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E começamos este jornal com as mais recentes atualizações no caso da Operação Emergente. A Junta de Santa Maria Maior recusa qualquer responsabilidade do atual Executivo. Diz que a investigação visa mandatos anteriores, liderados por Miguel Coelho, que é um dos principais visados da investigação.

Reação que surge esta manhã num comunicado no Facebook. A Junta, agora liderada por Maria João Correia, escreve que a investigação versa acontecimentos que reportam a mandatos anteriores, pelo que não está em causa a conduta ou práticas do atual Executivo. A Junta escreve que cabe agora à Justiça o apuramento dos factos e das responsabilidades. Frisa também que o atual Executivo traz sempre uma posição de absoluta abertura e cooperação com as autoridades. Como dissemos, Miguel Coelho, antigo presidente da Junta, é um dos principais visados da investigação, assim como Duarte Mural, assessor de José Luís Carneiro. Laura Figueiredo.

São dois veteranos do PS, ainda que tenham seguido por caminhos muito diferentes. Duarte Mural, ex-jornalista, assessor histórico de António Costa, recuperado recentemente por José Luís Carneiro para o núcleo duro do Largo do Rato. Miguel Coelho, autarca de longa data em Santa Maria Maior, histórico do PS Lisboa, que foi durante anos um dos homens fortes da concelhia da capital e também um elemento importante no apoio a Carneiro no PS. No caso de Duarte Mural, o foco da investigação está nos contratos por ajuste direto. No caso de Miguel Coelho, centra-se na forma como exerceu o poder autárquico e também sobre decisões de contratação tomadas no cargo.

E Laura, ontem foram realizadas buscas que envolveram centenas de agentes.

Sim, ao que apurou o Observador, os elementos da PJ que estiveram na sede do PS levaram pen drives e a documentação do departamento financeiro do partido. As buscas no Largo do Rato terminaram por volta das 16h e incidiram também no gabinete onde trabalha um dos detidos, Duarte Mural, sala que divide com outros assessores. O gabinete fica no mesmo piso do de José Luís Carneiro, mas os inspetores da PJ e o procurador do Ministério Público não entraram no gabinete do líder socialista.

O que o Ministério Público procurava, Laura?

No centro da investigação está a forma como os dirigentes e militantes do PS terão, alegadamente, manipulado as regras dos contratos públicos para prestação de serviços, de forma a beneficiarem outros socialistas. Em causa estarão cerca de € 2 milhões de fundos públicos e crimes como participação econômica em negócio, peculato, abuso de poder, mas também ilícitos criminais como burla qualificada ou fraude fiscal qualificada.

Laura Figueiredo, com os detalhes da operação, que ontem fez buscas na sede do Partido Socialista e também em várias juntas de freguesia do partido. Entretanto, devem ser hoje presentes a tribunal os detidos no âmbito desta operação.

O procurador-geral da República nega qualquer motivação política nesta investigação.

Foi ontem, na Comissão Parlamentar de Direitos, Liberdades e Garantias. Amadeu Guerra recusou taticismos nesta operação do Ministério Público.

Se há timings políticos, eu nunca tive timings políticos, nunca. Agora, eu lembro-me do tempo da Comissão de Proteção de Dados, em que uma vez dei uma deliberação sobre a utilização de dados em campanhas eleitorais, e por acaso o processo acabou uns dias antes da campanha eleitoral, e nós demos a decisão à mesma. Penso que não teve influência absolutamente nenhuma, mas também nós não somos taticistas. Eu o que vos queria pedir e às pessoas é que estejam tranquilas. Nós não temos situação absolutamente nenhuma de timings políticos.

O procurador-geral da República a garantir que não liga a sondagens nem a timings políticos. Em sentido contrário, o socialista e antigo ministro João Soares escreveu no Facebook que esta operação não cheira nada bem e parece ter claramente uma orientação política. Já o primeiro-ministro Luís Montenegro diz que a operação acontece porque as instituições estão a funcionar.

O governo aprovou hoje, em Conselho de Ministros, a Prestação Social Única, medida que pretende juntar debaixo das mesmas condições de acesso 13 prestações sociais, entre elas o Rendimento Social de Inserção.

Uma das condições será a obrigatoriedade de pôr os beneficiários a realizar trabalho social, sem que ainda seja conhecido que tipo de trabalho pretende o governo. Luís Montenegro antecipa já que esta decisão vai dar o que falar.

Vamos aprovar no Conselho de Ministros a Prestação Social Única. Já vai dar que falar nas próximas semanas, como deram nas semanas anteriores todas as decisões que tomámos. Nós estamos a decidir, nós estamos a cumprir a nossa obrigação. Assim, as forças com representação parlamentar também tenham esse espírito e se sujeitem àquilo que nós nos vamos sujeitar, que é no fim do mandato apresentamos e julguem-nos. Se acharem que estamos mal, mandam-nos para casa. Se acharem que estamos bem, reforçam a nossa posição e valorizam o trabalho que estamos a fazer conjuntamente. A democracia é isto. E eu devo aqui dizer uma coisa aos partidos da oposição, em particular aos mais representativos. Eles também estão sob avaliação

Os recados de Luís Montenegro para a oposição. O governo aprova hoje esta prestação social única. O Conselho de Ministros está marcado para às 10h e o briefing está marcado para o 12h, com declarações do primeiro-ministro. Dois anos depois da implementação do Plano de Emergência da Saúde, 40% das medidas ainda estão por concretizar. O grupo de acompanhamento criado pelo governo reúne há um ano. Esta é uma das iniciativas estruturantes na área da saúde dos governos da AD. O Plano de Emergência e Transformação da Saúde foi apresentado em maio de 2024, no início do primeiro executivo, liderado por Luís Montenegro. 24 meses depois, Martim Madeira, estão ainda 21 de 53 medidas por concretizar.

Com 13 delas a serem consideradas urgentes e, por isso, deveriam ter sido implementadas no ano de 2024, segundo o calendário do próprio governo. Entre as medidas prioritárias estão, por exemplo, o reforço da resposta de médicos de família em parceria com os setores sociais ou privados, a criação de uma linha de atendimento para utentes que necessitem de acesso a médico no dia, a libertação de camas indevidamente ocupadas nos hospitais ou, ainda, a atribuição de incentivos financeiros para aumentar a capacidade de realização de partos. A execução do plano de emergência do governo para a saúde pode ser acompanhada no site do SNS.

Martim, há dois anos, o governo criou um grupo de acompanhamento para seguir a implementação destas medidas. Só que esta estrutura não se reúne com a Ministra da Saúde há mais de um ano.

É o que adianta ao Observador o coordenador deste grupo, o pneumologista Carlos Robalo Cordeiro, que acusa a tutela de inércia por não fornecer dados ao grupo de trabalho desde abril do ano passado. O último relatório produzido pelo grupo de trabalho foi exatamente nesse mês. Segundo o coordenador do grupo de acompanhamento, o Ministério da Saúde não substituiu o responsável que tinha a pasta do plano de emergência, o médico Pedro Melo Lopes, que foi adjunto da Ministra da Saúde até maio do ano passado. Há um ano que não existe qualquer interlocutor no governo com quem o grupo de acompanhamento deste plano de emergência se possa reunir.

Martim, o que é que dizem as associações do setor?

Criticam a própria implementação nas medidas do terreno. Por exemplo, a Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares lamenta que haja medidas importantes que ainda não foram implementadas e outras que não tiveram o impacto esperado. Destacam, por exemplo, o caso da recuperação das listas e esperas cirúrgicas. A Ordem dos Médicos indica que o SNS está pior do que há dois anos, apesar da implementação deste plano. A Associação Portuguesa da Medicina Geral e Familiar lamenta que o plano do governo não tenha falado sobre o principal problema na saúde em Portugal, a falta de médicos.

Martim Madeira, com o plano de emergência para a saúde do governo, que viu até ao momento 40% das medidas a serem concretizadas. O Observador questionou o Ministério da Saúde sobre a falta de articulação com o grupo de trabalho e também sobre a forma como avalia a implementação deste plano de emergência. Até agora, não obteve resposta. Este é um artigo em destaque no site do Observador e assinado pelo jornalista Tiago Caeiro. Agora são 9h10. Carla, antes do Explicador, sobre o novo podcast do Observador, o escândalo que destruiu a seleção, que outras notícias há a destacar? O Aeroporto de Lisboa vai ser reforçado a partir de hoje com agentes da PSP e com mais postos de controle de documentos para agilizar a passagem de fronteiras. O anúncio foi feito pelo Ministério da Administração Interna, isto na sequência das demoras que se têm registado há várias semanas no controle de passageiros. O governo explica ainda que durante os meses de junho e julho está previsto também o reforço da capacidade do controle de fronteiras nos outros aeroportos do país, Porto e Faro. Ursula von der Leyen entende que Moscovo passou os limites depois de um drone russo ter colidido com um prédio na Roménia esta noite. A reação da presidenta da Comissão Europeia surgiu através de uma publicação na rede social X. Além de assumir um reforço da segurança nas fronteiras do leste, von der Leyen pretende também aumentar a pressão a Moscovo com mais sanções. Também no X, a porta-voz da NATO disse que o secretário-geral Mark Rutte está em contacto com as autoridades da Roménia, país que faz parte da Aliança Atlântica. Este incidente fez dois feridos.