajar estão a encontrar alternativas que já estão a surgir. Eu penso que dentro de dois, três dias haverá aqui soluções. Agora, é evidente que são situações muito pontuais, poucas pessoas e que nem sequer estão numa zona de guerra, portanto, terão que aguardar dois ou três dias até que se consiga normalizar.
Não estão numa zona de guerra, mas o seu regresso implica um aeroporto que está numa zona de conflito.
Há várias soluções, também podem ir pelo outro lado. Portanto, neste momento as companhias aéreas estão a retomar voos e farão os voos em segurança, com certeza. Essa é uma questão incondicional. Primeiro de tudo, a segurança.
Tendo em conta as suas declarações, pelo que percebi, pode estar em causa um outro voo de repatriamento, desta vez via Arábia Saudita. É isso que está a ser estudado neste momento?
É uma hipótese, já estamos a ver com a Força Aérea, já estamos a fazer o planeamento e iremos depois avaliar se vale a pena avançarmos com o voo próprio ou se havendo outros países europeus que venham a organizar, através do mecanismo europeu, usarmos esses lugares disponíveis para trazer as pessoas que queiram vir.
E essa será a solução para os portugueses que estão em Omã, no Baré, para toda essa zona, é essa a solução?
Neste momento, a nossa maior preocupação, pelo número até, são os que estão no Catar. Mas logo que tenhamos a informação, estamos a fazer contactos pessoalmente. Hoje, durante toda a manhã, os nossos serviços vão contactar as pessoas, a ver quem quer vir para vermos da oportunidade ou não de organizar esse voo e a Força Aérea já está a planear o voo.
Sr. Secretário de Estado, só para a Viva Voz poder esclarecer esta questão que se prende com algumas denúncias de portugueses que diziam que estavam a pedir um valor pelos bilhetes de regresso, nomeadamente valores a rondar os €600. Consegue só esclarecer-nos esta questão? Sabemos que está dentro da lei, mas o Estado português já pediu este valor, vai pedir, como é que está a trabalhar?
O valor está correto, mas ninguém deixa de vir, nem é obrigado a pagar à partida, nem à chegada. O que nós estamos a dizer às pessoas é que depois terão que reembolsar o Estado português dessa verba, mas ninguém deixará de viajar por falta de dinheiro.
Esses €600?
Sim.
Mas depois cá, a pessoa, se não pagar lá, tem que pagar cá, é isso?
Ao regressar, passados uns dias, nem estaremos a cobrar o bilhete nem à partida, nem à chegada. O que pedimos às pessoas é um compromisso, porque isto tem custos. Aliás, o custo real é superior. Nós esperamos ainda ter aqui alguma comparticipação do mecanismo europeu, já que o assinamos, mas os holandeses estão a cobrar €650. Portanto, essas viagens têm um custo, não me parece que seja exagerado, eu compreendo as pessoas, mas faz parte dos regulamentos, é a lei e é assim que terá que ser.
O último balanço dos pedidos de repatriamento estava cerca de 400, qual é o número atual e qual é que é a comunidade maior, se é do Catar, quantas pessoas estão em causa?
A maior comunidade era dos Emiratos e era onde tínhamos mais pedidos, mas inicialmente eram 400, depois tínhamos o avião com 288 e o número final que vieram, eu vou falar de memória, acho que são 130, tenho que rever os números, mas acho que são 130 portugueses, vieram mais, mas portugueses são 130.
Portanto, dos Emirados Árabes ainda pode haver mais algum apoio ou será através dos voos da Emirates, que entretanto começam a operar?
Nós estamos em coordenação, já vieram 122 pessoas há dois dias, se a memória não me falha. Portanto, havendo voos comerciais, obviamente que optaremos por eles, porque fica muito mais barato.
As explicações do Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, aqui no aeroporto figo, o local onde chegaram há pouco 39 passageiros neste voo militar, na primeira missão de repatriamento coordenada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, em conjunto com a Força Aérea Portuguesa. Trinta e nove passageiros, 24 portugueses e 15 cidadãos estrangeiros chegaram durante a última hora a Lisboa, às 11h, de acordo com o que disse o Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, chega outro voo, desta vez um voo C-130 da Força Aérea Portuguesa, ou melhor, uma aeronave A330 fretada à TAP.
A reportagem do jornalista Carlos Pedro no Aeroporto Figo Maduro. Ouvimos o secretário de Estado das Comunidades, Emídio Sousa. Esta operação acontece no dia em que Portugal ativou o Mecanismo Europeu de Proteção Civil para organizar o repatriamento de cidadãos portugueses no Médio Oriente. Donald Trump afirma que o Irão já vem tarde para encontrar um acordo de paz. O presidente dos Estados Unidos admite que o exército do Teerão é duro e resistente. Volta, no entanto, a referir que o poder militar do Irão foi em grande parte destruído. Quanto a um acordo de paz, diz que devia ter sido alcançado mais cedo.
Eles já não têm força aérea, nem defesas aéreas. Todos os aviões deles desapareceram. As comunicações caíram. Mísseis e lançadores também destruídos, mais ou menos, 60% e 64%, respetivamente. Sem contar com isso, eles estão relativamente bem. Eu perguntei: "O que é que sobra?" Eles são duros e querem lutar. Eles estão a ligar para perguntar como é que negociamos e eu digo que já vêm tarde. Nós agora queremos lutar.
Donald Trump, em declarações na Casa Branca, na recepção à equipe de futebol Inter Miami, depois do presidente norte-americano, falou o secretário de defesa, que disse que a guerra ainda agora começou. Pete Hegseth diz que o Irão ainda não viu nada. Israel anuncia uma nova fase de guerra contra o Teerão. A guerra no Médio Oriente entra no sétimo dia e numa nova fase. É o que diz o chefe de Estado-Maior israelita, numa declaração televisiva, citado pelos mídia internacionais. As forças de Israel dizem ter concluído com sucesso a primeira fase do ataque surpresa. Vão continuar agora a desmantelar o regime iraniano. Por cá, o chefe de Estado-Maior do Exército quer reforçar o treino operacional, acelerar a inovação nas Forças Armadas. São as prioridades para o segundo mandato do general Eduardo Ferrão. Em declarações à margem de uma cerimônia no Campo Militar de Santa Margarida, no Distrito de Santarém, o responsável diz que estas medidas são necessárias para fazer face a este contexto internacional incerto e volátil.
Vamos ter que treinar de uma maneira muito mais realista e vamos ter que ter ciclos de adaptação muito mais curtos do que tínhamos, que com os conflitos e a forma como se combate evoluem quase dia a dia. Vamos ter militares melhor preparadas, mais competentes para os cenários muito exigentes em que podemos ser empregados e como estamos a ver hoje na realidade internacional.
O general Eduardo Ferrão, que lembra ainda que Portugal mantém, no âmbito da NATO, forças no leste da Europa, em missões associadas à dissuasão e preparação para cenários de alta intensidade. Na política nacional, o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, acusa o Executivo de Luís Montenegro de estar a governar em falsete e de ser o PS o fator de estabilidade política no país. Diz até que as críticas de Passos Coelho ao governo não são propriamente uma novidade.
Aquilo que tem dito o doutor Passos Coelho é aquilo que todos hoje dizem, ou seja, este governo não mostra capacidade para reformar. É um governo que tem estado a governar em falsete, ou seja, dá a ideia que está a fazer quando, de facto, nada está a fazer do ponto de vista daquilo que o país precisa para a saúde, para a habitação, para os salários, para o rendimento, para o crescimento da economia.
Declarações de José Luís Carneiro quanto às eleições diretas convocadas pelo presidente do PSD. O secretário-geral do Partido Socialista considera que é uma prova de que a estabilidade está mesmo no PS. São declarações de José Luís Carneiro em Faro. Olhamos ainda para o estado do tempo. Há uma nova vaga de frio, chuva, vento e agitação marítima esperada para os próximos dias. As zonas afetadas pela Depressão Christine são as mais vulneráveis. De acordo com o IPMA, os distritos de Lisboa e Leiria estão esta sexta-feira sob aviso laranja, assim como Beja, Faro, Guarda e Castelo Branco. A meteorologista Alexandra Fonseca deixa um alerta.
A partir das 0h, entram também Viana do Castelo, Braga e Porto com aviso de rajada. Esta intensificação do vento, como eu disse, irá prolongar-se por todo o dia de amanhã, sendo que, de ressalvar entre as 9h e as 15h, um agravamento para os distritos de Leiria e Lisboa, com a elevação do nível de aviso para aviso laranja, com rajada de vento a poder chegar aos 90 km/h nestes distritos, em especial na faixa costeira e também nas serras.
Alexandra Fonseca, meteorologista do IPMA, que emitiu para vários distritos do país um aviso de mau tempo que se prolonga até às 07h de sexta-feira. Fica por aqui este jornal das 06h da Rádio Observador. Já a seguir, conferência de imprensa.