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Começa agora o Bom, o Mau e o Vilão das manhãs 360. Olá, Miguel Pinheiro, bom dia.

Bom dia.

Bom dia. Quem é o bom de hoje?

O bom de hoje é Luís Montenegro. Na entrevista que deu a Maria João Avilez na CNN, o líder do PSD mostrou uma coisa fundamental, que é a autonomia em relação a Marcelo Rebelo de Sousa. O Presidente da República é do PSD, mas isso não deve nem pode condicionar Luís Montenegro. Por isso, tendo em conta as declarações recentes do presidente sobre aquilo que entende ser a falta de uma alternativa ao governo do PS, Montenegro fez bem em dizer que não pretende fazer oposição ao Presidente da República, mas que também espera que o presidente não pretenda fazer oposição à oposição. E fez ainda bem em dizer que espera que o presidente não seja uma ajuda, mas também não seja um óbice à ação do PSD. E é mesmo assim. Com o Marcelo tem de haver distância, que é preciso.

Pois, até porque nunca se sabe com o Marcelo o que é que reserva o dia de amanhã.

O Marcelo não está preocupado com mais ninguém a não ser com ele próprio. Por isso, cuidado.

Vamos então ao mau, Miguel.

O mau é a Ministra do Ensino Superior. Helvira Fortunato disse este fim de semana que, na sua opinião, as instituições de ensino superior podem perfeitamente resolver os problemas de assédio sexual de forma autónoma, por si sós, e que por isso não é preciso criar nenhuma estrutura nacional ou independente para tratar do assunto. Segundo Helvira Fortunato, tudo pode ser visto usando os códigos de conduta próprios, usando os provedores de estudante, usando os conselhos pedagógicos, usando os diretores de curso. A Igreja Católica criou uma comissão independente para investigar o tema dos abusos, precisamente porque se entendeu que era muito difícil as vítimas acreditarem na hierarquia, que era vista como tendo contribuído para ocultar esses abusos. Mas Helvira Fortunato acha que as vítimas de assédio por parte de professores, sejam eles estrelas ou não, vão acreditar que as instituições de ensino superior, que nunca se mostraram preocupadas com o tema, vão agora comportar-se com grande empenho e independência em sua defesa. E realmente, a atuação da Ministra do Ensino Superior neste tema está a ser um desastre.

A autonomia neste caso pode ser muito simpática para o governo atirar para lá, mas este caso claramente requeria outro tipo de distanciamento, talvez.

É, e a ministra continua a não achar estranho a ausência de queixas. Portanto, não há queixas é porque não há problema. Não há assédio no ensino superior, está tudo resolvido.

Vamos ao vilão, Miguel.

O vilão é a direção executiva do SNS. Como se lembram, o novo CEO do SNS decidiu que uma série de serviços de urgência de obstetrícia iam funcionar de forma alternada ao fim de semana, pela falta de recursos suficientes para estarem todas abertas todos os dias. E para as pessoas não se perderem, a direção executiva do SNS criou um calendáriozinho online. Assim, se alguém estivesse pronto a entrar em trabalho de parto, só precisava de ir ao site e calmamente ver qual era o hospital mais próximo que estava com as portas abertas. Tudo muito bem, tudo perfeito. Enfim, esta solução tem vários problemas e o problema mais recente é que durante as últimas duas semanas a direção executiva do SNS esqueceu-se de atualizar o calendário que está no site e só deu por isso quando a Rádio Renascença telefonou a perguntar o que se estava a passar. Se aquilo está há duas semanas mal e ninguém dá pelo erro, então é porque o sistema não está a funcionar, é porque claramente ninguém lá vai olhar para aquilo.

Dizes tu que nunca estiveste em trabalho de parto, é uma coisa facilíssima. A pessoa fica ali, vai respirando, é só fazer respiração.

Quem te disse, Helena?

Não sei. Tu és um homem de múltiplos recursos, mas não vamos agora entrar por aqui, está bem, Miguel? Tu começas a fazer aquela respiração, cãozinho, lobinho ou lá o que seja.

E a primeira preocupação de toda a gente é: vamos lá ver o calendário do SNS.

Vamos lá ver o calendário. Agora não está atualizado, espera aí mais uma semaninha. Continua, estás a ver?

Duas semanas não é nada.

Duas semanas não é nada, a fazer aquela respiração, aquelas contrações, está a tantos e tantos minutos. Pronto, depois contas-nos a tua experiência de trabalho de parto.

Seguramente, Helena.

Seguramente.