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Jorge Carvalho. Jornal das 8, na Rádio Observador, com a Carla Jorge Carvalho. Carla, começamos com esta notícia: há dois meses da tomada de posse de Donald Trump, Joe Biden dá luz verde à Ucrânia para a utilização de mísseis de longo alcance em território russo.

Isto quando a guerra está a fazer mil dias. A imprensa norte-americana avança que Joe Biden vai permitir ao governo ucraniano utilizar armas de longo alcance. Estamos a falar de mísseis que podem atingir alvos a 300 quilômetros. A Casa Branca terá tomado este passo quando estamos quase na tomada de posse de Trump, será 20 de janeiro do próximo ano, e isto pode mudar tudo neste conflito. Mas Miguel Gato, vamos começar por fazer um ponto de situação no terreno.

A Rússia tem estado a fazer avanços no campo de batalha para alcançar um dos principais objetivos de Vladimir Putin, o controle do Donbass, sendo que a província de Kharkiv continua também a ser palco de intensos combates. A Ucrânia tem resistido e mantido o controle de alguns territórios na região de Kursk, mas continua a pedir mais apoios e armas internacionais aos aliados, sendo que um dos pedidos foi ontem atendido. Joe Biden terá autorizado a Ucrânia a utilizar mísseis de longo alcance em território russo antes de passar a pasta a Donald Trump.

E como é que os especialistas estão a avaliar este avanço da guerra? Quem é que está em vantagem, Miguel?

Julian Waller, professor do Departamento de Ciência Política na Universidade George Washington, diz ao Observador que continuam a assistir-se progressos russos, embora os ganhos sejam, neste momento, relativamente lentos e fragmentados. O especialista em política russa assinala que Moscou está a obter ganhos em vários pontos e que está a pressionar as forças ucranianas, que se mantêm, neste momento, na defensiva. E Viktor Kovalenko, antigo jornalista e analista na área da defesa, diz também ao Observador que a situação está num impasse e sustenta que o conflito não pode durar muito mais dias, nem meses, dado que a Rússia e a Ucrânia falharam e nenhum pode alcançar uma vitória decisiva.

Sendo que com Trump na Casa Branca, tudo pode mudar.

Em breve podem iniciar-se mesmo negociações entre Moscovo e Kiev com a mediação norte-americana. O Kremlin intensificou a ofensiva este fim de semana, como aliás se viu com o ataque massivo contra estruturas energéticas. Com dificuldades no campo de batalha, a Ucrânia mantém a esperança de terminar esta guerra sem ceder territórios à Rússia. Um cenário, Carla, que parece cada vez mais difícil.

Miguel Gato, ao olhar para a situação de guerra na Ucrânia, a imprensa norte-americana noticiou ontem que o presidente dos Estados Unidos autorizou Kiev a utilizar armas de longo alcance para ataques limitados dentro da Rússia. É uma informação até agora não confirmada nem pela Casa Branca, nem pelo Pentágono.

E nem por Kiev. Volodymyr Zelensky não confirma essa luz verde de Joe Biden para a utilização de armas de longo alcance norte-americanas.

Mas foi este o principal tema do habitual discurso que o presidente ucraniano faz nas redes sociais. Zelensky não confirma o apoio, mas diz que os mísseis vão falar por si.

Hoje está a falar-se muito nos meios de comunicação social sobre o fato de termos recebido autorização para as ações com mísseis, mas os ataques não se levam a cabo com palavras. Essas coisas não são anunciadas. Os mísseis falarão por si próprios. Certamente falarão. Glória à Ucrânia.

Volodymyr Zelensky, o presidente da Ucrânia. Já o Kremlin avisa que a utilização de armas de longo alcance pode trazer consequências para a guerra. A diplomacia russa remete para as declarações de Vladimir Putin de setembro. Na altura, o presidente russo avisava o Ocidente de que ataques com mísseis de longo alcance mudaria a essência e a natureza do conflito.

Os ucranianos em Portugal elogiam a decisão de Joe Biden, mas acreditam que peca por tardia.

Ouvimos esta manhã o presidente da associação, que representa os ucranianos a viver em Portugal, Pavlo Sadoka, satisfeito com a possibilidade de Kiev ter esta autorização. No entanto, diz que é algo que deveria ter acontecido logo desde o início do conflito.

Eu acho que os ucranianos já esperaram esta decisão logo do início desta guerra, porque aqueles avisos do Putin e de outros políticos importantes na Rússia que não fazer escalada, não tinha nenhum sentido. A escalada foi logo do início do primeiro dia de avanço das tropas russas e território, primeiros foguetes, mísseis caídos nas cidades da Ucrânia. Portanto, acho que é boa decisão.

Uma boa decisão, diz o presidente da Associação dos Ucranianos em Portugal, em declarações esta manhã à Rádio Observador.

Na atualidade nacional, Luís Marques Mendes acredita que o lugar da Ministra da Saúde pode estar em risco. O antigo presidente do PSD fala de uma tragédia política a prazo.

Que pode acontecer daqui a poucos meses. O governo tem remetido qualquer decisão sobre demissões para os resultados dos inquéritos que estão em curso, às mortes que estão a ser ligadas à greve do INEM. Ontem à noite, no espaço de comentário Na Sic, Marques Mendes fala de um caso que está a causar sério desgaste ao governo de Luís Montenegro.

Evidentemente, corre um seríssimo risco de ser uma ministra a prazo. Ela própria o reconheceu. Por quê? Basta que os inquéritos que estão a ser feitos na Inspeção da Saúde e na Procuradoria-Geral da República venham a concluir que houve alguma culpa ou que houve alguma responsabilidade, ou que há um nexo de causalidade entre a greve e uma fatalidade, e a ministra tem que se demitir.

Luís Marques Mendes deixa também críticas ao presidente do INEM. Diz que a resposta às greves dos técnicos de emergência pré-hospitalar revelou amadorismo em toda a estrutura do Ministério da Saúde.

Já vamos ao desporto com três toques. Antes disso, Carla Jorge Carvalho, que outras notícias estão a marcar a atualidade?

Está interrompida a circulação na linha verde do metrô de Lisboa, entre as estações Baixa-Chiado e Cais do Sodré, em causa uma avaria na sinalização. O Metropolitano de Lisboa diz que ainda não é possível prever por quanto tempo a circulação vai continuar interrompida nestas duas estações. Luís Montenegro intervém hoje na Cimeira do G20, no Rio de Janeiro, em cima da mesa a discussão sobre a reforma das instituições internacionais, a transição energética e também uma aliança contra a fome. As reuniões no Rio de Janeiro vão ser presididas por Lula da Silva, vão estar representados mais de 50 países, mas há também um grande ausente, Vladimir Putin. A Rússia, no entanto, vai estar representada por Sergey Lavrov. E com o apuramento já garantido para a Liga das Nações, Portugal enfrenta hoje a Croácia, quando forem 19h45. Roberto Martínez dispensou Cristiano Ronaldo, Pedro Neto, Bruno Fernandes e Bernardo Silva, depois da goleada de sexta-feira frente à Polônia e, por isso, são esperadas mudanças no 11 inicial da seleção.