Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Começa agora o Domínio da Guerra da Rádio Observador, sempre com o Major-General José Namora. Bom dia.

Olá, muito bom dia a todos.

Bem-vindo. António Costa, presidente do Conselho Europeu, convocou uma reunião especial dos primeiros-ministros da União Europeia para um debate franco, aberto e livre sobre a questão da defesa. E para isso escolheu a forma de uma reunião informal a que chamou de retiro. Um retiro. General, o que é que saiu deste retiro dos líderes europeus?

Parece que voltámos a 2014. Nós em 2014 ficámos todos surpreendidos quando, de repente, aqueles homenzinhos verdes, homenzinhos de verde, anexaram a Crimeia tomando as suas principais instituições. E depois desenvolveu a insurreição no Donbass. Fazia todo o sentido, nessa altura, que fossem lançadas para discussão um conjunto de ideias sobre o que fazer. Mas entretanto passaram já tantos anos desde 2014 que temos que tornar outra vez, parece que estamos sempre a reiniciar o sistema. Eu julgo que esta é a palavra-chave para isto. O que António Costa está aqui um bocadinho a promover é outra vez: vamos procurar ideias para como é que nós conseguimos construir uma Europa credível na defesa. Há duas estratégias que estão a prosseguir, na minha análise, que estão a prosseguir em velocidades diferentes e em sentidos diferentes. Uma é a estratégia genética. A estratégia genética é aquela que trata da criação de capacidades. A outra é a estratégia operacional. Como é que nós, com as capacidades que temos, como é que nós as empregamos em proveito de uma missão de natureza política que queremos atingir? Portanto, uma estratégia genética e uma estratégia operacional. Os avanços têm sido todos na estratégia genética e não há avanços na estratégia operacional. E temos que refletir porque é que passados estes anos todos continuamos sem conseguir produzir resultados visíveis na estratégia de emprego de capacidades. Mas vamos começar pela estratégia genética. O que é que pode funcionar, o que é que está a funcionar, o que é que pode melhorar na estratégia genética? A primeira tem a ver com: é preciso que nós tenhamos capacidade na investigação e desenvolvimento de produzir equipamentos, a que nós chamamos de armamentos, no caso militar, que sejam capazes de fazer face à nova tipologia de ameaças. Porque senão o que é que acontece? Se nós europeus não o fizermos, vamos ter que comprar norte-americano. É isso. Portanto, nós não podemos ter uma estratégia de dizer assim: "Vamos comprar europeu". Mas o que compramos de europeu tem as características de natureza técnica que garante o mesmo grau de proteção ou de fiabilidade que os sistemas norte-americanos. Nós só podemos desenvolver uma indústria sofisticada de armamento na Europa se houver investigação e desenvolvimento. Nos Estados Unidos, a investigação e desenvolvimento, é claro que é também apoiada pelo Estado, mas é muito feita com base em riscos das empresas e no capital que está acumulado em todas estas empresas. Na Europa, estamos sempre dependentes do Estado e do subsídio do Estado para desenvolver investigação e desenvolvimento. Portanto, estratégia genética. Se queremos comprar europeu, temos que apostar na investigação e desenvolvimento. Segunda questão: a reformulação da indústria de defesa europeia. O que é que cada um pode produzir, que tem capacidade para produzir, e como é que nós vamos articular isto à escala europeia? Isto é, nós não podemos ter um único país a produzir para a Europa. Nós temos que associar a essas empresas.

É uma tendência demasiado grande.

Temos que ir associar também outras componentes. Há países que podem produzir equipamentos inteiros, há países que podem produzir partes para esses equipamentos. É preciso articular a indústria de defesa para que todos estejam envolvidos e todos possam também sentir-se dentro do mesmo barco. Depois, a questão das aquisições. As aquisições têm que ser conjuntas. Hoje em dia, as aquisições conjuntas baixam imenso o preço e diminuem também aquilo que são as especificidades técnicas. Eu uma vez estive envolvido num projeto que consistia em encontrar um helicóptero para o Exército. As especificações técnicas eram diferentes em todos os países. Nem sobre as especificações técnicas a Europa se consegue alinhar. Então vamos todos comprar o mesmo helicóptero, mas o helicóptero tem especificações diferentes de acordo com os países que o vão comprar. Isso não faz sentido.

Não faz sentido nenhum.

Não faz absolutamente sentido nenhum. Há muito progresso que está a ser feito já nesta área, mas há muito por fazer na área da estratégia genética. Agora, o que é que não funciona? O que não funciona é a estratégia operacional. Por que não funciona? A estratégia operacional tem a ver com o emprego destas capacidades. Nós não somos capazes de empregar capacidades. A primeira experiência nesta área foi a UEO, a União Europeia Ocidental. A União Europeia Ocidental não conseguíamos encontrar missões para a UEO. Depois, com a Eurofor, também nos vimos aflitos para encontrar missões. E as missões que muitas vezes fomos capazes de encontrar eram missões que tinham a ver com inimigos que não eram inimigos de natureza convencional, eram adversários, por exemplo Os pescadores da Somália que se tinham transformado em assaltantes de navios que passavam por aí. Estamos a ver que as poucas capacidades que conseguimos desenvolver, acabamos por aplicá-las em conflitos de menor intensidade. Sempre que os conflitos eram de elevada intensidade, já não tínhamos consenso. Por quê? Por causa dos consensos de natureza política. É que para morrerem soldados, tem que haver coragem de natureza política para que isso possa acontecer.

É preciso tomar decisões.

É preciso tomar decisões. A Europa transformou-se num enorme navio que está à deriva. Os navios estão à deriva por duas razões. Pode ser porque falham as máquinas. A máquina do navio europeu é a economia. Estamos sem motor no navio, porque a economia não está a funcionar na Europa como deveria estar a funcionar. E depois também não temos timoneiro, porque nós funcionávamos na Europa sob a liderança dos Estados Unidos, quando os Estados Unidos olham para a Europa de uma forma displicente, isto é, nem Marco Rubio ainda veio à Europa, não houve telefonemas, não houve líderes que fossem visitar, ninguém é recebido, nem ninguém fala em nenhuma perspectiva de uma visita oficial de alto nível que envolva Estados Unidos e Europa. A Europa está perdida e quem poderia segurar os timoneiros, que era a França e a Alemanha, estão também sem conseguir segurar o leme. Nós somos um enorme barco à deriva e esse enorme barco à deriva, por muitas capacidades que tenha, não consegue empregá-las do ponto de vista operacional, porque não tem consenso político para fazer esse emprego. É preciso olhar para as razões de fundo, e as razões de fundo são estas: a Europa já está demasiado grande, está com muita diversidade e o seu processo de decisão não evoluiu com este crescimento e tem que evoluir. Esta coisa de procurar um consenso para todas as decisões tem que acabar. Não é possível continuar a governar um conjunto tão diverso de países, com opiniões tão diferentes sobre as várias matérias, apostado sempre no consenso. Vamos sempre ficar-

Querendo agradar a todos.

Agradar a todos, mas isso não é possível num mundo que está em acelerada mudança. Todos os dias estamos a perder, em relação àquilo que é a marcha do mundo, estamos a perder o nosso querido tempo. António Costa faz muito bem em promover estes retiros, mas os retiros deveriam ser, do meu ponto de vista, uma coisa que tem que anteceder isto, é o processo de decisão política na Europa. É esse processo que está a atrasar tudo o resto. Não é a questão das capacidades militares, é como é que nós organizamos e estamos disponíveis para empregar capacidades militares. Para isso, precisamos de discutir na Europa a questão do processo de decisão política.

Entretanto, e durante a conferência de imprensa conjunta com Netanyahu, o presidente dos Estados Unidos surpreendeu o mundo ao sugerir que a Faixa de Gaza se poderia transformar numa riviera economicamente desenvolvida e que pelo menos temporariamente, os palestinianos deveriam deixar Gaza até as obras estarem concluídas. A sugestão foi universalmente criticada. General, por que Trump fez esta sugestão?

Ui!

Há quem fale em eugenia prática, há quem fale em limpeza étnica, há tantas teorias.

Vamos lá ver. Temos que começar por ver que Trump sugere umas coisas para obter outras. E quem não percebeu ainda isto vai andar perdido durante o resto da administração Trump. Trump sugere umas coisas para conseguir outras. Isto é, trocou aquela questão das tarifas do México pela presença de 10 mil soldados mexicanos do lado de lá da fronteira. Não tem uma coisa a ver com outra. Aqueles que pensam que estamos aqui a lidar com tarifas só de um lado e do outro, não estamos a lidar com tarifas de um lado e do outro. As tarifas são o início de um processo que no final não tem nada a ver com tarifas, tem a ver com a presença de tropas aqui ou ali. No caso de Donald Trump, eu gostaria de deixar aqui aquilo que me parecem que são, sob esta proposta, aquilo que são quatro riscos e também uma potencialidade. Não há só disparates nisto. E a Europa está a perder muito tempo e a ficar um bocadinho cega com esta coisa das indignações, sempre indignada, e depois não vai à profundidade do problema. Quais são os quatro riscos da proposta de Trump? O primeiro é claro, é óbvio, afeta, sobretudo, o Ocidente na sua generalidade. O Ocidente tinha um propósito moral nas relações internacionais. É por isso que é no Ocidente que nasce o Tribunal Penal Internacional, que nasce o direito internacional, que nascem os direitos humanos, tudo isso. Isso é um produto ocidental, claramente. O Ocidente exibia, e aqui também é importante este termo, exibia uma certa liderança moral no mundo. Isto é, ao Ocidente competia dizer o que estava errado e o que estava certo O que era eticamente e moralmente aprovado e o que deveria ser condenado. Ora, para isso precisávamos que os Estados Unidos dessem o exemplo. Os Estados Unidos de Trump não parecem apostados em liderar esta cruzada moral pelo mundo. Aquilo que vai guiar os Estados Unidos são os seus interesses, sejam eles obtidos através da tal liderança moral ou sem liderança moral nenhuma. E portanto, o primeiro risco é que de repente o Ocidente fica sem liderança moral como força, como soft power, para moldar o mundo. O segundo risco é alastrar um problema que está geograficamente delimitado a uma faixa de 40 km por cerca de 9 km de largura, a países que eram estáveis. Isto é, se eu pegar nos palestinos e os colocar no Egito ou na Jordânia, isto vai trazer uma revolução no Egito e na Jordânia, porque eles têm tido imensas dificuldades em conter os extremismos dentro dos respectivos países. Se nós de repente colocamos aquilo que são os mais politizados e os mais radicais de todos os palestinianos, que são aqueles que estão na Faixa de Gaza, se os espalhamos pelo Egito e pela Jordânia, nós arriscamos não a ter um problema delimitado numa faixa de 40 km por 9 km, mas ter dois países que são essenciais para a estabilidade no Médio Oriente, que é a estabilidade da Jordânia e a estabilidade do Egito.

Essa que a reação foi o que foi.

Este é o segundo risco. O terceiro risco tem mais a ver com a forma como nós olhamos para o nascimento das nações. As nações resultam de um processo muito longo de interação entre um povo e um território. É isto que constitui a nação. Há um lado, que é um lado de natureza cultural, que é este povo que se identifica como sendo um povo distinto dos outros e, por outro lado, uma ligação natural a um território, porque os territórios condicionam também a forma como as culturas dos povos se desenvolvem. É por isso que os povos são diferentes, porque estão em geografias diferentes. Ora o que Trump está aqui a fazer é interromper este processo e este laço histórico entre aquilo que é uma cultura e um povo e o seu território. Esta cultura pode ser criada num outro território, desde que se criem as condições de natureza econômica para que isso possa acontecer. Do lado palestiniano, a ideia parece chocante e foi recebida como chocante, porque ela, de alguma maneira, desfaz esta ligação que existe entre as nações e os territórios. E depois há um outro que é do ponto de vista prático, é a escala colossal do projeto. Porque para aquilo que Trump visualiza para ali, demora muito mais tempo do que construir habitação social. É muito mais do ponto de vista daquilo que são os projetos, daquilo que são as infraestruturas necessárias, daquilo que são os materiais que são necessários. Não é a mesma coisa construir para uma coisa ou outra. E portanto, isto tem uma escala colossal. Esta escala colossal ultrapassará largamente o tempo da administração Trump. É um projeto visionário, mas é um projeto que ultrapassa largamente aquilo que nós pensamos que pode ser a dimensão temporal da administração Trump e é entrarmos num projeto cujo fim já não vai depender de quem o vai iniciar. E um projeto desta exige avultadas quantidades de dinheiro e os Estados Unidos estão a procurar poupar em todo lado. Não parece que de repente estejam disponíveis para poder fazer isto. Isto tem aqui, certamente, um conjunto de riscos. E a análise dos riscos é importante do ponto de vista da tomada de decisão estratégica. Nós, quando temos uma decisão estratégica, isto é, que pode influenciar negativamente um conjunto de outros poderes que se encontram numa determinada região, temos que ter em atenção que para isso acontecer, temos que fazer uma análise de risco. A análise de risco exige, e agora vem aqui a virtualidade da proposta de Trump, é preciso pensar em alternativas. A continuidade foi o que nos trouxe até aqui. É aquilo que eu costumo dizer que é o ecossistema dos campos de refugiados. Os campos de refugiados alimentam muita gente.

Já falou disso aqui uma vez.

Já falei disso. Um campo de refugiados, basicamente, o ecossistema é assim: há uma injeção de recursos humanitários de um lado e do outro lado da cadeia produzem-se terroristas. Os campos de refugiados são para muitos a solução, porque é a forma barata de continuar a recrutar e a mobilizar populações O que é que tem o projeto Trump? É dizer: "Vamos acabar com os campos de refugiados". Se isto é tirando os palestinos, isso é outra discussão. Mas é a visualização do conceito que para haver segurança é preciso haver desenvolvimento e estabilidade econômica. Agora, há os que dizem: "Ah, mas isso consegue-se com uma solução política". Mas andamos há dois mil anos à procura de uma solução política. Então não seria também interessante, tal e qual como foi o projeto da criação europeia, que não começou pela estrutura política, começou pela colaboração e o desenvolvimento econômico. A partir do momento em que seja possível criar condições de desenvolvimento econômico, já o Hamas não tem a mesma facilidade de recrutar pessoas desesperadas dentro dos campos de refugiados. Portanto, a proposta de Trump, temos que olhar para ela não apenas do ponto de vista literal daquela proposta, mas temos que ver mais fundo, temos que ver que, na verdade, e em conceito, é capaz de não estar errada a proposta de estarmos a pensar que se calhar é melhor, em vez de continuarmos a garantir esta continuidade que alimenta estes ecossistemas, que vão dar outros 7 de outubro daqui a algum tempo, que talvez fosse bom começarmos a olhar para isto com outros olhos e com outras soluções. Repetir soluções que já falharam, isso parece-me que nos estamos a encaminhar para um novo desastre.

Numa entrevista concedida no interior do seu carro presidencial, Putin veio elogiar Donald Trump e ridicularizar os líderes europeus, dizendo que em breve estarão aos pés do líder norte-americano, abanando as suas caudas. General Arno Moreira, o que é que esconde nesta cortina de fumo de elogiar Trump e de diminuir as lideranças europeias?

Há aqui um aspecto formal inicial que me parece muito interessante. Vamos lá ver. Enquanto Trump aproveita uma conferência de imprensa conjunta para lançar aquelas propostas bombásticas, utilizando um aspecto que poderia ter sido feito não em direto, como foi feito, mas que poderia ter sido anunciado de outras formas para testar reações, etc. Putin fez isto de uma forma muitíssimo sofisticada. Queria dizer mal de pessoas, então não o fez nem no Kremlin, nem de forma formal. Chamou um jornalista, Pavel Zarubin, para dentro do carro presidencial e numa espécie de uma cavaqueira, aquelas conversas de café. Vamos pôr isto numa espécie de uma conversa de café, em que eu agora vou dizer aqui uns disparates e uns insultos sobre os líderes europeus. Portanto, veja-se que não o fez no Kremlin para não dar um caráter muito oficial a isto. Portanto, tudo pensado, tudo muito bem pensado, muito bem preparado. Bom, agora vamos ver o que é que ele disse. Ele disse: "Trump, com o seu caráter, com a sua tenacidade, vai muito em breve trazer a ordem". A ordem é a palavra-chave para Vladimir Putin. E tudo isto, como verão, vai acontecer muito rapidamente. Em breve, todos os políticos europeus ficarão do lado do seu mestre e acabarão por abanar a cauda carinhosamente. Isto é feio. Isto é feio, mesmo dito neste ambiente cavaqueira.

Só Trump pode ter gostado.

Sim, exatamente. O elogio. Esta é a cortina de fumo. Isto não tem nada a ver nem com os líderes europeus, nem com Trump. Isto tem a ver com uma necessidade absoluta de isolar a Europa da América. Isto é, criar aqui um sentimento de que estes são os cãezinhos do dono, sempre a abanar a cauda, para provocar uma reação da Europa contra os Estados Unidos da América. Por quê? Porque Putin quer derrotar a Europa um a um e para isso precisa que os Estados Unidos não estejam comprometidos com a Europa. E, portanto, esta foi a fórmula que ele encontrou para suscitar aqui reações negativas dos líderes europeus em relação à América. Foi muito bem pensado. Não sei se resulta, mas foi bem pensado.

O nosso ponto de mira viaja hoje para o general Keith Kellogg, enviado especial de Donald Trump para a guerra da Ucrânia, que declarou que a Ucrânia deveria realizar eleições presidenciais logo depois do cessar-fogo. Qual é a preocupação que revela esta declaração, General?

Foi tão estranho. Eu fiquei a meditar sobre esta questão. O que é que leva, nesta fase em que não há cessar-fogo, em que não sabemos o que é que Putin aceita ou deixa de aceitar, o que é que leva Keith Kellogg a avançar logo com as presidenciais como sendo o tema central disto? Bom, vou dar a minha leitura, pode naturalmente ser errada e depois ser desmentida, mas é a minha leitura neste momento, porque é a única forma que eu vejo de encaixar estas declarações. Bom, o assunto das eleições presidenciais não é novo. Já a própria administração Biden tinha feito chegar ao gabinete Zelensky a necessidade de se pensar nas eleições presidenciais. O mandato de Zelensky, os cinco anos de mandato, deveriam terminar em 2024 Mas em função daquilo que é a legislação ucraniana, em que não pode haver eleições, nem presidenciais, nem parlamentares, enquanto durar a lei marcial, não havia solução e, portanto, não havia possibilidade de realizar eleições. Agora, vejamos a mãozinha de Putin nisto tudo. Isto mostra que já houve muitas interações entre Moscovo e Washington sobre estas questões. E só assim se explica que Pence quer logo venha fazer um favor a Putin. E qual é esse favor? Putin, como eu já disse aqui na semana passada, não quer pôr a sua assinatura ao lado de Zelensky. Portanto, quer que haja outro presidente ou outro responsável da Ucrânia na altura de assinar o acordo. E então, como é que eu vejo este plano, que eu chamo o plano maquiavélico? Pode não ser assim, mas é como eu o vejo e só consigo justificar esta preocupação do enviado nesta altura falar sobre isto com este plano. Por que não há eleições? Não há eleições porque há uma guerra.

Sim, há uma lei marcial.

Se houver cessar-fogo, já não há guerra, já pode haver eleições. Então o que se está a preparar aqui é que faz-se um cessar-fogo, passa a haver eleições, Trump vai pedir a Zelensky que não concorra.

E Putin já vai assinar o cessar-fogo.

E Putin já vai assinar o cessar-fogo depois. O cessar-fogo pode ser agora, mas o tal acordo geral não terá a assinatura de Zelensky porque Putin não quer. Isto é maquiavélico.

Estou a conseguir a sua leitura.

Isto é muito maquiavélico, mas esta é a leitura que eu faço hoje em dia sobre isto.

General Arno Moreira, muito obrigada por mais um "Domingo da Guerra", como sempre, já sabe.