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As notícias das 19h, na Rádio Observador, com Carla Jorge Carvalho. A noite voltou a ser de desacatos na Grande Lisboa. Foram incendiados mais dois autocarros, carros particulares e caixotes do lixo.
É a terceira noite consecutiva de desacatos. Os atos de vandalismo voltaram a alastrar-se a vários concelhos. Um autocarro foi incendiado na Arrentela, no Seixal, e foi consumido pelas chamas. Um segundo autocarro foi incendiado em Santo António dos Cavaleiros, em Loures. As chamas acabaram também por atingir outros carros, mas não há feridos. Não há ainda um balanço oficial de novas detenções. A PSP adianta apenas que duas pessoas foram detidas na Pontinha durante a noite. Não precisa o motivo. Houve também novos focos de incêndio em caixotes do lixo em vários concelhos da Grande Lisboa. Destaque para distúrbios nas zonas de Queluz e da Cova da Moura. Os desacatos começaram no início da semana, depois da morte de Odair Muniz, baleado pela PSP após uma perseguição, precisamente na Cova da Moura.
E o presidente da Câmara da Amadora, onde começaram os distúrbios, afirma que a maior preocupação é devolver a tranquilidade à população.
Vítor Ferreira explica que esteve a ouvir as associações do bairro dos Amijal, que se queixam sobretudo de problemas sociais e de habitação. O autarca, eleito pelo PS, afirma que é preciso encontrar soluções para devolver a tranquilidade à Amadora.
Aquilo que mais me preocupa neste momento é dar resposta imediata aos tumultos da noite. Todos os dias de manhã temos equipas de limpeza que limpam todos os vestígios. Estamos com problemas relativamente às questões da deposição de resíduos, uma vez que os contentores que foram incendiados, e a nota que tenho no bairro dos Amijal já foram 60 entre estas duas noites. E, portanto, é preciso também, em conjunto com os serviços municipais, encontrar soluções que deem resposta a isto de imediato. E essa tem sido a minha preocupação, reunir com as associações, reunir com a PSP e com os serviços municipais, com a Polícia Municipal, com a Proteção Civil, no sentido de dar resposta imediata para que tudo volte à normalidade e que o espaço público seja devolvido a quem lá reside.
Vítor Ferreira é o presidente da Câmara da Amadora. Em declarações à Agência Lusa, o autarca disse ainda que transmitiu à ministra da Administração Interna a necessidade de um reforço policial nos locais onde existe maior probabilidade de ocorrerem desacatos.
E o governo vai reunir-se esta manhã com os autarcas da Área Metropolitana de Lisboa para discutir estes episódios de violência.
A reunião está marcada para às 10h30 da manhã, em São Bento, a residência oficial do primeiro-ministro. O anúncio foi feito ontem à tarde por Luís Montenegro. O chefe de governo explica que o objetivo é encontrar formas de acabar com estes desacatos, que duram desde o início da semana. A reunião vai contar com a ministra da Administração Interna e o ministro da Presidência, além dos autarcas da Grande Lisboa.
Este vai ser um tema em destaque esta manhã. No jornal das 8h, vamos ouvir o presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras, e no jornal das 9h contamos com o autarca de Loures, Ricardo Leão. E Carla, continua a haver várias contradições sobre os eventos que levaram à morte de Odair Muniz na noite de segunda-feira.
O caso está a ser investigado. Há várias entidades que abriram inquéritos numa altura em que os familiares contestam a versão da PSP. As circunstâncias da morte ainda estão a ser analisadas pela Polícia Judiciária e, Vasco Maldonado Correia, a conta-gotas vão sendo conhecidas novas informações, por exemplo, sobre se Odair Muniz tinha ou não uma faca na mão quando foi abatido.
De acordo com o que é avançado pela CNN Portugal e pelo Jornal de Notícias, afinal, os dois agentes presentes no local não foram ameaçados diretamente pela vítima com uma faca em punho. Ora, numa primeira comunicação oficial, a Direção Nacional da PSP indicava que os dois agentes tinham agido em legítima defesa e que o suspeito tinha resistido à detenção e tentado agredi-los com recurso a uma arma branca. Mas segundo o interrogatório do agente de cerca de 20 anos que abateu Odair Muniz, a história é diferente. O morador do bairro dos Amijal terá fugido de uma fiscalização rotineira, entrou para o Bairro Alto da Cova da Moura, onde abalroou vários carros estacionados, ficou imobilizado e ao sair do carro em que se encontrava, terá depois ameaçado os agentes, tentado agarrar uma arma na bolsa, a faca que acabou por ser apreendida. E foi nessa fração de segundos que um dos agentes disparou quatro vezes, duas para o ar, duas no corpo da vítima.
Ou seja, a faca estava numa bolsa e não chegou a ser exibida. E Vasco, afinal, a porta da casa da família de Odair Muniz foi ou não arrombada?
Essa é, no mínimo, a versão apresentada pela advogada que representa a família. Catarina Moreiras disse que por volta das 20h de segunda-feira, três agentes arrombaram a porta fora da hora legal e sem mandado. Estavam oito mulheres na casa, duas terão sido agredidas, uma rapariga de 19 anos e uma amiga da família. Terão regressado uma hora depois, mas já com a advogada presente, por isso não voltaram a entrar. Ontem, na conferência de imprensa, a PSP negou categoricamente esta versão dos factos, confirmou apenas que nessa noite entrou numa outra casa, não a que está a ser referida nas notícias, em apoio aos bombeiros voluntários da Amadora, que se deslocaram ao local para apoio médico a uma criança.
Mas Vasco, afinal, Odair Muniz tinha cadastro?
É o que explica o Jornal Público. Odair Muniz não tinha atualmente nenhum processo judicial aberto. É descrito por família e amigos como um homem pacífico e respeitador, incapaz de se envolver em atividades criminosas, o que não invalida que sempre se tenha pautado pelo cumprimento da lei. Já tinha cadastro por ter sido condenado por tráfico de droga, danos contra a propriedade, furto, roubo, condução sem carta e com álcool.
Vasco Maldonado Correia, com as contradições nos eventos que levaram à morte de Odair Moniz, ainda de acordo com o Jornal de Notícias, a principal linha de investigação enquadra a atuação dos agentes presentes no local, na noite de segunda-feira, num eventual excesso de legítima defesa. Temos em direto neste jornal o psicólogo forense Carlos Poiares. Bom dia, obrigada por estar conosco. Estamos, de facto, a assistir a uma onda de violência que passa muito largamente já o bairro do Zambujal. Como é que isto se pode explicar?
As questões colocam, temos que ver aqui também o problema da ação e da reação. Estamos a falar de bairros que nós próprios habitualmente vamos estigmatizando, não os bairros apenas, mas as pessoas, com adjetivos como problemáticos, e esquecemos que são bairros onde, em regra, faltam todas as oportunidades. E há uma velha história de confronto com a polícia, se não físico, se não com estas proporções que custam vida a pessoas, pelo menos no sentido e nas representações, são situações de confronto. E muitas vezes também esquecemos que nestes bairros, na sua esmagadora maioria, estão pessoas que trabalham, que têm uma vida difícil, com muitas horas ocupadas no trabalho e nas deslocações do trabalho, em que há explosão, porque nós muitas vezes vamos fazendo uma coisa complicada, não integramos estas pessoas, amontoamos. E vamos amontoando e isso vai criando ondas que se vão avolumando. E quando há uma situação desta natureza, é verdade que este barril de pólvora, chamemos assim, acaba por explodir. No meio disto tudo, há aqui alguns fenómenos, alguns acontecimentos que também foram precalços no meio disto tudo. Nós assistimos a algumas intervenções não muito ajeitadas do ponto de vista político. Ainda no fim de semana, no Congresso, o primeiro-ministro, bastante desajeitado, falou na política securitária e o papel da polícia, etc. Uns dias depois, acontece isto. E ontem, novamente, ele voltou a ter uma intervenção desajeitada sobre este problema. É preciso que nestas coisas, os políticos, sobretudo quando estão em funções governativas, tenham bom senso. E bom senso de não fazer incidências de um discurso securitário muito ligado à extrema-direita, mas fazer um discurso integrador. Independentemente dos meios que se dão e daquilo que é a atuação policial, não vale a pena vir para as televisões, vir para congressos com ameaças indubitavelmente dirigidas contra aqueles que são habitualmente os estigmatizados e aqueles que fazem parte dos grupos onde as ações policiais se repercutem com mais facilidade. Portanto, este tipo de intervenção, ao lado de uma falta de integração de algumas destas populações, claro que são situações gravíssimas, e eu digo que só me admira que tão poucas vezes coisas desta natureza aconteçam. É preciso bom senso de todos. É preciso bom senso da polícia, é preciso apurar porque é que aquele indivíduo polícia disparou. E é também preciso ver como é que são as escalas de tiro da polícia. Se eles quando fazem escala de tiro, nos seus exercícios, disparam como sabem ou como querem que conste nas fichas. Isto é tudo matéria que tem que ser muito bem averiguada, porque nós, é verdade, não podemos ter situações brutais como as que vimos nos últimos dias, o vandalismo todo, e a reconhecência de um dos promotores, isto não inocenta o homem, mas um dos promotores veio dizer que as coisas ultrapassaram. É preciso também não estou a dizer se tinham ou se não tinham, mas a razão que poderiam ter ficou anulada quando se entra em situação de perigo público, como foram os acontecimentos das últimas duas noites. Para isto tudo é necessário que mais que polícia, haja interventores sociais nos tais bairros chamados problemáticos, que haja uma política de integração, porque senão isto corre o risco de atingir proporções que nós já vimos em França muitas vezes. E que já vimos noutros locais, o que não convém a ninguém, obviamente.
Vamos aguardar para ver o que acontece, sobretudo hoje, até que vai haver uma reunião entre o governo e os autarcas. Carlos Poiares, muito obrigada por ter estado conosco em direto.
Obrigado, bom dia.
É psicólogo forense. Um bom dia também, a alertar aqui para a estratégia que as forças de segurança, mas também o poder político deve ter depois da terceira noite consecutiva de tumultos na zona da Grande Lisboa. Entretanto, o PCP propõe que o Parlamento manifeste pesar pela morte de Odair Moniz e pede que as autoridades determinem o que aconteceu. Os comunistas falam numa grave e infeliz ocorrência.
E mudamos de tema, falamos agora do orçamento do Estado. Pedro Nuno Santos afirma que o PS vai fazer uma intervenção cirúrgica na especialidade.
O secretário-geral do PS afirma que o partido não vai fazer alterações de fundo e explica que a intenção dos socialistas não é transformar o orçamento do Estado do governo. Em entrevista à RTP, Pedro Nuno Santos promete assim uma intervenção cirúrgica.
Eu já o disse várias vezes que este orçamento não é do PS nem nunca será. E nós não queremos transformá-lo na especialidade para que passe a ser. Não é essa a nossa pretensão. O que quer dizer que nós teremos uma intervenção na especialidade livre, obviamente, mas
Escondida.
Exatamente. A nossa intervenção na especialidade será cirúrgica.
Sim. Vocês não vão apresentar aquelas dezenas de propostas.
Nós não vamos deixar de marcar a nossa presença na especialidade
Sobre o processo negocial, Pedro Nuno Santos afirma que o PS não mudou de posição, diz que não houve nenhum ziguezague. O Partido Socialista já confirmou que se vai abster, o que permite a viabilização do orçamento, tanto na primeira votação como na final global. E nos Estados Unidos, Kamala Harris acusa Donald Trump de ser fascista. Isto depois do antigo chefe de gabinete da Casa Branca ter descrito Donald Trump como fascista numa entrevista à CNN Internacional. Kamala Harris diz que concorda.
"Sim, acredito que é. E também acho que devemos acreditar nas pessoas que o conhecem melhor neste assunto. Olhem para as carreiras dessas pessoas. Só com a exceção de Mike Pence, essas pessoas não são políticos, são pessoas com carreiras que serviram nos mais altos cargos da segurança nacional, que serviram como generais, que são altamente respeitadas. Estas pessoas falam sobre a pessoa que poderá vir a ser presidente. Já para não falar do que sabemos e o que nos disseram sobre a forma como Donald Trump fala do exército".
Kamala Harris, ontem à noite na CNN Internacional, repete que Donald Trump é perigoso. Declarações numa altura em que a campanha para as presidenciais se aproxima do fim. E voltamos ao tema das eleições presidenciais e deste ponto de Kamala Harris depois das 06h37 no novo episódio da América Dividida. Na Liga dos Campeões, o Benfica perdeu em casa com o Feyenoord por 3x1. É a primeira derrota de Bruno Lage desde que regressou ao comando técnico dos encarnados. O treinador lamenta a forma como o Benfica sofreu os gols nesta partida.
Acima de tudo, não fomos competentes. Acho que a forma como sofremos os três gols deixa um pouco de lamento. Acho que a equipa até entrou bem, entrou a tentar procurar os espaços que nós tínhamos encontrado, a pressionar, mas depois a forma como nós sofremos o primeiro gol é estranha. É um pontapé de baliza nosso, a bola sai frouxa, muita gente atrás da linha da bola e a bola entrou com facilidade dentro da área, quer no primeiro, quer no segundo gol.
A análise de Bruno Lage no final do encontro, em declarações à Sport TV. O Benfica soma seis pontos na fase da Liga dos Campeões em três jogos. Também o Sporting Braga perdeu ontem à noite em casa, na Liga Europa, frente ao Bodø/Glimt, por 2x1. Já o Futebol Clube do Porto procura hoje a primeira vitória na Liga Europa. Os Dragões recebem o Hoffenheim. O jogo está marcado para às 20h, com relato e comentários na Rádio Observador. E o Vitória Sport Clube enfrenta mais logo, na Liga Conferência, os suecos do Djurgårdens. Agora são 07h14, Carla, que outras notícias estão em destaque a esta hora? O Parlamento debate hoje uma petição com mais de 23 mil subscritores, que defende a proibição do uso do telemóvel nas escolas. A discussão na Assembleia surge acompanhada de projetos de lei e de resolução de vários partidos sobre o mesmo tema. No início do ano letivo, o Ministério da Educação recomendou às escolas a proibição do telemóvel, mas a medida foi adotada por uma minoria de estabelecimentos de ensino. Hoje começa também a greve dos revisores e trabalhadores das bilheteiras da CP, prolonga-se até dia 3 de novembro. A CP antecipa perturbações na operação, sobretudo no dia 31 deste mês. Hoje e amanhã a greve é parcial. No comunicado, a CP alerta para o impacto nos comboios urbanos de Lisboa, em especial para as linhas de Sintra, Azambuja e de Sado. Já no dia 31 de outubro, a paralisação vai ser total durante 24 horas. António Guterres vai reunir-se com o presidente russo, Vladimir Putin. O encontro surge à margem da Cimeira dos BRICS, que decorre na Rússia, e é o primeiro encontro desde abril de 2022, dois meses após o início da invasão russa da Ucrânia. É um encontro que já mereceu as críticas de Volodymyr Zelensky. A Comissão Nacional de Eleições de Moçambique anunciou hoje os resultados das eleições gerais de 9 de outubro. No entanto, vão ter de ser ainda validados e proclamados pelo Conselho Constitucional, num dia em que estão agendadas várias manifestações e greve convocadas pelo candidato Venâncio Mondlane. São dois dias de paralisação e manifestação pacífica em Moçambique, num protesto contra a forma como está a decorrer o processo eleitoral. Voltamos às eleições norte-americanas. Nos comícios já vimos muita coisa, mas isto deve ser inédito. Só falta a musiquinha por baixo. Obama, não é? Repare, Eminem. Olha, aqui está Obama num comício de apoio a Kamala Harris em Detroit. Não resistiu. Repare. Obama foi apresentado no comício por Eminem, disse que não costumava ficar nervoso, mas por discursar a seguir ao rapper, estava mesmo e começou a citar os primeiros versos. O Eminem que se ponha a pau. Nova carreira do Obama.