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Jornal das 7, na Rádio Observador, com Carla Jorge Carvalho. Esta véspera de Natal começa com 10 urgências hospitalares total ou parcialmente encerradas. Os tempos de espera também estão acima do recomendado em alguns hospitais. Os hospitais admitem dificuldades no preenchimento das escalas. Grande parte já ativou os planos de contingência para responder ao aumento da procura. Tal como se tem registrado no resto do ano, a área de ginecologia e obstetrícia é a mais afetada. Vão estar encerradas todo o dia as urgências do Hospital de São Bernardo, em Setúbal, o Hospital de Portimão e o de Santarém. Na área da pediatria, está fechada a urgência do Hospital de Torres Vedras. Há mais seis serviços parcialmente fechados na área metropolitana de Lisboa e ainda nos serviços de urgência básica de Peniche e de São João da Madeira. De acordo com o portal do SNS, amanhã, dia 25, o número de serviços afetados sobe para 12. E se olharmos para os tempos de espera nas urgências, é também na Grande Lisboa que os utentes estão a aguardar mais tempo para serem atendidos. No Beatriz Ângelo, em Loures, uma pulseira amarela tem pela frente, neste momento, cerca de oito horas de espera. O Garcia de Orta está com tempos mais reduzidos, quatro horas, ainda assim, e o Amadora-Sintra tem cerca de duas horas e meia para um doente considerado urgente. O tempo de espera recomendado para um utente com pulseira amarela é de uma hora. O presidente da Associação de Administradores Hospitalares questiona o atual modelo de gestão do SNS. Xavier Barreto diz que é urgente reforçar a autoridade da administração hospitalar. A propósito dos alegados abusos no serviço de dermatologia do Hospital de Santa Maria, Xavier Barreto defende que é urgente repensar o lugar que a administração hospitalar ocupa hoje nas unidades locais de saúde. Num artigo de opinião que escreve hoje no Observador, o presidente da associação que representa os administradores hospitalares lembra que a profissão está claramente fragilizada, envelhecida, pouco atrativa para os mais novos, com progressões bloqueadas e reconhecimento limitado. Xavier Barreto diz que muitos administradores sentem que a autoridade formal que têm não corresponde à responsabilidade real que lhes é exigida e que muitas vezes são pressionados a cumprir metas, mas sem instrumentos. Ainda na saúde, o IPO de Lisboa tem as reservas de sangue estabilizadas depois de, na semana passada, ter sido feito um apelo à doação. O instituto dava conta de que estava em rutura absoluta. Circulou nas redes sociais um apelo à doação no IPO de Lisboa depois dos níveis de sangue terem chegado a níveis muito baixos, sobretudo no grupo O. Os doadores responderam a esse apelo e em poucos dias o nível de reservas de sangue foi regularizado. A Rádio Observador falou com a diretora do serviço de Imunohemoterapia do IPO de Lisboa, que fala numa boa notícia, mas ainda assim, Isabel Branco indica que a doação de sangue tem que continuar a ser regular para que o instituto não volte a entrar numa nova situação de rutura.

O sangue dura algum tempo, os glóbulos vermelhos duram 42 dias no frigorífico. O sangue não é mais. Efetivamente, não se vai desperdiçar, vai ser usado, com certeza, nestes 42 dias. Mas o que eu queria dizer é que é importante que esta dádiva seja regular. As pessoas não acorram apenas num ato único, mas que esta dádiva seja ao longo de todo o ano, porque os doentes do IPO precisam, durante todo o ano, de sangue para os seus tratamentos, para fazer face à sua própria doença.

O apelo feito pela diretora do serviço de Imunohemoterapia do IPO de Lisboa, Isabel Branco, admite ainda que a época festiva e de inverno resulta sempre numa redução do número de doadores, o que já levou ao adiamento de cirurgias não urgentes.

Nestes períodos de inverno, em que há maior número de doenças gripais e que há mesmo ausências porque tem períodos de férias ou vários feriados. Uma série de circunstâncias também contribuíram para que houvesse menos dádivas e, portanto, houve ali um período de carência de estoque que nos obrigou a tomar algumas medidas suplementares em relação à promoção da dádiva e também ao adiamento de algumas cirurgias que não eram urgentes, a fim de que pudessem ser privilegiados os tratamentos mais urgentes.

A diretora do serviço de Imunohemoterapia do IPO de Lisboa, Isabel Branco, apela à dádiva de sangue para que os níveis continuem regularizados. E falamos agora do homicídio de uma criança de 13 anos que aconteceu ontem em Tomar. Sabe-se agora que o homicida, que se suicidou, tinha cumprido pena pelo mesmo crime e planeou esta agressão. O homem de 43 anos tinha como objetivo agredir a ex-namorada e o filho de 13 anos, num quadro de violência doméstica. Chegou a atar a ex-companheira, que acabou por conseguir fugir. O agressor acabou por concentrar as agressões no menor de 13 anos, que morreu. O Observador teve acesso a novas informações sobre o crime. E João Costa Campos, o que é que sabemos?

Em primeiro lugar, Carla, como referiste, este é um crime que acontece no quadro de uma relação de violência doméstica que já tinha terminado. Sabemos que o agressor não aceitava o fim desta relação e tinha inclusive publicado, um dia antes do ataque, no Facebook, um vídeo em que dizia estar com o coração partido. Este homem cumpriu pena por homicídio qualificado entre 2002 e 2016, um homicídio também em Tomar, e existiam várias queixas de violência doméstica por parte da ex-companheira e a própria família estava a ser acompanhada e estava sinalizada por violência doméstica.

João, o Observador esteve no local, apurou mais contornos sobre o crime. Sabemos, por exemplo, que o agressor atou a ex-companheira para a agredir.

Mas acabou por conseguir fugir, apesar de ter sido atada nas mãos e nos pés com fio nylon. E foi a criança de 13 anos quem ficou com o agressor, que a esfaqueou repetidamente. Depois de conseguir escapar às agressões, a mulher foi vista por vários vizinhos, que chamaram a polícia ao ver esta mulher britânica de 43 anos com sinais de agressões e a pedir por socorro na rua. Ao perceber que a GNR estava a chegar ao local, em Casais, Tomar

O agressor ateou fogo a uma botija de gás dentro de casa, provocando uma explosão que o matou e feriu ainda um militar da GNR. Esta mulher de 43 anos está a receber apoio psicológico e a ter cuidados no hospital de Tomar.

João Costa Campos, com os detalhes deste homicídio em Tomar. Um menor de 13 anos, o agressor acabou também por morrer. Um crime que, como percebemos, acontece num quadro de violência doméstica. E analisamos o tema no explicador desta manhã, depois do jornal das 9, como sempre. São nossos convidados César Afonso, antigo inspetor-chefe da Polícia Judiciária de Lisboa, e o advogado Miguel Matias. Em pré-campanha para as presidenciais, Luís Marques Mendes não poupa nas críticas a Henrique Gouveia e Melo. O candidato presidencial, apoiado por PSD e CDS, acusa o almirante de ter falta de nível e de sentido de Estado. São críticas de ontem à noite, depois do debate que o opôs a Gouveia e Melo. Perante as acusações que o almirante fez sobre o passado profissional de Marques Mendes, o social-democrata diz que caiu a máscara ao candidato.

Por isso é que o mérito do debate de ontem foi ter caído a máscara e ficou tudo claro. Eu sou sério, mas não sou ingênuo. Há uma campanha contra mim, porque eu estou em alta nas sondagens e, de acordo com as sondagens, posso ser presidente da República. Sejamos sérios, mas não sejamos ingênuos. Caiu a máscara e provou-se que Gouveia e Melo não tem nem nível, nem sentido de Estado para ser presidente da República.

Marques Mendes acusa Henrique Gouveia e Melo de fazer uma campanha suja por estar desesperado com as sondagens. Este bate-boca entre os dois candidatos é criticado por António José Seguro. Que diz que detestou o debate. António José Seguro considera que este último frente a frente na televisão antes das presidenciais não prestigiou a democracia.

Eu detestei o debate de ontem à noite. Não tenho outra palavra para dizer. Detestei.

Por quê?

Porque nós estamos a candidatar-nos a presidentes da República. Presidente da República deve ser um referencial de valores, um referencial de respeito. O que eu ouvi ontem foi falar de tudo, menos disso. Foi falar de tudo, menos do país. Nós precisamos de elevar a qualidade da nossa democracia e nós, os candidatos, temos essa responsabilidade. O debate de ontem, que sinceramente acho que desprestigia a qualidade da democracia no nosso país.

O candidato apoiado pelo PS acredita que os debates ajudaram a esclarecer os eleitores. Sobre este último, diz que faltaram referenciais de valores, respeito e esperança. António José Seguro desvaloriza também o facto de estar a subir nas sondagens. Prefere destacar a onda de apoio que tem recebido nas ruas. A Associação de Hotéis do Algarve espera um aumento da ocupação em relação ao último ano para a época festiva. E lamenta que a região não tenha um evento agregador que faça os números subirem ainda mais. É o que diz o presidente da associação, Hélder Martins. O período de Ano Novo continua a ser o mais significativo para o turismo algarvio na época baixa, mas o Natal tem vindo a mostrar melhorias.

Tem se visto nos últimos anos um aumento da ocupação de pessoas que vão passar o período de Natal a um hotel, que deixam de estar horas e horas numa cozinha e que, em família, fazem a sua festa de Natal. Mas não tem um significado que se diga extraordinário ainda e demorará muitos anos até o ter. Em relação ao final do ano, ou seja, com o movimento a partir, mesmo assim incluindo o Natal, mas a partir do 22, nós temos unidades que hoje estão com uma ocupação muito baixa, porque é o pico da sazonalidade, e que passam para números superiores a 90% até dia 6 ou dia 5 de janeiro.

Hélder Martins explica que esta altura do ano é muito importante para equilibrar as contas numa altura de menor atividade e considera que com diálogo entre as autarquias podia ser possível seguir o exemplo de outras regiões e organizar um evento para valorizar o Algarve nesta época do ano. E no desporto, Frederico Varandas admite que o polêmico penalti assinalado a favor do Sporting frente ao Santa Clara foi mal ajuizado pelo árbitro João Pinheiro. Declarações do presidente do Sporting depois da vitória de ontem em Guimarães, frente ao Vitória Esporte Clube. Os Leões venceram por 4-1. No final da partida, Frederico Varandas aproveitou para comentar o lance que deu o gol ao Sporting, na última eliminatória da Taça de Portugal nos Açores, para dizer que não concordou com a decisão do árbitro. Ainda assim, estranha o que descreve de escândalo nacional que se gerou à volta desta grande penalidade.

Jogo de Santa Clara, agora pra Taça de Portugal. Penalti assinalado pelo João Pinheiro. Minha opinião: não é penalti. Presidente do Sporting considera que não há penalti, e foi completamente incompreensível como é que ficam 12 minutos a querer encontrar um fora de jogo ali. Pronto, ok? O que que aconteceu? Escândalo nacional, mais ou menos. Escândalo nacional. Não se falava de outra coisa. Nada, nem política internacional, nem eleições presidenciais, nada. O escândalo nacional.

Esta foi uma decisão da arbitragem que levou até o Benfica a reagir nas redes sociais. A Sada Encarnada considera que o Sporting tem sido beneficiado esta temporada. Frederico Varandas responde, diz que agora a arbitragem é independente, ao contrário do que aconteceu noutros tempos do futebol português. São agora 7:11, Carla, que outras notícias estão em destaque? Conselho de Segurança da ONU, Rússia e China saíram em defesa da Venezuela. Os dois países juntaram-se para condenar a pressão militar e econômica dos Estados Unidos. O embaixador russo acusa mesmo Washington de estar a violar todas as normas fundamentais do direito internacional. Também a China se opôs aos Estados Unidos, que acusa de estarem a levar a cabo uma operação de intimidação. Por cá, o Ministério Público arquivou um inquérito ao deputado do CHEGA, Pedro Pessanha, depois de uma queixa por violação de uma menor. A reportagem é feita ao Observador. Esta investigação tinha sido confirmada pela Procuradoria em fevereiro, na sequência de uma denúncia feita há cerca de três anos. E faltam menos de duas horas para o Pai Natal começar a viagem pelo mundo. Já têm as bolachinhas lá em casa para receber. O leitinho. O leitinho. Leitinho e bolachinhas para o Pai Natal. Muito bem. É porque é possível acompanhar a viagem do Pai Natal na internet ao longo do dia. Há um site do Comando de Defesa Aeroespacial Norte-americano que nos vai mostrando todo o percurso. Ainda falta muito para cá, mas vão aquecendo o leitinho. Olha, vocês- Será que ele não gosta do leite frio? Se calhar, gosta.

Não digam nada à Carla.

Sim. Vocês não estão a insinuar coisas, pois não? Não, alguma vez?

Não.

Logo hoje. Era hoje que iam insinuar.

Mas para que o Pai Natal cumpra as suas funções, é importante que hoje não sofra de insuficiência renal. Ho, ho, ho. Eu prometi aos meus filhos que dizia esta piada seca, está bem?

Ainda bem que disse. Espero que eles estejam a ouvir.