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Este é o Bom, o Mau e o Vilão da Rádio Observador, sempre com Miguel Pinheiro. Fala, Miguel. Bom dia.

Bom dia.

Bom dia, Miguel. O teu bom é o Presidente da República.

Sim, senhora. António José Seguro falou este fim de semana sobre o caso Luís Neves e foi clarinho. Ele disse desejar que os inquéritos, auditorias e investigações que estão a ser feitos decorram o mais rapidamente possível pra nós conhecermos as conclusões. Depois lembrou que é um presidente muito atento aos factos. Sublinhou que não precisa andar a falar todos os dias, ou seja: "Eu já disse, ainda não entenderam?" É um pouco o que sai disso. E por fim, afirmou o seguinte: "Aquilo que eu desejo é que cada um assuma a sua responsabilidade". Isto até a mim me doeu e eu não tenho nada a ver com o assunto. Acho que Luís Neves e, mais importante do que isso, Luís Montenegro, se ouviram isto, e ouviram de certeza, perceberam perfeitamente o que António José Seguro quis dizer. O ministro da Administração Interna está mesmo no fim da linha. Nós já tivemos vários casos na história da democracia portuguesa de ministros que perderam a confiança do Presidente da República e que acabaram quase todos, não todos, a ter o mesmo destino.

Agora é saber quando é que vai ser apeado.

Eu diria que amanhã já é tarde, mas vamos ver.

Miguel, o teu mau também é o Presidente da República.

Temos que saber lidar com estas coisas, a vida é mesmo assim. Mas este fim de semana, António José Seguro falou sobre outro tema, sobre as pensões. Em Viana do Castelo, um reformado foi ter com o presidente e disse-lhe que estava preocupado com a sua reforma e depois respondendo aos jornalistas, Seguro foi definitivo e eu vou citá-lo: "As reformas em Portugal são sagradas", disse o Presidente da República. Eu, como levo muito a sério o chefe de Estado, fiquei a pensar um pouco nisto e fiquei a questionar-me: mas que reformas é que são sagradas? A reforma do pensionista que lhe falou em Viana é sagrada, claro que sim. Não há, nem nunca houve ninguém a defender cortes nas pensões que já estão a ser pagas, e é bom que na cabeça dos atuais pensionistas não haja dúvidas ou receios sobre isso. Mas eu gostava que o Presidente da República me explicasse de que forma é que a minha reforma, por exemplo, é sagrada, porque desde que eu comecei a trabalhar, já lá vai um tempinho, coitado de mim, que eu já estou a preparar a bengala, mas desde que eu comecei a trabalhar, ou seja, desde que eu comecei a minha carreira contributiva, desde que eu comecei a descontar, pra usar a expressão corrente, aconteceram duas coisas em simultâneo. Por um lado, a minha idade da reforma foi aumentando e vai continuar a aumentar. Eu poderia reformar numa determinada idade e agora já se somaram vários anos a essa idade, portanto, esse compromisso, esse contrato não foi cumprido, não é sagrado. E, por outro lado, o valor da reforma que efetivamente eu vou receber também foi diminuindo, porque eu ainda sou do tempo em que me juraram que a minha reforma seria calculada com base na média dos últimos 10 anos dos meus salários e onde é que isso já lá vai. Portanto, não, senhor presidente, a minha reforma não é sagrada, assim como não é sagrada a reforma de todos os que ainda estão a trabalhar e insistir, ou dar a entender, ou insinuar, ou deixar no ar que estas reformas que aí vêm são sagradas, é a melhor forma de fazer com que as pessoas não vejam que vão ter um problema daqui a uns anos. António José Seguro até pode dizer: "Não, o que eu quis dizer é as reformas que estão a ser pagas." Está bem, se quis dizer isso, quis dizer mal, porque não é disso que se está a falar, o debate não é sobre isso, nunca foi sobre isso. O debate é sobre outra coisa. É que as pessoas percebam que a cada minuto que passa, as reformas que elas hão de receber no futuro estão a diminuir.

Estão a diminuir, não estão garantidas, e dizer que são sagradas é, de facto, uma maneira de contornar a discussão.

Sim, quer dizer, garantidas, até pode estar garantido. Olhe, está aqui 20 euros, vamos lá. Estar garantido alguma coisa, que se vai receber alguma coisa, está garantido. Agora, quanto é que se vai receber? Há zero previsibilidade.

Isso aí são outros quinhentos.

Zero previsibilidade. Portanto, as pessoas não se deixem levar por isto, especialmente as pessoas que têm menos dinheiro, que têm menos possibilidade de no futuro se safarem por si, não se deixem levar por isso e comecem a pensar. Eu sei que é difícil, sei que é complicadíssimo, chegar ao fim do mês já é difícil, quanto mais chegar aos 80 anos, mas não se deixem convencer por isto.

Miguel, só fica a faltar o teu vilão, quem é?

Olha, é o metrô de Lisboa. Hoje o Observador tem um trabalho grande sobre as avarias nas escadas, nos tapetes, nos elevadores do metrô. Há números deprimentes. A partir de 2021, deu-se uma subida grande e constante no número de equipamentos avariados. Houve um momento, em 2024, em que um quarto De todos os elevadores do metro estavam avariados, portanto, um em cada quatro. Em fevereiro deste ano, 30% dos elevadores e 17% das escadas estavam fora de serviço. Chegou a haver escadas rolantes que ficaram avariadas durante mais de três anos ou outros equipamentos avariados durante, penso que mais de sete anos. E segundo parece, a atual administração está a tomar medidas para diminuir esta catástrofe. E então, uma dessas medidas, ou melhor, há duas medidas que me deixaram espantado. Há um novo plano que, por um lado, intensifica a monitorização do estado dos equipamentos e a vigilância sobre as medidas que estão a ser tomadas para resolver as falhas. Ou seja, vamos traduzir isto. Até agora, não havia ninguém especialmente preocupado em perceber qual era o estado dos equipamentos, nem a vigiar o que estava a ser feito para resolver os problemas. Portanto, durante estes anos, o metro achou que as avarias nos elevadores e nos tapetes se resolviam por magia. Era por magia. Chegava lá alguém vindo de Hogwarts e resolvia o assunto. Não era preciso haver ninguém no metro, especialmente preocupado com isso. A segunda medida é: parece que vamos ter piquetes disponíveis 24 horas. Meu Deus, que descoberta extraordinária! É possível ter piquetes 24 horas? Agora em 2026 descobrimos que pode haver aqui um mecanismo que é ter pessoas disponíveis 24 horas para ir resolver avarias. Meu Deus, que iluminação que surgiu aqui sobre o Metro de Lisboa. Enfim, empresas públicas é isto.

Eu olho para o lado positivo disto, é que se não estiverem a funcionar, pelo menos não vai haver acidentes.

Tu vieste mesmo de férias.

É assim.

Tu vieste mesmo de férias. Nós também temos uns vídeos, há uma estação em que só deve haver duas escadas rolantes a funcionar. Uma sobe e uma desce. Isto é das coisas que mais me irrita na vida. E só está uma a funcionar.

É a que está a descer.

E eu penso: isto é-

Porque a descer todos os santos ajudam.

É isso. Em vez de dizer: "Olhem, só dá para funcionar uma que desce. Subam lá isso aí."

Se calhar não funciona para subir.

Pode ser. Atenção, pode haver aqui uma razão técnica qualquer. Não é evidente, atenção. Eu não sou como estes técnicos maravilhosos que demoraram 13 e sete anos para resolver as coisas. Portanto, não sei. Se calhar há aqui qualquer coisa que explique. Há, de certeza.

Vamos ao resumo. O bom desta segunda-feira é o Presidente da República, o mau é também o Presidente da República e o vilão de hoje é o Metro de Lisboa.