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Como sempre com o diretor do Observador, Miguel Pinheiro. Miguel, muito bom dia. Bem-vindo, boa semana.
Bom dia.
Miguel, vamos começar pelo teu bom de hoje.
O bom desta segunda é o bom senso dos portugueses. Nós hoje vimos uma sondagem que foi divulgada no Público e que mostra que 66% dos inquiridos acreditam que vai haver mais austeridade nos próximos dois anos, 71% acham que vai haver menos emprego, 70% acham que o país vai ser menos rico e 55% acham que as desigualdades sociais vão aumentar. Aliás, os portugueses não se limitam a achar uma coisa ou outra, eles comportam-se de acordo com isso e portanto 60% das pessoas que foram ouvidas já decidiram que vão ficar em casa nas férias. António Costa e todos os ministros do Governo podem fazer uma filinha para jurar aos portugueses que está tudo bem, que a crise vai desaparecer de forma mágica, sem que cada um de nós tenha de pagar a fatura, seja de uma forma ou seja de outra, mas os portugueses já viram muita coisa e já sabem como é que tudo isto funciona. E funciona sempre mal para eles, por isso já estão preparados.
Miguel, avançamos para a tua escolha no mau de hoje.
O mau é Mário Nogueira. O líder da FENPROF disse que vai acusar o Ministério da Educação e a Direção-Geral da Saúde de responsabilidade moral e eventualmente material, palavras dele, caso algum professor morra por covid-19 nas escolas. As orientações das autoridades para o regresso às aulas têm sido confusas, têm sido contraditórias e têm sido tardias, mas mesmo esses erros e equívocos são preferíveis à posição da FENPROF. Desde o início deste processo que se percebeu que os sindicatos de Mário Nogueira querem dificultar o mais possível o regresso às escolas e que Mário Nogueira quer usar todo este processo para simplesmente conseguir mais dinheiro para os professores. Para a FENPROF, todas as dificuldades são apenas uma oportunidade para negociação.
Miguel, vamos lá ao vilão desta segunda-feira.
O vilão é Rui Rio. O líder do PSD criticou a contratação de Cristina Ferreira pela TVI porque acha que uma televisão que recebeu apoios do Estado na forma de antecipação de publicidade institucional não pode fazer despesas destas. E há dois problemas com esta posição do líder do PSD. O primeiro é que a TVI não está a pagar a Cristina Ferreira por achar que ela tem uns olhos especialmente bonitos ou por gostar de deitar malas de notas pela janela. Podia ser uma coisa dessas, mas não é. Rui Rio não percebe que a TVI está a pagar-lhe uma enorme quantidade de dinheiro porque simplesmente acha que assim a empresa vai ganhar ainda mais dinheiro e com isso vai ficar financeiramente mais saudável e vai manter ou até aumentar os postos de trabalho. O segundo problema da posição de Rui Rio é que ela é a confirmação daquilo que já se suspeitava. Os responsáveis políticos achavam e acham que os apoios do Estado à comunicação social lhes dá o direito de interferir nas decisões legítimas das administrações das televisões, dos jornais e das rádios que aceitaram esse dinheiro. E Rui Rio, além disso, acha mesmo que seria capaz de gerir a TVI melhor, muito melhor do que quem lá está. E por isso eu tenho uma proposta. Se acha isso, candidate-se ao cargo.
Miguel, ele pode achar que geriria bem uma fábrica de calçado também.
Por exemplo, mas também vamos lá ver, a diferença não é grande.
Exato.
Na cabeça dele não é grande.
O bom, o mau e o vilão com o Miguel Pinheiro hoje e aqui em resumo o bom, o bom senso dos portugueses, o mau, Mário Nogueira e o vilão desta segunda-feira, Rui Rio. Miguel, boa semana. Até já.
Até já.
Olá, eu sou o Miguel Pinheiro. Obrigado por ouvir. Se gostou, pode subscrever este podcast e se gostou mesmo muito, pode partilhá-lo. Este é um podcast da Rádio Observador. Pode ouvir a rádio online e também em FM, 98.7 na Grande Lisboa e 98.4 no Grande Porto.