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Começa agora uma nova edição do Bom, o Mau e o Vilão das manhãs 360. Bom dia, Miguel Pinheiro.

Bom dia.

Bom dia. Quem é o teu bom de hoje?

É António José Seguro, que ontem recebeu uma ajudinha depois de, no debate, Henrique Coveia e Melo ter dito que representa o campo político do PS. Depois disso, ontem José Luís Carneiro deu-se ao trabalho de convocar uma conferência de imprensa só para criticar o almirante por se ter arvorado em candidato do PS e para dizer de forma clara que o único candidato do Partido Socialista é Seguro. E aliás, Carneiro até fez uma coisa que tinha evitado fazer até agora: ele apelou a todos os portugueses, estou a citá-lo, e em particular aos socialistas, para que se mobilizem em torno do candidato que representa o centro-esquerda democrático e os valores do PS. Portanto, pediu votos em nome de Seguro. Atenção. Coveia e Melo anda há muitas semanas a falar para o eleitorado socialista, elogiando Mário Soares, criticando o atual governo. As sondagens até mostram que as pessoas que votaram PS nas últimas legislativas estão divididas entre António José Seguro e Henrique Coveia e Melo. E, portanto, agora o PS sentiu-se na obrigação de vir dizer qualquer coisa. Agora, convém ter noção de uma coisa: como se costuma dizer, ninguém é dono do voto de ninguém. O líder do PS não é dono do voto dos socialistas. Isto não é mandar votar num determinado candidato e as pessoas irem lá como carneirinhos fazer o que o chefe manda. E por isso, Seguro tem de se esforçar muito se quiser que os eleitores do PS votem mesmo nele. Não basta ter o amém do líder do partido.

Claro. No fundo, tem que dizer coisas de esquerda, não é? De alguma maneira.

Eu diria que é capaz de ajudar.

Pois.

Mas ele lá sabe, não é?

Claro.

Quem sou eu, por amor de Deus? Não tenho nada a ver com isto.

Miguel, o teu mau são dois candidatos presidenciais.

Sim, são Catarina Martins e António Filipe. No debate de ontem, eu sei que vocês, como uma grande maioria dos telespectadores, adormeceram e por isso eu vou agora dizer o que aconteceu. No debate de ontem, os dois fizeram um esforço enorme, um esforço gigantesco, um esforço sobre-humano para estarem de acordo em tudo. Ou para pelo menos esconderem qualquer discordância que pudessem ter. Parecia que estavam os dois a concorrer não para a Presidência da República, mas para a carreira diplomática, porque estavam prontinhos para irem acabar com qualquer conflito. António Filipe foi dizendo e repetindo: "Certamente a Catarina Martins partilhará comigo muito disto." Ou então afirmava: "Somos ambos solidários." Ou ainda dizia: "Aqui estamos largamente de acordo." Enfim, se Catarina Martins dissesse: "Eu sou contra isto", António Filipe complementaria: "Eu diria mesmo mais, sobre isto eu sou contra." Ontem, Catarina Martins e António Filipe foram o Dupont e Dupont da esquerda radical. Só faltou mesmo o chapéu de coco. Depois de ouvir o debate de ontem, para mim só se adensou um dos grandes mistérios destas eleições, que é por que carga d'água o PCP e o Bloco não apresentaram candidato comum? Quer dizer, se no final o PCP candidatou o Dupont e se o Bloco candidatou o Dupont, então por que não se juntaram? Não entendo muito bem.

Pois, ninguém entende. E a questão, de alguma forma, já nem é bem recebida na própria esquerda.

E se o Dupont fosse convocado para a guerra da Ucrânia? Como é que ele fazia?

Ia um e ficava o outro.

Eu acho que o Dupont ia e o Dupont ficava aqui a ver como é que as coisas corriam. Acho que estava feito.

Para isso é que servem os gémeos.

Miguel, só falta o teu vilão, que é o primeiro-ministro.

É Luís Montenegro. Ontem o primeiro-ministro insistiu no disparate e continuou a falar da fantasia que inventou de um salário mínimo de € 1.600. Como se sabe, a promessa do governo é de chegar aos € 1.100 nesta legislatura, mas Luís Montenegro tirou da cartola o desejo íntimo de um dia chegarmos aos € 1.600. Ontem os jornalistas fizeram o óbvio, perguntaram-lhe qual era a data para isso. Afinal, quando é que o dinheiro cai na conta? Diga lá, senhor primeiro-ministro. E Luís Montenegro fez aquilo que se esperava, que foi desconversar. Ele disse isto, grande frase: "Vamos calendarizá-lo quando tivermos os alicerces para isso." E precisamente, o primeiro-ministro está a falar de um salário mínimo de € 1.600 quando não há alicerces para isso, não há economia para isso, não há dinheiro para isso. E é espantoso como Luís Montenegro não percebe que da próxima vez que fizer campanha, lhe vão perguntar todos os dias pelos € 1.600. Vão lhe perguntar todos. Eu até diria que não é preciso esperar pela campanha. Se fosse eu, de cada vez que encontrasse Luís Montenegro na rua, ia lhe perguntar pelos € 1.600.

Ia-lhe perguntar: "Já posso ir ao banco levantar o cheque?"

Ora, aqui está, para citar um grande pensador da política portuguesa. Isso mesmo.

Vamos ao resumo. O bom desta quinta-feira: António José Seguro; o mau: Catarina Martins e António Filipe; e o vilão de hoje é Luís Montenegro. Foram as escolhas do Miguel Pinheiro nas manhãs 360 e sempre em podcast.