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Braga, bom dia, Braga. Notícias às 7, na Rádio Observador, uma edição do jornalista Luís Soares. André Ventura mantém em aberto a moção de censura contra o governo e promete anunciar hoje a decisão final. O presidente do Chega revela que está mais perto de avançar, depois daquilo que descreve como declarações atrozes do ministro da Administração Interna.

André Ventura continua sem confirmar se avança ou não com a moção de censura, por causa das polémicas em torno de Luís Neves, mas admite estar agora mais inclinado para o fazer. O líder do Chega tinha dito que ia apresentar até ontem a decisão, mas ao final da tarde revelou que o partido ainda não chegou a uma conclusão. À noite, em entrevista à CNN Portugal, André Ventura confirmou que está inclinado para avançar mesmo com a moção de censura.

Eu, pessoalmente, estou mais tendente a avançar do que a não avançar, face a este conjunto de suspeitas que lhe referi.

O que está a dizer é: quer muito avançar, mas há algo que o deixa-

Não, está a pedir uma opinião pessoal, eu estou a dá-la aqui enquanto cidadão, enquanto líder de um partido. Tenho uma responsabilidade, eu não faço a gestão de mim próprio só. Eu lidero um partido, o segundo maior do país, com muitos milhares de militantes, com muitos deputados, com muitos dirigentes. A minha tendência é esta, face ao que está a acontecer e face às explicações absolutamente atrozes de Luís Neves durante a tarde de hoje. Porém, farei aquilo que, em nome da integridade e da decência, acho que deve ser feito.

O presidente do Chega, em entrevista à CNN Portugal, André Ventura, considera que além do partido, figuras de outras áreas políticas e também da sociedade civil apoiam a ideia de uma moção de censura ao governo de Luís Montenegro.

E neste contexto, o secretário-geral do PS pede ao primeiro-ministro que não dê razões ao Chega para inflamar ainda mais o debate.

José Luís Carneiro considera que o partido de André Ventura usa e abusa de manobras para destabilizar as instituições. O líder socialista pede, por isso, que o primeiro-ministro não dê argumentos ao Chega para não sair fragilizado desta situação.

Sabemos também que há um partido que utiliza, usa e abusa dos efeitos pirotécnicos para criar factos e para destabilizar as instituições políticas e democráticas. Mas se é verdade isso, nós não podemos dar-lhe razões para que isso possa acontecer. E, portanto, o primeiro-ministro tem uma responsabilidade que é só dele e só ele a pode exercer. Agora, não pode o primeiro-ministro também ficar, ele próprio, fragilizado na sua autoridade política.

José Luís Carneiro, em declarações à Agência Luz, à margem de um jantar com empresários portugueses e moçambicanos em Maputo. Para o líder socialista, os casos à volta de Luís Neves estão a degradar a autoridade política do Estado. O ministro da Administração Interna garantiu ontem que não se demite e reforça que está sempre disponível para o escrutínio.

Este é um assunto também em destaque a esta hora no site do Observador. O Hospital Amadora-Sintra ultrapassa esta manhã as 11h de tempo de espera para a primeira observação. A ministra da Saúde, Luísa, já avisou que nas próximas semanas a situação pode piorar.

E a região de Lisboa e Vale do Tejo tem neste momento 8h20 de tempo de espera médio nas urgências. Para doentes não urgentes, a espera aumenta para 9h, sendo que o Hospital Amadora-Sintra é o que regista mais constrangimentos. Esta manhã está com 11h30 de espera. São dados do portal oficial do SNS, que mostra ainda que há 84 doentes à espera para primeira observação. O Santa Maria, o maior hospital do país, chega quase às 7h de tempo de espera para primeira observação e o Beatriz Ângelo, em Loures, está com quase 6h. Já na margem sul do Tejo, a situação está muito complicada no Hospital do Barreiro. O portal do SNS dá conta de mais de 12h de tempo de espera esta manhã. O Garcia de Orta, em Almada, está com 6h. A ministra da Saúde avisou ontem que as próximas semanas vão ser de grande pressão nas urgências de Lisboa e Vale do Tejo, sobretudo no Hospital Amadora-Sintra.

Os juros da dívida portuguesa há 20 anos atingiram ontem máximos de quase uma década. É uma pressão que atinge os mercados de obrigações em todo o mundo.

Tudo por causa dos receios dos investidores em relação a uma subida das taxas dos bancos centrais para controlar a inflação. Ontem, os juros da dívida portuguesa subiam cerca de três pontos base para o valor mais alto desde 2017. As subidas dos juros das obrigações de outros países ainda são mais intensas, como França ou Itália. Também as taxas de dívida dos governos da zona euro estão em alta na sessão de ontem.

O governo português já está a prever um novo agravamento dos encargos com os juros da dívida pública do próximo ano.

A estimativa do Ministério das Finanças, no documento em que o governo explica como está o saldo orçamental, tanto do lado da receita como da despesa, sem novas medidas, o governo estima que os juros da dívida acrescentem mais 776 milhões € à despesa do Estado. Desde 2023, que a tendência para um baixo custo da dívida se inverteu por conta do aperto financeiro do Banco Central para controlar a escalada de inflação, que se seguiu à invasão da Ucrânia pela Rússia. Este ano, a fatura com juros deve agravar-se para os 6,3 mil milhões de euros. No ano que vem, deve ultrapassar os 7 mil milhões. Conosco em estúdio está já o Paulo Ferreira. Paulo, há razões para nos preocuparmos?

Sim, preocupante demais com o aumento dos encargos que acabaste de referir no próximo Orçamento de Estado, isto é, vamos todos, o Estado vai pagar, os nossos impostos vão pagar mais fatura de juros, previsivelmente no próximo ano. De resto, a situação que nós temos hoje é muito confortável. Temos uma dívida pública, um rácio relativamente baixo, comparando com aquilo que tínhamos há 10 ou 15 anos, na casa dos 90%. Temos uma situação orçamental equilibrada também, isto é, temos até tido excedentes nos últimos anos, o que nos deixa numa posição mais confortável. Isto é, havendo uma crise nos mercados, vamos imaginar semelhante à de 15 anos, uma crise das dívidas, nós não estamos na primeira linha dos países de quem os mercados vão atrás. Neste momento está a França, por exemplo, numa situação muito pior do que a portuguesa. Não ficamos é imunes, obviamente, às flutuações normais e globais das taxas de juro. O que está a acontecer é que perante, de facto, uma perspetiva, porque a inflação da zona euro, foram divulgados ontem os dados de agosto, 3,3%, está em alta também. Portanto, aumentam as perspetivas do BCE a voltar a subir juros e perante isso os investidores com os juros mais altos ao lado não querem obrigações do Tesouro com juros mais baixos e fazem subir também os juros das obrigações do Tesouro. Portanto, é esse movimento, mas a nossa situação é hoje muito confortável.

Alfreira, obrigado. Já vamos ouvir mais sobre a nossa carteira no Boa Moeda, Má Moeda, já a seguir a este jornal.

Os Estados Unidos lançaram novos ataques aéreos contra o Irão. Teerão respondeu com ataques contra alvos norte-americanos no Bahrain, Kuwait, Jordânia e Iraque.

O Comando Central dos Estados Unidos confirma que concluiu uma nova onda de ataques contra a Guarda Revolucionária Islâmica. De acordo com o exército norte-americano, foi uma resposta a tentativas de ataques contra navios mercantes no Estreito de Ormuz. As autoridades iranianas denunciam que pelo menos 11 pessoas morreram nestes ataques, incluindo uma criança, mais 58 pessoas ficaram feridas. Teerão confirma também que retaliou com o lançamento de mísseis contra infraestruturas norte-americanas no Golfo Pérsico. Donald Trump já tinha avisado que se o Irão respondesse contra nos ataques dos Estados Unidos, iria ser alvo de um ataque ainda maior. Esta troca de ofensivas no Médio Oriente já está a levar também a uma nova subida do preço do petróleo.

Ainda na atualidade internacional, Vladimir Putin admite que quer terminar com a guerra na Ucrânia e demonstra preferência em negociar com os Estados Unidos.

Numa conferência de imprensa, o presidente russo afirma que não quer congelar a guerra na Ucrânia e garante que pretende alcançar uma paz duradoura e absoluta. Vladimir Putin afirma que tem recebido propostas de Kiev para negociar, mas admite que não pretende falar com terroristas, mas sim com pessoas próximas de Donald Trump. Vladimir Putin garante ainda que 90% das refinarias atacadas pela Ucrânia foram reparadas e rejeitou nacionalizar a indústria petrolífera.

São temas para analisarmos no Gabinete de Guerra desta manhã, hoje com o historiador Bruno Cardoso Reis. 7 e 7, Luís, que outras notícias estão em destaque?

Os chefes da diplomacia da União Europeia reúnem-se hoje na Irlanda para discutir novas sanções à Rússia e também a situação no Médio Oriente. Portugal vai estar representado pelo ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel. O encontro serve apenas para uma troca de impressões e para avaliar o consenso que existe entre os Estados-membros nestas matérias. Por ser uma reunião informal, não poderão ser tomadas decisões oficiais. Em Espanha estão hoje previstas centenas de concentrações em apoio a Ceuta, face à crise migratória vivida desde o final de julho. As manifestações começaram a ser convocadas nas redes sociais com apelos à solidariedade para com a cidade ou contra o racismo. Os manifestantes criticam também a gestão de crise por parte do governo espanhol. O presidente chinês Xi Jinping começa hoje uma visita ao Egito, uma visita que acontece no momento em que Pequim procura reforçar os laços económicos e diplomáticos com o Cairo. Xi Jinping vai também procurar coordenar posições sobre o conflito no Médio Oriente. E 10 anos depois da morte, aí está um novo álbum.

Gosto tanto disto, do Prince. Ele era pequenino como eu. Um bocadinho mais pequeno.

Era mais pequeno. Muito mais pequeno do que tu.

Eu sou uma viga, Alfreira. Mas Prince, novo álbum, vai ter assim clássicos como este, Luís?

Não vai. Mas vai ter temas inéditos do músico norte-americano, que morreu há 10 anos. O álbum chama-se "Timeless", e daí ser um álbum sem tempo. Foi editado esta semana. São 10 gravações raras e inéditas do arquivo de Prince. Reúne gravações realizadas entre 1977 e 2016.

Que maravilha! Vai estar disponível em todas as plataformas e formatos, sim?

Todas. Tudo. Desde o vinil, digital. A Sony Music adianta que este novo álbum de Prince vai estar nas plataformas habituais, mas também os tradicionais CDs e também no vinil.

E dizem que a arca do Prince é ainda maior do que a do Fernando Pessoa.

E se calhar ainda vem por aí mais álbuns pela frente.

Sim.