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Oito horas. Jornal das 8, na Rádio Observador. A edição é do José Rafael Lopes e hoje é Dia do Trabalhador. A UGT vai assinalar a data com uma concentração no Jamor, mas primeiro, José, vamos olhar para o debate decisivo entre AD e PS.
Com choque total entre Luís Montenegro e Pedro Nuno Santos, ambos os líderes estiveram em desacordo em praticamente todos os temas, no debate mais longo desta pré-campanha. Quer Luís Montenegro, quer Pedro Nuno Santos prometem estabilidade na próxima legislatura. Ainda assim, não garantem a viabilização do orçamento de Estado do partido vencedor. Luís Montenegro afirma que vai continuar a governar com os iguais princípios de estabilidade, fugindo à pergunta sobre o que fará caso a AD fique em segundo lugar. Luís Montenegro diz que o governo caiu por tática política.
Apesar da instabilidade da posição, por exemplo, do Partido Socialista e do seu líder sobre o orçamento do Estado, nós nunca desistimos do diálogo político, de nos aproximarmos, de cedermos e de podermos ultrapassar até aquelas que eram consideradas linhas vermelhas, a bem da estabilidade do país. Nós somos um garante de estabilidade. Nós garantimos a estabilidade econômica, nós garantimos a estabilidade financeira, nós garantimos a estabilidade social com 19 acordos na função pública. Nós garantimos, por exemplo, que este debate hoje começou sem que houvesse uma manifestação lá fora. Nós garantimos também a estabilidade política naquilo que é essencial. O governo não caiu por falta de estabilidade, o governo caiu por tática política.
Pedro Nuno Santos contesta as palavras do líder da AD, diz que ao menor aperto, o primeiro-ministro atirou o país para eleições. O secretário-geral do PS afirma que o compromisso é com os portugueses e não revela se vai ou não viabilizar o orçamento de Estado caso a AD ganhe as eleições.
Nós estamos a trabalhar todos os dias com humildade para dialogar com os portugueses, apresentar as nossas propostas, conseguir a confiança dos portugueses para vencer as eleições. É nesse cenário que nós estamos focados e aquilo que faremos é todos os esforços para dialogar e criar as condições de governabilidade necessárias para nós termos um governo que representa uma mudança segura, com competência, experiência e as soluções certas.
Pedro Nuno Santos remata a dizer que o fator de instabilidade política é exatamente Luís Montenegro. Neste debate em que o desacordo foi constante, falou-se ainda de saúde, falou-se de economia, de pensões e de habitação. Neste jornal, junta-se a nós em direto Inês Sousa Real, porta-voz do PAN, para analisar este debate entre Pedro Nuno Santos e Luís Montenegro. Inês Sousa Real, obrigado por ter aceitado este nosso convite. Bom dia. Começo por perguntar-lhe quem, no seu entender, saiu por cima deste frente a frente.
Antes de mais, muito bom dia, obrigada pelo convite e pela oportunidade de comentarmos este debate, que é um debate muito relevante para o futuro dos portugueses. Não nos parece que tenha saído algum dos dois por cima deste debate. Pelo contrário, ficou claro que ambos foram responsáveis pela irresponsabilidade e pela instabilidade de irmos novamente para eleições, até mesmo na incapacidade não só de convergirem ou de apontarem para aquilo que possa ser as soluções do futuro para o país. Foi um debate muito focado no passado, muito focado naquilo que foram os problemas das empresas e também da falta de alguma forma de organização do primeiro-ministro em ter arrumado a sua vida privada e empresarial antes de assumir funções como primeiro-ministro. Também de alguma forma, Pedro Nuno Santos espelhou essa desorganização e essa irresponsabilidade também naquilo que foi sua própria vida profissional e não souberam fugir desse tema para falarmos até de outros grandes desafios. Mesmo quando falaram do Pagão, mais uma vez, ficamos a olhar para o passado e ficamos ali numa situação quase de curto-circuito, ao invés de olhar para aquilo que tem que ser a capacidade de resposta do país, como é que nós vamos garantir uma autonomia, por exemplo, uma soberania energética para o país e que soluções é que Portugal pode pensar para ser mais resiliente do ponto de vista das respostas em relação a estes grandes desafios. E de alguma forma, parece-me que perderam ambos uma oportunidade para, de uma forma mais clara, esclarecer os portugueses qual é que é a sua visão de futuro e como é que vamos garantir que num contexto tão repartido na Assembleia da República, vamos trabalhar em conjunto as várias forças políticas para que o país não fique refém desta instabilidade. E há uma questão aqui que eu não posso deixar de facto passar: é que falar em tática política para o facto de irmos novamente para eleições é um pouco até descaramento, quando sabemos que foi o primeiro-ministro que insistiu na moção de confiança, que não quis retirar a moção de confiança e, por outro lado, quando foi também Pedro Nuno Santos que não aceitou sentar-se com o primeiro-ministro. E isto, de facto, foi pôr os interesses político-partidários dos grandes partidos mais uma vez à frente dos interesses dos portugueses. E, portanto, parece-me que ambos estiveram um pouco mal neste debate, nesse sentido, e não souberam, de facto, estar à altura daquilo que é a responsabilidade e do que os portugueses querem. E é por isso que as pessoas estão cansadas e estão fartas de grandes partidos que tudo prometem em tempos de campanha eleitoral, mas depois quando estão na governação, não diferem tanto assim um do outro.
O PAN e a Inês Sousa Real dizem que o partido não se coloca nem à esquerda, nem à direita. Tem sido uma ideia que tem defendido nestes debates e também neste período de pré-campanha. Tendo em conta o que ouviu, quer de Pedro Nuno Santos, quer de Luís Montenegro, no debate de ontem, para que lado é que pende agora a balança do PAN? Mais para a esquerda ou mais para a direita?
Nós continuamos a pender para o lado daquilo que é o país e os interesses do país. O PAN tem colocado as causas ao centro da vida política E até num contexto tão instável como o que o país tem vivido, temos conseguido ser um garante também de estabilidade, no sentido em que pela segunda legislatura consecutiva, tem sido precisamente o PAN, o partido da oposição, que mais medidas tem aprovado. E quando ontem ouvimos falar nos passes sociais, nas pensões, na descida do IRS, eu recordo que foi precisamente pela mão do PAN que nós conseguimos que os passes sociais estejam a ser financiados pela taxa de carbono que é aplicada à aviação, ou até mesmo que os estudantes tenham os passes sociais gratuitos, precisamente porque o PAN propôs isso naquilo que foi o debate do Orçamento de Estado. Ou a revisão dos escalões de IRS à taxa da inflação, foi precisamente o PAN que procurou garantir que essa revisão fosse feita. E portanto, ouvir estes grandes partidos chamarem até a si conquistas que foram conquistas do Parlamento e de outras forças políticas como o PAN, de facto, só denota a sua grande incapacidade, muitas das vezes, perante aquilo que é a sua visão ou que é aquilo que são os seus interesses político-partidários, depois dialogarem como o PAN tem feito. E aquilo que o PAN não se irá admitir é, de facto, seja qual for a solução governativa que saia após o dia 18 de maio, de garantir que a agenda política é uma agenda diferente e distinta, caso conte com aquilo que possa ser a viabilização do PAN, do que seria sem o contributo do PAN, porque tem sido absolutamente fundamental para chamar temas que ontem ficaram inclusivamente fora do debate, como foi a violência doméstica, o combate às alterações climáticas, a adaptação do território àquilo que são os efeitos das alterações climáticas, como sendo, por exemplo, as cheias, os grandes incêndios ou até mesmo outros fenómenos climáticos extremos, ou ainda a proteção animal, que são temas que ficaram completamente à margem deste debate.
Muito obrigado, Inês de Sousa Real, porta-voz do PAN, aqui a olhar para o debate entre Luís Montenegro e Pedro Nuno Santos, com alguns dos destaques do ponto de vista do PAN sobre este embate decisivo.
E a Rádio Observador tem uma programação especial ao longo desta manhã para olhar para o rescaldo deste frente a frente entre AD e PS. Vamos ouvir os representantes de todos os partidos ao longo desta manhã. E Zé, hoje é dia 1 de maio, é Dia do Trabalhador. A UGT vai assinalar esta data com uma concentração no Jamor, em Oeiras.
Já a CGTP promete um dia de intervenção com iniciativas em todos os distritos. O secretário-geral, Tiago Oliveira, diz que o objetivo é fazer do 1º de maio um dia de luta, de intervenção e de denúncia na rua, com todos os trabalhadores que procuram resposta aos problemas. São esperados milhares de trabalhadores reunidos nas ruas para reivindicar direitos e melhores condições, já de olhos postos nas eleições legislativas de 18 de maio. O secretário-geral da UGT sublinha que o atual contexto político e social, interno e externo, não altera o rumo traçado no que diz respeito às questões de diálogo e de concertação social. As comemorações no Jamor arrancam às 10h.
Mudamos de tema e agora para olhar para a saúde. A partir de hoje, os hospitais só podem fechar urgências externas com autorização da direção executiva do SNS.
A medida faz parte do plano para a resposta sazonal na saúde. Entrou hoje em vigor, vai durar até 30 de setembro. O objetivo é reforçar a resposta do SNS numa época caracterizada por um aumento da procura dos serviços de saúde, além da limitação no fecho de urgências. Neste plano, constam ainda medidas como a comunicação diária por parte das ULS da taxa de ocupação de camas, bem como a afluência aos serviços de urgência. Vai ainda ser reforçada a articulação entre as ULS, os serviços partilhados do Ministério da Saúde e o INEM, de modo a garantir uma resposta integrada e eficiente, quer para as urgências, quer para casos de emergência.
Oito horas, nove minutos, Zé. Olhamos ainda para outras notícias que estão em destaque a esta hora.
A Ucrânia e os Estados Unidos assinaram o acordo sobre minerais depois de muitas negociações. O anúncio foi feito num comunicado pelo secretário para o Tesouro dos Estados Unidos. No comunicado norte-americano, lê-se que o acordo, que prevê um fundo de investimento para a reconstrução da Ucrânia, mostra à Rússia que a administração de Trump está empenhada na liberdade do país. Ainda assim, este acordo assinado entre Washington e Kiev não inclui garantias explícitas de assistência militar por parte dos Estados Unidos a Kiev. Kamala Harris reapareceu na política norte-americana com um discurso em que apelou aos norte-americanos que se juntem e lutem contra Donald Trump. A ex-candidata presidencial, que perdeu a corrida para a Casa Branca precisamente com Donald Trump, discursou em São Francisco na celebração dos 20 anos de uma organização sem fins lucrativos. Kamala Harris diz que é preciso coragem para combater o medo que se tem instalado nos Estados Unidos, com elogios a quem tem falado contra as medidas mais controversas instauradas por Donald Trump desde que regressou à Casa Branca. E arranca hoje o Festival Internacional de Cinema Indie Lisboa. Vai passar por várias salas de cinema da capital com quase 240 filmes. A sessão de abertura decorre no Cinema São Jorge, com a comédia do absurdo "Un long anniversaire", do realizador canadiano Matthew Rankin. O festival dura até dia 11 de maio. Conta com uma forte presença do cinema português.
É uma ótima sugestão para os próximos dias e fica por aqui o Jornal das 8. A edição é do José Rafael Lopes.