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E começa agora uma nova edição do Bom, o Mau e o Vilão, sempre com o Miguel Pinheiro, que já está conosco. Fala Miguel, bom dia.
Bom dia.
Bom dia. Quem é o bom de hoje?
O bom de hoje é António Costa. Agora que foi publicado o decreto presidencial que marca oficialmente as eleições, o governo passa a ter a sua ação muito limitada para se evitar que faça propaganda até 10 de março, assim fica ali nonstop a fazer propaganda. E por isso o primeiro-ministro decidiu distribuir internamente um guia com orientações sobre o que pode ser feito e dito daqui até às eleições. Isto tem por base decisões anteriores do Tribunal Constitucional e da Comissão Nacional de Eleições, e o documento alerta para a linguagem usada por governantes em eventos públicos e, por exemplo, para a partilha de informação nas redes sociais dos ministérios e dos organismos públicos. É uma ótima medida do governo, assim ninguém pode dizer que não sabe o que pode ou não ser feito. Vamos ver agora se os nossos governantes se portam bem.
É uma espécie de manual do bom democrata, não é isto?
É isso. Agora é preciso ler, os meninos têm que ler, têm que decorar algumas partes, é mesmo assim, há coisas que têm mesmo que ser decoradas. Podem levar para copiar em eventos públicos, não há problema, se precisarem dar uma olhadela naquilo. E enfim, vamos ver. Vamos estar atentos a ver se isto é cumprido.
Então o bom é António Costa e quem é o mau?
Maria João, o mau, não sei como é que tenho de dizer isto, mas o mau é António Costa.
Ah, bom.
O Conselho da Europa tem uma estrutura que pretende ajudar os Estados-membros a combater a corrupção. Chama-se Grupo de Estados Contra a Corrupção e é conhecido pela sigla GRECO, e o GRECO tem recomendações sobre como devem ser feitas as leis para evitar casos de corrupção. Enfim, esta estrutura quer ajudar os Estados-membros, mas como nós sabemos, não se pode ajudar quem não quer ser ajudado. E ano após ano, Portugal é chumbado na avaliação sobre a implementação dessas recomendações. Ontem, um novo relatório do GRECO diz que Portugal tem resultados insatisfatórios e fez progressos limitados no cumprimento das recomendações no que diz respeito a deputados, a juízes, a procuradores. E atenção, Portugal anda a chumbar nestes relatórios anticorrupção desde 2015. Portanto, António Costa, que nos governa desde 2015, está ali tudo, está tudo escrito. Não é preciso ir agora estudar. Podíamos dizer: "Vamos agora estudar quais são as melhores formas de combater a corrupção, vamos falar com especialistas." Não é preciso, está ali tudo escrito, é só copiar.
É só fazer, não é?
É só fazer, não é preciso mais nada. No entanto, aqui estamos desde 2015.
Mesmo nos discursos, o combate à corrupção fica sempre bem.
Ó Paulo, nem me digas nada, nós estamos aqui imbatíveis. Não passará.
Miguel, só fica a faltar o vilão.
O vilão é o PSD. Nesta madrugada, o partido decidiu a arrumação definitiva da lista de candidatos a deputados. O problema é que quando nós vamos olhar para os nomes escolhidos para concorrerem por Lisboa, chegamos ao 14º lugar e encontramos Luís Newton. O ainda presidente da Câmara da Estrela está envolvido no processo do Tifuruti, está envolvido no chamado Huawei Gate, que mete uma viagem à sede da empresa na China paga pela Huawei, está envolvido em inúmeros episódios de cacicagem e está envolvido em infinitos casos, casinhos e casões. Mesmo assim, o PSD escolheu-o para ser candidato a deputado em lugar elegível e assim dá-lhe uma ajuda inestimável para saltar da política local para a política nacional. E eu ou estou muito enganado, ou o PSD ainda se vai arrepender muito desta decisão. Atenção, eu percebo, Luís Newton domina o PSD de Lisboa. É complicado ir contra uma estrutura, ainda por cima a estrutura da capital do país. Percebo tudo, mas a verdade é que o PSD aceitou isto.
Miguel, é que há as leis gerais e depois há as leis Newton. Toda a gente aprende isso na escola.
Ora nem basta.
Neste caso aplicam-se estas.
É verdade, e acho que se bem me lembro, são leis dolorosas.
Muito dolorosas.
O bom desta terça-feira é António Costa, o mau é António Costa e o vilão de hoje é o PSD.