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As notícias com Teresa Freire.
Bom dia. Começamos com os protestos no Porto. Ao contrário do que tinha sido anunciado inicialmente pela organização, os manifestantes não pernoitaram na Praça Dom João I. Já passava da 01:00 quando os manifestantes alegaram falta de condições de segurança e por isso acabaram por abandonar a praça, apesar de antes terem decidido que iam voltar a dormir na rua. O protesto pelo direito à habitação chegou a reunir milhares nas ruas do Porto ao início da noite de ontem, depois de a última madrugada ter ficado marcada por uma intervenção policial que causou feridos. A acompanhar esta montanha-russa na Praça Dom João I, esteve o repórter do Observador, Miguel Pinheiro Correia.
À sexta noite de protestos e depois do que foi até hoje a maior mobilização deste movimento, a praça que de tarde se encheu de milhares de manifestantes, está agora praticamente vazia. Foi uma verdadeira montanha-russa aquilo que aconteceu hoje na Praça Dom João I, mas não só. Já de manhã se sentiam aqui os ânimos exaltados depois da carga policial da última noite. As palavras do primeiro-ministro e também do presidente da Câmara não terão contribuído para um apaziguar dos ânimos, e isso foi visível no início dos protestos. Havia muitos cartazes dirigidos a um novo alvo, claro, Pedro Duarte, o autarca do Porto. Depois de uma mobilização incomparável com a das últimas noites, a praça encheu tanto que transbordou. E sem que se esperasse, os manifestantes invadiram as ruas do Porto com a polícia a olhar atentamente, mas a verdade é que foram os próprios manifestantes que cortaram o trânsito num pequeno, pequeníssimo percurso até à Avenida dos Aliados. Ainda subiram as rampas de acesso à Câmara, mas, e nestes momentos de maior tensão, a caminhada acabou por terminar pouco depois, com o regresso à praça, onde havia uma decisão a tomar e essa decisão foi tomada em assembleia popular: iriam voltar a dormir na praça, mas desta vez sem tendas. Era esta a decisão, até que um pequeno episódio condenou esta intenção, porque a certa altura, perto da meia-noite, uma pessoa foi assistida pelo INEM depois de um desacato e a partir daí começaram a surgir insinuações por parte dos manifestantes de que haveria pessoas infiltradas e armadas com facas com o objetivo de causar distúrbios. Estas preocupações foram partilhadas com a PSP, mas ao que o Observador conseguiu apurar junto de fonte policial, a polícia revistou sim duas pessoas, mas não apreendeu armas. A verdade é que mesmo assim, as suspeitas já estavam lançadas e a decisão de dormir já tinha sido revertida e por isso agora esta praça, que ainda há pouco estava completamente cheia, com milhares de manifestantes, está agora vazia. Restam poucas dezenas de pessoas, mas muito longe desses milhares que chegaram a encher a praça naquele que foi o maior protesto dos últimos dias.
Miguel Pinheiro Correia, que dá conta desta reviravolta no Porto, na Praça Dom João I, ontem à noite. O PCP acusa Luís Montenegro de ser um verdadeiro egoísta na luta pela habitação. Em causa as palavras do primeiro-ministro, que ontem de manhã pediu que os manifestantes não fossem egoístas quanto à tranquilidade e à ordem pública. Em reação, o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, devolve a acusação ao líder do governo.
O senhor primeiro-ministro classificou as pessoas que estavam nessa ação como egoístas. O senhor primeiro-ministro é que é um verdadeiro egoísta, não só egoísta, como se coloca ao serviço dos egoístas, dos fundos imobiliários, da banca, dos especuladores. Ora, toda a sua política, de sua iniciativa, convenhamos, não é apenas do senhor primeiro-ministro, não é apenas do governo, é também do Chega e Iniciativa Liberal, estão ao serviço dos egoístas. E, portanto, egoísta, egoísta e meio.
Paulo Raimundo sublinha ainda que o PCP apoia todas as ações que expressam indignação e que exigem soluções para os problemas da habitação. História da Carochinha é a expressão utilizada por Pedro Nuno Santos, que critica o governo por reclamar a vitória pela venda da TAP sem atribuir mérito ao Partido Socialista. O antigo ministro das Infraestruturas lembra que Luís Montenegro classificou, na altura do governo socialista, o investimento na TAP como um crime político. Em entrevista ontem à CNN, o antigo secretário-geral do PS diz que levou muita pancada por causa da companhia aérea. Insiste nas críticas feitas pelo governo da AD quando era ministro.
O PSD, a AD, Luís Montenegro, estiveram estes anos todos enganados ou a enganar o povo português, porque nos termos deles, nós vamos recuperar o investimento que foi feito na TAP. E isto é muito importante, porque nós não podemos fazer de conta que há um político e há políticos que estiveram anos a destratar o PS, e já agora a mim, enquanto ministro das Infraestruturas, e depois ontem celebram uma venda. Porque ontem vários membros do governo foram às televisões e eles fizeram este exercício: "Nós fizemos uma grande venda sem qualquer responsabilidade do governo anterior". E essa é uma história da Carochinha.
Já quanto à privatização a 100%, Pedro Nuno Santos reitera que continua contra a decisão. Falamos agora da saúde. A maior parte das Unidades de Saúde Familiares têm incentivos institucionais em dívida. São dados revelados pela Associação Nacional de Unidades de Saúde Familiar e que vão ser hoje apresentados. Mais de 85% das USFs têm incentivos institucionais em dívida ou ainda não estão disponíveis e mais de 63% foram informados de que os valores de 2025 só ficarão disponíveis este ano. O presidente da associação explica à Agência Lusa que as ULS não permitiram que as USF usassem verbas para melhorias e programas de formação, porque as Unidades Locais de Saúde gastam as verbas noutros setores, e acrescenta que dentro da percentagem, há casos em que as ULS não têm mecanismos para disponibilizar as verbas ou não têm sequer a intenção de o fazer. Na atualidade internacional, os líderes dos 27 da União Europeia prosseguem hoje a reunião do Conselho Europeu em Bruxelas. Destaque para Volodymyr Zelensky, que vai intervir. Em cima da mesa está o apoio militar e financeiro europeu à Ucrânia e o reforço da pressão sobre a Rússia. O presidente ucraniano tem também hoje o primeiro encontro bilateral oficial com o novo primeiro-ministro da Hungria. No futebol, ontem à noite, o Benfica venceu o Celtic por 4x1 no jogo a contar para a Liga Europa. É a segunda vitória consecutiva do Benfica na competição, depois do jogo frente ao AC Milan na primeira jornada. Na reação à vitória, Marcos Silva diz que apesar do resultado expressivo, não foi um jogo fácil e elogia a primeira parte de grande qualidade do Benfica no encontro.
A nossa entrada é uma entrada muito positiva, a comandar o jogo, a levar o jogo para caminhos que nós queríamos levar, a conseguirmos posicionar o nosso meio-campo ofensivo e depois com a qualidade de podermos criar por fora. Fomos criando sempre com grande qualidade e, como disse, pareceu fácil, mas de fácil não tem nada. A reação do Celtic na segunda parte mostrou a qualidade que tem. É óbvio que a nossa superioridade na primeira parte foi muito boa e foi uma primeira parte de grande qualidade.
A reação do treinador do Benfica, Marcos Silva, à vitória frente ao Celtic. Do lado da equipe adversária, o treinador Martin O'Neill diz que a equipe não desmoronou, mesmo a perder por 3x0.
A perder por 2x0, tivemos uma ótima chance de deixar o marcador em 2x1. Poucos minutos depois, já estávamos a perder por 3x0. Poderíamos facilmente ter desmoronado na segunda parte, mas não foi nada disso que aconteceu. Sinceramente, fiquei extremamente satisfeito com o desempenho na segunda parte. Não é demérito do Benfica, que é uma excelente equipe. Eles vão chegar muito longe nesta competição, mas nós ainda não desistimos de nos qualificar.
O treinador do Celtic após o jogo frente ao Benfica. A equipe encarnada visita o Chipre na terceira jornada da Liga Europa para um encontro com o Omonia daqui a uma semana. Ponto final neste jornal das 06h. Informação está de regresso às 06h30, antes temos a conferência de imprensa e o Vamos à Bola.