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Começa agora o Domínio da Guerra das manhãs 360, sempre com o major-general Fábio Moreira. Bom dia, bem-vindos.
Olá, bom dia a todos.
Esta foi a semana das críticas de Donald Trump e Vladimir Putin. Não houve praticamente nenhum dia em que Trump não mostrasse o seu descontentamento e até o seu desespero para com o presidente da Federação Russa. E tudo começou pelo ataque brutal da Rússia com drones e mísseis balísticos durante o passado fim de semana. General, como é que se explica esta nova assertividade na retórica de Donald Trump? Está a ficar cansado.
Poxa, desespero é uma boa palavra. Podíamos caracterizar esta semana, se quiséssemos escolher um título para a semana, foi a semana das zangas, em que toda a gente andou a mostrar que se tinha zangado com alguém. E eu vou começar antes da zanga com Putin, da zanga com Netanyahu. Também houve uma zanga com Netanyahu a meio da semana, porque os Estados Unidos começaram o processo negocial com o Irão. Esse processo negocial não tem corrido mal e Israel está muito desconfiado do que pode ser o resultado deste-
O que anda a discutir, não é?
Sim, o que se anda aqui a discutir. O que o Irão anda à procura nestas negociações é obter uma espécie de concordância do sistema internacional, da comunidade internacional, sobre a capacidade de continuar a enriquecer urânio, sem que isso seja lido pela comunidade internacional como uma tentativa de chegar à bomba atómica. Certamente que essa é a grande ambição do Irão, tem feito repetidamente esses avanços, mas vai mantendo esta duplicidade entre a necessidade industrial de alimentar o seu programa civil nuclear e a capacidade de ir progredindo bastante rapidamente para um enriquecimento suficiente para produzir um arsenal nuclear. Ora, esta aproximação entre os Estados Unidos e o Irão nas negociações começou a ser mal interpretada do ponto de vista de Israel. Israel acha que, como os Estados Unidos estão com uma política externa de apaziguamento, que este apaziguamento conduzido por Trump em relação ao Irão, daqui possa resultar um conjunto de mecanismos fracos no acordo e também nos mecanismos de verificação da progressão do tal enriquecimento. E portanto, para torpedear este processo, disse que Israel pode vir a atacar os sítios iranianos.
Só para mexer um bocadinho com as coisas.
Só para mexer um bocadinho com estas coisas. Trump viu nisto uma intervenção descarada de Israel para fazer descarrilar o processo das negociações. E, portanto, a zanga de Trump com Netanyahu tem um bocadinho a ver com isto. Trump achou que a intervenção de Netanyahu se destinava a fazer descarrilar o processo das negociações. Mas essa foi apenas uma zanga a meio da semana, porque durante a semana a zanga foi com Putin. Zelensky também levou alguma coisa, porque Trump nunca consegue. Trump tem que dar uma palavrinha para outro. Mas, na verdade, a verdadeira zanga foi com Putin. Ora bem, por que esta zanga com Putin? Esta zanga tem uma origem, e essa origem é o bombardeamento brutal que durante o fim de semana passado ocorreu, feito por mais de 900 drones, mísseis de cruzeiro e mísseis balísticos sobre as cidades ucranianas. Não houve aqui propriamente objetivos militares que fossem facilmente identificáveis por nós. A todos nós nos pareceu que a Federação Russa decidiu, a meio do processo negocial que tinha começado em Istambul no dia 16, marcar a sua posição de força e conduzir um dos mais brutais ataques sobre as cidades ucranianas. Trump também viu nisto o quê? Uma tentativa de torpedear, mais uma vez, agora pela Federação Russa, o processo negocial que ele anda a procurar desenvolver para aproximar as partes. E, portanto, ficou possesso. Essa é uma palavra adequada, um adjetivo adequado para o estado de espírito de Donald Trump. Donald Trump ficou possesso com Putin. E então, o que fez? Foi para a sua rede social, esta é a grande política norte-americana agora, é nas redes sociais, e disse o seguinte. Eu hoje trouxe as frases de Trump para podermos ver isto com mais atenção. "Eu sempre tive uma relação muito boa com Vladimir Putin, da Rússia, mas aconteceu-lhe alguma coisa. Ele ficou absolutamente louco." Esta é uma palavra muitíssimo forte nas relações internacionais, chamar louco ao presidente de um outro país. "Ele está a matar desnecessariamente muitas pessoas, e não estou a falar apenas de soldados. Mísseis e drones estão a ser disparados contra cidades na Ucrânia sem qualquer razão." Isto foi o que Trump escreveu na sua rede social. Ora bem, o que nós vemos aqui?
A verdade é que isso está a acontecer há anos.
Exatamente. Sim. Parece-me que foi a intensidade Por um lado, a intensidade deste ataque e, por outro lado, a altura, o momento que foi escolhido por Putin para mostrar que é ele que controla todo este processo. Isto foi de tal maneira forte que toda a gente foi correr ao Kremlin para obter declarações. E quem foi chamado a prestar declarações foi o Peskov, que tem aquele estilo muito angelical de transmitir as mensagens do Kremlin. E o que nos disse Peskov? "Nós interpretamos estas declarações como resultado de uma sobrecarga emocional". Isto é lindo.
É um burnout.
Isto é fantástico. Está desculpado, Trump, isto trata-se apenas de uma sobrecarga emocional. Isto é, o senhor presidente vá tomar uns comprimidos para se acalmar e vá jogar golfe na Flórida e deixar de se preocupar excessivamente com estas questões. Esta foi a frase liminar do Kremlin a dizer: "Não tens nada a ver com isto, fazes favor de te acalmares". Trump não ficou nada satisfeito com isto, voltou à carga na terça-feira.
Se não é de escalar, não é de ficar.
Voltou, não é de escalar. Voltou outra vez à carga na terça-feira. E disse uma coisa que é extraordinária e que merece muito a nossa análise, que é: "O que Vladimir Putin não percebe é que se não fosse por mim, muitas coisas más já teriam acontecido à Rússia. E quero mesmo dizer muito más. Ele está a brincar com o fogo". Isto é bastante mais forte ainda do que chamar louco. Louco é um estado de espírito, aqui já não é um estado de espírito. Aqui há vários elementos que são importantes. O primeiro é que ele se assume publicamente como o protetor de Putin. Isto é, é graças a mim, se não fosse eu, atenção, Putin, tu não estás a dar-me o valor que eu mereço, porque sou eu que estou ali a impedir, a bloquear um conjunto de coisas que poderiam ser muito más para a Federação Russa. E o muito más foi repetido com grande ênfase. Ele está a brincar com o fogo, o que significa que o desrespeito que isto tem por mim pode ter implicações, porque eu posso deixar de ser o defensor da posição de Vladimir Putin. Peskov foi mais uma vez chamado a reagir. Os repórteres andaram entre a sala oval e o Kremlin, neste jogo, neste pingue-pongue desta zanga. O que é que desta vez respondeu Peskov, também de forma muito angelical? "É óbvio que o lado americano tem desenvolvido imensos esforços no sentido de encontrar aqui um acordo de paz. E o presidente Trump está cheio de vontade de o fazer rapidamente". Mas depois vem a segunda parte.
Esta era a parte boa.
Isto é a parte boa. Agora vem outra parte. Ainda acrescentou mais um louvor a Trump. Diz: "Nós queremos repetir que estamos muito gratos ao presidente Trump pelos seus esforços de mediação". Que é como quem diz: "Nós não ligamos nada a esses esforços de mediação, mas estamos imensamente gratos". Mas depois vem outra parte, porque há sempre um mas nas declarações russas. "Ao mesmo tempo", dizia Peskov, "há um grande número de pormenores que têm que ser discutidos e que não podem ser negligenciados, porque nenhuma das partes vai sacrificar esses pormenores por causa dos seus interesses nacionais". Aqui está a resposta formal, que é como quem diz: "Muito bem, nós compreendemos os esforços de Trump, Trump é fantástico, mas nós não vamos abdicar daquilo que são os detalhes que são importantes para o interesse nacional". Esta resposta, ainda assim, foi num tom mais ou menos simpático, mas a artilharia pesada do Kremlin veio ainda no próprio dia reforçar esta mensagem. E então escolheram um conselheiro de Putin, Yuri Ushakov, que disse o seguinte num canal público da televisão russa, o Russia 1. Diz ele: "Trump diz muitas coisas. Naturalmente, nós lemos e monitorizamos tudo isto, mas em muitos aspectos", isto agora é terrível, "chegamos à conclusão que Trump não está suficientemente informado sobre o que está realmente a acontecer no contexto do confronto russo-ucraniano". Isto é extraordinário, é como quem diz: Trump não percebe nada deste assunto, apesar de estar a tentar segurar este assunto já há vários meses. Ele não está a ler bem esta situação. E, portanto, ele diz, na verdade, muitas coisas, mas essas coisas não fazem sentido, porque ele não está suficientemente informado sobre isso. Trump não gostou também, outra vez, desta cena. Mas antes que Trump tivesse a oportunidade de voltar à carga, veio Peskov dizer uma coisa extraordinária. Isto é extraordinário. O que disse Peskov no final desta semana das zangas? Putin não tem, neste momento, planos para falar com Trump Isto é o máximo!
É quase o ponto final.
É. Escusa Trump tentar telefonar a Putin. Putin não tem plano para falar com Trump, não vai atender o telefonema.
Não tem intenções, não tem agenda.
Não tem agenda, não está disponível para ouvir Trump sobre isto. Isto é absolutamente extraordinário. É reduzir Trump à insignificância do ponto de vista daquilo que é a sua influência sobre a Rússia. Portanto, esta semana passámos aqui numa espécie de demonstração de dois egos. Enquanto Trump estava convencido, continua convencido, ou pelo menos as suas declarações assim o fazem imaginar, que ele tem uma relação muito boa com Putin, mas a verdade é que Putin não está disponível para atender os telefonemas de Trump. Portanto, esta é uma relação de um amor não correspondido que pode terminar em tragédia.
Pois, esse é que é o problema. Depois de a Rússia ter recusado primeiro o Vaticano e depois Genebra como locais para a segunda ronda de negociações com a Ucrânia, tudo aponta para que Istambul seja de novo escolhida como destino do reencontro das delegações russa e ucraniana. Major-general, haverá apenas uma troca de memorandos com as condições de negociação ou podemos esperar algo mais deste novo encontro?
Eu passei a semana a desenvolver este encontro, porque eu acho que este encontro é muito característico.
É já na segunda-feira.
É. Vamos ver.
A intenção é que seja.
A intenção é que seja segunda-feira. Eu prestei muita atenção a este processo negocial e se o trago hoje aqui é porque perceber este processo negocial é também perceber aquilo que tem sido a estratégia da Federação Russa. E é extraordinário como os Estados Unidos conseguem aturar toda esta sobranceria russa. Eu tenho aqui os aspectos principais da marcação da agenda para esta segunda reunião. Esta seria a primeira reunião entre a Ucrânia e a Rússia, depois de se falar em cessar-fogo e da primeira reunião em Istambul, que foi no dia 16. Dessa reunião, que foi uma reunião de baixo nível, como na altura referimos, resultou um entendimento, para além da troca dos prisioneiros, de que se marcaria uma nova reunião e que para essa reunião seriam apresentados memorandos por cada uma das partes relativamente à sua visão sobre o processo negocial e sobre os objetivos a atingir com esse processo negocial. Devo recordar que quando saímos de Istambul não havia nada marcado, isto é, não estava marcado local da próxima reunião, não estava marcada data da próxima reunião, não estava marcada mediação da próxima reunião. Isto é, conseguimos fazer uma reunião sem marcar nada. Este pormenor é importante. E também não se percebeu porque a reunião não continuaria na Turquia.
Se começou ali.
Se começou ali, por que a reunião não era na Turquia? Ganhou-se tempo outra vez. Isto é, ao não se fixar qual era o local da reunião, pôs-se logo em cima da mesa um conjunto muito grande de outras soluções. Falou-se no Vaticano. Putin esperou alguns dias sobre a questão do Vaticano e depois veio dizer: "Nós, como países ortodoxos, não nos sentimos confortáveis em sermos mediados pelo Vaticano". Mas a mediação pelo Vaticano, eles não iam rezar ao Vaticano.
Era apenas o local.
O Vaticano é um Estado como os outros Estados reconhecidos em todo o mundo. Era apenas o local da reunião. Ser cristão ou não ser cristão, aqui não trazia diferença nenhuma.
Foi apenas um argumento.
Foi apenas um argumento que permitiu adiar mais alguns dias a decisão. Depois falou-se em Genebra e, por razões que também não foram suficientemente discutidas, também Genebra caiu. Então voltou-se à Turquia outra vez. Mas este processo, vejamos como ele é construído. Ele é construído sempre com dúvidas sucessivas sobre datas, sobre locais, sobre mediadores, etc, colocando tudo sempre outra vez na casa de partida.
Quando há uma real intenção de acontecer, as coisas funcionam de outra maneira.
Exato. Regresso à casa de partida, que é aquele termo que eu tenho já utilizado aqui várias vezes. A Rússia vai fazer este processo regressando sempre à casa de partida. Não sabemos quem é o mediador, nem quem é o local, nem qual é a data, nem qual é a intenção. Nada disto. Mas havia mais, porque havia um compromisso de entregar um memorando. Cada uma das partes iria entregar o memorando. A Ucrânia entregou o memorando a Kellogg, o enviado especial de Trump. Kellogg não recebeu o memorando da Federação Russa. A Federação Russa não entregou o memorando a Kellogg. Peskov veio a jogo dizer o seguinte: "Nós dispensamos os Estados Unidos de receberem o memorando. Nós vamos entregá-lo diretamente à Ucrânia", e depois disse uma frase a que não ligámos muito, mas que agora me parece relevante, que é: "Para explicarmos os detalhes desse plano". O que significa que não tencionam entregar, ou não o fizeram, pelo menos até agora, entregar à Ucrânia o memorando antes da reunião. Então na reunião anterior prometemos o memorando. Depois, a Ucrânia entrega o memorando. A Rússia diz que não entrega o memorando e que quer explicar pessoalmente o memorando à Ucrânia. Como quem diz, mais uma reunião em que não vai acontecer nada, só vai ser para explicar as coisas. Sempre mais uma vez a ganhar tempo. É absolutamente extraordinário ver este processo negocial. E agora está a culpar a Ucrânia, porque a Ucrânia disse: "Para que há reunião se não há o memorando? Nós já entregamos o nosso memorando, devíamos ter recebido o memorando da Federação Russa".
E então vamos discutir os memorandos.
E agora, o que diz a Rússia? "Nós não sabemos se vai haver reunião, porque a Ucrânia não confirmou a sua presença na reunião". É por isso que eu trouxe este aspecto bem desenvolvido sobre o que é este processo de natureza negocial e sobre a má fé em todos os aspectos que transpira daquilo que é a posição negocial russa. Bom, por que não entregou aos Estados Unidos? Quer manter os Estados Unidos fora de todo este processo. E depois há uma coisa extraordinária. Eu tive que ir repescar esta frase, porque me parece importante. Perguntaram a Maria Zakharova, que é a porta-voz do Ministério Russo dos Negócios Estrangeiros, que se andava a falar da presença de representantes europeus, mais do que da União Europeia, na mesa de negociações, porque isto tem a ver também com a arquitetura de segurança e defesa da Europa. O que diz Maria Zakharova, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros? "Talvez debaixo da mesa". Isto é de uma violência brutal. A Rússia acha que o lugar da Europa numa mesa de negociações é debaixo da mesa. Isto é absolutamente indescritível e é por isso que eu trago isto, para que os nossos ouvintes estejam muito bem informados sobre este processo negocial.
A nossa cortina de fumo de hoje incide sobre as declarações do chanceler alemão, Friedrich Merz, que nesta quarta-feira recebeu Zelensky, em Berlim, quando todos esperávamos que confirmasse a entrega dos mísseis Taurus à Ucrânia, eis que referiu a produção conjunta de mísseis de longo alcance. General, afinal, os prometidos Taurus vão ou não vão para a Ucrânia? Que fumo foi este que apareceu em Berlim?
Não sabemos. Este é um fumo que apareceu subitamente em Berlim e que está mais condicionado pela política interna na Alemanha e na segurança da coligação, que obriga a que sejam atendidas também algumas das preocupações do SPD. Merz fez toda a sua campanha eleitoral falando também com assertividade sobre a questão dos Taurus, e todos ficamos convencidos que afinal os Taurus iriam mesmo ser entregues à Ucrânia. Nós agora estamos na dúvida se os Taurus vão ser entregues ou não, porque Merz escolheu a via da cortina de fumo. Não vai ser muito explícito sobre este assunto. Mas como tinha feito uma promessa e estávamos à espera de uma promessa, veio modificar as palavras. Isto é, em vez de entregarmos os Taurus, o que nós vamos é a uma produção conjunta com a Ucrânia de mísseis de longo alcance, que permitam à Ucrânia desenvolver o combate em profundidade no interior do território russo. Ora bem, podem ser Taurus. Também podem ser Taurus modificados pela Ucrânia. Corresponde basicamente a raspar as indicações alemãs e pintá-lo de novo com outra cor. Ou pode, eventualmente, serem apenas os planos de natureza tecnológica que permitam à Ucrânia desenvolver este sistema. A Ucrânia está muito otimista com isto. Isto é, aquilo que assinou em Berlim deixou-a com grande otimismo, e acha que no espaço de algumas semanas é capaz de já ter os primeiros protótipos a funcionar. De qualquer maneira, esta cortina de fumo, de evitar referir a palavra Taurus em todo este processo, não deixa de ser significativo e tem a ver com os equilíbrios internos políticos na Alemanha.
E acabamos como começamos. Esta foi definitivamente a semana das zangas.
A semana das zangas.
Hoje colocamos o nosso ponto de mira sobre Elon Musk, que se zangou com Donald Trump e pretende abandonar o seu cargo no departamento de eficiência governamental. Mas este cargo não tinha um prazo, o que se está afinal aqui a passar?
Nós já estávamos à espera que isto acontecesse. Esta lua de mel estava destinada a acabar.
Duas personalidades muito fortes.
Muito fortes. Estava destinada a acabar. E em abril, Elon Musk já tinha sugerido que estaria talvez em tempo de começar a desligar-se de todo este processo da reestruturação governamental nos Estados Unidos. Ora bem, há aqui duas questões. Uma tem a ver com a substância, outra tem a ver com o método. Temos que ter alguma compreensão sobre a substância. Em novembro de 2024, o governo federal norte-americano empregava três milhões de funcionários. Portanto, há provavelmente aqui, em três milhões de funcionários, muita ineficiência e muitos lugares a mais. É o 15º maior empregador do país. E aquilo que este departamento queria era reduzir em cerca de 12% os funcionários. Dezenas de milhares de pessoas foram umas despedidas, outras suspensas, outras ficaram em regimes temporários, sem saber sobre o seu futuro. Só que o processo foi caótico e não foi nada transparente. Ninguém percebeu por que isto tinha acontecido, por que tinha sido despedido.
E a forma como aconteceram, acho eu.
E mais, muitos foram para tribunal e ganharam, tiveram que ser readmitidos, e outros tiveram que ser readmitidos por força das circunstâncias. Afinal, as agências que tinham sido suspensas ou que tinham sido eliminadas eram necessárias ao funcionamento do sistema. Portanto, esta tentativa de, em dois meses, enfrentar este enorme elefante na sala, que são três milhões de funcionários, não correu bem, porque não há tempo para o poder fazer. Isto foi feito à bruta, em vez de ser pensado como deveria ser. E, portanto, Elon Musk começou a ser tratado nos Estados Unidos como um ativo tóxico. E os ativos tóxicos são tóxicos em todo lado. Tóxico do ponto de vista empresarial e as ações da Tesla e o número de venda dos carros começaram a cair em todo o mundo, e tóxico também para o governo Trump. Trump estava mais ou menos protegido por Elon Musk. Toda a fúria da sociedade americana para com esta reestruturação estava focada em Elon Musk. Isto para Trump também era uma válvula de segurança. Era Musk sobre o qual concentrava os olhos. Pois agora, com esta saída de Elon Musk, vai ter que arranjar outro bode expiatório. É o fim da política para Elon Musk? Não sabemos.
Não sei se se aguenta.
Não. Ele mostrou muita vontade em intervir politicamente nos Estados Unidos. Vamos ver o que o futuro nos reserva.
Uma coisa é certa, quanto a nós, o futuro reserva-nos um próximo "Ponto de Mira" DG na próxima semana. Até lá, general.
Um bom fim de semana a todos. Muito obrigado.