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As notícias com João Gama.
Bom dia. Hoje é Dia do Trabalhador e há uma nova greve geral no horizonte. Estão agendados vários protestos de norte a sul do país, promovidos pela UGT e pela CGTP. As centrais sindicais dizem esperar milhares de pessoas nas ruas. Em Lisboa, a CGTP organiza um desfile às 14h, pouco depois, a UGT organiza um protesto no Estádio do Jamor. O Expresso noticiou esta semana que a CGTP já decidiu e vai aproveitar as comemorações do 1º de Maio para anunciar uma nova greve geral de combate à reforma da lei laboral. Entretanto, um relatório da Pordata revela hoje que Portugal é o quinto país da União Europeia com a carga horária semanal mais elevada. Os trabalhadores portugueses trabalham uma média de 39,7 horas por semana. Portugal é ultrapassado apenas pela Grécia, pela Polônia, Romênia e Bulgária. A Pordata, da Fundação Francisco Manuel dos Santos, explica que os países com maior prevalência do trabalho a tempo parcial, como os Países Baixos, a Dinamarca ou a Alemanha, registam cargas horárias significativamente mais baixas. Nos Países Baixos, trabalha-se em média 31,5 horas por semana. Portugal está também acima da média europeia em contratos de trabalho temporários. A precariedade sente-se principalmente nos mais jovens. Portugal é o quarto país com mais trabalho precário entre os jovens. A lei laboral e as críticas das centrais sindicais vão marcar o dia. O governo já dá como perdida a reforma da lei do trabalho. Só um volte face pode salvar a nova lei laboral, com ou sem acordo na concertação social. O PSD conta no Parlamento com a oposição do PS e com a imprevisibilidade do Chega. Luís Montenegro chegou a admitir, no quinzenal desta semana, que o país não acaba se não se mudar a legislação laboral. Um influente social-democrata comenta com o Observador que essa declaração foi uma espécie de atirar a toalha ao chão, e existe quem, no governo, responsabilize a ministra Maria do Rosário Palma Ramalho sobre a forma como conduziu estas negociações com os parceiros sociais. Fonte do Executivo diz ao Observador que as primeiras declarações da ministra do Trabalho sobre a reforma da lei laboral foram um profundo disparate que contaminou toda a discussão. Neste sentido, o Partido Socialista considera que o primeiro-ministro já aceitou que o país não precisa da reforma laboral e, por isso, vai dar um passo atrás. Isto depois das declarações de Luís Montenegro no quinzenal. Filipe Santos Costa, dirigente do Partido Socialista, saudou esta madrugada com alguma ironia a posição do chefe do governo.
O primeiro-ministro parece finalmente reconhecer que a reforma laboral não é uma prioridade para nenhum setor da sociedade nacional, nem para os trabalhadores, nem para os seus representantes, nem para a maioria das forças políticas representadas na Assembleia da República, nem sequer para as demais entidades que se encontram em concertação social. E, portanto, não sendo uma prioridade para o próprio primeiro-ministro, vemos naturalmente aqui um recuo, que neste caso teremos que saudar, uma vez que é um recuo salutar e que vem de encontro à posição do Partido Socialista.
Declarações de Filipe Santos Costa, dirigente do Partido Socialista, no final da reunião da Comissão Política Nacional do PS. Aconteceu e acabou já de madrugada no Largo do Rato. O próprio José Luís Carneiro aproveita o Dia do Trabalhador para pedir ao primeiro-ministro que retire a proposta de reforma da lei laboral, num artigo de opinião publicado hoje no jornal Público. O secretário-geral do PS aproveita este 1º de Maio para pedir a Montenegro, com toda a humildade democrática, que revele lucidez e coragem que o país lhe exige para retirar de cima da mesa a proposta do que diz ser a contrarreforma da lei laboral. Ainda ontem à noite, à entrada desta Comissão Política Nacional do PS, José Luís Carneiro acusava o líder do Executivo de estar desligado do mundo real.
O governo, como sempre afirmamos, chega tarde, responde mal ou responde de forma insuficiente. E pior do que isso, é o governo não mostrar sequer sensibilidade, e o primeiro-ministro não mostrar sensibilidade para compreender as dificuldades por que as pessoas estão a passar. Como digo e sublinho, quando hoje ouvi ao primeiro-ministro dizer que não era preocupante os níveis da inflação que estão a atingir as pessoas, as famílias, as empresas, os trabalhadores, é caso para dizer que, de facto, o primeiro-ministro está mesmo desligado da realidade.
As declarações de José Luís Carneiro à entrada da Comissão Política Nacional do PS, no Largo do Rato. O líder do Partido Socialista vai estar hoje ao lado da UGT nas celebrações do Dia do Trabalhador. Entretanto, a nova comissão política do PS fez ontem a sua primeira reunião pós-congresso. É o órgão mais falado nos últimos tempos, dada a recusa de Eduardo Cordeiro em fazer parte, ao contrário de outros desalinhados com a atual direção socialista, que optaram por integrar o órgão da direção, mas acabaram por faltar à estreia. A reunião acabou por não ter críticas, a não ser ao governo. Uma fonte ouvida pelo Observador explica que a reunião da comissão política foi focada no trabalho do Executivo e quando isso acontece, é porque está tudo tranquilo na vida interna do partido. São críticas ao governo, à esquerda, mas também à direita. O Chega acusa o Executivo de preparar mal o país para a subida de preço. A inflação subiu para 3,4% no mês de abril. André Ventura considera que o Executivo não soube proteger os portugueses deste cenário e volta a insistir uma medida: o IVA zero.
Não sei se o governo está a enterrar a cabeça na areia ou não, mas preparou-se mal e agora está a lidar mal com a situação. Eu acho que ontem quer o Chega, quer o Partido Socialista também, para sermos sinceros, apelaram ao governo para que aplique o IVA zero nos alimentos, nos bens essenciais, para que os bens essenciais possam descer. E eu queria voltar a apelar ao governo para que o fizesse. Nós não podemos pôr em risco as contas públicas, isto é uma evidência, mas há coisas que outros governos europeus estão a fazer e que nós também precisamos de fazer para ajudar as pessoas. É tão simples como isso.
Declarações de André Ventura ontem ao final da tarde, numa visita a Estremoz. Isto numa altura em que o governo fez uma revisão às contas de 2026, reviu em baixa as metas orçamentais para este ano, aponta agora para um saldo nulo e um crescimento económico menor. Reveu também em baixa o crescimento do PIB, que, em vez de um excedente de 0,1%, como estava previsto no Orçamento do Estado, indica agora um saldo negativo. São dados apresentados no Relatório Anual de Progresso, que o Executivo apresentou a Bruxelas, e aos quais o Observador teve acesso. O comboio de tempestades que atingiu o país, a guerra no Médio Oriente e, consequentemente, um aumento do preço do petróleo, são as principais razões para a queda destes indicadores. Mudamos de tema. O ministro dos Negócios Estrangeiros chamou o embaixador israelita, Paulo Rangel quer explicações sobre a detenção de três ativistas portugueses pró-Palestina, que seguiam na flotilha rumo à Faixa de Gaza. Os navios foram intercetados pelas autoridades israelitas. Mais de 150 ativistas vão agora desembarcar na Grécia. Paulo Rangel garante que o governo está a acompanhar esta situação.
Eles serão desembarcados na Grécia e, portanto, também já ativamos a nossa embaixada em Atenas para saber se vai verificar este desembarque e assim que ele se verifique, como é que podemos resgatar esses portugueses. Nós temos autoridades consulares em Tel Aviv e em Atenas a fazerem todas as diligências para darem a proteção consular a estes ativistas que terão sido detidos e eventualmente a outros que possam vir a ter problemas com Israel. Eu já dei instruções e já foi chamado o embaixador de Israel para dar explicações junto do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Toda a proteção diplomática está ativada.
Garantia do ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, diz que as autoridades consulares estão preparadas para acolher os portugueses na Grécia. No desporto, mais uma noite histórica para o Sporting de Braga, na Liga Europa, os minhotos venceram o Friburgo por 2 x 1. Estão cada vez mais perto da final da competição. A partida estava empatada a um bola quando já nos descontos, aos 92 minutos, Mário Dornelles deu a vitória aos arsenalistas. Com António José Seguro, Marcelo Rebelo de Sousa e Luís Montenegro na bancada a apoiar a única equipa portuguesa, neste momento, que está ainda nas competições europeias. Na reação à partida do técnico do Braga, Carlos Vinicius elogiou a postura da equipa.
A equipa nunca deixou de acreditar. Acho que tem sido uma das marcas de identidade da equipa ao longo de toda a época. No final, tivemos a recompensa do 2 x 1, que nos coloca com uma vantagem mínima para o resto desta eliminatória. Jogámos a primeira mão, restam-nos pelo menos 100 minutos de futebol na próxima semana, na Alemanha, onde o Friburgo vai certamente tentar dar a volta ao resultado.
Carlos Vinicius acredita que vai conseguir chegar à final em Istambul. A acontecer, será a segunda vez na história do Sporting de Braga, repetindo assim o feito histórico de 2011. E a fechar, ainda no futebol, Rui Borges renovou hoje contrato com o Sporting. A cerimónia de prolongamento do contrato até junho de 2028 do técnico leonino acontece hoje, ao final da manhã, no Estádio José de Alvalade. Acontece também numa altura difícil para os Leões, que já se despediram da luta pelo título, depois de uma derrota frente ao Benfica, em casa, e dois empates contra os últimos dois classificados da primeira liga. A notícia de fecho do jornal das 07:00. As notícias voltam a ser atualizadas na antena da Rádio Observador, quando forem 19h30.