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Começa agora uma nova edição do Bom, o Mau e o Vilão das manhãs 360, sempre com o Miguel Pinheiro. Fala, Miguel, bom dia.

Bom dia, Mari João.

Bom dia, Miguel. Quem é o bom de hoje?

O bom de hoje é Arménio Carlos. O antigo líder da CGTP deu uma entrevista muito lúcida em que defendeu que o PCP tem de mudar rapidamente a sua posição sobre a Ucrânia. Arménio Carlos partilha da visão de fundo do partido sobre o conflito na região, não há nenhuma discordância aí. Simplesmente, ele acha que o PCP cometeu um erro enorme ao não admitir que, de facto, a Rússia invadiu a Ucrânia. O ponto é só este. Mostrando um grande realismo, Arménio Carlos defende que enquanto não fizer isto, o PCP não vai conseguir, e vou citá-lo, "dar centralidade às questões concretas da vida dos portugueses", porque de cada vez que um líder do PCP abre a boca, vêm lhe perguntar: "Houve uma invasão da Ucrânia ou não?" E ele não consegue falar sobre outros temas. Nós não devemos deixar nos enganar pela conversa da unidade no PCP. O partido ficou muito dividido por causa deste assunto. Continua muito dividido por causa deste assunto. Paulo Raimundo devia resolvê-lo o mais depressa possível. Como mostra nas suas primeiras entrevistas, se calhar, já está a tentar fazer isso. Pode estar a haver aqui uma mudança gradual do discurso do PCP para tentar ultrapassar isto rapidamente. Vamos ver se é mesmo assim. Acho que as próximas entrevistas de Paulo Raimundo, as próximas intervenções também vão ajudar a perceber, mas Arménio Carlos tem toda a razão.

Pois tem, mas é bom que o PCP se despache, senão a guerra ainda acaba. A guerra que nunca começou, segundo o PCP, ainda acaba.

Pode dar-se esse caso.

Miguel, e quem é o mau?

O mau é a Procuradoria-Geral da República. Há dias soube-se que o Ministério Público tinha decidido constituir arguida na Operação Teia a presidente da Câmara de Matosinhos, Luísa Salgueiro. E o motivo era estranhíssimo. Aparentemente, o Ministério Público entende que os autarcas devem abrir um concurso público para escolherem os seus chefes de gabinete. Isto é tão abstruso que eu nem comentei o assunto, porque achei que devia haver aqui um erro qualquer, havia aqui qualquer coisa que não estava bem explicada, porque não há cargo de maior confiança política e pessoal do que o de chefe de gabinete. Eu ficaria muito surpreendido se alguma vez alguém, em algum lugar do mundo, tivesse escolhido um chefe de gabinete por concurso público. Não faria qualquer sentido. Por isso, como isto tudo me pareceu muito esquisito, eu fiquei à espera de uma explicação. Esperei, esperei, ainda estou aqui sentado à espera, não me levanto desta cadeira há dias. O tempo passou, mas a Procuradoria-Geral da República não disse nada e parece-me que agora já passou demasiado tempo. O Ministério Público tem que nos explicar se se enganou ou se realmente acredita que um chefe de gabinete tem de ser escolhido por concurso público e se, na sequência disso, vai constituir arguida toda a classe política. Acho que seria um espetáculo interessante.

Pois, aqui também é bom que o Ministério Público se despache, não pelo caso em si, mas pelo Miguel, senão ele vai continuar aí sentado à espera.

Não, ó Paulo, é que eu já não me aguento. Com a lombar, não estás bem a ver.

Começa a ser uma questão humanitária, não é?

Não, eu estou pior do que os ativistas do clima, que colam as mãos e depois não conseguem sair dos sítios.

Estás todo colado, é verdade.

Preciso de ajudas, não consigo sair daqui.

E quem é o vilão?

O vilão é Miguel Alves. Nós ontem ficámos a saber que a Câmara de Caminha decidiu pedir à Assembleia Municipal que inicie o processo de resolução do contrato para a construção de um centro de exposições transfronteiriço. Como consequência dessa decisão, o município vai pedir a devolução dos € 300 mil que foram adiantados ao extraordinário empresário e PhD Ricardo Moutinho. Segundo parece, depois de contactos muito recentes em que o empresário se comprometeu a entregar um seguro caução e uma garantia bancária, os dias passaram e surpreendentemente, imaginem lá, vejam lá isto. O empresário prometeu um seguro caução e uma garantia bancária agora nos últimos tempos e não chegou nem a garantia bancária nem o seguro caução. Vocês acham que isto como é que é possível? Isto deve ter sido qualquer coisa nos CTT, não sei se houve uma greve, qualquer coisa, mas enfim, não chegou nada e a Câmara diz agora que apesar de querer muito este projeto, eles, vou citá-los, não o querem a todo o custo. E cai assim o último argumento que restava a Miguel Alves. Pelos vistos, já nem Caminha, que era aquele negócio a que tinha direito, mas que a Corte de Lisboa, por soberba, lhe queria retirar. E eu acho que fica aqui uma lição para o futuro que Miguel Alves devia escrever numa pedra. É que quando perdemos o poder, até os nossos amigos políticos desaparecem.

Vamos então ao resumo. O bom desta quinta-feira é o antigo líder da CGTP, Arménio Carlos, o mau, a Procuradoria-Geral da República e o vilão de hoje é Miguel Alves. Foram estas as escolhas do Miguel Pinheiro na Rádio Observador e que também pode ouvir a qualquer hora em podcast.