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Edição nove da manhã. As notícias com Carla Jorge Carvalho. Passos Coelho admite voltar a ser candidato a Primeiro-Ministro se o PSD não mudar de rumo e se não fizer as reformas de que o país precisa.
O antigo Primeiro-Ministro diz que essa é uma hipótese a considerar e, por isso, não fecha a porta a um eventual regresso à vida ativa política. Em entrevista ontem à noite na SIC Notícias, Pedro Passos Coelho diz que nunca lhe passou pela cabeça ser Presidente da República, por ser uma pessoa com propensão a cargos executivos. Por isso, e apesar de dizer que não é candidato a nada, ainda, Passos Coelho não recusa voltar a candidatar-se a presidente do PSD.
Se eu tivesse de equacionar uma possibilidade dessas, isso teria de corresponder a uma situação em que o PSD, visivelmente, não tivesse a possibilidade de entregar um resultado satisfatório face àquilo que o país precisa e de eu achar que eu o poderia fazer. E se isso vier a acontecer, eu ponderarei e tomarei uma iniciativa, se for caso disso. Não é uma coisa confortável pra alguém que já foi primeiro-ministro e que está muito fora da atividade partidária. Não é uma ideia muito confortável a ideia de regressar.
Passos Coelho lamenta que as ideias reformistas que estavam no programa eleitoral da AD não tenham ainda passado do papel. O ex-primeiro-ministro insiste que o não é não, de Montenegro, foi um erro e que o PSD devia ter optado por um entendimento parlamentar com o Chega e com a Iniciativa Liberal que durasse os quatro anos de legislatura.
Eu acho que o PSD tinha a obrigação de explorar essa possibilidade. Não estou a dizer que seria uma possibilidade fácil, porque talvez não fosse fácil um entendimento parlamentar entre o PSD e o CDS, o Chega e a Iniciativa Liberal. Não vou dizer que fosse fácil, mas era importante tentá-lo.
Era uma coisa que feria, doutor Passos Coelho?
Era importante tentá-lo. Repare, a gente sabe que os governos, para poderem transformar alguma coisa de importante, precisam de apoio. Precisam de apoio no país, dos eleitores, e precisam de apoio-
No Parlamento.
No Parlamento, evidentemente. É muito difícil mudar as coisas sem ter estabilidade e sem ter força política.
Nesta entrevista, o antigo primeiro-ministro deixa ainda elogios a André Ventura, diz que é político com poder de iniciativa notável. Passos Coelho rejeita a ideia de um bloco central entre AD e PS e continua a defender um acordo à direita para reformar o país.
Este vai ser o tema do Explicador desta manhã, para ouvir já a seguir a este jornal. São nossos convidados Vitaline Canas, do PS, Pedro Lomba, do PSD, e Miguel Corte-Real, do Chega. A PSP está, neste momento, a retirar as tendas dos manifestantes que pernoitaram na Praça Dom João I, no Porto, em protesto contra a crise na habitação e o aumento do custo de vida.
A polícia está a pedir aos manifestantes que abandonem o espaço e retirem as tendas da praça. Foram mais de 50 as pessoas que passaram esta noite na Praça Dom João I. De acordo com as imagens que chegam através das televisões, a PSP já retirou praticamente todas as tendas do local, mas há dezenas de manifestantes que se mantêm na Praça Dom João I. A Rádio Observador está a caminho do local, pelo que contamos ter a reportagem em direto nos próximos espaços informativos.
Num clima de tensões internacionais, os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia preparam-se para aprovar hoje o maior pacote de sanções de sempre contra a Rússia. A reunião está marcada pra esta manhã no Luxemburgo.
Vai visar cerca de 1600 pessoas e entidades do complexo militar industrial russo. Esta reunião acontece depois de um fim de semana muito tenso entre Washington e Kiev, que começou com o anúncio de um acordo entre Estados Unidos e Rússia. Miguel Pina-Andrade.
Moscovo passa a fornecer imediatamente 300 mil toneladas de diesel aos Estados Unidos e aos mercados internacionais. Foi o que disse Donald Trump num post na Truth Social, em que explica que o objetivo é tentar reduzir o preço dos combustíveis. A reação do presidente ucraniano não se fez esperar. Zelensky afirma que o acordo é uma notícia terrível, injusta e desonesta. Na resposta, Trump acusa o presidente ucraniano de falta de esforço para pôr fim à guerra com a Rússia e sugere que está na hora de os ucranianos mudarem de presidente.
Miguel, a crítica de Trump está, sobretudo, relacionada com o efeito que os ataques ucranianos a refinarias russas está a ter no preço mundial dos combustíveis.
Sim, Carla, e é essa a linha vermelha que o presidente norte-americano estabelece no conflito. Kiev pode atacar o que quiser, desde que não atinja refinarias. Donald Trump vai até mais longe e ontem anunciou, na Truth Social, um cessar-fogo com efeitos imediatos entre a Rússia e a Ucrânia, aqui falando das infraestruturas energéticas. Mas, pelo que parece, nem todas as partes estavam a par deste entendimento. Isto porque Volodymyr Zelensky afirmou numa entrevista que o acordo era uma novidade para ele. Diz também que aceitaria um cessar-fogo, desde que os russos também o aceitassem.
Mas este cessar-fogo e a possibilidade de um acordo foi desmentida por um ataque russo poucas horas depois do anúncio.
A denúncia dos ataques partiu de Zelensky, mas também do presidente francês, Emmanuel Macron. Ontem à noite houve mais um passo na escalada de tensão. O Financial Times revela que Donald Trump estará a ameaçar bloquear o fornecimento de armas à Ucrânia por causa dos ataques que Kiev tem vindo a fazer a refinarias russas. Entretanto, esta madrugada, há registro de um ataque russo na região ucraniana de Kharkiv, que provocou três mortos e, pelo menos, 25 feridos.
Miguel Pina-Andrade, com o resumo deste fim de semana tenso entre Donald Trump e Volodymyr Zelensky. Na análise, o especialista em relações internacionais, Miguel Baumgartner, diz que as ações do presidente dos Estados Unidos estão a ser influenciadas pelas intercalares do próximo mês.
Donald Trump está a pôr no centro da diplomacia os seus interesses políticos e seus interesses econômicos. Nós estamos próximos das eleições intercalares. Nós vemos e sabemos que as sondagens não são positivas para o Partido Republicano. Nós sabemos o que é que politicamente pode advir dessa situação. Por outro lado, curiosamente, quando fala da questão do levantamento das sanções, é efetivamente permitir que o esforço de guerra russo receba aqui um balão de oxigênio enorme.
Análise do especialista em relações internacionais, Miguel Baumgartner, esteve esta manhã no gabinete de guerra. Olhando para o anúncio de um acordo entre Estados Unidos e Rússia para o fornecimento de diesel, o preço do barril de petróleo Brent, referência para o mercado europeu, caiu pouco mais de um dólar para cerca de 103 dólares o barril. Já o preço do petróleo nos Estados Unidos desceu um pouco mais, negociava esta madrugada pelos 90 dólares o barril.
São 09h07, Carla. Antes do Explicador, que outras notícias marcam esta manhã?
A Confederação dos Agricultores de Portugal vai concentrar-se hoje em frente ao Parlamento, a partir das 11h00. O objetivo é entregar ao presidente da Assembleia da República e aos grupos parlamentares do PSD, Chega, PS, Iniciativa Liberal e CDS, uma carta a exigir uma verba de compensação ao setor no valor de 140 milhões de euros. A Arábia Saudita estará com dificuldades em interceptar os ataques vindos do Iêmen. De acordo com o Wall Street Journal, o arsenal de Riade está a ficar sem mísseis para interceptar as sucessivas ofensivas dos houthis, que mataram, pelo menos, 12 pessoas este fim de semana em ataques contra o aeroporto da capital saudita. O mês passado foi o segundo setembro mais quente desde que há registro. Os dados são do Serviço de Alterações Climáticas Copernicus. O mês ficou marcado por temperaturas globais 1,63 graus acima do nível pré-industrial.