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Começa agora mais uma edição do Bom, o Mau e o Vilão das manhãs 360. Bom dia, Miguel.

Bom dia.

Bom dia. Quem é o bom de hoje?

O bom de hoje é Vítor Bento. O presidente da Associação Portuguesa de Bancos foi ao Parlamento e teve a infinita paciência de explicar coisas básicas aos deputados. Vítor Bento disse-lhes que devia ser um motivo de satisfação da sociedade que os bancos sejam rentáveis e depois até lhes deu as razões para isso. Em primeiro lugar, porque se forem rentáveis podem continuar a sua atividade em vez de irem à falência. Em segundo lugar, porque se forem rentáveis, não vão impor quaisquer custos à sociedade, como aqueles que tivemos que pagar quando houve resgates de bancos. E em terceiro lugar, porque se forem rentáveis, os bancos terão capacidade de captar capital para continuarem a crescer e a financiar a economia. É assim que a economia funciona, é com dinheiro a ir entrando. E devia ser tão evidente dizer isto como dizer que é melhor ser rico e saudável do que ser pobre e doente, mas pelos vistos é mesmo preciso dizer. E o facto de em Portugal alguém ter que ir explicar uma coisa destas ao Parlamento mostra que nós ainda temos muito que crescer. Se ainda estamos nesta fase, santo Deus.

E dá a ideia que o desenvolvimento está no nosso ADN, não é? Nascemos para isso, basicamente, para andar sempre a contar trocos.

É, e queremos é que as empresas não tenham lucro. Depois achamos que acontece o quê? Mistério.

Vamos então ao mau.

O mau é o Ministro da Educação. Na última reunião com os sindicatos dos professores, o ministro João Costa deixou no ar a possibilidade de haver uma nova ronda de conversas já no dia 20 de março, mas essa reunião afinal não vai existir, pelo menos nessa data, e agora estamos num impasse. Afinal, o ministério vai continuar a negociar ou não vai? E já agora, até quando é que vai ser condescendente com a continuação de greves por tempo indeterminado e com esta nova ameaça de greve às avaliações finais? Se o ministério quer continuar a falar com os sindicatos, fale. Se quer romper as negociações, rompa. Mas os pais e os alunos do ensino público não podem continuar sem saber se vão ter algum período de normalidade até ao final do ano.

Porque no limite isto pode arrastar-se por mais meses, digo eu, as negociações. Não há um calendário definido, não há objetivos, não há nada, portanto, a coisa vai indo.

Ou então, Paulo, sejamos ambiciosos, mais uns anos. Podemos andar uns anos nisto.

Pelo menos não há rutura enquanto se mantiverem as negociações, não é?

Ainda não percebi qual é a estratégia do Ministro da Educação.

Vamos então ao vilão.

O vilão é o Ministro da Saúde. Manuel Pizarro tinha prometido aos autarcas das zonas que são servidas pelo Hospital de Loures, que as urgências pediátricas seriam reabertas, mas uns dias depois, o novo plano da direção executiva do SNS manteve mesmo aquela urgência fechada em várias alturas. E ontem, quando foi confrontado com essa promessa quebrada, o Ministro da Saúde resolveu desconversar. Manuel Pizarro disse que o que é importante é que a população tenha acesso a urgências de qualidade e de segurança. Como se alguém quisesse que a população tivesse acesso a urgências sem qualidade e que as colocasse em risco. Não sei, se calhar há alguém que defenda isso, eu é que ainda não as apanhei. E estamos agora naquela situação que já se temia que acontecesse quando foi reorganizada a gestão do SNS. Temos o ministro a fazer uma promessa, temos o CEO do SNS a fazer o contrário e depois temos os eleitores sem saberem a quem pedir responsabilidades.

Vamos então ao resumo: o bom desta quarta-feira é Vítor Bento, o presidente da Associação Portuguesa de Bancos, o mau é o Ministério da Educação e o vilão de hoje é o ministro da Saúde, Manuel Pizarro. Foram estas as escolhas do Miguel Pinheiro na Rádio Observador, que também pode ouvir em podcast.