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Oito horas. Pedro Passos Coelho não exclui voltar a candidatar-se à liderança do PSD. O antigo primeiro-ministro diz que regressar à política ativa não é o cenário ideal, mas admite que pode vir a fazê-lo se Luís Montenegro falhar na governação do país.
É o principal destaque da entrevista que Passos Coelho deu ontem à noite à SIC Notícias. O ex-primeiro-ministro abordou vários temas, incluindo o que tem gerado mais especulação, se pretende ou não voltar à política ativa num futuro próximo. Passos Coelho diz que, para já, não é candidato a nada, mas admite um regresso ao cargo que ocupou entre 2011 e 2015, se o país precisar.
Se eu tivesse de equacionar uma possibilidade dessas, isso teria de corresponder a uma situação em que o PSD, visivelmente, não tivesse a possibilidade de entregar um resultado satisfatório face àquilo que o país precisa, e de eu achar que eu o poderia fazer. E se isso vier a acontecer, eu ponderarei e tomarei uma iniciativa, se for caso disso. Não é uma coisa confortável para alguém que já foi primeiro-ministro e que está muito fora da atividade partidária. Não é uma ideia muito confortável a ideia de regressar.
Ainda assim, Passos Coelho admite esse regresso. Assume-se como protocandidato a primeiro-ministro, caso o PSD não mude de rumo. O antigo governante volta também a criticar a falta de reformismo da AD e acusa o atual governo de gerir o país apenas a pensar no dia a dia, como, diz, fazia António Costa.
O doutor António Costa esteve quatro anos no seu primeiro governo, depois de ter conseguido um entendimento com o Partido Comunista e com o Bloco de Esquerda, esteve quatro anos a governar e a gerir o dia a dia. Conseguiu, com a ajuda do Presidente da República, que depois de um orçamento de Estado que não foi viabilizado no Parlamento, ter as eleições, e nessas eleições ganhou a maioria absoluta. É muito difícil a gente convencer as pessoas hoje no PSD a não seguirem este caminho, porque as pessoas acham que foi isso que foi premiado. Foi empurrar com a barriga, não querer enfrentar os problemas sérios.
Acredita mesmo no que está a dizer?
Com certeza. As pessoas acham que é assim que se chega lá.
As pessoas? Quais pessoas?
As pessoas que estão no governo, valha-me Deus, porque se não forem as pessoas que estão no governo, então quem há de ser?
O ex-primeiro-ministro insiste que o não é não ao Chega foi um erro de Luís Montenegro. Passos Coelho defende um acordo parlamentar à direita para reformar o país.
Eu acho que o PSD tinha a obrigação de explorar essa possibilidade. Não estou a dizer que seria uma possibilidade fácil, porque talvez não fosse fácil um entendimento parlamentar entre o PSD e o CDS, o Chega e a Iniciativa Liberal. Não vou dizer que fosse fácil, mas era importante tentá-lo.
Era uma coisa que faria o doutor Passos Coelho.
Era importante tentá-lo. Repare, a gente sabe que os governos, para poderem transformar alguma coisa de importante, precisam de apoio. Precisam de apoio no país, dos eleitores, e precisam de apoio-
No Parlamento.
Do Parlamento, evidentemente. É muito difícil mudar as coisas sem ter estabilidade e sem ter força política.
São os destaques da entrevista de Pedro Passos Coelho ontem na SIC Notícias. O antigo primeiro-ministro deixa elogios a André Ventura, diz que é um político com poder de iniciativa notável. Diz que nunca quis ser presidente da República. Considera que António José Seguro tem sido muito cauteloso desde que está em Belém.
A entrevista de Pedro Passos Coelho é o tema do Explicador de hoje, para ouvir logo a seguir ao Jornal das Nove. Depois do anúncio do acordo entre Estados Unidos e Rússia para o fornecimento de diesel, os preços do petróleo já estão a mudar. No entanto, Carla, a descida está a ser muito ligeira.
Muito. O preço do barril de petróleo Brent, referência para o mercado europeu, caiu pouco mais de um dólar para cerca de 103 dólares por barril. Já o preço do petróleo dos Estados Unidos desceu um pouco mais. Esta madrugada negociava pelos 90 dólares o barril. São valores que refletem as declarações contraditórias de Donald Trump e Volodymyr Zelensky durante este fim de semana. Um fim de semana marcado por muita tensão, Miguel Pina-Andrade.
Tudo começou quando os Estados Unidos anunciaram o acordo com a Rússia. Segundo Donald Trump, Moscovo passa a fornecer, de forma imediata, 300 mil toneladas de diesel aos Estados Unidos e também aos mercados internacionais, com o objetivo de reduzir o preço dos combustíveis. O presidente da Ucrânia não perdeu tempo a reagir. Zelensky classifica o anúncio do acordo como uma notícia terrível, injusta e desonesta. Declarações que levaram depois a uma nova reação de Trump, que diz que Zelensky não tem feito o suficiente para pôr fim à guerra com a Rússia e põe em causa a continuidade do presidente da Ucrânia a liderar o país.
Miguel, as críticas de Trump surgem depois dos ataques ucranianos a refinarias russas e estão, sobretudo, relacionadas com o efeito que estão a ter no preço dos combustíveis.
E é precisamente essa a linha vermelha que o presidente norte-americano estabelece no conflito, com avisos reforçados que Kiev pode atacar o que quiser, desde que não atinja refinarias. Trump vai até mais longe. Ontem anunciou na rede social Truth um cessar-fogo com efeitos imediatos entre a Rússia e a Ucrânia sobre infraestruturas energéticas. Ainda assim, aparentemente, nem todas as partes estavam a par deste entendimento. Volodymyr Zelensky diz mesmo que o acordo era uma novidade, mas deixa a ressalva que aceitaria um cessar-fogo energético, isto se os russos também o aceitassem.
Só que poucas horas depois disso, a possibilidade de um cessar-fogo foi desmentida, lá está, por um ataque russo.
Sim, ataques esses que foram denunciados tanto por Zelensky, mas também pelo presidente francês, Emmanuel Macron. Ontem à noite houve uma nova escalada de tensão. O Financial Times diz que Donald Trump estará a ameaçar a Ucrânia com o fim do fornecimento de armas, tudo por causa dos ataques que Kiev continua a fazer a refinarias russas.
Miguel Pina-Andrade, com o filme de um fim de semana tenso entre Donald Trump e Volodymyr Zelensky. Neste clima de tensão, os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia preparam-se para aprovar hoje o maior pacote de sanções de sempre contra a Rússia. Vai visar cerca de 1600 pessoas e entidades do complexo militar e industrial russo. A reunião está marcada para esta manhã no Luxemburgo. Entretanto, esta madrugada, há registo de um novo ataque russo na região de Kharkiv, que provocou, pelo menos, três mortes e 25 feridos.
São agora 08h06, Carla, antes dos Momentos de Glória, que outras notícias marcam esta manhã?
A Confederação dos Agricultores de Portugal vai concentrar-se hoje em frente ao Parlamento. O objetivo é entregar ao presidente da Assembleia da República e aos grupos parlamentares do PSD, Chega, PS, Iniciativa Liberal e CDS, uma carta a exigir uma verba de compensação ao setor no valor de 140 milhões de euros. A concentração está marcada para às 11h. A delegação da CAP segue depois para a residência oficial do primeiro-ministro. O mês passado foi o segundo setembro mais quente desde que há registro. Os dados são do Serviço de Alterações Climáticas Copernicus. Setembro ficou marcado por temperaturas globais mais altas, 1,63 graus acima do nível pré-industrial. O relatório conhecido hoje destaca o tempo quente e seco que se viveu em toda a Europa no último mês, sobretudo em partes da Europa Ocidental.