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Está no ar o Domínio da Guerra da Rádio Observador, sempre com o Major-General José Renam Moura. Bem-vindo!

Olá, muito bom dia a todos.

Já venho saudar as pessoas.

A nós também.

Lembro que além da rádio, também nos pode acompanhar nas redes sociais e no site do Observador. Comecemos pela guerra na Ucrânia, entre ataques e contra-ataques na região de Kursk e alguns avanços russos no Donbass. Esta semana ficou marcada por muitos outros desenvolvimentos na área diplomática e na área mediática, que mostram a complexidade desta guerra em múltiplos tabuleiros. General, que análise nos merece esta semana?

Eu trouxe vários tabuleiros para abordar este tema. Vamos começar pelas dinâmicas da frente de combate. As dinâmicas mantêm-se semelhantes àquilo que nós temos assistido nas últimas semanas. Há progressão em direção a Pokrovsk. Na verdade, a Federação Russa está, neste momento, mais do que a avançar em direção àquela cidade do oblast de Donetsk, está, sobretudo, a alargar a sua frente. E em Kursk, a situação está muito fluida. Quer aparecem novas tentativas da Ucrânia de conquistar mais território, quer tentativas de contra-ataques da Federação Russa no sentido de tentar recuperar algum do território perdido. A situação está muito fluida e estas dinâmicas não são novas, são dinâmicas que já vinham do anterior. Há, no entanto, dois aspectos interessantes, que são os aspectos relacionados com os recursos. Uma das formas que leva as guerras a terminar é a falta de recursos. Ora, os recursos vão se multiplicando, continuam a multiplicar-se, mas isto mostra que esta guerra está a consumir imensos recursos. Um dos primeiros sinais dos recursos humanos tem a ver com o facto da Ucrânia ter autorizado o recrutamento de cidadãos estrangeiros para o seu exército. E, portanto, o que é que isto revela? Necessidade de reforçar os recursos humanos. Isto é uma guerra que está a perdurar dentro daquilo que é o espírito da criação de novos recursos. E, por outro lado, o anúncio surpreendente por parte do Vladimir Putin, de que vai aumentar em 180 mil homens, outra vez, o seu exército, porque, na verdade, o último aumento tinha sido em dezembro, foi há menos de um ano. Há menos de um ano, ele acrescentou 170 mil homens. Agora vai acrescentar 180 mil. Isto é, o exército da Federação Russa já está, neste momento, com 2,4 milhões de pessoas. Isto é uma coisa absolutamente brutal. Entretanto, nós achamos que o serviço militar obrigatório continua a ser absolutamente desnecessário. O primeiro era o aspecto das dinâmicas, o segundo aspecto era o aspecto dos recursos, o terceiro aspecto tem a ver com uma progressão absolutamente inacreditável da Ucrânia, do ponto de vista do alcance e do impacto dos seus drones na guerra em profundidade na Federação Russa.

Aliás, como vimos esta semana.

E desta vez, a vítima foi o depósito de munições de Toropets. Toropets fica a cerca de 480 km da fronteira, portanto, é um ataque na profundidade. Mas Toropets não era apenas um depósito de munições como aqueles que têm sido batidos até agora. Era um enorme depósito de munições. Pensa-se que estariam lá mísseis S-300, S-400, mísseis norte-coreanos, mísseis Iskander, bombas planadoras, granadas de artilharia.

Todo um material muito essencial para a Rússia.

Todo um material essencial. Um Iskander, por exemplo, pesa quatro toneladas. Veja-se a quantidade de explosivo que estava ali armazenado. O ataque simultâneo de vários drones a esta infraestrutura logística fundamental para a Federação Russa levou a um terramoto registrado de 2.8 na escala de Richter, o que significa que isto foi uma coisa brutal. O depósito esteve a arder durante cinco horas, cheio de explosões, pareciam explosões daquelas das bombas atômicas. Ou seja, a Federação Russa pode ter perdido, aqui em Toropets, uma quantidade imensa de material. Mas Toropets até era uma instalação não muito antiga, era uma instalação até relativamente recente. Foi inaugurada não há muito tempo. Simplesmente, as munições não estavam dentro dos bunkers que tinham sido construídos.

Esse pormenor.

É, que pormenor! Muitas das munições estavam fora dos bunkers e isso explica a escala das explosões que ocorreram aqui. Há mais uns cerca de seis depósitos deste gênero, basicamente até à volta na área de Moscovo, a que a Federação Russa estará agora certamente muito mais atento do que esteve com Toropets. O último tema que eu trazia relativamente à Ucrânia é o tabuleiro mediático. O tabuleiro mediático é um tabuleiro onde se joga o quê? Joga-se a nossa vontade É no tabuleiro mediático que se joga a vontade do Ocidente de prosseguir ou de não prosseguir a guerra, de apoiar mais, apoiar na mesma, ou apoiar menos, ou até retirar completamente o apoio à Ucrânia. Ora, a Federação Russa tem vindo a tornar-se mais sofisticada nesta questão. E eu recolhi aqui quatro ou cinco exemplos que me parecem fantásticos. Esta semana, a Meta, que é a empresa mãe do Facebook, do WhatsApp, do Instagram, etc., decidiu retirar das suas plataformas a RT, a Russian TV, que tem sido o meio mais interessante ao dispor do Kremlin para veicular as suas opiniões junto do Ocidente. Pois a Meta entendeu que estavam a ser violados os princípios de utilização das suas plataformas, que havia interferências de natureza política e mandou retirar e suspender a utilização das suas plataformas pela RT. Ora, a RT tinha, por exemplo, no Facebook, 7,2 milhões de seguidores e tinha 1 milhão de seguidores no Instagram. Isto para vermos a escala disto. Mas a RT era aquilo a que eu chamaria o instrumento sofisticado, o instrumento que dava um certo ar de credibilidade informativa, porque tinha um formato muito semelhante às nossas grandes cadeias de informação. Ora, funcionários da RT já tinham sido visados pelo Departamento de Justiça norte-americano há poucos dias. Por quê? Porque estavam a fazer lavagem de dinheiro no sentido de contratar uma empresa norte-americana. Esta é que é a sofisticação. A Rússia já não faz propaganda. A Rússia agora contrata empresas ocidentais, com especialistas ocidentais, para passar aquilo que é a mensagem que o Kremlin quer passar junto da opinião pública e, portanto, contrata sofisticadamente. Em Itália, começaram a aparecer cartazes em que aparecem duas mãos, uma mão com as cores da Rússia, outra mão com as cores de Itália, a cumprimentarem-se com o título sugestivo "A Rússia não é a nossa inimiga". Ui! Portanto, cartazes, billboards da publicidade na rua com estes cartazes, a mão italiana a apertar a mão russa, a dizer: "A Rússia não é a nossa inimiga". Quando vamos olhar em detalhe, quem é que faz estes anúncios? Pois não é a Federação Russa, não é a embaixada russa que mandou lá pôr. São os grupos antivacinas que se formaram durante o Covid. Isto é, a Federação Russa está, neste momento, a puxar para si um conjunto de grupos existentes, formados na sociedade ocidental, que alimentam as teorias da conspiração, que alimentam a teoria das vacinas Covid, etc., para utilizá-los como seus instrumentos. Portanto, esses grupos acabam por ser financiados pela Federação Russa para porem cartazes destes. Ora, eu relembro que este cartaz que diz "A Rússia não é nossa inimiga", também diz outras coisas espetaculares. Diz assim: "Fim ao financiamento de armas para a Ucrânia e para Israel. Queremos a paz!" Ora, o "queremos a paz" relembra-me imediatamente Nova York, 1941, em que pessoas desfilavam na rua dizendo o seguinte, lê-se nestes cartazes que existem nestas fotografias: "Hitler não nos atacou. Por que é que vamos atacar Hitler?" E no cartaz que vinha atrás, dizia também: "E por que não a paz com Hitler?" A paz depois de terem conquistado territórios, pois é o que sempre se quer. O problema é que não se falou de paz antes de haver a invasão. Portanto, esta gente que lida com o termo da paz, utiliza-a num contexto diferente, porque a paz é quando as nações estão amigas uma da outra e não existem relações de conflitualidade entre si. Agora, sugerir a paz quando uma já tomou 18% do território da outra, isto já é de um cinismo atroz. Isto para ver que as campanhas da Federação Russa estão cada vez mais sofisticadas. E neste momento, há uma investigação a decorrer em alguns órgãos de comunicação ocidentais sobre uma espécie de um filho do Kremlin, de uma agência social do Kremlin, que tem por objetivo recrutar pessoas influentes junto da sociedade ocidental para serem os veículos da propaganda russa. Portanto, esta guerra contra a nossa vontade é uma guerra que está cada vez mais sofisticada e que não vai ficar por aqui. Vamos manter-nos atentos.

General, não há processo de paz que aguente tantos novos episódios de violência como no Médio Oriente. Nesta terça-feira, toda a nossa atenção se concentrou na explosão de milhares de dispositivos de comunicação, os conhecidos pagers, que estavam na posse de pessoas ligadas ao Hezbollah. Na quarta-feira explodiram os walkie-talkies. Israel não reivindicou nenhuma destas explosões, mas sabemos que tem por hábito não comentar as suas atividades operacionais no estrangeiro. Mas, General Arnaut Pereira, como é que foi possível Desencadeou-se uma operação com estas proporções e agora o que é que podemos esperar depois disto? Já se fala de uma guerra com o Líbano.

Exatamente. É que nós não nos lembramos de um único ato de guerra que tenha provocado recentemente milhares de feridos e quase quatro dezenas de mortos. Recordamos certamente de coisas catastróficas, mas com esta dimensão, isto é absolutamente também extraordinário recentemente. Ora, vamos ao início disto, porque esta é uma história muito interessante que importa aqui desenvolver. O Hamas tem um problema com o seu sistema de comunicações. O sistema de comunicações do Hamas utilizava aplicações que corriam em telemóveis. Em fevereiro deste ano, o líder do Hezbollah, o Hassan Nasrallah, avisou os membros do Hezbollah com muita atenção aos telemóveis. Os telemóveis são mais perigosos do que os espiões israelitas e devem ser fechados em cofre, destruídos, partidos, eliminados, enterrados. Isto é, já o Hezbollah desconfiava que Israel tinha acesso àquilo que eram os telemóveis ou pelo menos as comunicações feitas através dos telemóveis.

E, portanto, tiveram que encontrar outras soluções.

Pois. Os telemóveis têm uma arquitetura aberta. Significa que nós vamos podendo acrescentando funcionalidades. À medida que acrescentamos funcionalidades, também estamos a acrescentar vulnerabilidades no sistema. Bom, os telemóveis têm uma característica que até muitos de nós desconhecemos, é que mesmo quando nós temos o telemóvel, ele está a comunicar. Isto é, a nossa posição está a ser indicada pelo nosso próprio telemóvel junto dos mastros que constituem a rede que tem as antenas das redes de telemóveis. Portanto, o nosso telemóvel está em comunicação permanente, não obstante nós não o estarmos a utilizar. Ou seja, quem conseguir entrar na rede consegue saber onde estão os telemóveis. E a eliminação recente do número dois do Hezbollah, o Hezbollah crê que foi porque Israel conseguiu associar aquele número de telefone àquela pessoa e tendo acesso à rede, foi capaz de determinar onde é que essa pessoa se encontrava. Bom, é aqui que chega a história dos pagers. Os pagers é uma tecnologia antiga, já vem desde os anos 50 e sobretudo nos anos 60, 70.

Ainda brincamos com isso, sobre quem usa pagers.

O que é que acontece com os pagers? É que os pagers têm uma vantagem sobre os telemóveis. Só têm defeitos, mas têm uma vantagem do ponto de vista da segurança, é que não emitem. Recebem, mas não emitem. Isto é, mesmo que se controle a rede, não se sabe onde é que está este pager. Isto é uma vantagem imensa para uma organização hierárquica como o Hezbollah, em que há uma cadeia muito bem estruturada e, portanto, de cima manda-se mensagens para baixo. E agora não estão à espera que os de baixo deem respostas. Já receberam a ordem, façam o favor de cumprir. Portanto, têm essa enorme vantagem. E portanto, era muito mais seguro utilizar os pagers do que utilizar os telemóveis.

Achávamos nós, não é?

Achávamos nós. Até que o Hezbollah faz uma encomenda de cerca de 5000 pagers a uma empresa de Taiwan. Essa empresa, que é a Golden Apollo, na verdade, não fabrica telemóveis. Isto são as consequências da globalização. Nós não sabemos quem fabrica as coisas. A Golden Apollo vendeu a sua label, a sua marca, disponibilizou a outras empresas. Essas empresas afinal dizem que não foram elas que fabricaram, também são intermediários. Esses intermediários também apenas montaram componentes que compraram em módulos. Os módulos também foram construídos em muitos sítios e cada módulo recebeu componentes através de fabricantes e os fabricantes entregaram aos revendedores.

Portanto, é difícil perceber a origem.

É absolutamente difícil perceber a origem. É claro que no meio da origem disso tudo, provavelmente até terá uma empresa israelita que faz a montagem dos pagers e dos walkie-talkies que são distribuídos ao Hezbollah. Bom, não é preciso muito explosivo para isto. Bastam três gramas de explosivo. Ora, três gramas não é nada. É muito fácil meter três gramas dentro de um pager, apesar de os pagers terem poucos centímetros por poucos centímetros. Mas, portanto, agora o que é preciso é: o pager já tem tudo. Tem o explosivo e tem a bateria que vai fornecer a eletricidade para fazer detonar o explosivo. Mas é preciso ainda mais qualquer coisa. É preciso um interruptor, porque senão explodiam logo. Portanto, tem que haver qualquer coisa que diga: este é o momento. O gatilho. Tem que haver um momento em que isso acontece. E isso pode ser feito de duas maneiras, ou feito através de uma espécie de um cronômetro, que conta o tempo até deixar passar a eletricidade, ou através de um circuito mais complexo, mas mais inteligente, que é o de analisar as mensagens que chegam. Quando chega uma mensagem com determinadas características, abre-se, dispara o gatilho e deixa-se passar a eletricidade para fazer explodir o dispositivo. Ora, o que é que isto acontece? Acontece que isto foi seletivo. Isto nunca tinha sido feito desta maneira. Normalmente as vítimas são imensas vítimas para matar poucos militantes do Hezbollah. Ora não, os pagers tinham sido distribuídos precisamente aos elementos, portanto, explodiram nos bolsos, nas mãos ou na cara das pessoas que o tinham. Isto é, do ponto de vista tecnológico, uma ação de uma envergadura absolutamente espetacular, que certamente será estudada de futuro

Esta semana a nossa cortina de fumo não foi lançada pela Federação Russa, mas pelo Ocidente, General.

É verdade.

Por que se falou publicamente, intensamente e a um elevadíssimo nível político sobre a autorização da utilização de armamento ocidental na profundidade do território russo e depois não aconteceu nada? Que fumo estranho foi lançado pelo Ocidente?

É, o Ocidente também lança o seu fumo e nós estamos aqui também para descobrir as cortinas de fumo. Nós andamos a discutir publicamente uma coisa que não pode ser discutida publicamente. Primeiro, porque envolve discussão, envolve pontos de vista diferentes. Quando eu mostro à Federação Russa, de um ponto de vista público, que não concordamos com uma determinada ação, isto é, não estamos todos de acordo.

Já estamos a pensar-

Já estamos a criar aqui um conjunto de fragilidades e vulnerabilidades imensas, porque se isto não é uma decisão de todos, não é uma decisão do Ocidente no seu geral, mas é apenas de um país do Ocidente, então isso simplifica os métodos de ataque e de pressão da Federação Russa sobre aquele país. É diferente. Foi uma decisão de Inglaterra. Não, isto é diferente, foi uma decisão da Inglaterra e de todos os países da NATO e de todos os seus aliados. Portanto, nós temos solidariedade nisto. É muito diferente dizer: "Não, isto é um ato individual de um país."

Claro, e fragiliza esse país.

Então, mas por que tornamos pública esta discussão? Esta é que é a cortina de fumo que eu trago hoje. Eu trago hoje aqui uma teoria da conspiração que rivaliza com as teorias da conspiração daquelas agências contratadas pela Federação Russa. Mas aqui, em segredo, que ninguém nos ouça.

Ninguém.

Que ninguém nos ouça. Por que isto está a acontecer? É que não apenas Keir Starmer foi falar com Joe Biden, como tudo isto se tornou público e este assunto foi público, era público que isto ia ser discutido. E não aconteceu nada. Não aconteceu nada por quê? Agora é a minha teoria da conspiração, isto é segredo. Os Estados Unidos não querem que as armas que podem vir a ser utilizadas na profundidade causem impacto na Federação Russa. E, portanto, é preciso tornar pública esta discussão para dar tempo à Federação Russa de fazer todos os preparativos para que no dia em que sejam autorizados o emprego destas armas, já não haja alvos russos a abater. E, portanto, a Rússia fica satisfeita porque diz, ainda por cima, pode dizer: "Estão a ver que era ineficaz, que não valia a pena terem utilizado isto", e os Estados Unidos mantêm uma boa face para poderem ser o interlocutor final do conflito e quem paga são os ucranianos.

Olhe que essa teoria da conspiração parece-

Ainda não encontrei outra melhor, mas infelizmente pode ser que eu tenha razão.

O nosso Ponto de Mira de hoje regressa ao Iémen. Nesta semana os houthis dispararam um míssil balístico que atingiu Israel. Os houthis referem que foi um míssil hipersónico e a verdade é que não foi possível abatê-lo antes de atingir o território de Israel. Por que o Ocidente, outra vez o Ocidente, ignorou rapidamente o assunto?

Hoje o Ocidente é o bom da fita.

Está na sua mira.

É o bom da festa. Se é verdade que foi um míssil hipersónico, o que é que faz um míssil hipersónico nos rebeldes houthis?

Começa logo, não é?

Começa logo aqui. E por que ninguém fala nisto? Silêncio absoluto. Só há duas formas que justificam o silêncio. A primeira é quando as coisas são desinteressantes, são inofensivas. Mas não é o caso. A segunda é quando nós não temos resposta para isto. E este é que é o problema, é que nós não temos resposta para isto.

Não temos resposta significa ter culpa?

Incapacidade, que é o problema que hoje eu trago aqui o chicote a bater no Ocidente. O que é que aconteceu não muito longe do Iémen no início dos anos 2000 e 2016, entre 2009 e 2016? Operação Ocean Shield foi conduzida, liderada pela NATO, com imensos navios de guerra para assegurar que não havia tomada dos navios mercantes que passavam ao largo da Somália. Isto é, nós, NATO, organizamo-nos para impedir que um conjunto de somalis desarticulados em pequenos barcos e com armas ligeiras, fossem capazes de raptar ou tomar conta dos barcos que ali passavam. Então, o que se passou entre 2016 e 2024, em que exatamente na mesma zona territorial, nós deixamos que os houthis sejam capazes de disparar mísseis balísticos hipersônicos sobre Israel? Isto é absolutamente inacreditável, a falta de atenção que o Ocidente está a dar à questão dos houthis. Vou dar, e para terminar, dois números que são importantes. A distância percorrida pelo míssil dos houthis foi de 2000 km. Quando olhamos para aquilo que é o conflito na Líbia, por exemplo, a distância de Trípoli a Roma são 1000 km. A distância a Lisboa de Trípoli são 2100 km. Este míssil disparado da Líbia sobre Portugal não atingiria Lisboa, mas daria cabo do campo de tiro de Alcochete.

Ai, General.

Ai, ai.

Ai, ai. Até à próxima sexta-feira para mais um Domínio da Rede.

Um bom fim de semana a todos.

Igualmente.