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São 9 horas. Jornal das Nove, na sua rádio, uma edição do jornalista Luís Soares. Está marcada para esta hora a inauguração do memorial do acidente do elevador da Glória. Assinala-se hoje um ano desde a tragédia que resultou na morte de 16 pessoas.
E há também 24 feridos na sequência deste acidente. A maioria das vítimas são turistas estrangeiros de 15 nacionalidades diferentes. O memorial vai ficar no Largo da Oliveirinha, junto à Calçada da Glória, onde está desde esta manhã o repórter da Rádio Observador, Carlos Pedro. Carlos, a cerimónia de inauguração é, para já, de caráter reservado.
Exatamente, Luís, bastante reservada. Estão aqui vários elementos da Câmara Municipal de Lisboa, também elementos em representação das várias forças de segurança, da Carris, do INEM, também o Patriarca de Lisboa, dom Rui Valério, que vai discursar, e naturalmente outras várias pessoas vestidas de preto, sobretudo estrangeiros, neste caso os familiares das várias vítimas deste acidente. Estão também aqui jornalistas, mas é uma cerimónia, nesta fase, fechada ao público em geral. Há grades a separarem esta zona do Largo da Oliveirinha, da parte da Calçada da Glória, grades que evitam, ainda assim, o corte total desta rua. Por esta hora, estas pessoas vão fazendo agora uma roda à volta do memorial, mas é com natural ambiente de consternação que vai arrancar esta cerimónia. Tem sido evidente ao longo dos últimos minutos. Destaque para as várias coroas de flores que estão a ser depositadas junto do memorial. A qualquer momento deve chegar o presidente da Câmara de Lisboa, o engenheiro Carlos Moedas. Aliás, creio que a cerimónia ainda não arrancou porque não chegou o autarca. Carlos Moedas vai discursar, ele que enfrentou uma forte contestação pela forma como geriu o caso. E nos últimos dias surgiram até novas críticas dirigidas ao executivo municipal pela forma como a autarquia tem lidado com os processos de indenização às famílias das vítimas. O que é certo é que hoje vai prestar homenagem às vítimas. É um memorial que, de acordo com a nota do gabinete de imprensa da autarquia de Lisboa, tem quatro objetivos, entre eles, claro, a criação de um espaço público de homenagem a estas vítimas, mas tem também o objetivo de valorizar simbolicamente o Largo da Oliveirinha. Como dizia, há cerca de uma hora, não há neste momento outra forma de fazer o percurso pela Calçada da Glória senão a pé, depois do acidente. A Câmara de Lisboa e a Carris disponibilizaram o autocarro elétrico, a carreira 51E para ligar a Baixa ao Bairro Alto, tal como fazia o Ascensor da Glória. No entanto, esse percurso é feito pela Rua das Taipas e não pela Calçada da Glória. Mas há um pormenor interessante, não sei se é só hoje ou se é recorrente, é que na indicação que aparece nesse autocarro relativamente ao destino do próprio, aparece lá escrito Glória e depois a palavra homenagem. E é, de facto, hoje uma manhã reservada a homenagens na sequência desse acidente que faz um ano, numa altura em que continuam a chegar alguns familiares das vítimas do acidente e numa altura também em que continuamos a aguardar pela chegada do presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas.
Carlos Pedro, ele que está a acompanhar a inauguração deste memorial em memória das vítimas do acidente do Elevador da Glória, inauguração que está marcada para esta hora. Também o Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos de Portugal vai promover uma ação de homenagem às vítimas, em particular ao guarda-freio, com a deposição de uma coroa de flores ao fundo da Calçada da Glória.
E Luís, continua aberto o processo do Ministério Público na sequência da queda de um helicóptero no Rio Douro. As famílias das cinco vítimas mortais já foram indenizadas.
O piloto foi o único sobrevivente deste acidente. Luís Rebelo foi constituído arguido na investigação, que ainda prossegue e em segredo de justiça. O acidente causou a morte a cinco militares da GNR. Em outubro desse mesmo ano, o governo aprovou a atribuição de uma indenização estatal no valor de cerca de €205 mil para cada uma das famílias. O presidente da Associação de Profissionais da Guarda, César Nogueira, confirma à Rádio Observador que as famílias dos militares já receberam a indenização.
Nossos sócios eram os guardas e nós sempre estivemos vendo, vimos que as indenizações naquilo que o Estado deve atribuir já foram atribuídas. Agora, a própria guarda, sabemos que tem acompanhado estas famílias, principalmente a nível psicológico. Nós sabemos que os tribunais estão sobrecarregados, mas em casos como esse deveriam ser de rápida resolução.
César Nogueira, o presidente da Associação de Profissionais da Guarda, em declarações à Rádio Observador. Em relação ao processo, no verão do ano passado, foram conhecidas as medidas de coação. Rui Rebelo, o piloto, ficou impedido de pilotar. O advogado revela que o arguido foi, entretanto, convidado para coordenar em terra os voos da empresa onde trabalha com a proteção civil.
Este é o tema do "Onde Para o Caso", que está hoje de regresso. O episódio desta semana vai para o ar depois do jornal das 17h. Mudamos de tema. O governo está incomodado com os recados deixados pelos conselheiros mais próximos do presidente da República. Isto em relação ao caso Luís Neves.
Tanto Álvaro Beleza como Adalberto Campos Fernandes vieram a público aumentar a pressão sobre o ministro da Administração Interna. Esse dado, Vasco Maldonado Correia, é visto como um sinal que chega de Belém, assim como algumas notícias que não foram desmentidas.
Em particular, uma delas, a manchete do "Público" que dava conta de que o presidente da República tinha feito um ultimato ao primeiro-ministro a exigir a cabeça de Luís Neves. Essa notícia nunca foi desmentida por António José Seguro e a esse facto irritante junta-se a pressão constante dos amigos do presidente da República, Álvaro Beleza, que é também conselheiro de António José Seguro, chegou mesmo a dar uma data limite, 5 de outubro, para a resolução dos problemas, para a instabilidade causada pelo caso Luís Neves, e Adalberto Campos Fernandes, que é mandatário do pacto para a saúde pedido pelo presidente da República, foi mais longe, deixou um alerta para o regular funcionamento das instituições. Declarações essas que só vêm aumentar a impaciência das principais figuras do PSD e do governo.
E a acrescentar a esse incômodo, Vasco, está também o silêncio de António José Seguro, um silêncio que deve continuar.
Isto porque o presidente da República partiu esta semana para umas curtas férias, entende que não deve acrescentar ainda mais ruído a este caso. Ele, de forma comedida, é verdade, tem deixado bem claro o olhar que tem sobre esta polêmica e frisou que cada um tem de assumir responsabilidades, isto num recado indireto ao primeiro-ministro. Entende, por isso, o presidente da República, que se viesse a público deixar esclarecimentos sobre manchetes de jornais, sobre as opiniões dos conselheiros mais próximos, isso só iria libertar, de alguma forma, Luís Montenegro do papel que lhe compete enquanto primeiro-ministro, que passa por resolver esta crise.
Vasco Maldonado Correia e a crescente tensão no governo causada pelo posicionamento do presidente da República em relação ao caso Luís Neves, um incômodo que foi ontem à noite negado pelo secretário-geral do PSD, Hugo Soares, diz que não acredita que António José Seguro envie recados através de terceiros.
Adalberto Campos Fernandes é visto como uma personagem próxima do presidente da República e podia ser algum recado. Que país é este Quem somos nós e quem é o mais alto magistrado da nação, quando manda recados ao governo por um amigo numa televisão? Eu garanto aqui, convictamente, que tenho a certeza que não. O que conheço da persona política, cívica e estadista do doutor António José Seguro, eu não acredito nisso.
Hugo Soares admite ainda assim não saber se o Presidente da República deu de facto um prazo ao Primeiro-Ministro para resolver a situação do Ministro da Administração Interna e classifica como um engodo a moção de censura apresentada pelo Chega.
Qual é o objetivo de uma moção de censura? O objetivo de uma moção de censura é derrubar o governo e provocar eleições. Esta não é uma moção de censura contra Luís Neves, não é uma moção de censura contra este ou aquele aspeto, ou contra aquela circunstância. É uma moção de censura contra um governo. E por isso é que ela é ridícula. Por isso é que ela é mais um epílogo, um terminar da silly season, em que todos ou quase todos vamos alimentando, especulando e comentando aquilo que o deputado André Ventura quer e vamos todos no engodo.
Hugo Soares, secretário-geral do PSD, entrevistado ontem à noite na SIC Notícias.
Luís, a discussão e votação da moção de censura ao governo vai acontecer nos dias 10 ou 17 de setembro. A decisão cabe à Conferência de Líderes do Parlamento.
Vai ser tomada hoje numa reunião extraordinária, marcada já pelo presidente da Assembleia da República. A proposta das duas datas foi enviada através de um despacho parlamentar por José Pedro Aguiar Branco aos partidos com assento parlamentar. A reunião está marcada para as 15h30.
E a moção de censura ao governo vai estar em debate já daqui a pouco no Explicador. São nossos convidados os deputados António Rodrigues, do PSD, e Cristina Rodrigues, do Chega. Viramos atenções para a atualidade internacional. Dezassete pessoas ficaram feridas depois de ataques russos à cidade de Odessa, no sul da Ucrânia.
Um ataque desta noite que danificou apartamentos, um prédio de 21 andares e várias viaturas. O chefe da administração militar da cidade portuária adianta também, na rede social Telegram, que pelo menos 17 pessoas ficaram feridas, incluindo três crianças.
Um ataque, Luís, que surge numa altura em que os aeroportos de Moscovo mantêm suspensas as operações.
Foi, de resto, a segunda noite consecutiva em que os dois aeroportos que servem a capital russa estão paralisados. Informação avançada pela Agência Russa de Transporte Aéreo, em causa as declarações do presidente ucraniano, que está determinado a encerrar o espaço aéreo russo. Volodymyr Zelensky quer, através de uma campanha sistemática de drones, impactar a atividade económica e a circulação aérea das principais cidades russas. O especialista em Direito Internacional, Francisco Pereira Coutinho, considera que um dos objetivos desta ameaça ucraniana é tornar a guerra mais visível para toda a população russa.
Ele está, no fundo, a avisar as companhias aéreas que é melhor não fazerem isto. E de facto, é possível que os ucranianos já tenham esta capacidade de fazer muita pressão sobre os aeroportos para que isto cesse. É muito interessante ver a resposta de Putin, vai dizer que isto é um ato de terrorismo.
Falam em terrorismo. Amoral.
Tendo em consideração que não há um avião a voar para Kiev há cinco anos, em resultado das ações russas, isto não deixa de ser caricato. Agora, isto faz parte da estratégia dos ucranianos, que é procurar tornar muito visível para o russo comum a guerra na Ucrânia. Para criar pressão sobre Putin.
Análise de Francisco Pereira Coutinho, especialista em Direito Internacional, foi no Gabinete de Guerra desta manhã.
São 09h11, Luís, que outras notícias marcam a atualidade?
Arranca hoje a época especial de exames no ensino secundário. Ao todo, há mais de 43 mil inscritos. Esta fase está aberta a todos os alunos elegíveis para as provas da segunda fase, independentemente de as terem ou não realizado. O primeiro-ministro espanhol insiste que não há provas de que Marrocos tenha planeado ou ordenado a entrada em massa de mais de 70 mil migrantes em Ceuta. Esta manhã, Pedro Sánchez presta esclarecimentos numa sessão plenária extraordinária do Congresso Espanhol sobre a gestão da crise no enclave espanhol. No discurso inicial, o primeiro-ministro espanhol nega que o governo tenha recebido qualquer tipo de alerta antes da entrada em massa. Pedro Sánchez considera ainda que sem a cooperação de Marrocos, o regresso dos migrantes teria sido impossível. E quase três anos depois da morte, está quase a estrear uma série documental da Netflix sobre a vida do ator Matthew Perry.
Três anos?
Três anos.
Como é que é possível? Parece feito há tão pouco tempo. Foi em outubro, não foi?
É fim de outubro, exatamente. É nesta altura, de resto, que também estreia esta série documental da Netflix, chama-se "The One About Matthew Perry". São três episódios que pretendem mostrar o homem por detrás da personagem Chandler Bing, de Friends. Tem depoimentos íntimos de familiares e amigos próximos, incluindo a irmã do ator, além de fotografias, vídeos inéditos, também do arquivo privado da família. A realizadora promete revelar um Matthew Perry generoso, engraçado e vulnerável, mas também sem esconder as dificuldades que ele enfrentou ao longo da vida.
E que eram públicas, mas lembra lá quando é a estreia?
27 de outubro, estreia na Netflix.
Vou pôr na agenda.