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Começa agora uma nova edição do Bom, o Mau e o Vilão da Rádio Observador, sempre com o Miguel Pinheiro. Fala Miguel, bom dia, boa sexta.
Bom dia, boa sexta para todos vós.
Quem é o bom de hoje?
O bom de hoje são os professores. Peço desculpa, dei aqui uma safanada.
Também. São o bom.
Hoje acaba a greve de uma semana decretada pelo STOP logo para o início do ano letivo, e a conclusão é que essa greve foi um fracasso. Os próprios diretores das escolas dizem que a paralisação teve um impacto zero. E há outro detalhe muito revelador, é que contactado pelos jornalistas, o líder do STOP não quis avançar nenhum número sobre a greve. Isto tem graça porque logo no primeiro dia, André Pestana, eu lembro-me muito bem de ouvir, vangloriou-se ao início da manhã de segunda-feira, do facto de seis das oito escolas de Odemira, que era onde ele estava, terem fechado. Agora, o líder do STOP já é todo desculpas e lamentos, diz que o aumento do custo de vida não ajuda à participação nestes protestos, porque quando se faz greve, perde-se o salário. Os diretores das escolas contrapõem que é tudo uma questão de bom senso e de consciência profissional, e dizem também, alguns deles, que temos um instrumento poderosíssimo que é a greve, a ser canibalizado por um sindicato. Enfim, vamos ver o que acontece, ainda é cedo, mas pode ser que este seja o princípio do fim de André Pestana. Parece que as coisas lá na direção do STOP também não andam brilhantes, por isso vamos ver o que acontece.
Pois, até porque muitas vezes são organizações que vivem muito deste protesto apenas e do sucesso que ele tem.
A ideia que dá é que se dependesse de André Pestana, andaria toda a vida assim.
Sim, e as escolas permanentemente fechadas em greve, claro.
Exato. De escola para escola, com o seu megafone, com o seu microfone, a apelar à luta. Isto sim, é uma vida de sonho para André Pestana, mas não dá para andarmos nisto a vida toda. Digo eu, que não sonho com outros regimes políticos.
O bom são os professores, e quem é o mau?
O mau é a CP. Ontem ficámos a saber que os trabalhadores dos bares dos comboios de longo curso vão voltar a fazer greve. Ao longo deste tempo tem estado em causa o pagamento de salários em atraso e a regularização de pagamentos à Segurança Social. Houve aqui um problema que levou à mudança da empresa a quem é atribuída a concessão dos bares. Seja como for, isto é tudo uma questão de gestão. As empresas concessionárias da CP podem ter problemas censuráveis, mas em última instância, eu pago o meu bilhete à CP, não é a mais ninguém. E portanto, a CP é que tem que arranjar formas de se gerir decentemente. E o que nós temos é semana após semana, mês após mês e ano após ano, a CP não conseguir ter os seus comboios de longo curso a funcionar em condições, sem sobressaltos, sem atrasos, sem greves. Não consegue. Esta empresa, que é pública, enfim, não tem mesmo emenda, portanto, devíamos já estar a tratar decentemente de concorrência no longo curso, a sério, como acontece noutros países.
Pois, porque eles podem maltratar os passageiros como quiserem, porque eles não podem ir para outro lado, como é evidente.
Olha, por acaso, Paulo, agora que falas nisso, até vão.
Vão o quê?
Vão de camioneta.
Claro.
Conheço pessoas que costumam fazer muito regularmente o percurso Lisboa-Porto, Porto-Lisboa e que passaram a andar de camionete e ficaram clientes, porque ali têm a certeza de que em muitos horários, sem estarem sequer dependentes dos horários do Alfa e do Intercidades, com muito mais horários, conseguem chegar em ótimas condições, num tempo ótimo, sem terem que estar permanentemente a tentar descobrir se há greve ou não há greve na CP. Mas depois vamos queixar da transição energética, a ecologia e o planeta. Não há planeta B, mas também não há planeta CP.
Também não há CP B.
Não há CP B. Nem vou dizer nada. Zé Manel.
Zé Manel.
Estava só a dizer que não é só irem a horas e a gente serem previsíveis, muitas vezes é mais barato.
Sim, claro. Não, sim, umas vezes mais barato, outras, como se sabe os bilhetes da-
Depende das horas em que se faz a viagem.
E depende de outra coisa, Zé Manel, depende das greves. Quando há greve na CP, os preços aumentam. Enfim, depois isto é o mundo em que nós vivemos.
É a lei da oferta e da procura.
Com certeza. É a lei das greves da CP. A lei da oferta e da procura devia ter um novo nome: lei das greves da CP.
Miguel, vamos ao vilão?
Vamos a isso. O vilão é o SNS. Ontem soubemos que o Hospital de Viana do Castelo, que faz parte da Unidade Local de Saúde do Alto Minho, como sabemos, não consegue ter médicos a trabalhar no período entre as 8 da noite e as 8 da manhã, porque os médicos dizem que não querem exceder as 150 horas de trabalho extraordinário anual que estão previstas na lei. Por isso, o hospital está a recorrer a uma empresa de trabalho temporário, pagando assim um valor altíssimo por hora. Esta semana, não sei se se lembram, no debate sobre a moção de censura no Parlamento, António Costa disse o seguinte: "Aumentámos em mais de 50% o orçamento do Serviço Nacional de Saúde e reforçámos em 25% o número de profissionais de saúde. Hoje temos mais 6469 médicos, mais 11838 enfermeiros, mais 2198 técnicos de diagnóstico." Pronto, e agora, passados três dias, temos isto. É o que há.
Vamos ao resumo: o bom desta sexta-feira são os professores, o mau a CP e o vilão, o SNS.