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E cá está ele, Miguel Pinheiro. Muito bom dia, bem-vindo.

Bom dia.

Quem é o bom desta quarta-feira?

O bom desta quarta é o Ministério da Saúde, não tem nada a ver com o INEM. É o ministério porque forçou a DGS a recuar na decisão de mudar as cores dos boletins de saúde infantil e juvenil para amarelo, quando até agora eram azuis para os rapazes e cor-de-rosa para as raparigas. Eu vou começar pelo processo, porque a Direção-Geral da Saúde embrulhou-se completamente nesta história, na descrição da história, na descrição das motivações. Isto é uma enorme embrulhada e só isso já deve levar a desconfiar. Primeira embrulhada: a DGS disse que a mudança de cores acontecia por uma questão gráfica, porque queria alinhar a cor à cor do boletim do Programa Nacional de Saúde Infantil e Juvenil, que já é amarela. O boletim de vacinas. Foi uma questão gráfica para alinhar cores, diz a DGS. Mas ao mesmo tempo, a própria diretora geral da saúde num podcast disse isto: "Uma das alterações que nos pediam muito era a questão das cores, de ser um boletim azul e um cor-de-rosa. Agora já são amarelos, mantêm o símbolo do rapaz e rapariga, mas já temos aqui uma cor neutra." Então ao que nós ficamos? A decisão foi tomada por uma questão gráfica ou foi tomada para passar a haver uma cor neutra? E já agora, quem eram as pessoas que pediam muito à diretora geral de saúde uma alteração das cores? Eram designers ou eram ativistas? Eram designers que diziam: "Olha, há aqui uma questão, nós precisamos aqui de um alinhamento gráfico." É isto? Foi a Associação Nacional dos Designers Portugueses ou foi alguém que queria uma cor neutra que não atribuísse o azul aos rapazes e o cor-de-rosa às raparigas? Fiquei na dúvida. Segunda embrulhada: ao justificar a mudança de cores, a DGS tentou desvalorizar, isto não tem importância nenhuma, porque esta é apenas uma fase de transição, tendo em conta que os boletins vão passar a ser apenas digitais e a versão digital não vai ter cor nenhuma. Mas aqui mais uma vez, se estamos numa fase de transição para o digital, se isto é só aqui uns dias, umas semanas, uns meses, se isto não tem importância nenhuma porque é uma fase de transição, então por que mudar a cor agora? Por que não se deixa tudo como tem estado até aqui e isso faz a transição para o digital, que será muito rápida? Para que estar a mudar agora? Eu ao longo do dia de ontem, depois de saber que o ministério tinha revertido a decisão, ouvi várias pessoas e também no Twitter, como sempre, a perguntarem: "Mas por que o Ministério da Saúde está preocupado com isto? Por que com tanta coisa a acontecer, o Ministério da Saúde perde tempo com este assunto?" Mas eu acho que a pergunta é ao contrário, porque não foi o ministério que decidiu nada. A DGS é que decidiu tomar uma decisão e por isso o que eu pergunto é: a DGS está preocupada com isto por quê? E por que a DGS perde tempo com este assunto? A Direção-Geral da Saúde não tem mais nada para fazer?

Aparentemente, não. Se tu tivesses também um lugar de responsabilidade na saúde em Portugal, também devias estar num ócio imenso, Miguel, a procurar coisas para fazer, ver séries na Netflix, livros para ler, porque a saúde não tem nenhum problema para resolver.

De facto, era o cargo que eu devia ter. Em vez de diretor executivo do Observador, diretor-geral da Saúde.

Ora. Podes sempre ouvir o Explicador. Depois das 9 vamos falar precisamente deste tema.

Cá estarei.

Vamos ao mau de hoje, Miguel. Quem é?

São os cinco estudantes da Nova Medical School que vão hoje a tribunal por terem invadido a universidade para protestar contra Israel. Esta semana eu já falei aqui sobre o Bloco de Esquerda e sobre aquele movimento BDS, que quer boicote, desinvestimento e sanções contra Israel. Este é mais um exemplo disso. Tudo isto é feito para apelar a esse boicote, desinvestimento e sanções. Este protesto ilegal pedia precisamente a interrupção de todas as parcerias com organizações israelitas pelo simples fato de serem israelitas, portanto, universidades com universidades é para esquecer. E depois eu achei piada porque estes estudantes queixam-se de duas coisas, entre muitas outras. Primeiro, queixam-se da "hipervigilância apertada", estou a citar, que havia de prevenção na entrada da faculdade no dia do protesto. Ou seja, eles queixam-se do facto de as autoridades fazerem o seu trabalho. Havia ali uma hipervigilância porque suspeitavam que ia haver uma invasão. Como é que pode ser? Como é que vão vigiar uma coisa que nós queremos invadir? Como é que isto é possível? Como é que se atrevem? E depois queixam-se de terem sido tratados pela universidade de forma, vou citar, "fascizante". E claro, já sabemos que quem não concorda com eles é sempre fascista.

Já nem há ativistas como antigamente.

Achas que é a nova fase dos ativistas queixinhas?

Pois, é isso. Íamos ali queixar-nos, invadir, até encontrámos algumas pessoas que queriam impedir-nos de fazer isso, vejam só.

Em vez de terem as portas abertas. Pois é, esta nova geração está perdida.

Vamos lá ao vilão de hoje. Quem é, Miguel?

É a PSP. Ontem um preso que a PSP estava a levar a tribunal conseguiu libertar-se das algemas durante a viagem e fugir quando os agentes abriram a porta da carrinha. Isto aconteceu à porta do tribunal e aconteceu em pleno centro de Lisboa. O preso simplesmente começou a correr e nunca mais o conseguiram apanhar. Não houve aqui nenhum plano de fuga elaborado, não houve nenhuma ajuda do exterior, não houve ninguém à espera da carrinha fortemente armado e com um carro topo de gama capaz de fugir a 300 km/h. Vimos há não muito tempo uma fuga assim, acho que foi em Espanha. Aqui não. O preso limitou-se a tirar as algemas de uma das mãos e começar a correr pelas ruas da cidade. A PSP já anunciou a instauração de um inquérito interno e ainda bem. Claro que há coisas que acontecem, mas no comunicado que emitiu, a polícia, e vou citar, apelava a todos que mantivessem a calma, a tranquilidade e a confiança na PSP. Com um preso em fuga pela cidade, as duas primeiras são difíceis e a terceira é quase impossível.

Por outro lado, tudo aconteceu devido provavelmente a excesso de calma e tranquilidade da própria PSP, não é?

É, eu diria calma e tranquilidade em todos, menos na PSP.

O bom de hoje é o Ministério da Saúde, o mau os cinco estudantes da Nova Medical School que vão a tribunal hoje. O vilão é a PSP.