Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Muito bom dia. Jornal das 7, na Rádio Observador, com Carla Jorge Carvalho. Começamos com desenvolvimentos no caso dos pagamentos indevidos em cirurgias adicionais. As equipes de dermatologia do Santa Maria vão ter de devolver mais de €800 mil ao hospital. É a conclusão da Inspeção-Geral de Atividades em Saúde.

O inquérito foi aberto pela IGAS em maio do ano passado. Surgiu na sequência de notícias que davam conta do pagamento de milhares de euros em 10 dias a apenas um médico dermatologista, Miguel Alpalhão. Concluído o inquérito, há 28 profissionais de saúde envolvidos em pagamentos indevidos. João Gama.

16 médicos, seis enfermeiros e seis assistentes, e será toda a equipe a ter de devolver o dinheiro. O Observador teve acesso à nota da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde, que dá conta desta decisão, do valor total das 511 cirurgias, mais de €818 mil foram pagos indevidamente e vão ter de regressar ao hospital. Cerca de metade desse valor vai ter de ser devolvido pelas mãos de Miguel Alpalhão, o médico que mais faturou por estas cirurgias adicionais. A IGAS conclui que esses procedimentos foram abusivamente classificados como cirurgias de ambulatório, quando, na verdade, se trataram de pequenas cirurgias. Os profissionais estarão já a ser notificados para devolverem o dinheiro. A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde destaca também outro dado: os valores pagos indevidamente foram sempre autorizados pelo Conselho de Administração do hospital entre 2021 e 2025. E durante este período de tempo, entre os membros dos conselhos de administração, inclui-se a atual ministra da Saúde, Ana Paula Martins, que liderou o Hospital de Santa Maria entre fevereiro de 2023 e janeiro de 2024.

João Gama, olhar para a nota da IGAS, que obriga 28 profissionais de saúde a devolver o dinheiro indevido ao Santa Maria. São mais de €800 mil. Em novembro do ano passado, Miguel Alpalhão foi suspenso de funções pela ULS de Santa Maria.

E hoje as alterações à lei laboral voltam a ser discutidas em concertação social. O governo já avisou que, com ou sem acordo, o projeto vai mesmo ser debatido no Parlamento.

Sendo que ainda restam muitas dúvidas sobre se vai ou não ser aprovado, uma vez que a AD precisa de conseguir uma maioria à direita com o Chega ou então a aprovação pelo PS. A lei laboral foi tema ontem no debate quinzenal com o primeiro-ministro, com Luís Montenegro, a reiterar que o governo prefere remeter o documento para a Assembleia depois de chegar a acordo na concertação social. Esse acordo parece cada vez mais longe. As duas centrais sindicais, UGT e CGTP, rejeitaram a proposta do governo, sendo que a UGT entregou ainda esta semana uma contraproposta com novas condições para aceitar o banco de horas individual e pedir o direito à jornada contínua para quem tem filhos até aos oito anos. Propostas que as confederações patronais acreditam que não têm hipótese de ser aceitas pelo executivo do Luís Montenegro. A reunião da concertação social está marcada para mais logo, às 15h.

E hoje ficamos a saber se há ou não acordo entre patrões e sindicatos, sendo que amanhã, Carla, o dia vai ser marcado por várias greves.

Várias greves e também uma manifestação nacional convocada pela CGTP contra o pacote laboral. Manifestação em Lisboa que vai terminar em frente à Assembleia da República. Sindicatos como a FENPROF entregaram pré-avisos de greve e esclarecem que o aviso abrange todo o trabalho nesse dia para professores e educadores que queiram participar na manifestação. O mesmo fez o Sindicato dos Trabalhadores de Espectáculos, do Audiovisual e dos Músicos e sindicatos que representam os trabalhadores da função pública e da administração local, também os trabalhadores da hotelaria, restauração, comércio e serviços. Já foram definidos serviços mínimos para os trabalhadores da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e de outras cidades do país.

Mudamos de tema. O homem que atirou um coquetel molotov na Marcha pela Vida é militante do PS. Foi, entretanto, suspenso pelo partido. O suspeito tem 39 anos e pode ficar hoje a conhecer medidas de coação mais gravosas.

Em comunicado, o PS revela que tomou conhecimento, através da comunicação social, de que o indivíduo suspeito é militante socialista e anuncia que o suspendeu. O PS remete a informação à Comissão Nacional de Jurisdição, com vista à instauração de um processo disciplinar, e o militante pode mesmo ser expulso do partido. O homem, identificado como Nelson V., foi inicialmente detido pela PSP pelo crime de posse de arma proibida, isto depois de atirar um coquetel molotov durante a manifestação Marcha pela Vida, em Lisboa. Saiu em liberdade, mas ficou sujeito a apresentações periódicas às autoridades. Foi, entretanto, novamente detido pela Polícia Judiciária, agora por suspeitas mais graves, nomeadamente a tentativa da prática dos crimes de infrações terroristas. Este homem, de 39 anos, foi ontem presente a tribunal. A PJ defende um agravamento das medidas de coação, mas a decisão ficou adiada para hoje.

Carla, mas que mais sabemos sobre este homem, nomeadamente a nível do percurso profissional?

Nelson V. é designer, estudou na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. Estudou também em Nova York, onde passou grande parte do percurso profissional. O jornalista do Observador, Miguel Pinheiro Correia, falou com vários colegas de Nelson, que afirmam que nunca esperavam este tipo de comportamentos, apesar das frequentes intervenções políticas.

Os colegas que trabalharam com o Nelson não mencionaram uma afiliação política, mencionavam apenas que ele tinha uma inclinação política à esquerda, e que não o escondia, ele assumia. E até alguns brincavam com isso, ele era natural do Barreiro, com a presença comunista no município. E esta questão repete-se ao longo dos vários empregos em que ele está. Dizem que mesmo que ele é muito ativista e que está nas redes sociais sempre ativo, a partilhar protestos, a partilhar manifestações, não era conhecida até há pouco nenhuma afiliação partidária.

Que afinal se ficou a conhecer, militância do Partido Socialista, aqui o jornalista Miguel Pinheiro Correia, na história do dia. Ao Observador, fonte ligada à investigação confirma que o suspeito apagou todo o conteúdo que tinha publicado na rede social X logo após ser libertado. A conta de Nelson V está neste momento inativa. Há suspeitas do envolvimento de mais pessoas no ataque durante esta manifestação Marcha pela Vida. A investigação das autoridades continua.

Esta é a notícia que faz manchete. É a história no site do Observador e a história do dia também já está disponível em podcast. Falamos agora do apagão. Está quase a fazer um ano. O grupo de trabalho criado na Assembleia da República para discutir o evento espera entregar o relatório no final deste mês e deste relatório vão sair sugestões para o governo.

A ideia é fazê-lo no dia 28 de abril, quando se completa precisamente um ano desde que Portugal continental e Espanha ficaram sem energia elétrica. A data para a entrega deste relatório é avançada à Rádio Observador pelo coordenador do grupo de trabalho, o deputado do PSD, Carlos Cação. Este grupo foi criado em julho do ano passado, investiga as causas e medidas de prevenção do corte elétrico que afetou a Península Ibérica. Desde então, fez mais de 80 audições. Sem querer revelar pré-conclusões, o coordenador do grupo elogia a postura de todos os grupos parlamentares e diz, Carlos Cação, que poderá sair daqui uma espécie de guião para o governo para futuras crises.

É um guião que pode depois, cada grupo parlamentar ter alguma iniciativa parlamentar, algumas sugestões ao governo. Há aqui, efetivamente, um empenho de todos os grupos parlamentares, de concluirmos este trabalho com sucesso, e ele vai ser conseguido, tenho a certeza absoluta. E a partir daí, também cabe a cada grupo parlamentar tomar as suas iniciativas legislativas em função das conclusões do relatório.

Do outro lado, o deputado do PS, Pedro Vaz, que propôs a criação do grupo de trabalho, espera que o governo tome em consideração as conclusões do relatório final. Ainda assim, tem dúvidas.

Espero, apesar de este governo ter uma dimensão muito grande de autossuficiência, de soberba, no que diz respeito às propostas das outras forças políticas ou mesmo até de outros stakeholders, de outras entidades da sociedade.

O deputado socialista Pedro Vaz, este ponto de situação relativo ao grupo de trabalho criado no Parlamento para debater o apagão da última ano, é o destaque no "Onde Para o Caso" desta tarde.

Um programa para ouvir logo a seguir ao jornal das 17h da tarde política. A TVI sai em defesa de Cristina Ferreira e admite avançar para os tribunais. Isto depois das declarações polêmicas da apresentadora a propósito do caso de uma violação em grupo de uma menor.

Cristina Ferreira questionou se os agressores conseguem ouvir ou entender se a vítima pedir para parar. Foi no programa da manhã da TVI, em que estava a ser abordado o caso da violação de uma adolescente de 16 anos por um grupo de influencers que filmaram os atos e partilharam as imagens no TikTok. As declarações de Cristina Ferreira geraram uma onda de críticas nas redes sociais. Em comunicado ontem à noite, a TVI fala em descontextualização e manipulação grosseira e garante que Cristina Ferreira jamais concordaria com a banalização de um crime. A estação de televisão defende que a apresentadora fez apenas uma pergunta no contexto do papel que tem no programa de televisão e afirma que os tribunais vão tratar de repor a justiça. Entretanto, ainda sobre este caso, o Movimento Democrático de Mulheres apresentou uma queixa à Comissão para a Cidadania e Igualdade de Gênero e à Entidade Reguladora para a Comunicação Social. Em comunicado, o movimento lamenta a forma como foi abordado o caso da violação de uma menor e considera que as afirmações de Cristina Ferreira introduzem ambiguidades inaceitáveis sobre o conceito de consentimento.

São agora 19h10, Carla, que outras notícias estão em destaque.

Donald Trump afirma que os líderes de Israel e do Líbano vão sentar-se à mesa das negociações hoje. O anúncio é feito pelo presidente dos Estados Unidos na True Social. Trump não dá mais detalhes sobre o que está em causa, mas o Financial Times avança que um cessar-fogo pode ser anunciado em breve. Entretanto, a Casa Branca nega os rumores de que os Estados Unidos pediram uma extensão do cessar-fogo com o Irã, que termina na próxima semana. Por cá, os deputados elegem hoje os representantes do Conselho de Estado, isto depois de sucessivos adiamentos por impasse negocial entre PSD, CHEGA e PS. A votação está marcada para esta tarde, a partir das 15h. O novo diretor nacional da Polícia Judiciária, Carlos Cabreiro, toma hoje posse. A cerimônia vai contar com a presença do primeiro-ministro e de Rita Alarcão Júdice, ministra da Justiça. Carlos Cabreiro, de 59 anos, vai substituir Luís Neves, que saiu para o cargo de ministro da Administração Interna. O Sporting está fora da Liga dos Campeões. Os Leões caíram nos quartos de final, empataram zero a zero frente ao Arsenal, na Inglaterra. Não foi suficiente para a derrota de um zero em casa na semana passada. Ainda assim, Rui Borges diz estar muito orgulhoso da prestação da equipe na Champions. Hoje é a vez de Futebol Clube do Porto e Sporting de Braga entrarem em campo para a Liga Europa. Os Dragões jogam em Inglaterra frente ao Nottingham Forest e os arsenalistas em Espanha frente ao Betis. Vamos agora falar de uma conferência de imprensa do presidente das Filipinas. Assim, insólita. Já viste?

Eu já vi.

Conta.

Não, conta tu.

Havia rumores nas Filipinas de que o presidente Ferdinand Marcos Júnior, tem 68 anos, que estava doente e incapacitado, e o presidente resolveu mostrar na prática que essas notícias eram falsas e, portanto, começou a falar aos jornalistas à porta do escritório enquanto fazia flexões, saltos e uma corridinha assim à Paulo Ferreira para contrariar os rumores sobre o estado de saúde.

E parece que conseguiu. Não se fala de outra coisa.

Mas, calma, ele não estava de fato de treino.

Não estava, não.

Não. Estava de fato formal, trabalho, sapatos de pele, e depois ainda conseguiu desafiar os jornalistas.

Fazia toda a diferença ir com o fato de treino.

Pois fazia, mas há gente que não sabe estar.

Ficou aquém. Sei lá, um cor-de-laranja, só.

Por exemplo, amarelo.

Amarelo.

Amarelo. Olha, é bom.

Canário.