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Às quintas-feiras, o "O Lado Bom da Vida" com o Tiago Pereira, editor de cultura do Observador, olha para os ecrãs. O que é que podemos ver de novo nos serviços de streaming, na televisão, no cinema? Bem-vindo, Tiago. Boa tarde.
Olá, boa tarde a todos. Hoje vamos fazer um quiz. Não vamos nada.
Era bom. Eu gostei muito dos quizzes que tens feito. Acho que tem ajudado.
Sim, mas a gente tem algumas queixas e eu tenho anotado. Eu tenho que variar.
Eu sinto falta de um botão.
Um buzzer.
Um buzzer, sim.
Isso é importante. Bem visto.
Se arranjássemos um botão.
Uma campainhazinha.
Vamos tratar disso. Muito bem, mas hoje vamos falar de outras coisas, não é?
E vamos começar com uma sugestão Netflix, Kanye West. Como é que isto se chama? "Jeux"?
Não, chama-se "Jeen-Yuhs".
"Jeen-Yuhs".
É assim que se lê. J-E-N.
Ai, tudo junto. Já percebi.
Traço Y-U-H-S. "Yuhs". Entendes?
A Kanye Triology.
A Kanye Trilogy. Este é um documentário dividido em três partes, que a primeira parte estreou esta semana na Netflix. Já podem ver. Primeiro que isso, lembrar que isto estreou tudo junto no Festival de Sundance deste ano. E é um documentário sobre Kanye West, que agora dá pelo nome de Ye, apenas. É assim que ele assina artisticamente. Diz.
E dá para três-
Estavas com a ficção nervosa que nem ligas o microfone.
Nem ligo o microfone. Dá para três documentários?
Não, é um documentário dividido em três atos. Estreou o primeiro ato esta semana e agora é um ato por semana, os restantes dois.
Pensar que o Kanye West dá para tanto.
Não, atenção, quando foi a série documental sobre o Michael Jordan, foi assim.
Ah, pois foi.
Michael Jordan, vários episódios, normal. Kanye West.
Ok.
Michael Jordan e Kanye West.
Eu percebo a tua indignação, mas duas coisas: Kanye West é realmente muito importante na história dos últimos 20 anos à vontade do hip-hop. Muito importante mesmo. Além disso, é uma estrela pop gigante, que se calhar nós aqui nesta bolha radiofónica não prestamos muita atenção ou não ouvimos muito em casa, tirando o Bruno Vieira Amaral.
Sim, claro.
Mas é uma estrela pop gigantesca no mundo inteiro. Aliás, por todas as razões, boas ou más, aquelas menos boas que agora têm acontecido nos últimos dias, derivadas da sua relação conturbada, das suas relações conturbadas, mostram isso.
Mas estes três episódios deste documentário olham mais para a carreira do músico ou mais para essa vida de socialite?
Não, o músico, o produtor, o empresário, o homem que também se arrisca nas coisas da moda, porque ele também tem um grande interesse na roupa e tem as suas linhas de vestuário.
Tenho que ver, porque objetivamente não sei nada sobre ele, a não ser todos os disparates que ele for fazendo.
Obviamente, é uma minissérie documental produzida pelo próprio.
Então não vai entrar na chalupice.
Portanto, não vamos esperar aqui que de repente, isto revele podres e coisas menos interessantes que ele queira revelar ao mundo. Não vai acontecer.
Vai ser um longo anúncio patrocinado pelo próprio, sobre o próprio.
Sapatilhas espetaculares ou, por exemplo, uma candidatura à Casa Branca.
O que não deixa de ser muito interessante, sobretudo tendo em conta o lado artístico e para quem é fã do Kanye West.
Temos aqui um defensor.
Não, eu não sou defensor. Acho que ele enquanto rapper e enquanto produtor é de facto muito bom.
Sim, nós devemos estar abertos a tudo.
Estás visto. Fiquei intimidado.
E se continuas.
Eu acho que tu tens aí uma vocação de advogado.
Sim, eu o tom do direito sou ótimo.
Não sei se não saio daqui com um processo em cima.
Do Kanye. Kanye Triology. Como é que é? "Jeen-Yuhs".
"Jeen-Yuhs".
É difícil de ler, já percebi que é genius, mas está todo-
É genius in the bottle. Neste caso, é genius num documentário.
Foi uma boa chalaça pop.
Foi, não foi?
Eu gostei muito.
Vamos olhar agora para uma outra sugestão. Amazon Prime Video tem disponível já isto de nome "The Marvelous Mrs. Maisel".
Ainda não. Tem a partir de amanhã dois episódios da quarta temporada, nova temporada, de "The Marvelous Mrs. Maisel".
É alguma coisa de jeito.
Posso adiantar que vi as três temporadas anteriores. É das poucas séries dos últimos anos que talvez tenha visto as temporadas todas e vale bem a pena.
Pois.
É extraordinário.
Tendo assim, percebe-se que vale mesmo a pena.
É a história de Miriam Maisel, que é a fantástica senhora Maisel. Eu vou tentar fazer só aqui um perfil muito rápido da série para quem não sabe do que estamos a falar, consiga perceber mais ou menos. O cenário é Nova York, anos 50. Mrs. Maisel, casada, aparentemente felicíssima da vida com o estatuto que tem, está tudo bem. Senhora americana dos anos 50, jovem mãe. Até que de repente descobre que tem um talento raro para stand-up comedy. Mas estamos a falar de uma mulher nos anos 50, para fazer stand-up comedy tem que ir aos bares à noite em Nova York. Ela começa a fazer isso de forma às escondidas, basicamente. A sua vida pessoal leva uma revolução completa e ela decide, de facto, dedicar-se de corpo e alma à comédia e ao stand-up. E depois acompanhamos todas as aventuras e desventuras dela no stand-up, nas relações pessoais, nas relações com os filhos, com a família, tudo isso. Está muito bem escrito. Rachel Brosnahan, que é a atriz, já foi premiada com Emmys. É fantástica neste papel Eu vou dizer uma coisa que tem imensa graça.
Imensa graça.
Imensa graça.
Imensa publicidade também.
A sério, vejam isto porque além de ser uma história muito bem contada sobre uma personagem muito interessante, é também uma boa oportunidade para verem um retrato da América.
Um retrato da América.
Podem fazer-
É uma série que toma o pulso.
Não, por exemplo, não toma pulso nenhum. Lembras-te do Mad Men?
Sim.
Mad Men, aquele lado super másculo e misógino da América dos anos 50 e 60. Aqui em Nova Iorque.
Sim.
Troca-lhe as voltas, mulheres como protagonistas. Sim, estou a fazer um paralelismo muito alaranjado, atenção.
Muito freestyle.
Só para perceberem onde é que isto se situa mais. Epá, deem uma chance.
Sim, vou dar uma chance ao amor.
Deem uma chance. Não, é isso também, pelo amor de Deus!
The Marvelous Mrs. Maisel.
Maisel. Olha, por causa da atriz, garantidamente.
Por acaso também gosto bastante da atriz.
Ótima. Mas sobretudo pela tua sugestão, óbvio.
Tu estás a vender muito bem o peixe que trouxeste.
Nós também vamos ganhando calo, não é? Eu agora já faço telefonia há cerca de duas semanas.
O carne é que é o maior do mundo.
Eu não disse isso.
É Marvelous Mrs. Maisel.
Estou a ser mal citado. E isso dá processo.
Lá mais uma segunda ameaça. Cuidado, Bruno. Vamos avançar para uma sugestão.
Ganhas quizz, chegas aqui, achas que-
Vamos avançar para uma sugestão da Apple TV+. Chama-se como? Severance?
Severance. Não vi absolutamente nada. Só estreia amanhã.
Esta é que deve ser a boa.
Só estreia-- não, atenção. Pronto. Isto é capaz de ser bastante bom.
Estreia amanhã.
Porque pelo menos a ideia é bastante boa. Um dos responsáveis por isto é o Ben Stiller. Não sei se isso vos ajuda ou não, ou se vos-
Afasta, repele.
Exato.
Não, ajuda-me.
Depois daquele filme dos diamantes, não.
E a questão é: há uma-
Não, estou a confundir com o outro. Não. Confundo sempre o Ben Stiller com aquele que fez os diamantes para a Netflix.
O Adam Sandler.
Está bem. Também confundo.
Ben Stiller, OK, já estou a ver quem é. Sim, claro.
Pronto, posso continuar aqui no meu emprego?
Ele é um realizador, não é?
Ainda não, ainda não posso.
Não, estou aqui a ficar. E tem o Adam Scott e o Christopher Walken. E a Patricia Arquette.
Ainda bem que eu trouxe.
Tem o Torturo.
Ainda bem que eu trouxe notas.
Adoro John Torturo.
Muito bem. Há uma empresa que assegura a separação. Muito fácil. Imaginem que há um método que vos permite isto. Chega a um observador.
Vê lá o que vais dizer.
E não têm memórias sobre o que se passa em vossa casa, na vossa vida pessoal. Quando chegam a casa, não têm memórias sobre aquilo que se passa no observador.
Mas isso é com a ajuda de algum psicotrópico?
É com a ajuda de um processo que eu não sei descrever, porque ainda não vi a série.
É o comprimido azul e o comprimido vermelho.
Mais ou menos. E portanto, é isto que acontece nesta série.
E quando uma pessoa está a caminho de um sítio e de outro, como é que é?
O que é que acontece? Não sei. Vamos ver todos a série e vamos discutir para a semana. Pronto, isto estreia amanhã. Ficam disponíveis dois episódios amanhã, portanto podem logo decidir se vão querer ver isto até ao fim. Depois têm um episódio por semana, são nove no total. Adam Scott é o protagonista. Eu já percebi que ele a meio caminho vai encontrar um colega de trabalho fora do emprego.
E esse é o momento.
A coisa vai complicar.
Quando os dois caminhos se ligam.
Vocês lembram-se, por exemplo, no Regresso ao Futuro, quando os protagonistas podem ver e pode haver uma perturbação temporal. Exatamente. Lembram-se disso?
Contínuo passe temporal.
Ora bem, agora imaginem uma coisa destas. Imaginem que saiam do observador.
E se a mulher dele tiver um relacionamento com um colega de trabalho?
Chega a casa, não se lembra.
Ótimo.
Adoro esta cor.
Mas aí os dois mundos cruzam-se. Portanto, há aqui aquela pseudobucharia que às vezes resulta muito bem nas séries.
Epá, eu agora já não quero ver.
Estava-me a lembrar, este filme, pelo trailer, faz-me lembrar aquele do John Malkovich, que é o Sétimo Andar e Meio, não é?
Não, é Quem Quer Ser John Malkovich.
Que vivia ou que havia um escritório num sétimo andar e meio.
Sim, há assim uma passagem.
E as cores e o ambiente de escritório que aparece aqui no trailer do Severance tem assim uma semelhança estética.
O Nelson a tentar dar uma cultura pop a esta hora.
Intelectual, queres mesmo dizer, Malkovich é intelectual.
Estava só a tentar dizer.
Dar o teu contributo.
Posso continuar agora. Vamos ao cinema. O Homem Que Matou Dom Quixote já está nas salas nacionais ou chega hoje? Estreou-se hoje nas salas nacionais, o filme do Terry Gilliam, que está para ser feito vai para 20 ou 30 anos, uma coisa assim.
Este é que deu confusão com Paulo Branco.
Que deu confusão com Paulo Branco, sobre direitos e dinheiros etc. e tal. Finalmente, o filme estreia, filme protagonizado por Jonathan Pryce e Adam Driver. Adam Driver interpreta um realizador frustrado que trabalha no mundo da publicidade e que em tempos foi uma triola e fez um anúncio que tinha o Dom Quixote como cenário e fez com que algumas personagens dessa terra passassem a ter uma espécie de relação psicótica com o Dom Quixote, sobretudo o homem que se chama Javier, interpretado por Jonathan Pryce, que acha mesmo que é Dom Quixote, quando Adam Driver volta a essa terra algum tempo depois. E Adam Driver alinha na loucura deste senhor e transforma-se no seu Sancho Pança.
Apesar de alto e magrinho, mas sim.
Exato.
O que tem piada, não é? Porque isto é o que acontece ao verdadeiro Dom Quixote. Eu achei que é o que não é.
Ora, muito bem. E, portanto, há aqui um paralelismo entre a literatura e o cinema. Não se esqueçam, o filme é de Terry Gilliam Que foi membro ilustre dos Monty Python.
Era o senhor que fazia os bonecos?
Era o senhor que fazia os bonecos, o único americano da trupe, e que gosta muito de fazer coisas, aparentemente, do outro mundo e histórias.
E que esteve a semana passada em Portugal para apresentar este filme.
E que esteve em Portugal e que podem inclusivamente ler no Observador uma entrevista com o Terry Gilliam. Está lá tudo para vocês lerem.
Ah, OK. Estava a deixar esta deixa passar.
E irem mais fundamentados para a sala de cinema.
Mais uma vez, o trailer é ótimo.
Rapidamente, estamos a ficar sem tempo, mas ainda falamos de "Caixa de Memórias". É outra das estreias desta semana nos cinemas.
Sim, filme libanês da dupla, eu vou dizer dentro do possível o nome. Ela chama-se Joana Hadjithomas, algo assim parecido, e ele chama-se Khalil Joreige.
Que pena não se chamarem todos Kanye.
Grande música.
Se todos se chamassem Kanye era tão bom.
Isto está picadinho aqui, não está? Sentem isso no ar.
Maya é uma mãe que vive com a sua filha no Canadá. A sua filha é adolescente. Na véspera de Natal, elas recebem uma caixa, e que nessa caixa vêm muitas fotos, documentos e memórias da mãe de quando ela era adolescente em Beirute, na década de 80. E isto provoca um regresso ao passado, descobrem-se uma série de segredos que a filha quer muito descobrir e é, como o Bruno gosta de dizer, um retrato. Toma o pulso da Beirute, toma o pulso, sobretudo, do que é crescer e ser adolescente em ambiente de guerra, especificamente em Beirute, no Líbano, e especificamente nas décadas de 70 e 80. Chama-se "Caixa de Memórias", acho que já tinha dito. Estreou-se também esta semana e é uma ótima proposta. Vão ao cinema, faz-vos bem.
Belas sugestões do Tiago Pereira nesta quinta-feira, que olha para os ecrãs, é o tema às quintas do "Lado Bom da Vida". Tiago Pereira, que volta a estar conosco na próxima segunda-feira. Um abraço. Obrigado por estas sugestões.
Um abraço.
Viva o Kanye.
Rádio Observador.