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Jornal das 8 com Carla Jorge Carvalho. A Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, uma das principais visadas na Operação Iminente, garante que a investigação em curso visa mandatos anteriores e recusa qualquer responsabilidade do atual Executivo.

Foi através de um comunicado no Facebook, publicado hoje, que a freguesia reagiu à investigação que visa o poder autárquico do Partido Socialista. A freguesia de Santa Maria Maior garante que não está em causa a conduta ou práticas do atual Executivo, liderado pela socialista Maria João Correia, mas sim do anterior presidente, Miguel Coelho, também socialista, um dos principais suspeitos nesta operação. A Junta escreve que cabe agora à Justiça o apuramento dos factos e das responsabilidades, frisando que o atual Executivo terá sempre uma posição de absoluta abertura e cooperação com as autoridades.

Como dissemos, Carla, Miguel Coelho é um dos suspeitos nesta operação, mas há mais pessoas envolvidas.

Sim, foram constituídos 37 arguidos e detidas cinco pessoas durante o dia de ontem, sendo que Filipa Laborinho, ex-vereadora socialista de Oeiras, foi libertada ao final da tarde. Ela que tinha sido detida por posse de arma proibida. Há, portanto, neste momento, quatro detidos e vários nomes fortes do Partido Socialista, suspeitos nesta operação. Laura Figueiredo.

Entre eles, Miguel Coelho e Duarte Mural, dois veteranos do Partido Socialista, ainda que tenham seguido por caminhos muito diferentes. Duarte Mural, ex-jornalista, assessor histórico de António Costa, recuperado recentemente por José Luís Carneiro para o núcleo duro do Largo do Rato, e Miguel Coelho, autarca de longa data em Santa Maria Maior, histórico do PS Lisboa, que foi durante anos um dos homens fortes da concelhia da capital e também um elemento importante no apoio a Carneiro no PS. No caso de Duarte Mural, o foco está nos contratos por ajuste directo. No caso de Miguel Coelho, centra-se na forma como exerceu o poder autárquico e também sobre decisões de contratação tomadas no cargo.

Laura, nas buscas realizadas ontem, foram envolvidos centenas de agentes.

Ao que apurou o Observador, os elementos da PJ que estiveram na sede do PS levaram pen drives e documentação do departamento financeiro do partido. As buscas no Largo do Rato terminaram por volta das 16h. Incidiram também no gabinete onde trabalha um dos detidos, Duarte Mural, sala que divide com os outros assessores. Este gabinete está no mesmo piso do de José Luís Carneiro, mas os inspetores da PJ e o procurador do Ministério Público não entraram no gabinete do líder socialista.

Laura, vamos perceber um pouco melhor o que o Ministério Público procurava.

No centro da investigação está a forma como os dirigentes e militantes do PS terão, alegadamente, manipulado as regras dos contratos públicos para a prestação de serviços, de forma a beneficiarem outros socialistas. Em causa estarão cerca de € 2 milhões de fundos públicos e crimes diversificados, como a participação econômica em negócio, peculato, abuso de poder, mas também ilícitos criminais, como burla qualificada e fraude fiscal qualificada.

Laura Figueiredo, com os detalhes da Operação Iminente, que ontem fez buscas na sede nacional do PS e também em várias juntas de freguesia do partido. Entretanto, devem ser hoje presentes a tribunal os detidos no âmbito desta Operação Iminente.

O Procurador-Geral da República nega qualquer motivação política nesta operação do Ministério Público. Rui Rocha, da Iniciativa Liberal, perguntou diretamente ao Procurador-Geral se o momento político e as sondagens favoráveis ao Partido Socialista podiam explicar a operação. Na Comissão Parlamentar de Direitos, Liberdades e Garantias, Amadeu Guerra recusou taticismos da Procuradoria-Geral da República.

Se há timings políticos, eu nunca tive timings políticos, nunca. Agora, eu lembro-me do tempo da Comissão de Proteção de Dados, em que uma vez dei uma deliberação sobre a utilização de dados em campanhas eleitorais e por acaso, o processo acabou uns dias antes da campanha eleitoral e nós demos a decisão à mesma. Penso que não teve influência absolutamente nenhuma, mas também nós não somos taticistas. Eu o que vos queria pedir e às pessoas, é que estejam tranquilas. Nós não temos situação, absolutamente nenhuma, de timings políticos.

O Procurador-Geral da República a garantir que não liga a sondagens nem a timings políticos. Em sentido contrário, o socialista e antigo ministro João Soares escreveu no Facebook que esta operação não cheira nada bem e parece ter claramente uma orientação política. Já o primeiro-ministro Luís Montenegro diz que a operação acontece porque as instituições estão a funcionar bem.

A única coisa que é importante registar é que as instituições estão a funcionar e, portanto, temos que aguardar o seu trabalho. E, naturalmente, ter um país e uma democracia cada vez mais transparentes e imunes à prevaricação e à irregularidade.

Luís Montenegro, em declarações em Ansião, no distrito de Leiria, à entrada para uma ação de campanha sobre as eleições diretas do PSD.

O primeiro-ministro que anunciou também ontem que o governo aprova hoje, em Conselho de Ministros, a Prestação Social Única.

É uma medida que pretende juntar debaixo das mesmas condições de acesso 13 prestações sociais, incluindo o Rendimento Social de Inserção. Uma dessas condições será a obrigatoriedade de pôr os beneficiários a realizar trabalho social, sem ainda ser conhecido a que tipo de trabalho social se refere o governo. De acordo com o semanário Expresso, que cita fonte do Executivo, esta obrigatoriedade não se aplica a pensionistas nem a crianças. Sobre esta Prestação Social Única, Luís Montenegro diz desde já que vai dar o que falar, enviando recados à oposição.

Vamos aprovar no Conselho de Ministros a Prestação Social Única. Já vai darQue falar nas próximas semanas, como deram nas semanas anteriores, todas as decisões que tomamos. Nós estamos a decidir, estamos a cumprir a nossa obrigação. Assim as forças com representação parlamentar também tenham esse espírito e se sujeitem àquilo que nós nos vamos sujeitar, que é no fim do mandato apresentamos e julguem-nos. Se acharem que estamos mal, mandam-nos para casa. Se acharem que estamos bem, reforçam a nossa posição e valorizam o trabalho que estamos a fazer conjuntamente. A democracia é isto. E devo aqui dizer uma coisa aos partidos da oposição, em particular aos mais representativos, eles também estão sob avaliação.

Luís Montenegro a falar para os partidos da oposição e a anunciar uma medida que há de ser hoje aprovada em Conselho de Ministros e que já estava inscrita no plano de recuperação e resiliência, ainda na altura do governo de António Costa. Estão apenas concretizadas 40% das medidas do plano de emergência e transformação da saúde. O grupo de acompanhamento criado pelo Ministério da Saúde não reúne há um ano. Esta foi uma das iniciativas estruturantes na área da saúde, prometida pelo governo da AD. O plano de emergência e transformação da saúde foi apresentado em maio de 2024, logo no início do primeiro executivo liderado por Luís Montenegro. 24 meses depois, Martim Madeira, estão ainda 21 de 53 medidas por concretizar.

Sendo que 13 delas são consideradas urgentes e, por isso, deveriam ter sido implementadas durante o ano de 2024, segundo o calendário definido pelo próprio governo. Entre as medidas prioritárias estão, por exemplo, o reforço da proposta de médicos da família em parceria com os setores sociais e privados, a criação de linha de atendimento para utentes que necessitem de acesso a médico no dia, a libertação de camas indevidamente ocupadas nos hospitais ou ainda a atribuição de incentivos financeiros para aumentar a capacidade de realização de partos. A execução do plano de emergência do governo para a saúde pode ser acompanhada no site do Serviço Nacional de Saúde.

E Martim, há dois anos, o governo criou também um grupo de acompanhamento para seguir a implementação destas medidas, mas esta estrutura não se reúne com a ministra da Saúde há mais de um ano.

É o que adianta ao Observador o coordenador deste grupo, o pneumologista Carlos Robalo Cordeiro, que acusa a tutela de inércia por não fornecer dados ao grupo de trabalho desde abril de 2025. O último relatório produzido pelo grupo de trabalho foi precisamente nesse mês. Segundo o coordenador do grupo de acompanhamento, o Ministério de Saúde não substituiu o responsável que tinha a pasta do plano de emergência, o médico Pedro Melo Lopes, que foi adjunto da ministra da Saúde até maio do ano passado. Há um ano que não existe qualquer interlocutor no governo com quem o grupo de acompanhamento deste plano de emergência possa reunir.

E o que é que dizem as várias associações do setor da saúde?

Criticam a própria implementação das medidas no terreno. Por exemplo, a Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares lamenta que haja medidas importantes que ainda não foram implementadas e outras que foram, mas não tiveram o impacto esperado. Destaca o caso de recuperação das listas de esperas cirúrgicas. A Ordem dos Médicos indica que o SNS está pior do que há dois anos, apesar da implementação deste plano de emergência para a saúde. A Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar lamenta que o plano do governo não tenha incidido sobre o principal problema na saúde em Portugal, neste caso, a falta de médicos.

Martim Madeira, com o plano de emergência para a saúde do governo, que viu até o momento apenas 40% das medidas serem concretizadas. O Observador questionou o Ministério da Saúde sobre a falta de articulação com o grupo de trabalho e perguntando também como avalia a implementação do plano de emergência até agora, mas não obteve resposta. Este é um artigo que está em destaque a esta hora no site do Observador. O aeroporto de Lisboa vai ser reforçado a partir de hoje com agentes da PSP e com mais postos de controle de documentos para agilizar a passagem de fronteiras. O anúncio foi feito pelo Ministério da Administração Interna e isto na sequência das demoras que se têm registado há várias semanas no controle de passageiros. O Aeroporto Humberto Delgado vai ser reforçado com 48 polícias, vai também passar a ter 34 postos de controle de documentos nas chegadas e 18 nas partidas. Já na fronteira automática, o aeroporto passa a ter 31 portas eletrónicas nas chegadas e 18 nas partidas. O Ministério da Administração Interna explica ainda que durante os meses de junho e de julho está ainda previsto o reforço da capacidade de controle de fronteiras nos aeroportos de Faro e do Porto. São agora 08h11. Carla, antes dos Momentos de Glória, que outras notícias há a destacar? Úrsula von der Leyen entende que Moscovo passou os limites depois de um drone russo ter colidido com um prédio na Roménia esta noite. A reação da presidenta da Comissão Europeia surgiu há instantes, através de uma publicação na rede social X. Além de assumir um reforço da segurança nas fronteiras do leste, Úrsula von der Leyen promete também aumentar a pressão a Moscovo com mais sanções. Também no X, a porta-voz da NATO afirma que o secretário-geral Mark Rutte está em contacto com as autoridades da Roménia, país que faz parte da Aliança Atlântica. Este acidente fez dois feridos. Depois de ter vencido a Taça de Portugal, o Torriense falhou o acesso à Primeira Liga. A equipa de Torres Vedras perdeu ontem à noite frente ao Casa Pia por 2x0. Era a segunda mão do playoff de acesso à primeira divisão. Quer isto dizer que o Torriense vai jogar na Segunda Liga na próxima temporada, com jogos de Liga Europa durante a semana e, por isso, vai ser a primeira equipa portuguesa de sempre a jogar ao mesmo tempo a segunda divisão e competições europeias. E hoje estreia "O Escândalo que Destruiu a Seleção". É um podcast especial do Observador que recorda as polémicas que envolveram a equipa portuguesa no Campeonato Mundial de Futebol de 1986. Durante quatro episódios, vamos reconstituir o caso Saltinho, onde tudo correu mal, desde ameaças de greve, guerras de comunicados, mulheres e álcool. Com tudo, a Seleção Nacional regressava finalmente a um campeonato do mundo, depois do mundial de 66, e o apuramento tinha sido épico.Na segunda parte, Portugal mantém segurança na defesa, apesar das constantes investidas germânicas. Até que ao minuto 54.

Aquele pontapé fantástico do Carlos Manuel. Com um pontapé sortudo, aquilo a que chamaria um treinador um chouriço do Carlos Manuel.

Ainda estou a ver o golo do Carlos Manuel. Começa com a bola quase no nosso meio-campo, vai por ali fora e a cerca de 30 metros faz um pontapé fortíssimo.

É aquilo chamado o golo do meio da rua.

Os jornalistas David Borges, Ribeiro Cristóvão e Gabriel Alves descrevem um dos maiores momentos da seleção nacional. E o herói de Estugarda ainda hoje fala de um momento épico, como recordou no programa Bola Branca da Rádio Renascença.

O futebol é milésimos de segundo, é o espaço que tu vês. Não estou a pensar ali, vou para cima e quando vou para cima estou a pensar: vou mesmo para cima dele. Não, aquilo é normal. Vou direito a ele e acabou. Agora vamos ver o que é que isto dá. Chegou ali, deu-me aquele espaço para eu pensar e driblá-lo. Arrisquei.

A equipa sente que é possível e resiste até ao fim. Álvaro Magalhães, que não sai do banco de suplentes, diz que foi um momento divino.

Deus estava com a seleção portuguesa e acabamos por ganhar.

Resultado final: Alemanha zero, Portugal um. Augusto Inácio sente a euforia logo no relvado.

E nós conseguimos aguentar até que o árbitro apita e ganhámos um a zero. Ficamos incrédulos, todos contentes. Mas como é que aconteceu isto? Ganhámos da Alemanha um a zero e fomos para o Mundial.

Depois de 20 anos de ausência em Mundiais, Portugal vence a Alemanha e garante um passaporte para a competição que se iria jogar no México. Isto promete. Pois é, porque aqui falámos da festa do apuramento com o jogo em Estugarda, até à preparação para Saltillo. Estavam lá todos os sinais de mal-estar e é o que vamos recordar no primeiro episódio, um passaporte envenenado. Do escândalo que destruiu a seleção. Estreia hoje às 15h, depois do jornal das 15h. Tem guião do Miguel Cordeiro, sonoplastia do Rafael Pego. É narrado por ti, Carla. E hoje no Explicador, tu e o Miguel Cordeiro vão juntar-se ao Augusto Inácio, que esteve lá, que viveu tudo bem de perto, em primeira pessoa. É depois das 19h o Explicador.