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As notícias com Carlos Pedro.

Jornal das 7 na Rádio Observador. Os brasileiros vão voltar às urnas no final do mês para decidir o próximo presidente do Brasil. Flávio Bolsonaro venceu ontem a primeira volta, mas sem maioria absoluta. O candidato do Partido Liberal teve 47% dos votos e ultrapassou os números do pai, Jair Bolsonaro, em 2018. Mesmo assim, não deu para obter a vitória já ontem. No discurso pós-resultados, Flávio Bolsonaro, satisfeito, diz que precisa apenas de um mandato à frente do Brasil.

Estou muito feliz, de verdade. São quase 56 milhões de brasileiros e brasileiras que deram esse voto de confiança pra mudança. A palavra é mudança. É o fim da era do PT. Está decretado o fim da era do PT, a mudança no nosso país. O Brasil dá uma resposta definitiva de que quer um governo moderno, um governo com menos ministérios, um governo que vai resgatar a democracia. O que eu tenho pra falar é que o Lula está disputando o poder. Ele já disputou sete eleições presidenciais. Eu só preciso de um mandato.

O apelo de Flávio Bolsonaro. Do outro lado, Lula da Silva ficou com 45% dos votos e, por isso, o segundo lugar nesta primeira volta. Conhecidos os resultados, o candidato do Partido dos Trabalhadores confessa que ficou surpreendido.

Eu gostaria de ter ganho as eleições no primeiro turno, mas não é a primeira vez que eu penso nisso. Não deu certo. Sabe por que não deu certo? Porque o povo gosta que eu dispute o segundo turno. Eu sou muito bom no mata-mata. Vinte e oito milhões de pessoas que não votaram. Nós vamos fazer um apelo para que as pessoas saibam que nesse momento histórico do Brasil, o voto é necessário pra gente definir o futuro desse país. Os bolsonaristas se preparem, porque nós vamos derrotá-los.

Lula da Silva mostra-se, ainda assim, confiante na vitória na segunda volta. As reações dos dois candidatos que saltam para esse segundo turno, já marcado para o dia 25 deste mês de outubro. Os brasileiros vão voltar às urnas. Mantém-se, entretanto, a tendência que dura desde 2002, de o presidente do Brasil ser decidido na segunda volta de umas eleições presidenciais. E atenção que nunca um candidato presidencial vencedor da primeira volta perdeu no segundo turno. Vamos à análise dos discursos com o jornalista do Observador, José Carlos Duarte, sobre as declarações de Bolsonaro. O jornalista internacional do Observador diz que o argumento de que Lula está há demasiado tempo no poder, está, de facto, a colar junto do eleitorado indeciso.

Eu acho que não é propriamente a saturação com Lula da Silva, mas eu acho que é um argumento bastante bem elaborado. Ou seja, Flávio acena com a mudança, acena com a diferença e coloca o legado e a história do Lula da Silva aqui em causa. E ele pode estar a querer mobilizar estes eleitores mais indecisos, este eleitorado que não gosta particularmente dele, do Flávio, mas também que não gosta de Lula da Silva.

Quanto ao discurso de Lula da Silva, José Carlos Duarte deixa questões quanto às reais possibilidades de o candidato do PT dar a volta ao cenário no final deste mês.

Não sei até que ponto é realista esta sua proposta. Ele disse que já perdeu na primeira volta e depois ganhou na segunda, mas isso nas eleições presidenciais nunca aconteceu na história do Brasil. Ou seja, o que aconteceu foram outras eleições em que ele fez isso, mas nas presidenciais, o candidato que ganha a primeira volta, ganha a segunda. Portanto, ele tem que correr um pouco contra a história e vai ser muito complicado para o candidato do PT. Lula não está na melhor posição pra corrida da segunda volta. Acho que Flávio Bolsonaro está claramente à frente.

Análise do jornalista do Observador, José Carlos Duarte, ao desfecho deste primeiro turno das eleições presidenciais no Brasil. Flávio Bolsonaro e Lula da Silva seguem para uma segunda volta. O filho do antigo presidente de direita do Brasil venceu quatro dos cinco maiores colégios eleitorais do país. Já Lula venceu entre os brasileiros que votaram no estrangeiro. Hugo Fortunato de Oliveira.

O mapa eleitoral do Brasil está fechado e mostra um país dividido entre Lula e Flávio Bolsonaro. Dos 26 estados brasileiros, Lula vence em 12, Flávio Bolsonaro conquista 15. No confronto direto, Bolsonaro filho leva a melhor. Além dos 15 estados, vence também no Distrito Federal. Dos cinco maiores colégios eleitorais, Flávio Bolsonaro fica com quatro: São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná. A exceção é a Bahia, onde Lula vence. Em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, que Flávio Bolsonaro tem uma das principais vitórias. Tarcísio de Freitas, apoiado pela família Bolsonaro, consegue a reeleição para governador logo à primeira volta, frente a Haddad, do PT. No Paraná, Sérgio Moro é eleito governador. O antigo juiz da Operação Lava Jato, que condenou Lula em primeira instância, chega agora ao governo de um Estado federal. E em Brasília, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro é eleita senadora. Fora do Brasil, o cenário muda de figura. Lula consegue 48% dos votos do círculo eleitoral do exterior, contra 44% de Flávio Bolsonaro. Por cá, em Portugal, Lula vence em Lisboa e no Porto, enquanto Flávio Bolsonaro fica em primeiro em Faro.

O jornalista Hugo Fortunato de Oliveira, com o resumo dos principais resultados desta primeira volta das eleições gerais no Brasil. Vamos mudar de tema neste jornal, vamos falar de futebol. Quatro em quatro pra seleção nacional sob o comando de Jorge Jesus. Portugal voltou ontem a vencer a Noruega por 2 x 1 e consegue, assim, o melhor arranque de sempre na Liga das Nações. A seleção está também com o apuramento garantido pros quartos de final da competição. A Noruega ontem ainda começou a vencer com grande gol de Håland aos 36 minutos, mas dois minutos depois, também com grande remate, João Cancelo empatou tudo. Na segunda parte, Gonçalo Ramos fechou o resultado e chegou ao terceiro gol em três jogos. Após o apito final, Jesus estava feliz, mas também surpreendido.

E hoje ganhámos sem fazer o jogo como fizemos com a Dinamarca, mas o importante era ganhar, era o apuramento e neste momento já estamos apurados, já carimbamos o apuramento. Quatro jogos, quatro vitórias. É um percurso Se calhar, eu quando comecei não pensava que era capaz de ter quatro jogos, quatro vitórias, independentemente de acreditar muito nesta equipa. Agora há que esperar pelos últimos dois jogos na próxima convocatória.

Portugal soma agora 12 pontos no grupo A4, mas o primeiro lugar ainda não está garantido. É a terceira vez, de resto, em cinco edições, que Portugal passa aos quartos de final da Liga das Nações. Nas duas edições anteriores, venceu a prova. Após o jogo, o foco voltou-se imediatamente para o tema incontornável do momento, o caso Ronaldo. Jorge Jesus e Pedro Proença falaram da polêmica para dizer que Ronaldo tem carta branca para voltar à seleção. João Lourenço.

Na cidade que Rui Veloso imortalizou com "Porto Sentido", o pedido emocionado para o regresso de uma lenda.

Porque foi assim que falamos os dois. Eu disse: "Eu preciso de ti. A minha primeira convocatória, eu preciso de ti, preciso que tu estejas ao pé de mim, jogando ou não jogando, eu preciso de ti". E agora digo a mesma coisa.

Ao quinto dia de novela, o selecionador nacional abriu o jogo. Diz que várias pessoas envolveram-se no assunto, que não era caso, mas realça que a carreira de Ronaldo na equipa das Quinas não pode terminar assim.

Disse que ele não podia acabar de jogar na seleção, no Campeonato do Mundo, a perder e a chorar.

De treinador a jogadores, Nuno Mendes acolhe Ronaldo de braços abertos.

Como é óbvio, se o Cris voltar, estamos aqui para o receber de braços abertos.

Depois de um longo silêncio, Pedro Proença falou sobre a polêmica. Afirma que o país deve fazer uma vénia ao legado do capitão.

Cristiano Ronaldo hoje representa o símbolo maior da portugalidade. Portanto, nós temos que prestar a vénia ao Cristiano Ronaldo.

Um mal-entendido que se vai resolver dentro de casa, sem causar qualquer precedente dentro da equipa.

Tudo o que vai acontecer nos próximos dias serão momentos de tranquilidade, de conversa, de discussão. Portanto, aquilo que queremos é que em novembro possamos estar todos novamente com a nossa seleção.

O líder federativo e o selecionador nacional deixam uma assistência de gol para o regresso do Ronaldo. O camisola sete não tem todo o tempo do mundo, pois os trabalhos da seleção A estão de volta no início do próximo mês.

O jornalista João Lourenço com mais um capítulo da novela Cristiano Ronaldo. Ontem, Jorge Jesus e Pedro Proença falaram sobre o tema. Na reação às palavras do presidente da Federação Portuguesa de Futebol, o comentador de desporto da Rádio Observador, Filipe Coelho, diz que há coisas que ficam por explicar.

Não percebo que mensagem é que Pedro Proença quer fazer passar com este tipo de passagem de pano em relação à atitude do Cristiano Ronaldo, porque é o que Pedro Proença acaba de fazer e a pergunta da jornalista é obviamente pertinente. A partir daqui, todo e qualquer jogador pode decidir fazer o que bem entender. Sabemos que não é assim.

Há algo de muito complicado aqui.

Sabemos que não é assim, porque o estatuto do Cristiano Ronaldo parece estar para durar e está para durar porque há quem legitime este tipo de comportamento e não deveria ser o presidente da Federação Portuguesa de Futebol, bem pelo contrário, a fazê-lo. Portanto, em suma, diria que é uma declaração absolutamente lamentável de Pedro Proença.

Já Luís Pinto Coelho estende as críticas à estratégia da própria federação.

Acho que se está a pôr o lado desportivo em segundo lugar. O futebol de alta competição é rendimento. É isto que eu não consigo perceber. E o Ronaldo, neste momento, se calhar, não tem rendimento. Isso parece-me óbvio para ser titular da seleção e para ir para o banco, vai ser para criar problemas, porque já se percebeu qual é o cenário que vamos ter outra vez. Vai para o banco e depois como é? Não aquece, porque se aquece mais de 10 minutos ou 15, fica chateado e se não entra. Ninguém gere uma equipa desta forma. Isto parece-me surreal.

As reações às palavras de Pedro Proença sobre a polêmica que envolve Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus, reações dos comentadores de desporto da Rádio Observador, Filipe Coelho e Luís Pinto Coelho. A próxima paragem FIFA acontece agora no próximo mês de novembro. Portugal joga dia 14 com a Dinamarca no Estádio Municipal de Braga, a contar para a penúltima jornada desta fase de grupos da Liga das Nações. Falar ainda neste jornal de 5 de outubro das cerimônias da implantação da República em Portugal. O presidente António Guterres discursou hoje pela primeira vez para assinalar esta data. O discurso acontece na Praça do Município, em Lisboa. A intervenção será antecedida pela do autarca Carlos Moedas. Antes destes discursos, será ainda hasteada a bandeira portuguesa na varanda do Salão Nobre dos Passos do Conselho, ao som do Hino Nacional. Esta sessão solene tem arranque previsto para às 10h30 da manhã e vai contar também com a presença do presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar Branco. Celebram-se os 116 anos da implantação da República Portuguesa. Fica por aqui e fecha assim este jornal das 19h00 na Rádio Observador.