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Observador, são 9h. As notícias com Luís Soares. Portugal vai convocar hoje o embaixador russo para discutir os ataques híbridos atribuídos pela Alemanha ao Kremlin, no aeroporto de Leipzig.
É o que diz o ministro Paulo Rangel, à entrada para a reunião informal dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia, esta manhã, na Irlanda. O encontro não acontece já hoje, mas o chefe da diplomacia portuguesa garante que é natural que nos próximos dias o embaixador russo esclareça o caso junto das autoridades portuguesas. Paulo Rangel antecipa ainda uma resposta muito forte por parte dos 27 nesta altura, diz o ministro, em que há mais Estados-membros a sentir as ameaças híbridas por parte da Rússia. A chefe da diplomacia europeia garante, entretanto, que Bruxelas vai responder de forma assertiva e fala em ataques levados a cabo por um Estado terrorista. A Alemanha ontem acusou formalmente Moscovo de ter realizado um ataque híbrido em Leipzig, depois de serem detectados drones com explosivos perto deste aeroporto alemão. No Gabinete de Guerra desta manhã questionado sobre um possível escalar do conflito na Europa, o historiador Bruno Cardoso Reis explica que não vê benefícios para a estratégia de Putin.
A Rússia tem uma vantagem, que toda a gente sabe, que o regime russo não tem grandes problemas em usar a sua população como carne para canhão, sobretudo quando estamos a falar da população de zonas mais periféricas. Por outro lado, a verdade também é que a Rússia já está envolvida num conflito de elevada intensidade contra a Ucrânia, que foi o conflito em que sofreu mais baixas desde a Segunda Guerra Mundial, mais de 1 milhão de baixas, certamente entre mortos e feridos graves, no fundo obrigado a uma enorme concentração de esforços, de homens, de material, etc. E qualquer dispersão, à partida, seria negativa para a estratégia russa.
Análise de Bruno Cardoso Reis no Gabinete de Guerra desta manhã, considera também que a Europa devia ter tido uma posição mais robusta para responder a estes episódios russos.
Ainda na atualidade internacional, a noite voltou a ser de troca de ataques no Médio Oriente. Os Estados Unidos lançaram uma nova ofensiva contra o Irão. Teerão afirma que pelo menos 11 pessoas morreram e 58 ficaram feridas.
Foi uma resposta a tentativas de ataques contra navios mercantes no estreito de Ormuz, por parte do Irão. É o que afirmam os Estados Unidos. As autoridades iranianas retaliaram com o lançamento de mísseis contra infraestruturas norte-americanas em vários países do Golfo Pérsico. Esta troca de ofensivas no Médio Oriente está já a levar a uma nova subida do preço do petróleo. Os hutis também já vieram declarar solidariedade para com o Irão. Avisam os países do Golfo que acolhem bases norte-americanas que podem vir a enfrentar consequências.
Por cá, o presidente do Chega vai anunciar hoje se avança ou não com a moção de censura ao governo. André Ventura revela que depois de ouvir o ministro da Administração Interna, está mais inclinado para avançar.
O presidente do Chega admite que ficou desiludido e também estupefacto com as declarações de ontem de Luís Neves, em que afastou uma eventual demissão. Entrevistado ontem à noite na CNN Portugal, André Ventura deixa em aberto a moção de censura e promete um anúncio para o dia de hoje.
Eu, pessoalmente, estou mais tendente a avançar do que a não avançar, face a este conjunto de suspeitas que lhe referi.
O que está a dizer é: quer muito avançar, mas há algo que o deixa-
Não, está-me a pedir uma opinião pessoal, eu estou a dá-la aqui enquanto cidadão, enquanto líder de um partido. Tenho uma responsabilidade, eu não faço a gestão de mim próprio e só. Eu lidero um partido, o segundo maior do país, com muitos milhares de militantes, com muitos deputados, com muitos dirigentes. A minha tendência é esta, face ao que está a acontecer e face às explicações absolutamente atrozes de Luís Neves durante a tarde de hoje. Porém, farei aquilo que, em nome da integridade e da decência, acho que deve ser feito.
O líder do Chega considera que existe um consenso quase absoluto de que Luís Neves já não tem condições para continuar no cargo. O ministro afastou ontem qualquer hipótese de demissão. Admitiu ter cometido um ou outro erro, mas garantiu que vai continuar de pedra e cal no governo.
Este é um assunto também em destaque a esta hora no site do Observador. O Hospital Amadora-Sintra chegou esta manhã quase às 13h de tempo de espera para a primeira observação. Na margem sul, o Hospital do Barreiro também ultrapassa as 12h.
Os tempos de espera têm vindo a subir, sobretudo na Grande Lisboa. A Ministra da Saúde tinha, de resto, avisado ontem que a situação ainda pode piorar. Olhando para os dados do portal do SNS, o Hospital Amadora-Sintra volta a ser dos que regista mais constrangimentos. Esta manhã chegou quase às 13h de tempo de espera. Entretanto, esse tempo baixou ligeiramente. Quanto ao Santa Maria, o maior hospital do país, chegou quase às 8h, mas baixou o tempo de espera entretanto. Quanto à margem sul do Tejo, a situação é muito complicada no Hospital do Barreiro, com 12h de tempo de espera nas urgências esta manhã. Quanto ao Garcia de Orta, em Almada, está com 6h. Isto tudo de acordo com os dados do portal oficial do Serviço Nacional de Saúde.
Os juros da dívida portuguesa há 20 anos atingiram ontem máximos de quase uma década. Uma pressão que atinge os mercados de obrigações em todo o mundo.
Tudo isto por causa dos receios dos investidores em relação a uma subida das taxas dos bancos centrais para controlar a inflação. Ontem, os juros da dívida portuguesa subiam cerca de três pontos base para o valor mais alto desde 2017. As subidas dos juros das obrigações de outros países são ainda mais intensas, como o caso de França ou de Itália. Também as taxas de dívida dos governos da zona euro estavam ontem em alta.
E Luís, o governo português prevê um novo agravamento dos encargos com os juros da dívida pública no próximo ano.
A estimativa é do Ministério das Finanças, no documento em que o governo explica como está o saldo orçamental, tanto do lado da receita como da despesa, sem considerar novas medidas. O governo estima que os juros da dívida acrescentem mais 776 milhões de euros à despesa do Estado. Desde 2023, que a tendência para um baixo custo da dívida se inverteu por conta do aperto financeiro do Banco Central para controlar a escalada da inflação, que se seguiu à invasão da Ucrânia pela Rússia. Este ano, a fatura com juros deve agravar-se para os 6,3 mil milhões de euros. No ano que vem, essa fatura deve ultrapassar os 7 mil milhões.
9:06. Já a seguir o Explicador sobre o caso Luís Neves. Primeiro, Luís, que outras notícias marcam esta manhã?
O acidente no elevador da Glória faz amanhã um ano e a oposição na Câmara de Lisboa acusa Carlos Moedas de se colocar à margem dos esclarecimentos e da responsabilidade. Os vereadores do PS, Livre, Bloco de Esquerda, PCP e Chega são unânimes nas críticas ao presidente da autarquia. Ouvidos pela Agência Lusa pedem mais informação numa altura em que a investigação ainda decorre. 16 pessoas morreram e 24 ficaram feridas no descarrilamento do elevador da Glória. Onze distritos do continente vão estar amanhã e sexta-feira em aviso amarelo do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, por causa do calor. Amanhã também o perigo de incêndio rural vai agravar-se no interior Norte e Centro, Alentejo e Algarve. Em Espanha estão previstas para esta tarde centenas de concentrações em apoio a Ceuta, face à crise migratória vivida desde o final de julho. As manifestações começaram a ser convocadas nas redes sociais com apelos à solidariedade com a cidade ou contra o racismo. Os manifestantes criticam também a gestão da crise feita pelo governo espanhol.