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Jornal das nove. Está no ar o Jornal das Nove com Carla Jorge de Carvalho. Carla, em entrevista à Rádio Observador, Venâncio Mondlane critica o presidente da República Portuguesa, que considera que Marcelo Rebelo de Sousa devia ter uma posição mais moderada em relação a Moçambique.

O ex-candidato presidencial e principal opositor em Moçambique, passou os últimos dias em Portugal, foi recebido pelo PSD, CHEGA, Iniciativa Liberal e CDS. Deixou também apalavrado um encontro virtual com o Ministro dos Negócios Estrangeiros. Esteve também recentemente na Alemanha, onde também foi recebido por vários partidos políticos. A entrevista à Rádio Observador, Venâncio Mondlane diz que só faltou uma audiência com Marcelo Rebelo de Sousa, de quem conta não teve resposta.

Eu fiquei muito admirado, porque ele recebeu o presidente Daniel Chapo, e não só recebeu, mas também fez pronunciamentos muito encomiásticos em relação a ele, que me parece que, conhecendo a situação em que Moçambique se encontra hoje, ele devia ter tido uma posição mais de equilíbrio, uma posição mais de moderação, mais de um pai, pela idade que ele tem e pelas relações telúricas que ele tem com Moçambique. Eu acho que ele devia ter mostrado uma posição de mais equilíbrio, mais integradora.

Mais pai, mas não paternalista, não é?

Sim, digo pai no sentido biológico, familiar ou, pelo menos, no sentido etário.

Venâncio Mondlane, entrevista à Rádio Observador, numa altura em que se prepara para voltar a Moçambique. O ex-candidato às presidenciais de 9 de outubro vai viajar domingo para Maputo. Tem a informação de que há mandato de captura para o deter assim que chegar, mas garante que não tem medo e até diz que a detenção pode ser algo positivo.

Eu volto a Moçambique e estarei disponível. Se for pra ser preso, não há problema nenhum. Eu acho que até vai ser um grande favor. Dulce, a coisa mais difícil, mais trabalhosa, mais extenuante, é acordar todos os dias e pensar: qual é a estratégia, o que fazer, como responder. Isto é terrivelmente pesado, é extenuante. Agora, a partir do momento que eles me deterem, esse trabalho terá facilitado porque vai ser uma espécie de bypass. Há muitas etapas que nós vamos ultrapassar com pouco esforço, estando detido. Portanto, vai ser um grande favor pra mim e pra revolução.

Venâncio Mondlane, o rosto da contestação em Moçambique, que organizou protestos de rua no final do ano passado, depois da FRELIMO ter sido indicada como a vencedora das eleições presidenciais. Mondlane falou em fraude eleitoral, teve de fugir de Moçambique, mas garante que vai continuar a lutar pela verdade, porque, acrescenta, a revolução não morreu. As manifestações terminaram muitas vezes em violência, causaram entre 400 a 600 mortes.

Esta é uma entrevista conduzida pela editora executiva do Observador, Dulce Neto, que faz manchete a esta hora no site do Observador e que pode ouvir na íntegra nas plataformas podcast. E o diretor do serviço de oftalmologia do Hospital de Braga demitiu-se depois de terem sido descobertos contratos milionários com uma empresa privada. Em causa pode estar um conflito de interesses.

Isto porque a empresa Iberofthal é detida em 30% por este médico, Fernando Vaz, em causa uma investigação realizada pela TVI e CNN Portugal. Estes negócios, Miguel Gato, duram há já 15 anos.

Começaram quando a unidade de saúde ainda funcionava em regime de parceria público-privada. Desde 2010, o Hospital de Braga pagou dezenas de milhões de euros em consultas, cirurgias e injeções à empresa Iberofthal. E só desde 2019, ano em que esta ULS de Braga passou para o domínio 100% público, foram feitos contratos no valor de mais de 27 milhões, muitos deles por ajuste direto. A administração hospitalar indica que, atualmente, ainda estão previstos contratos para os próximos dois anos, 2026 e 2027, que foram realizados com base num concurso público em que a Iberofthal era candidata única. A nova direção do Hospital de Braga, que tomou posse há poucos meses, admite não ter havido qualquer análise desta situação nos últimos anos. Assume que só agora está a ser feita uma avaliação interna do caso.

Mas, Miguel, as irregularidades de Fernando Vaz no Hospital de Braga não ficam por aqui.

Não, o médico acumulou a função de diretor de serviço de oftalmologia da ULS Braga com o cargo de coordenador de oftalmologia no instituto e no hospital da CUF, no Porto, algo que contraria a lei para os médicos que exercem direções de serviço no SNS. Um dia depois dos contactos feitos pela TVI e CNN Portugal com o Hospital de Braga sobre este caso de alegado conflito de interesses e também acerca desta acumulação de cargos no público e no privado, Fernando Vaz acabou por apresentar a demissão, que foi aceita pela administração hospitalar.

Miguel Gato a explicar esta nova polêmica na saúde, depois dos casos das cirurgias adicionais no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, onde médicos cirurgiões faturavam milhares de euros em operações feitas fora do horário normal de trabalho.

E o secretário-geral do PS acusa o governo de usar percepções e dados falsos quando fala sobre imigração.

José Luís Carneiro considera que há falta de estratégia no Executivo, sobretudo ao nível da imigração. Em entrevista à CNN de Portugal, o líder socialista fala num país mergulhado num apagão, desta vez, um apagão político.

Se o governo está de boa-fé, se a AD está de boa-fé, por que não esperou pelos pareceres daqueles que depois têm a responsabilidade de administrar a lei? Por uma razão, porque a AD, do meu ponto de vista, tem falhado. Tem falhado nos números, nos dados, porque é com base no falseamento de dados Que vamos ter o tempo, vamos ter a oportunidade para demonstrar que tem estado a trabalhar nas perceções.

A polémica em torno das demolições de habitações ilegais em Loures também foi tema nesta entrevista. Carneiro já saiu em defesa de Ricardo Leão, o autarca socialista de Loures. O líder do PS volta a sublinhar que estas intervenções devem ser feitas com humanismo. Entretanto, em comunicado, a Câmara de Loures pede uma reunião urgente ao primeiro-ministro. A autarquia diz que quer encontrar soluções com o governo para resolver o problema da habitação e da ocupação ilegal de terrenos.

Já a seguir vamos ter explicador sobre o Estado da Nação, com o debate entre representantes do PSD, Chega e PS. Mas primeiro, Carla, que outras notícias estão em destaque a esta hora?

O presidente da CIP elogia a descida do IRC, anunciada ontem pelo primeiro-ministro, em declarações à Agência Lusa. Armindo Monteiro fala numa medida extremamente positiva. No debate do Estado da Nação, o governo anunciou também a criação de um suplemento extraordinário para as pensões e o apoio à deslocação para todos os professores, sendo que esta proposta era do Bloco de Esquerda. As medidas vão ser aprovadas hoje em Conselho de Ministros, uma reunião que deve estar quase a começar. Ainda na política, a aplicação de esquerda para a Câmara de Lisboa é hoje formalizada. O acordo junta PS, Livre, Bloco de Esquerda e PAN. Esta frente é liderada por Alexandra Leitão. O PCP fica de fora, tem uma lista própria liderada por João Ferreira. A União Europeia aprovou um dos maiores pacotes de sanções contra a Rússia. É assim que este pacote é descrito pela alta representante para os negócios estrangeiros e política de segurança, Kaja Kallas, nas redes sociais. Estas sanções vão limitar o acesso de bancos russos a financiamento e pretende banir os gasodutos. Kaja Kallas acrescenta que a indústria militar russa vai ser mais pressionada, assim como as instituições financeiras chinesas que permitem escapar às sanções aplicadas até hoje.