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Jornal das sete, uma edição da jornalista Carla Jorge Carvalho. Houve um volte-face na manifestação de ontem no Porto pela habitação. A organização do protesto ordenou a desmobilização imediata das pessoas que se encontravam na Praça Dom João I, alegando falta de condições de segurança.

E, por isso, a maioria dos manifestantes que estava na rua por volta das duas da manhã acabou por sair da praça e regressar a casa. Os organizadores do protesto alertaram as autoridades para a presença de pessoas infiltradas com facas, com o propósito de causarem distúrbios entre os manifestantes. A intenção da organização destes protestos era uma nova noite passada na rua. Isso acabou por não acontecer. O jornalista do Observador, Miguel Pinheiro Correia, esteve ontem a acompanhar a manifestação pela habitação no Porto, uma manifestação que passou pela escadaria da Câmara Municipal e terminou novamente na Praça Dom João I.

À sexta noite de protestos e depois do que foi até hoje a maior mobilização deste movimento, a praça, que de tarde se encheu de milhares de manifestantes, está agora praticamente vazia. Foi uma verdadeira montanha-russa aquilo que aconteceu hoje na Praça Dom João I, mas não só. Já de manhã se sentiam aqui os ânimos exaltados depois da carga policial da última noite. As palavras do primeiro-ministro e também do presidente da Câmara não terão contribuído para um apaziguar dos ânimos, e isso foi visível no início dos protestos. Havia muitos cartazes dirigidos a um novo alvo, claro, Pedro Duarte, o autarca do Porto. Depois de uma mobilização incomparável com a das últimas noites, a praça encheu tanto que transbordou. E sem que se esperasse, os manifestantes invadiram as ruas do Porto com a polícia a olhar atentamente, mas a verdade é que foram os próprios manifestantes que cortaram o trânsito num pequeno, pequeníssimo percurso até à Avenida dos Aliados. Ainda subiram as rampas de acesso à Câmara, mas, nestes momentos de maior tensão, a caminhada acabou por terminar pouco depois, com o regresso à praça, onde havia uma decisão a tomar e essa decisão foi tomada em assembleia popular: iriam voltar a dormir na praça, mas desta vez sem tendas. Era esta a decisão, até que um pequeno episódio condenou esta intenção, porque a certa altura, perto da meia-noite, uma pessoa foi assistida pelo INEM depois de um desacato e a partir daí começaram a surgir insinuações por parte dos manifestantes de que haveria pessoas infiltradas e armadas com facas com o objetivo de causar distúrbios. Estas preocupações foram partilhadas com a PSP, mas ao que o Observador conseguiu apurar junto de fonte policial, a polícia revistou sim duas pessoas, mas não apreendeu armas. A verdade é que, mesmo assim, as suspeitas já estavam lançadas e a decisão de dormir já tinha sido revertida e, por isso, agora esta praça, que ainda há pouco estava completamente cheia, com milhares de manifestantes, está agora vazia. Restam poucas dezenas de pessoas, mas muito longe desses milhares que chegaram a encher a praça naquele que foi o maior protesto dos últimos dias.

É o relato do jornalista Miguel Pinheiro Correia, que acompanhou o protesto de ontem à noite na Praça Dom João I, no Porto, com a decisão depois de regressarem a casa, os manifestantes acabaram por não acampar no centro da cidade.

E apesar da noite não ter sido de protestos na rua, a contestação à atuação da polícia já levou à apresentação de várias queixas e há também uma petição a correr que pede a demissão de Pedro Duarte.

A quem se atribui a responsabilidade política pela forma como a situação foi conduzida. A petição tem seis exigências, logo à cabeça, a demissão do autarca, mas também o pedido de esclarecimentos públicos sobre a atuação da Câmara, o apuramento rigoroso e independente dos acontecimentos, o respeito pela manifestação pacífica e uma resposta concreta à crise da habitação. Esta petição é dirigida ao próprio Pedro Duarte, à Assembleia Municipal do Porto, e há cerca de meia hora reunia mais de 3300 assinaturas. Também a Amnistia Internacional vem pedir uma investigação à atuação da polícia contra os manifestantes que estavam acampados. Em comunicado, a Amnistia mostra-se preocupada com o que considera ser o uso de força excessiva.

Rui Rio defende entendimentos do PSD ao centro e não à direita. E por isso discorda das mais recentes declarações de Pedro Passos Coelho, que sugeriu que o país fosse governado por uma frente da AD com o Chega e a iniciativa liberal.

As palavras do antigo primeiro-ministro ainda fazem eco dentro da própria família política, isto quase uma semana depois da entrevista que deu à SIC Notícias ontem. Em declarações à RTP, o ex-presidente social-democrata Rui Rio abordou a ideia de Passos Coelho para o país, de um país governado à direita, ideia da qual Rui Rio discorda.

Pessoalmente, não defendo, está completamente fora da minha lógica e do meu espaço ideológico. Muita gente do PSD não irá votar nessa coligação, mas se metade dos 30% que o PSD representa votar, já são 23, mais 15, mais qualquer coisa da IL, dá efetivamente para ganhar eleições. Agora, a minha solução não era essa.

Rui Rio diz que os entendimentos do PSD devem ser feitos ao centro e que muito eleitorado social-democrata não seria favorável a uma coligação à direita. No entanto, e apesar de não ser a favor de entendimentos com o Chega, Rui Rio defende que não deve haver linhas vermelhas com o partido de André Ventura.

A linha vermelha criou ao Chega, ao André Ventura e ao Chega, um espaço brutal de intervenção. Ou seja, ele diz assim: "Os descontentes todos que não queiram votar no que está, têm que votar em mim, porque aquilo é tudo igual, estão todos para o lado da linha vermelha". Criamos o espaço para ele crescer. Sabe como é que o Chega foi criado? O Chega foi criado dentro do PSD com um movimento que era: Chega de Rui Rio

Rui Rio, ontem à noite, em entrevista à RTP, o ex-presidente do PSD deixa ainda alertas para a execução do Orçamento do Estado. O social-democrata diz que é necessário baixar a dívida pública.

O preço dos combustíveis deve voltar a mexer na próxima semana, com o preço do barril do petróleo a negociar acima dos US$100 há mais de um mês. O Conselho Europeu está reunido com a questão energética em cima da mesa, mas, Carla, sem qualquer solução à vista.

Nada. Apesar dos apelos de líderes como o primeiro-ministro português, não foram ontem anunciadas, nem sequer sinalizadas medidas de curto prazo para fazer face ao elevado preço da energia. O especialista em assuntos europeus, Paulo Santos, está agora em direto neste jornal. Bom dia, Paulo. Obrigada por estar conosco. Ontem os trabalhos mudaram rapidamente para o orçamento plurianual, também sem acordo, e hoje o Conselho recebe o presidente ucraniano. Será que vamos conseguir ter medidas concretas a sair desta cimeira em Bruxelas?

Bom, é uma cimeira cujo primeiro dia, que foi ontem, foi na melhor das hipóteses, preocupante, na pior, pior do que preocupante. Ou seja, não correu de facto bem. E não correu bem porque uma boa parte do Conselho acabou por ser passada a discutir justamente uma questão relacionada com a energia, o sistema de comércio de emissões, onde houve dois blocos muito marcados, enfim, uma grande divisão interna e que demorou muitas horas. E ao demorar muitas horas, também sem grande solução, a discussão sobre o orçamento para sete anos, que é uma discussão quase existencial para a União Europeia, uma questão decisiva, também acabou por não ter progresso nenhum e, portanto, nesse aspecto, a situação é preocupante e hoje vão-se discutir outras coisas.

É claro, com a presença de Volodymyr Zelensky hoje no Conselho. Há uma questão, Paulo Santos. As imagens de manifestações de rua que estamos a ver, um pouco por todos os países europeus, agora também já em Portugal, pode e está a influenciar a forma como os líderes estão a discutir estes assuntos?

Sem dúvida. Este é um conselho. A Europa vive momentos destes há muitos anos, muito difíceis, mas estes são dos mais difíceis, porque há uma guerra em curso e há ameaças de guerra e da sua extensão, há relações transatlânticas em crise, uma crise económica e com o custo de vida a apertar cada um dos líderes europeus. Depois estas ameaças crescentes e, nalguns casos, já instalados de nacionalismo, chamado nacionalismo identitário, extrema-direita, chamem-lhe o que quiserem. E esta questão do orçamento, eu volto a insistir nisto só apenas por isso, é de facto uma luta contra o tempo. E é uma luta contra o tempo porque é um orçamento para sete anos, que depois baliza cada um dos anos o orçamento anual e que deverá entrar em vigor em 2028. O problema é que com as eleições para o ano, em particular em França, e Macron já avisou que a partir de janeiro não poderá aprovar esse orçamento plurianual, a Europa corre o risco de deixar nas mãos dos eleitos no ano que vem, em particular em França, a decisão sobre este orçamento. E portanto, os líderes estão muito pressionados pela crise, estão muito pressionados pelas suas opiniões públicas, e aparentemente as divisões da Europa estão a vir ao de cima, não digo mais do que nunca, porque sempre foi um pouco assim, mas de forma muito clara.

Muito clara e com o tal calendário eleitoral, que também torna tudo ainda mais intenso. Paulo Santos, muito obrigada pela análise. Um bom fim de semana para hoje. Como dizíamos, no último dia do Conselho Europeu, está prevista a visita de Volodymyr Zelensky, o apoio militar e financeiro europeu à Ucrânia e também o reforço da pressão sobre a Rússia vão estar na agenda deste dia.

No desporto, o Benfica goleou ontem o Celtic por 4 x 1 e soma já duas vitórias em dois jogos na fase regular da Liga Europa.

Depois do triunfo em Itália frente ao AC Milan de Rúben Amorim, fora de portas, ontem o Benfica venceu os escoceses do Celtic Glasgow no Estádio da Luz. O treinador encarnado, Marco Silva, diz que marcar cedo foi fundamental para o triunfo ontem à noite.

Uma vitória totalmente justa da nossa equipa. Uma excelente entrada no jogo, com um golo cedo, que ajuda sempre, mas tem sido algo que tem acontecido com alguma regularidade para nós quando jogamos em casa, mesmo alguns jogos fora também, reflete aquilo que tem sido a nossa capacidade que nós temos demonstrado quando entramos em campo e a forma positiva e a querer dominar desde o primeiro momento. E se pudermos marcar cedo, ainda melhor. Foi um pouco o espelho da entrada novamente no jogo e uma primeira parte de muito bom nível.

O técnico Marco Silva em conferência de imprensa depois da vitória do Benfica ontem frente ao Celtic, ainda na Liga Europa. Sorte diferente teve o Torriense, que chegou a estar a ganhar aos ingleses do Sunderland, mas acabou a perder por 2 x 1. Na Liga Conferência, o Sporting de Braga também saiu derrotado da Dinamarca. Derrota por 1 x 0 diante do Copenhagen.

São agora 19h10, Carla, que outras notícias marcam a atualidade?

A Câmara Municipal de Lisboa vai avançar com a suspensão do sistema de trotinetes partilhadas até o final do ano. O anúncio foi feito pelo autarca Carlos Moedas, através de um vídeo nas redes sociais. A decisão é justificada com problemas de segurança e com a ocupação dos espaços públicos. A medida vai ter ainda de ser aprovada em reunião de Câmara. O Ministro da Educação garante que as novas orientações sobre a utilização da inteligência artificial nas escolas não são regras vinculativas. A participar na Conferência Mundial sobre o Desenvolvimento do Ensino, na China, Fernando Alexandre diz que o governo privilegia uma abordagem pedagógica que permita acompanhar a evolução da tecnologia e também dos alunos que a utilizam. E João, não sei se sabes, se estás a par, hoje é o Dia Mundial da Alimentação. Para nós é sempre.

É sempre, com imensos cuidados.

Com imensos cuidados e também com algum prazer.

Sempre.

Há uma novidade, há uma nova aplicação que permite agora reunir aquilo que se pode classificar como as receitas da avó.

Comidinha tão boa da avó.

Puré de batata, franguinho.

O prato típico, o bife com ovo estrelado e batatas fritas, ninguém faz como a minha avózinha.

A sério?

Sim, aquilo era maravilhoso.

Mas agora, sem pelos todos certos, como é que se chama essa aplicação?

É exatamente isso. Porque esta aplicação vai fazer com que esse bife da avó possa ser perpetuado por mais. Chama-se em inglês, Family Food Heritage. O nome é inglês, mas é portuguesa, foi desenvolvida pela Universidade de Coimbra e permite isso mesmo, reunir aquelas receitas, mas também as fotografias, as memórias, os documentos, as pessoas e os lugares associados à história alimentar de cada família.

Vai sempre faltar aquele, o toque.

Pois vai.

É bem giro isto.

É uma ótima iniciativa.